Campanha da Noruega e Dinamarca
A conquista da Noruega Na noite de 13 de dezembro de 1939, o Almirante
Raeder, Comandante da Kriegsmarine, teve um encontro secreto com Vidkun
Quisling. O líder fascista norueguês, comunicou-lhe que os ingleses
planejavam desembarcar em seu país e propôs-lhe, a fim de frustrar o projeto
inglês, apoiar com seus partidários a ocupação da Noruega por tropas alemães.
Raeder, entusiasmado com a idéia, transmitiu imediatamente a Hitler a
proposta de Quisling. O ditador recebeu Quisling a 14 de dezembro e
manteve com ele uma longa reunião, a portas fechadas. Ao término da reunião,
Hitler ordenou aos chefes da Wehrmacht que iniciassem o estudo de um plano de
invasão da Noruega e da Dinamarca. No momento, entretanto, não deu maior
importância ao assunto, pois a sua atenção estava toda concentrada na
preparação do ataque contra a França. Devido aos sucessivos adiamentos da ofensiva na
frente ocidental, Hitler, a 27 de janeiro, volta ao projeto da Noruega e
ordena ao marechal Keitel que constitua um grupo de estudo integrado por
oficiais das três forças armadas e um representante do serviço secreto. Esta
pequena equipe, dirigida pelo almirante Krancke, deu início ao planejamento
da operação Weseruebung, palavra chave que designava a invasão da Noruega e
da Dinamarca. Seus trabalhos são mantidos em sigilo absoluto e realizados sob
a supervisão de Hitler. Um fato inesperado leva Hitler a pôr em prática a
invasão. A 16 de fevereiro, um destróier inglês, seguindo ordens de
Churchill, ataca, em águas territoriais norueguesas, o transporte alemão
Altmark, navio auxiliar do encouraçado Graf Spee, que conduz a bordo 300
marinheiros aliados capturados no Atlântico Sul e, após um curto combate,
resgata os prisioneiros. Ao receber a notícia, Hitler ordena, enfurecido, que
Keitel acelere os preparativos para realizar, o quanto antes, a operação
Weseruebung. Na manhã de 21 de fevereiro, Hitler recebeu o
general Nikolaus von Falkenhorst e lhe confiou o comando das forças que
interviriam na invasão. O veterano general preparou, nessa mesma tarde, em
seu quarto de hotel, um esboço do plano de operações, valendo-se, na ausência
de mapas, de um guia turístico da Noruega. O ataque seria feito por cinco
divisões, cada uma delas ocuparia os cinco principais portos noruegueses:
Oslo, Stavanger, Trondhein, Bergen e Narvik. Hitler aprovou o projeto. A partir desse momento, os acontecimentos se
precipitam. A 1° de março, Hitler determinou as diretivas finais para a
invasão e, dois dias depois decidiu que o ataque contra a Noruega teria que
se realizar antes da ofensiva na frente ocidental. Para isto, dispôs-se a
aumentar as forças de Falkenhorst até um total de nove divisões. A 9 de março
a Marinha terminou o seu plano de operações e as tropas começaram a se
concentrar nos portos do norte da Alemanha e na fronteira da Dinamarca. Tudo
estava pronto para o ataque. Finalmente, na tarde de 2 de abril e após manter
uma longa reunião com Falkenhorst, Raeder e Goering, Hitler fixou a data da
invasão: 9 de abril, às 5:20 da manhã. |
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O Plano “Wilfred” Enquanto Hitler terminava os planos da invasão da
Noruega, os Aliados, por seu lado, resolviam intervir na Escandinávia para interromper
o fluxo de ferro para a Alemanha através do porto de Narvik. Paul Reynaud que, a 20 de março, havia substituído
Daladier, à frente do governo francês, converte-se no principal promotor da
operação. A 27 de março, viajou à Londres, e no outro dia conseguiu, na
conferência que manteve com os chefes políticos e militares ingleses,
convencer Chamberlain da necessidade vital de minar as águas costeiras
norueguesas. Nesta reunião, porém
ficou decidido pôr em prática o plano de Churchill de lançar minas fluviais
no Reno, para interromper a navegação fluvial naquele rio. A operação contra
a Noruega (Operação Wilfred), seria novamente adiada. Ao regressar a Paris, Reynaud submeteu
imediatamente à consideração do Gabinete o resultado da conferência de 28 de
março. A maioria dos ministros e o presidente da República, Albert Lebrun. se
opuseram terminantemente ao projeto britânico de minar o Reno, pois temiam
que os alemães como represália, desencadeassem a guerra aérea contra a
França. Reynaud, desalentado, comunicou logo a negativa de seu Governo a
Chamberlain. Este, enfurecido, retirou então o seu apoio à operação Wilfred.
Para solucionar o conflito, Winston Churchill viajou para Paris, a 4 de
abril. Após discutir o assunto com Reynaud e Daladier, decidiu abandonar o
projeto do Reno e levar adiante a operação contra a Noruega. Sem mais demora
telefonou a Chamberlain, a quem conseguiu convencer, a poder de enérgicos
argumentos. Resolveu-se, em conseqüência, levar à prática a operação Wilfred,
na madrugada de 8 de abril. Os chefes
militares aliados, entretanto, haviam concordado em armar uma força
expedicionária, para ocupar os portos de Narvik, Stavanger e Trondheim, se os
alemães, como se previa, desembarcassem,
no sul da Noruega. Posteriormente, estas tropas cruzariam a fronteira sueca e
tomariam as minas de ferro daquele país. Enquanto os aliados se preparavam
para a operação Wilfred, navios alemães, cheios de soldados, já navegavam a
todo vapor rumo às costas da Escandinávia. A invasão Para conquistar a Noruega, a Marinha alemã
organizou uma força de ataque integrada pela quase totalidade de seus navios.
