Guerra nos Bálcãs

 

Ofensiva italiana nos Balcãs

 

Ofensiva Italiana nos Bálcãs

 

 

As repetidas e fulminantes vitórias obtidas por Hitler nos primeiros meses de guerra, permitiram-lhe estender a supremacia da Alemanha sobre quase toda a Europa. Mussolini, profundamente preocupado com o papel secundário a que havia sido relegado a Itália, resolveu, então, envolver-se numa campanha de conquista dos Balcãs, com a finalidade de, por meio de um estrondoso triunfo militar, recuperar o prestígio perdido.

 

No mês de julho de 1940, o Duce comunicou aos seus assessores os seus propósitos. No início, limitou-se a planejar a ocupação das ilhas Jônicas e o desmembramento da Iugoslávia. Posteriormente, no entanto, decidiu apoderar-se de toda a Grécia e estudou a possibilidade de invadir o país até o fim do mês de setembro.

 

Simultaneamente, Mussolini realizou gestões para obter o apoio de Hitler aos seus planos de conquista. O ditador alemão, porém, opôs-se terminantemente a apoiar os planos do Duce. Hitler já havia decidido empreender a campanha contra a Rússia e desejava evitar a qualquer preço um conflito nos Balcãs. Sabia que se os italianos atacassem a Grécia, os ingleses viriam imediatamente em socorro deste país e ameaçariam, no sul, as forças alemãs que, então, estariam empenhadas na luta contra os russos.

 

Mussolini, decepcionado ante a negativa do Fuhrer, resolveu adiar seus planos até que se apresentasse uma ocasião mais favorável. A oportunidade não demorou a chegar.

 

Em fins de agosto, a Hungria e a Bulgária apresentaram uma série de reclamações territoriais contra a Romênia, e ameaçaram este país com uma intervenção armada. Hitler, alarmado ante a possibilidade de que a luta entre os três países balcânicos interrompesse o vital fornecimento de petróleo romeno à Alemanha, ordenou que se aprontassem vária divisões blindadas e forças de pára-quedistas, com o objetivo de ocupar os depósitos petrolíferos romenos. Ao mesmo tempo, determinou que Ribbentrop e o Conde Ciano realizassem, em Viena, uma conferência com os representantes da Romênia, Hungria e Bulgária, para arbitrar a questão.

 

No dia 30 de agosto, Ribbentrop e Ciano encontraram a solução, outorgando aos húngaros e búlgaros a maior parte dos territórios que reclamavam. Quando esta notícia chegou à Romênia, desencadeou-se uma crise política que culminou, no dia 6 de setembro, com a abdicação do Rei Carol. Quem o sucedeu no trono foi o jovem príncipe Miguel, e o marechal Antonescu, partidário do nazismo e amigo de Hitler, assumiu o poder de forma ditatorial. Alguns dias depois, Hitler decidiu eliminar todo o risco e ordenou o envio de tropas à Romênia, para que ocupassem os campos de petróleo. Para salvar as aparências, os soldados se deslocaram para seu destino sob o disfarce de “instrutores militares”.

 

Ao tomar conhecimento da entrada de tropas alemãs na Romênia, Mussolini entregou-se a um acesso de fúria. Hitler, mais uma vez, havia faltado com sua palavra. Contra todas as promessas, acabava de violar, unilateralmente e sem consultá-lo, a neutralidade dos Balcãs. - Pagarei na mesma moeda! - anunciou com amargura a Ciano. - Saberá pelos jornais que invadimos a Grécia.

 

 

Decisão no Palazzo Venezia

 

Dia 15 de outubro de 1940. No amplo escritório do Duce, no Palácio Veneza, encontram-se reunidos os expoentes máximos das forças armadas italianas: o marechal Badoglio, chefe do Estado-Maior Geral; o general Roatta, chefe interino do Estado-Maior do Exército; o general Visconti Prasca, chefe das forças localizadas na Albânia, e os subsecretários do exército, marinha e aeronáutica. Entre os presentes, encontram-se também o Conde Ciano, ministro das Relações Exteriores, e Jacomoni, Governador da Albânia.

 

Sem maiores preâmbulos, Mussolini inicia a reunião comunicando aos seus assessores o motivo da conferência: decidiu concretizar de forma definitiva o plano de ataque à Grécia. A invasão terá por objetivo melhorar a posição da Itália frente à Inglaterra e ao Mediterrâneo, e, ao mesmo tempo, colocar todo o território grego sob domínio fascista. Data do ataque: 26 de outubro de 1940.

 

A seguir, Ciano e Jacomoni apresentaram aos seus chefes militares um panorama político extremamente favorável. De acordo com seus informes, muitos dirigentes da Grécia haviam sido comprados e estavam dispostos a ajudar na ocupação do seu próprio país; por outro lado, a Itália podia contar com o entusiástico apoio do povo albanês, ardentemente desejoso de lançar-se à luta contra os gregos.

 

O general Visconti Prasca, chefe das forças que levarão a cabo o ataque, expõe seu plano. Com as reduzidas tropas de que dispõe na Albânia - uma das 10 divisões com seus efetivos incompletos - considera possível obter uma rápida e fácil vitória. O grosso do Exército italiano se lançará de surpresa ao ataque, ao longo da costa do Mar Jônico e, logo que aniquilar as forças gregas, na região do Épiro, marchará em direção à Atenas. Para completar esta última manobra, Visconti Prasca propõe que assim que se efetive a conquista do Épiro, sejam enviadas por via marítima três divisões de reforço para a costa grega.

 

Ao fim da exposição de Visconti Prasca, o marechal Badoglio assinalou a importância, para o êxito da empresa, de ter certeza da intervenção da Bulgária no conflito, em apoio à Itália. Caso isto não ocorresse, surgiria uma grave ameaça, pois as tropas gregas situadas diante da fronteira búlgara ficariam em liberdade para locomover-se para o oeste e assentar um golpe de surpresa ao indefeso flanco esquerdo das forças italianas. Mussolini, então, declarou que enviaria uma carta imediatamente ao Rei Boris, da Bulgária, com o propósito de levá-lo a participar da agressão contra os gregos.

 

Dessa maneira, a reunião chegou aos eu final. Mussolini, sem saber, acabava de comprometer-se numa aventura fatal que conduziria seus exércitos à derrota e culminaria com o desprestígio definitivo do regime fascista