Esta esquadra, comandada pelo vice-almirante Gunther Lutjens, dividiu seus
efetivos em cinco flotilhas, cada uma das quais transportando as tropas de
assalto do Exército, para ocupar os portos de Narvik, Trondheim, Bergen,
Kristiansand e Oslo. A conquista do porto de Stavanger e do aeroporto de
Sola, o mais importante da Noruega, seria realizada por pára-quedistas e
tropas aerotransportadas. Uma flotilha de proteção, integrada pelos
encouraçados Gneuseneau e Schrnhosrt, este último com as insígnias do
vice-almirante Lutjens, escoltaria os grupos que ocupariam Narvik e
Trondheim. Para assegurar o abastecimento nesses portos longínquos, foram
enviados para ali, antecipadamente, sete cargueiros e Três petroleiros. Outra
frota. integrada por 15 grandes barcos mercantes, transportariam o grosso
(50.000 homens) do Exército de Von Falkenhorst, aos portos do sul (Bergen e
Oslo), logo que fossem conquistados pelas tropas de assalto. Com a ocupação dos aeródromos da Dinamarca, a
Luftwaffe estaria em condições de estender o raio de ação de seus bombardeios
e caças, o que asseguraria a total supremacia aérea alemã sobre o sul e o centro da Noruega. O temerário plano alemão de invasão baseava-se
fundamentalmente na surpresa e na rapidez com que fossem feitas as primeiras
ocupações. Só 9.000 soldados, providos exclusivamente de armas portáteis,
compunham a força de assalto encarregada do ataque inicial. Na madrugada de 8 de abril de 1940, os aliados
puseram em marcha a operação Wilfred. A essa hora, os embaixadores da
Inglaterra e da França foram recebidos pelo surpreendido ministro das
Relações Exteriores norueguês, Halvlan Koht, ao qual anunciaram que nesse
preciso instante uma flotilha de destróieres britânicos havia começado a
minar a entrada do porto de Narvik. A rota do ferro estava cortada. Enquanto
os ingleses terminavam a colocação do campo de minas nos fiordes, a frota
alemã do almirante Lutjens se aproximava a toda máquina de Narvik. Na manhã do dia anterior, 7 de abril, aviões de
patrulha da RAF, haviam avistado a vanguarda da frota alemã, navegando
velozmente para a costa norueguesa. Sem demora, uma esquadrilha de
bombardeiros Wellington saiu para interceptá-la e às 13:25 horas, avistou os
barcos alemães e se lançou ao ataque. Dois dos aviões foram derrubados pelo
fogo antiaéreo e os resto voltou às suas bases, depois de procurar
infrutiferamente os navios de Lutjens que, protegidos pelo mau tempo,
lograram escapulir-se para o norte. Às 19 horas, e depois de receber a notícia do
ataque dos Wellington, o almirante Forbes, chefe da Home Fleet, ordenou que
seus navios saíssem no encalço da esquadra alemã. Os grandes couraçados
Rodney, Repulse e Valiant abandonaram o ancoradouro de Scapa Flow e se
dirigiram a costa escandinava. No dia seguinte foi ordenado aos cruzadores
Glasgow e Devonshire, que se unissem à frota do almirante Forbes. Rapidamente,
foram desembarcados desses barcos os soldados britânicos que deveriam partir
naquela manhã para ocupar o porto de Stavanger e a base aérea de Sola. Essa
medida apressada teve funestas conseqüências, pois, permitiu aos
pára-quedistas alemães tomar o vital aeródromo, sem encontrar resistência. Os alemães em Narvik e Trondheim Na manhã de 8 de abril, a frota de Lutjens topou
em seu caminho com o destróier Glowworm, navio integrante da flotilha
britânica postada em frente a Narvik. Sem demora, dois destróieres alemães,
apoiados pelo cruzador Admiral Hipper o atacam. O capitão do Glowworm, ao ver
que não teria escapatória, estendeu uma cortina de fumaça e se dirigiu, a
toda velocidade, contra os inimigos. Minutos depois, o destróier britânico
batia violentamente contra o Admiral Hipper, abrindo-lhe uma grande brecha no
casco. O Hipper afastou-se do destróier e disparou-lhe seus canhões. Às 9 da
manhã, o Glowworm, destroçado por sucessivos golpes, desapareceu sob as
ondas. Mas antes tinha dado o alarme a outros barcos ingleses. Perto de
Narvik, o Almirante Withworth recebeu o pedido de auxílio do Glowworm. Sem
perder tempo, reuniu seus barcos e se dirigiu ao sul, para cortar o caminho
aos alemães. Logo após o afundamento do Glowworm, o almirante Lutjens ordenou
ao capitão Heve, comandante do Admiral Hipper, que se dirigisse com quatro
destróieres para Trondheim, para ocupar aquele porto. Perto de meia-noite, a flotilha alemã chega à
entrada do fiorde e, após enganar os guarda-costeiros noruegueses,
identificando-se, mediante sinais, como uma frota inglesa, internou-se no
canal. Poucos quilômetros adiante, os barcos alemães foram bombardeados,
surpreendentemente, por uma bateria costeira. Responderam rapidamente ao fogo
e, ocultos atrás de uma cortina de fumaça, continuaram avançando. Horas
depois, a flotilha atracava nas docas de Trondheim e procedia ao rápido
desembarque de 1.700 caçadores de montanha. Em poucos minutos, os alemães se
apossaram da cidade sem disparar um só tiro. Enquanto o Admiral Hipper se dirigia a Trondheim,
o Schsnhorst e o Gneuseneau prosseguiram navegando para Narvik, junto com a
flotilha de destróieres, comandada pelo capitão Friedrich Bonte. Às 22:30
horas, o almirante Lutjens ordenou a Bonte iniciar o ataque. Os 10
destróieres romperam a formação e penetraram no canal Vestford que dá acesso
à Narvik. Cinco destróieres ficaram na retaguarda e
desembarcaram tropas sobre as costas do fiorde; as naves restantes,
encabeçadas pelo Wilhelm Heidkamp, barco insígnia de Bonte, prosseguiram até o
porto e, depois de escapar aos guarda-costeiros noruegueses Norde e Eidsvold,
atracaram nas docas e procederam ao desembarque do resto das tropas. O chefe
da guarnição norueguesa, coronel Konrad Sundlo, entregou a cidade sem lutar,
pois pertencia ao grupo de traidores partidários de Quisling. Luta naval em Narvik Após se separar da flotilha de Bonte, Lutjens
prosseguiu navegando a toda máquina para o norte, para distrair os barcos
ingleses postados frente a Narvik. Na madrugada de 9 de abril, os couraçados
alemães Gneisenau e Scharnhorst entraram em combate no meio de uma pesada
nevasca, com o couraçado britânico Renown e a flotilha de destróieres da
Capitão Waburton Lee. Os navios alemães receberam alguns impactos, mas
fugiram ao norte, amparados pela tormenta. Os destróieres ingleses dirigiram-se então, a toda
velocidade para Narvik. Na madrugada de 10 de abril, a flotilha chega ao
fiorde e se dispôs a iniciar batalha com os barcos alemães. Às 4:35 horas, o
Hardy, barco insígnia de Lee, irrompeu de surpresa no porto e, com uma salva
de torpedos alcançou a nave capitânia de Bonte, o Wilhelm Heikamp. O barco
alemão incendiou-se e ficou à deriva. Sobre a sua coberta, o capitão Bonte
jazia mortalmente ferido. O combate se generalizou rapidamente. Os ingleses
conseguiram afundar outro destróier alemão e logo afundaram vários
cargueiros, fundeados na baía. Apareceram, então, surpreendentemente, três
destróieres alemães que estavam ocultos num fiorde, ao norte de Narvik.
Waburton Lee, confundindo um dos barcos com um cruzador, ordenou a seus
navios empreender, a toda velocidade, a retirada. Entretanto, antes de chegar a alto-mar foi interceptado pelos
alemães. Em poucos minutos, o Hardy foi alcançado por
torpedos e fogo de artilharia. Um projétil explodiu na ponte de comando e
matou, instantaneamente, Waburton Lee. Rapidamente, um dos oficiais se
apossou do leme e conseguiu atirar o barco sobre a costa. Os três destróieres
ingleses que restavam conseguiram fugir para o mar. Ocupação dos portos do Sul Na manhã de 9 de abril, uma esquadrilha de
trimotores Junkers, sobrevoou a aeródromo de Sola, perto do porto de
Stavanger, na costa sul da Noruega, e começou a lançar centenas de
pára-quedistas. Os alemães conseguiram se apoderar do aeródromo em poucos
minutos, tendo aniquilado os soldados noruegueses que tentaram opor
resistência. Reforçados por tropas aerotransportadas, os
pára-quedistas cobriram depressa os 15 km que os separava de Stavanger, e
tomaram o porto sem luta. Três cargueiros alemães, que esperavam ao largo,
atracaram rapidamente e desembarcaram armas e munições. A ocupação do
aeródromo de Sola teve papel decisivo na campanha, pois permitiu que a
Luftwaffe impedisse a ação da frota inglesa em Bergen e Trondheim, e
assegurou o triunfo das forças alemães no sul e no centro da Noruega. Nas primeiras horas da manhã de 9 de abril, uma
flotilha comandada pelo almirante Schunmdt, integrada pelos cruzadores Koln e
Konisgberg, o navio-escola Bremse e um grupo de lanchas torpedeiras,
conseguiu abrir caminho através das baterias norueguesas que defendiam a
entrada de Bergen e desembarcou naquele porto 1.900 soldados. O Konigsberg,
porém, foi seriamente avariado no curso da operação e, no dia seguinte,
afundado por aviões ingleses. Na tarde de 9 de abril, chegou a Bergen, a
flotilha inglesa comandada pelo almirante Forbes, o qual destacou um grupo
integrado por 4 cruzadores e 7 destróieres, para bombardear o porto. Os
aviões alemães que já se haviam instalado em Sola, prepararam-se
imediatamente para atacar os barcos ingleses. Ao meio dia, os Stukas
iniciaram a sua ação e deram, assim, inicio à primeira batalha aeronaval da
História. Muitos barcos foram atingidos pelas bombas e o destróier Gurkha foi
afundado. Era o primeiro navio inglês que sucumbia na guerra, sob a ação de
aviões. Às 20 horas, o almirante Forbes ordenou a seus barcos que
empreendessem a retirada. Mais ao sul, o cruzador Krlsrune, apoiado pelo
navio-escola Tsingtau e uma flotilha de lanchas torpedeiras, conseguiu apoderar-se do porto de
Kristiansand, depois que os Stukas haviam silenciado, com bombas, as baterias
costeiras. O ataque a Oslo Às 23 horas de 8 de abril, o patrulheiro norueguês
Pol 3, avistou na escuridão a silhueta de um navio que navegava velozmente para
o norte, com todas as luzes apagadas. Era o destróier alemão Albatros, barco
de vanguarda da frota de invasão, do almirante Kummetz. Seu objetivo: Oslo. O capitão do pequeno guarda-costeiro alertou
imediatamente, por rádio, ao Comando Naval de Oslo e se dirigiu a toda contra
o barco inimigo. Em poucos minutos, cobria a distância que o separava do
Albatros e investiu violentamente contra um de seus flancos. Os artilheiros
do destróier abriram fogo a queima roupa contra o Pol 3 e, em 15 segundos, o
enviaram ao fundo do mar. Alertados pelo último chamado do patrulheiro, os
chefes da Marinha norueguesa ordenaram às baterias, que defendiam o fiorde de
entrada de Oslo, que se preparassem para repelir o ataque dos barcos alemães.
Nesse momento, a frota do almirante Kummetz, integrada pelos cruzadores
Blucher e Endem, o couraçado Lutzow, cinco destróieres e nove rastreadores,
haviam começado a subir o estreito canal, em direção à capital da Noruega.
Encabeçava a formação o Blucher, barco insígnia de Kummetz, a bordo do qual
viajava também o general Engelbrecht, comandante da força de assalto,
integrada por 2.000 homens. Às 4 horas da manhã de 9 de abril, os vigias da
fortaleza da ilha de Oscarsborg avistaram a frota alemã. O coronel Erikson,
chefe da guarnição, ordenou que se abrisse imediatamente fogo, com os
poderosos canhões de 280 mm. Os artilheiros não podiam errar o tiro. A menos
de 900 metros, avançava lentamente o enorme Blucher, oferecendo um alvo
perfeito. A primeira granada destruiu a torre de direção de tiro do cruzador
e incendiou o hangar de seus aviões anfíbios. Pouco depois, ouviram-se os
canhões de Oscarsborg - a artilharia da fortaleza de Kopas, situada na margem
oposta ao fiorde. Apanhado entre os dois fogos, o Blucher não tinha salvação.
Os noruegueses deram o golpe de misericórdia, com uma descarga de torpedos.
Convertido em imensa fogueira, o Blucher afundou em poucos minutos,
sepultando nas águas geladas do fiorde mais da metade de sua tripulação. O
almirante Kummetz e o general Engelbrecht conseguiram nadar para a costa e
foram aprisionados pelos noruegueses. O ataque naval a Oslo havia fracassado. Às 9:30 horas da manhã, o rei Haakon VII,
acompanhado por seus ministros, sua família e os membros do Parlamento,
abandonou a capital e dirigiu-se para a cidade de Hamar, situada à cerca de
200 km ao norte de Oslo. Atrás da comitiva partiu uma frota de caminhões
levando todo o ouro do Banco da Noruega e os documentos secretos do governo. Ao ter notícia da derrota sofrida pela esquadra, o
embaixador alemão enviou mensagem urgente a Berlim. Sem demora, foi enviada,
então, uma esquadrilha de transportes Junker carregada de soldados ao
aeródromo de Fornebu, perto de Oslo. Ao meio-dia e apesar do mau tempo, cinco
companhias de pára-quedistas e tropas aerotransportadas haviam conseguido
desembarcar em Fornebu. Aproveitando a confusão e o pânico reinante em Oslo,
essa reduzida força, precedida por uma improvisada banda de música, entrou
marchando tranqüilamente na Capital e se apossou de todos os pontos
estratégicos, sem disparar um só tiro. A Dinamarca sucumbe Simultaneamente ao ataque à Noruega, os alemães
levaram a cabo a ocupação da Dinamarca. A operação foi rápida e fácil. Na
madrugada de 9 de abril, entrou surpreendentemente na baía de Copenhague o
cruzador-auxiliar Hansestrat Danzig, escoltado por dois patrulheiros. O barco
passou sem dificuldades pela baterias do forte que guardavam o porto e foi
atracar junto ao molhe de Langelinie, bem junto ao centro da cidade. Enquanto as tropas desembarcadas no navio ocupavam
a capital, forças motorizadas da Wehrmacht cruzaram a fronteira dinamarquesa
na Península da Jutlândia e se apropriaram, sem achar maior resistência, das
principais cidades e aeródromos do país. Três flotilhas da Marinha alemã por
sua vez, tomaram os portos mais importantes. Em Copenhague, os soldados da guarda real
ofereceram uma breve resistência às tropas alemães. Trocaram-se alguns
disparos e uma das sentinelas do palácio morreu na refrega. Finalmente, o rei
Christian, considerando que toda a resistência era inútil, ordenou ao
comandante-chefe do exército, general Pyor, que depusesse as armas. A ousada operação, que custou aos alemães apenas a
perda de 20 homens entre mortos e feridos, permitiu à Luftwaffe ocupar os
estratégicos aeródromos da Dinamarca, dos quais haveria de realizar as
operações da Wehrmacht no sul e no centro da Noruega. O contra-ataque dos Aliados fracassa Enquanto o grosso das forças de von Falkenhorst, desembarcadas
em Oslo, avançava para norte, para completar a conquista da Noruega, os
Aliados se preparavam para enviar um corpo expedicionário, destinado a apoiar
as tropas norueguesas que resistiam no centro do país. Como base de operações, foi escolhido Trondheim.
Este porto havia sido ocupado de surpresa por uma flotilha alemã, na manhã de
9 de abril e, nos dias subseqüentes havia sido aumentada mediante o envio de
tropas aerotransportadas. Além disso, a Luftwaffe havia instalado próximo ao
aeroporto de Voernes suas esquadrilhas de Stukas. A fim de desalojar os alemães, os Aliados
planejaram, inicialmente, realizar um ataque naval contra o porto, apoiado
pelo desembarque de tropas em Namsos e Andalsnes, situadas respectivamente ao
norte e ao sul da estratégica base. Depois, no entanto, o Almirantado
britânico, decidiu abandonar o ataque naval devido à superioridade aérea
alemã na região. Assim, só executou a fase terrestre da operação contra
Trondheim. Na manhã de 20 de abril, os Stukas realizaram uma série
de violentos bombardeios contra Namsos e destruíram a quase totalidade dos
abastecimentos e munições do corpo expedicionário. Nesta noite, a guarnição
alemã de Trondheim dispôs-se a realizar um contra-ataque. A bordo de um
destróier escoltado por rastreadores, 400 soldados foram conduzidos ao largo
da costa e desembarcaram de surpresa na retaguarda das tropas inglesas. Ao
amanhecer, a Luftwaffe apoiou o ataque, junto com a artilharia dos navios.
Temendo que suas forças fossem cercadas, o general Carton de Wiart ordenou a
retirada. O ataque aliado ao norte ficou, assim paralisado. Ao sul, o desembarque inglês começou a 18 de
abril. Nesse dia, uma brigada comandada pelo general Morgan desceu à terra no
porto de Andalsnes e, dirigiu-se à Dombas, estratégico entroncamento
ferroviário, que controlava as comunicações entre Trondheim e Oslo. Sua
missão era apoiar as forças norueguesas comandadas pelo general Ruge, que
lutavam desesperadamente contra os alemães na região de Lillehammer. Diante da insistência do adido militar britânico
na Noruega, o general Morgan decidiu enviar imediatamente suas forças a
Lillehammer. Os soldados ingleses, em sua maioria recrutas sem maior
instrução militar, transportaram-se em trem àquela cidade, onde chegaram a 20
de abril. Nesse mesmo dia, foram atacados por uma divisão alemã apoiada por
forte artilharia e unidades de esquiadores. Envolvidos pela evidente
superioridade alemã, os ingleses abandonaram Lillehammer a 22 de abril e se
retiraram apressadamente para o norte, junto com os noruegueses. Sem lhes dar trégua, os alemães os perseguiram e a
23, com uma manobra envolvente através das montanhas, conseguiram cercar
grande parte da brigada. No dia seguinte, os soldados britânicos haviam
perdido a metade de seus efetivos. Uma nova brigada inglesa havia
desembarcado durante a noite em Andalsnes, o que permitiu organizar uma linha
defensiva, a poucos kms ao sul de Dombas. Na tarde do dia 23, o general inglês Paget tomou o
comando de todas as tropas que operavam ao sul de Trondheim. Sem demora,
entrevistou-se com o general norueguês Rugé, que lhe comunicou que suas
tropas haviam chegado ao limite da capacidade e resistência. Paget
compreendeu que tudo estava perdido. Apoiados pelos constantes bombardeios
dos Stukas, os alemães haviam conseguido quebrar a resistência da nova
brigada inglesa e marchavam aceleradamente para Dombas. Enquanto as tropas franco-britânicas eram
rechaçadas pelos alemães ao sul e ao norte de Trondheim, os dirigentes
aliados, Chamberlain e Reynaud, reuniram-se a 27 de abril, em Londres, para
decidir o futuro das operações na Noruega. Chamberlain declarou resolutamente
ao chefe do Governo francês que havia decidido retirar as forças britânicas
de Namsos e Andalsnes, pois, a absoluta supremacia aérea alemã no sul e no
centro da Noruega tornava impossível a continuação do ataque contra
Trondheim. Reynaud, abatido, conformou-se com a resolução do primeiro
ministro britânico. A 28 de abril, foi dada a ordem de evacuação das
tropas de Namsos e Andalsnes. No dia seguinte, o embaixador britânico
comunicou ao rei Haakon a notícia e convidou-o a trasladar-se para o porto de
Tromso, situado na extremidade norte da Noruega. O monarca concordou e, na
mesma tarde, embarcou no cruzador inglês Glasgow, seguido de seus ministros e
dos embaixadores aliados. As forças aliadas abandonaram Andalsnes a 1° de
maio e, dias depois, evacuaram Namsos. A Batalha de Narvik Em Narvik, os aliados haveriam de jogar a sua
última cartada, para manter a cabeça de ponte em território norueguês. Após o
renhido combate naval travado a 10 de abril diante daquele porto,
transcorreram três dias de calma. O general alemão Dietil aproveitou a pausa
para consolidar as defesas e enviou ao norte uma coluna de soldados, para
ocupar o aeródromo de Bardufoss, o único campo de aterrissagem existente em
toda a região. A 13 de abril, ao meio-dia, penetrou no fiorde de
Narvik uma flotilha inglesa, integrada pelo velho couraçado Warspite, barco
capitânia do almirante Whitworth, e nove destróieres. Esta força contava
também com o apoio do porta-aviões Furious. No interior da baía, aguardavam o
ataque os oito destróieres sobreviventes da flotilha do capitão Bonte. A superioridade inglesa permitiu obter uma vitória
fácil, apesar da encarniçada resistência oposta pelos marinheiros alemães.
Quatro destróieres alemães foram afundados e os restantes refugiaram-se num
profundo e estreito fiorde, onde seus tripulantes os abandonaram, descendo a
terra e se unindo às tropas de Dietl. Pela tarde, a frota britânica era dona das
águas de Narvik. No entanto, o almirante Whitworth não pôde ocupar o porto,
pois, carecia de tropas de desembarque. Enviou, então, uma mensagem urgente
ao almirante Cork, chefe das forças navais que operavam em Narvik,
solicitando uma força de assalto, para terminar a conquista de Narvik. A 15 de abril, o general Mackesy desembarcou a sua
brigada na ilha de Hinnoy, situada ao norte de Narvik, e estabeleceu ali a
sua base de operações. No mesmo dia, o almirante Cork entrevistou-se com Mackesy
e o incitou a lançar-se imediatamente ao ataque contra Narvik. O general, no
entanto, negou-se a isso. De acordo com seu plano, a operação devia se
realizar ordenadamente e por etapas, logo que os britânicos tivessem sido
reforçados pelos franceses e noruegueses. Enfurecido pela cautelosa passividade de Mackesy,
Churchill designou o almirante Cork, comandante-chefe de todas as forças
destacadas em Narvik e ordenou-lhe que bombardeasse o porto com a esquadra,
para obrigar a rendição alemã. Em 24 de abril, os barcos ingleses
bombardearam Narvik violentamente, durante mais de três horas, enquanto um
batalhão de soldados irlandeses mantinha-se pronto para desembarcar, ao menor
sinal de desfalecimento dos alemães. Estes, no entanto, escaparam sem dificuldades
aos efeitos do bombardeio, dispersando suas forças. Em Berlim, a notícia do desembarque aliado em
Narvik provocou um intenso alarme. Hitler, tomado de pânico, ordenou aos
chefes da Wehrmacht que organizassem a imediata evacuação aérea das tropas de
Dietl, operação totalmente irrealizável, pois, não havia em Narvik nenhum
aeródromo. Realizaram-se, então, esforços desesperados para reforçar Dietl.
No dia 13 de abril, 12 transportes Junker, carregados com uma bateria de
canhões de montanha, realizaram uma acidentada descida na superfície de um
lago gelado. Nenhum dos aparelhos pôde regressar, porque todos ficaram com os
trens de aterrissagem destruídos. A 27 de abril, chegou a Narvik o Corpo de
caçadores alpinos franceses, comandado pelo general Bethouart. Este sem
demora, apressou o general Mackesey a lançar-se o quanto antes ao ataque
contra o porto, mas, encontrou a obstinada negativa do chefe britânico. Não
obstante, fatos novos iriam forçar Mackesy a pôr de lado sua decisão. Ao sul de Narvik, um poderoso Exército alemão,
integrado por mais de 40.000 soldados, havia derrotado as reduzidas forças
inglesa que lhe barrava o caminho e avançava em marcha forçada para auxiliar
as tropas de Dietl. Por isso, era necessário, conquistar Narvik o quanto
antes. No dia 7 de maio, Mackesy então concordou com o
ataque e Bethouart apressou-se a ocupar a península de Oijord situada ao
norte, em frente a Narvik. Poucos dias antes, suas tropas haviam sido
reforçadas por um corpo da Legião Estrangeira e uma brigada polonesa. Na
madrugada de 13 de maio, três batalhões de legionários realizaram o
desembarque e, no dia seguinte, completaram a conquista da península,
apoiados pelas unidades de caçadores alpinos e noruegueses que avançaram do
norte. Simultaneamente, a brigada polonesa atacou o porto de Ankenes, situado
ao sul de Narvik, na margem do fiorde Beis. Enquanto as tropas aliadas realizavam esta
operação e se preparavam para o ataque final contra Narvik, as divisões da
Wehrmacht iniciavam na França, Holanda e Bélgica, a devastadora ofensiva que
culminaria com o cerco do grosso do exército franco-britânico em Dunquerque.
Os dirigentes aliados, em conseqüência, enviaram ao almirante Cork, a 24 de
maio, a ordem de evacuar todas as tropas que combatiam na Noruega, para enviá-las
ao território francês. A 26 de maio, Cork comunicou ao general Bethouart
a ordem de evacuação. O chefe francês pediu autorização para terminar o
ataque contra Narvik, antes de empreender a retirada. Assim, os aliados
salvariam, mediante uma última vitória, a honra de suas armas. Cork cedeu ao
pedido e, sem demora, prepararam-se os barcos e as tropas para realizar o
desembarque. À meia-noite do dia 27 de maio, três batalhões da
Legião e um norueguês cruzaram em pequenos barcos o estreito canal que separa
a ponta da península de Oijord de Narvik e atacaram o porto. Depois de manter
encarniçados combates com os alpinos de Dietl, conseguiram, ao amanhecer
conquistar a cidade destruída. Ao sul, os poloneses depois de aniquilar a
guarnição de Ankenes, avançaram para leste, bordejando a costa do fiorde de
Beis e a 29, pela madrugada, fizeram contato com os legionários franceses
vindos de Narvik. Após esta união, os aliados atacaram o povoado de Silvik,
onde Dietl havia estabelecido seu posto de comando. A 2 de junho, os
poloneses tomaram todas as colinas que dominavam a posição alemã. Foi aí que
Bethouart deu ordem para deter a ofensiva. Dias depois, a 7 de junho, o rei Haakon embarcou
no Devonshire com o corpo diplomático e o príncipe herdeiro. No dia 8 de
junho, às 23 horas, o Corpo Expedicionário Aliado tinha abandonado a Noruega. Anexo
Capturem o Altmark Dia 17 de dezembro de 1939. Montevidéu. Uruguai. As parias e as docas estão lotadas de pessoas silenciosas e na expectativa. Nos terraços dos edifícios mais altos, muita gente observa com binóculos. O espetáculo é raro. Não se vê diariamente a sadia de um couraçado, que vai para a batalha. Logo depois, inesperadamente, tudo acaba. Uma violenta explosão sacode a cidade inteira e o couraçado estremece, ferido de morte. O Graf Spee, couraçado alemão de bolso, de 10.000 tons, já não existe. Em seu lugar, há uma massa confusa de ferros retorcidos que submerge no rio da Prata. Mas o almirantado britânico sabe que o Graf Spee não estava só. Outro navio o acompanhou durante toda a campanha. E nele se encontram centenas de tripulantes de barcos afundados. Iludindo o cerco feito ao Graf Spee, seu companheiro conseguiu fugir. Onde está? É tarefa do Almirantado descobri-lo. E todos os recursos são usados na tarefa de encontrar o Altmark, navio-auxiliar do Graf Spee. Noruega. 14 de fevereiro de 1940. O adido naval adjunto francês, tenente Kermarree, conversa com marinheiros noruegueses. A conversa é seguida atentamente pelo adido. E sua perspicácia é premiada. Um dos capitães conta ter navegado todo o tempo nos fiordes, perto de um barco muito parecido com o Altmark. Na verdade, “está seguro de que se tratava dele”. O tenente francês não perde um minuto, transmite a informação à Legação da França em Oslo. Dali, a comunicação passa ao adido inglês. Minutos depois, o Comando Costeiro inglês prepara seus recursos e inicia a carga. Dia 16 de fevereiro. 12:52h. Aviões ingleses Hudson exploram o mar, até o sul da Noruega. A costa é um labirinto de enseadas, baías e cabos. Do alto, parece o fio de uma gigantesca serra. Finalmente, um ponto aparece ao longe, perdido na imensidão do mar. Os aviões se precipitam, perdendo altura. Uma passada, e outra, e outra mais. Aparentemente é um navio mercante, em pacífica marcha. Mas, algo o denuncia. A popa apenas disfarçada pela pintura, mostra seu nome, claramente visível. Altmark. O rádio transmite a posição e o rumo. A caça começara. No almirantado, sobre a mesa de operações, um pequeno cubo colorido de vermelho assinala a posição da flotilha de torpedeiros do capitão Vian. Está muito perto do Altmark. E a ordem vem de imediato. O barco alemão deve ser capturado. Uma última troca de mensagens esclarece todas as dúvidas dos marinheiros do capitão Vian: o Altmark deve ser interceptado, mesmo estando em águas territoriais. O barco alemão, entretanto, força suas máquinas em busca de Skagerrat. Se penetrar nele, pode se considera a salvo. Os torpedeiros alemães, sem dúvida, protegerão seu regresso ao porto. Mas alguém disse não. O capitão Vian exige tudo de seus torpedeiros e mais alguma coisa. Ali vão navegando a toda maquina para o barco alemão. O Altmark, impossibilitado de cruzar o Skagerrat, vira para bombordo e avança para a costa norueguesa. Uma pequena fenda de 200 m de largura lhe serve de refúgio. Alguém vem em sua ajuda. São duas canhoneiras norueguesas, que saem ao encontro dos torpedeiros ingleses e lhes informam que o cargueiro alemão, já revistado por eles, não oculta nada anormal. O comandante Vian acredita nos noruegueses e envia mensagem ao Almirantado. “Sem novidades. Alarme falso. Presumido Altmark visitado por barcos noruegueses. Tudo normal a bordo”. Churchill está conferenciando com o primeiro lorde do Almirantado, almirante Dudle Pound, o almirante Phillipps e seus auxiliares, quando o radiograma chega. Lê o texto e após proferir uma exclamação de furor, atira-se ao telefone. Logo depois, Churchill enviara ordens a Vian, terminantes e claras. O Altmark será revistado, qualquer que seja a reação dos barcos noruegueses. “Se um torpedeiro norueguês se interpõe, passe-lhe ao largo. Se o ataca, responda-lhe”. Nada mais faltava a Vian para que seu barco, o Cossack, acelerasse suas maquinas num apressado regresso ao fiorde onde se ocultava o Altmark. A escuridão começava a envolvê-lo, quando os potentes refletores do Cossack iluminaram o barco alemão e, num primeiro plano, o torpedeiro norueguês Kjell. Rápida troca de mensagens entre Vian e o capitão do Kjell confirmou a posição dos noruegueses: mantinham sua afirmação anterior. O Altmark não conduzia prisioneiros. “Tudo normal a bordo”. Seguindo suas instruções, Vian não vacilou um instante. O Cossack lançou-se à abordagem. O Altmark, entretanto, tentando investir contra o Cossack, precipita-se sobre a costa, onde encalha. Logo, o barco inglês o abordou e seus tripulantes se lançaram sobre a coberta do navio alemão. Depois de um furioso e sangrento corpo a corpo, os ingleses ficaram donos do terreno. Uma rápida inspeção, permitiu-lhes comprovar que o informe dos barcos de guerra noruegueses não se aproximava muito da verdade: nos porões do Altmark amontoavam-se 300 ingleses, tripulantes dos barcos afundados pelo Graf Spee. O “Baedeker” de Falkenhorst Dia 21 de fevereiro de 1940. Chancelaria do Reich. Berlim. Sobre uma ampla mesa de despacho do Fuhrer, acumulavam-se dezenas de mapas, em desordem. Hitler, de pé, pensativo, contempla o vazio. Dois leves golpes soam. Depois, a porta se abre. Um tenente da Wehrmacht entra, perfila-se e bate os calcanhares. - O Sr. general Von Falkenhorst. Hitler faz um movimento de cabeça e o tenente se retira. Atrás dele entra um visitante. É Nicolau von Falkenhorst, comandante de um corpo do Exército do oeste. Falkenhorst não é um oficial brilhante. Não conta em sua folha com grandes batalhas, nem ações extraordinárias. Mas tem uma qualidade: lutou na Finlândia, na Primeira Guerra. O antecedente, aparentemente sem importância, pesa muito. Principalmente em relação à operação que Hitler planeja. O Fuhrer dirige-se para a mesa coberta de mapas, seguido por Falkenhorst. Depois diz: - sabemos que os ingleses preparam um desembarque na Noruega. Falkenhorst não precisa de mais para saber o que se pretende dele. De imediato, é Hitler quem o confirma: - Esta tarde, às 5 horas, os planos para a invasão da Noruega devem estar aqui. Von Falkenhorst bate o calcanhar e sai. Não é pequena a tarefa que o aguarda. Já na rua, junto ao automóvel cuja porta seu assistente mantém aberta, Falkenhorst medita e decide rapidamente. Aproxima-se do sargento da Wehrmacht, que se mantém em sentido e diz-lhe: - Depressa, consiga-me um “Baedeker”. O ajudante-de-ordens fita-o, surpreendido e Falkenhorst insiste: - Um “Baedeker”. Um guia de turismo “Baedeker”. Agora mesmo. Vá. O sargento se afasta rapidamente, e Falkenhorst deixa-se cair no assento traseiro do Mercedes. Dez minutos depois, o sargento regressa. Traz na mão um guia de turismo “Baedeker”. Entrega-o a Falkenhorst, entra no carro e o põe em marcha. Depois, sozinho, no quarto de hotel em que se hospeda, Falkenhorst abre sobre uma mesinha o mapa da Noruega. É um mapa para turistas, sem relevos e com poucos acidentes naturais. Toma depois algumas folhas de papel, um lápis e começa a escrever. Dia 21 de fevereiro de 1940. Chancelaria do Reich. 5 h da tarde. O Mercedes de Falkenhorst pára na porta. O general desce e se dirige apressadamente para o despacho com o Fuhrer. Em sua pasta, leva o plano de invasão. E também o mapa, cuidadosamente destacado do guia “Baedeker”. Quisling Defensor ardente dos interesses britânicos por ocasião da ruptura entre o Governo bolchevique e a Inglaterra. Depois admirador do sucesso obtido pela revolução russa e organizador de uma Guarda Vermelha. Finalmente em 1933, fundador da União Nacional, partido político de orientação fascista. E como coroamento de traidor profissional, entreguista de sua pátria aos nazistas. Tal vida e tal final só poderiam trazer para homem semelhante o qualificativo que efetivamente lhe foi aplicado. Quisling é sinônimo de traidor. Nasceu em 1887. Foi aluno da Academia Militar norueguesa, Adido militar na Rússia e fundador de um partido fascista, buscou notoriedade aproximando-se dos nazistas. Após uma entrevista com o chefe da Marinha, almirante Raeder, foi recebido por Hitler. Quisling, ambicioso e ávido de poder, ainda que ao preço da venda de sua própria pátria, propôs ao ditador nazista o desembarque alemão na Noruega, apoiado por ele e seus homens. Após a invasão, Quisling proclamou-se primeiro-ministro. Poucos dias depois, os alemães o afastaram do poder. Trouxeram-no ao Governo novamente em 1942, mas a sua autoridade sobre o povo norueguês foi nula. O triunfo aliado levou-o à Justiça. Foi processado por alta traição e condenado à morte. Morreu justiçado, em 24 de outubro de 1945. Seu nome continua sendo sinônimo de traidor. A Frota Alemã Comandante-chefe da expedição: vice-almirante Lutjens Agrupamentos Oeste: almirante Saalwachter Agrupamento Leste: almirante Carls Divisão independente, encarregada da proteção do conjunto: barcos de linha Gneisenau e Scharnhorst Grupo I - Narvik: 10 contratorpedeiros. 2000 homens (tropas alpinas) Grupo II - Trondheim: cruzador pesado Admiral Hipper (10.000 tons); 4 contratorpedeiros, um navio tanque. 700 homens. Grupo III - Bergen : cruzadores leves Kolp (6000 tons) e Konigsberg (6000 tons), barco-escola Bremse, 2 torpedeiros, 7 lanchas, um barco tanque, e transportes. 190 homens. Grupo IV - Kristiansand e Adrendal: cruzador leve Karlsuhe (6000 tons), 3 torpedeiros, 7 lanchas, nave escolta Tsingtau (1970 tons) e 4 transportes. 1100 homens. Grupo V - Oslo: cruzador pesado Blucker (10.000 tons), couraçado Lutzow (10.000 tons), cruzador leve Emden (5400 tons), 3 torpedeiros, 8 caça-minas, 2 baleeiros, 2 barcos tanques, 28 transportes, 1900 cavalos. 2800 veículos, 8200 tons de material. 16500 homens. Grupo VI - Egersund: 4 caça-minas, um esquadrão ciclista. Grupo VII - Korsor-Nyborg: barco escola Schleswig-Holstein (13.200 tons) Grupo VIII - Copenhague: cruzador auxiliar Hansestadt Danzig, um quebra gelo. 1000 homens Grupo IX - Middelfast: transporte Rygard, 10 caça minas, pesqueiros, rebocadores Grupo X - Esbjerg e Tyboron: 24 caça-minas, lanchas Grupo lança-minas: 4 lança minas e 4 caça-minas (para colocação de minas a oeste de Skajerrak) Submarinos: 35 unidades foram reunidas em 5 grupos: 5 diante da costa da Noruega, 3 na zona das Shetland, uma na desembocadura este do Canal da Mancha. Exercício Weser “A situação na Escandinávia requer nossa imediata ação para ocupar a Dinamarca e a Noruega. A operação impedirá o avanço da Inglaterra sobre a Escandinávia e o Báltico. Além disso, é necessário proteger a segurança das jazidas minerais na Suécia e proporcionar à nossa Marinha e à nossa Força Aérea uma ampla frente contra a Inglaterra... Dada a diferença ente nossas forças militares e as da Escandinávia, a força a empregar no Exercício Weser será a menor possível, o escasso numero de tropas será contrabalançado pela surpresa da ação. Em princípio, a operação deverá aparecer como uma ocupação pacífica, destinada a proteger a neutralidade dos Estados escandinavos. A comunicação aos governos será transmitida ao começar a ocupação. Se for necessário, a Marinha e a Força Aérea farão as demonstrações necessárias. Se, ainda assim houver resistência, todos os meios militares deverão ser usados para quebrantá-la... O cruzamento da fronteira com a Dinamarca e o desembarque na Noruega deverão efetuar-se simultaneamente... É muito importante que os Estados escandinavos e as potências ocidentais sejam tomados de surpresa...” Adolfo Hitler. Memorando alemão à Noruega ... o Governo alemão dispõe de documentos comprovadores de que a França e a Inglaterra decidiram trasladar o teatro das operações ao território dos Estados nórdicos, particularmente ocupando Narvik e outros diversos pontos da Noruega. O governo alemão tem provas irrefutáveis de que essas operações deveriam ter lugar nos próximos dias e estima que o governo norueguês não se oporia a elas... O governo alemão não tolerará, sob nenhum pretexto, que as potências ocidentais transformem a Escandinávia em teatro de operações contra a Alemanha e que o povo norueguês seja direta ou indiretamente usado para uma guerra contra a Alemanha. O governo alemão não esperará inativo que o dito plano seja posto em ação, e preparou para o dia de hoje algumas operações militares que tem por fim a ocupação de pontos de importância estratégica no território norueguês. O governo do Reich toma desde já a seu cargo, durante esta guerra, a proteção do Reino da Noruega. Medidas que deverá adotar o governo da Noruega 1. Deverá avisar ao povo e ao exército que não se oponha às tropas de ocupação alemã 2. Deverá ordenar ao exército norueguês para colaborar com o exército alemão. Ficarão com suas armas se assim se comportarem. 3. Os bens de que necessitem as tropas alemães para garantir a Noruega contra o inimigo externo, como as defesas da costas devem ser entregues sem danos. 4. Devem ser remetidas os documentos exatos dos campos de minas que tenham sido colocados pelos noruegueses. 5. Black-out total do território norueguês 6. Os meios de comunicações devem ser postos à disposição das tropas de ocupação. 7. Fica proibido aos navios de guerra e mercantes irem para o exterior, assim como os aviões. 8. Os pilotos costeiros e os faróis permanecerão em atividade 9. O serviço de meteorologia deverá ser mantido. 10. Todo o serviço de notícias e correios ao exterior deverá cessar. 11. A imprensa e a rádio serão censurados e estarão à disposição do comando alemão. 12. Fica proibido a exportação de produtos indispensáveis à guerra. A estrada de ferro Kiruna e Gellivare, na Suécia, são dois pontos minúsculos perdidos na solidão fria que se estende ao norte do Círculo Polar Ártico. Não teriam importância alguma se a eles não se associasse um nome comum e extraordinariamente importante: o ferro. Kiruna e Gelivare são o coração de uma das zonas minerais mais ricas do mundo. Por volta de 1938 se extraíam dali, por ano, cerca de 12 milhões de toneladas de minério de ferro. Delas, quase 10 milhões eram enviadas para a Alemanha... A via mais adequada para o transporte do mineral era a marítima, através do Golfo de Bótnia; mas uma barreira natural levanta-se durante 6 meses por ano: os gelos. Fica então, uma só via possível: Noruega. E é precisamente através da ferrovia que une Gellivare e Kiruna com Narvik, no Atlântico, que o minério pode canalizar-se para o sul, para a Alemanha principalmente. É a “estrada do ferro”. Na guerra, todas as armas O pequeno porto norueguês de Horten compreendia umas 100 a 150 casas de pescadores. Mas a sua real importância estava no poderoso arsenal localizado nas suas costas, em uma colina. Fortemente defendido por uma guarnição de mais de mil soldados noruegueses, a posição podia tornar-se inacessível para os atacantes alemães. O capitão Grundman, no comando das forças nazistas, procedeu habilmente... Ao encontrar-se na presença do almirante norueguês Johansen, Grundman exigiu sua rendição imediata. As forças atacantes estavam dispostas a arrasar o forte. Os bombardeiros alemães estavam à espera da ordem de iniciar o ataque. Os navios aguardavam o sinal para iniciar o bombardeio. O almirante norueguês, tendo dúvidas sobre a atitude a seguir, telefonou a Oslo, antes de decidir. Grundman, por eu lado, fez uma chamada telefônica para deter a intervenção dos aviões e dos navios alemães. Previamente, comunicara a Johansen que o prazo que podia dar era de apenas 15 minutos. Johansem decidiu render-se. O capitão Grundman transmitiu uma breve ordem e recebeu no forte cerca de 100 soldados alemães, que procederam ao desarme da guarnição norueguesa. Além disso, no porto, os guarda-costas noruegueses Harald, Haarfagre, Tordenskjold e Olav Tryggvasen e um submarino caíram em poder dos alemães. Johansen, cavalheirescamente, lamentou que as comodidades do forte não fossem próprias para receber as tropas alemães. Grundman, então, esclareceu ao almirante norueguês que todas as forças alemães eram as que ele estava vendo ali... jamais poderiam ter atacado o forte os inexistentes bombardeiros, nem a frota, que só existia na imaginação e nas palavras de Grundman... A audácia dera frutos. O estratagema, velho como o mundo, enganara o veterano oficial norueguês. “Royal Marine” - Será um êxito. Estou seguro! E golpeará o inimigo em pleno coração. Em seguida, o homem que proferiu estas palavras, se retira. Atrás dele ficam vários oficiais britânicos, silenciosos. Ao fim de algum tempo um deles, murmura: - Nunca vi Winnie tão entusiasmado... Aquela operação havia amadurecido lentamente no cérebro do velho líder inglês. Era o projeto “Royal Marine”. A idéia lhe surgira ao contemplar distraidamente um velho mapa da Europa. Ali estava a França e o Reno, a Alemanha... Isso era tudo. O mais era simples. Tão simples como deixar cair um pedaço de papel em um pequeno riacho e vê-lo afastar-se, impulsionado pela corrente. Porque também assim flutuavam e se afastariam tambores vazios... e carregados com materiais explosivos... A idéia de minar o Reno entusiasmou Churchill. Bastava depositá-las no Reno, no território francês, e em seguida deixá-las livres à sua sorte. A corrente as arrastaria até interná-las na Alemanha. E ali estavam Karlsruhe, e Mannheim e Bonn, e os diques, e as barcaças carregadas, e as pontes flutuantes... As minas, pequenos recipientes de uns 10 kg de peso, semeariam a destruição e o caos ao longo do rio. Um simples aparelho de relojoaria garantiria que as cargas fossem inofensivas enquanto navegassem em território francês. No inicio de março a Inglaterra dispunha de 2.000 minas. A data do inicio dos lançamentos estava prevista para o dia 13 de março. Mas Churchill teve então de enfrentar obstáculos inesperados. O Comitê de Guerra francês e especialmente o Presidente da República manifestaram seu desagrado ante a idéia. Uma operação semelhante, disseram, só poderia acarretar a imediata represália aérea do inimigo... Devia evitar-se a todo custo qualquer ação que iniciasse a guerra aérea. E foi evitada. O projeto “Royal Marine” nunca foi executado. “Nestas águas, não...” O periscópio surgiu lentamente da superfície das águas do Mar do Norte. Girou para todos os lados e logo se fixa, como observando um objeto muito distante. Depois pareceu afundar-se nas profundezas do mar. - 22 horas... Barco inimigo segue em águas territoriais dinamarquesas... O tenente-de-corveta Hutchinsen, comandante do submarino Truant, não pôde reprimir um gesto de impaciência. Suas ordens eram severas e, além disso, sua consciência lhe dizia que não devia fazê-lo. Efetivamente, “sabia” que não devia atacar aquele barco alemã enquanto estivesse em águas territoriais da Dinamarca. Mas, por outro lado, tinha perfeito conhecimento do perigo que pairava sobre eles. Achavam-se a apenas 8 milhas da base alemã de Sylt. Um alarme (e Hutchinsen se perguntava se já não fora enviado) bastaria para que os aviões de bombardeio estivessem ali em menos de 30 minutos... Uma voz tirou Hutchinsen de seus pensamentos: 23:30 horas... Barco inimigo fora das águas territoriais... Huntchinen parecia galvanizado. Rapidamente deu as suas ordens: - Para a superfície! Pronta a detonação do canhão! Torpedos 1 e 2 prontos! Como um monstro marinho, levantando uma montanha de espuma, o submarino inglês Truant subiu à superfície. Quatro homens surgiram do interior e se precipitaram sobre o canhão, apontando-o. Outros dois, enquanto isso, preparavam e acendiam o projetor. Um fino traço de luz rasgou as trevas. A 300 m, navegando a toda velocidade, um cargueiro rasgava as ondas. O cone de luz o percorreu de proa à popa, de cima a baixo. Por fim iluminou a popa. Com seus binóculos, Huntchinsen leu claramente Edmund Hugo Stinnes IV. Era um carvoeiro alemão. Das mãos dos marinheiros, uma lanterna transmitiu, em Morse, a ordem de parar e não usar o equipamento de rádio. Dez segundos depois o barco alemão parecia aumentar a velocidade. Era necessário agir rapidamente. E foi feito. Duas granadas atingiram a ponte. A velocidade do barco diminuiu muito. Por fim, parou. Em seguida, começou a inclinar-se sobre um dos lados. Dez minutos depois, afastada já a tripulação alemã, Hutchinsen fez disparar um certeiro torpedo. Eram 24h do dia 23 de março de 1940. O inimigo havia sido afundado. As águas territoriais dinamarquesas haviam sido respeitadas. O submarino inglês se afastava em meio à escuridão da noite... |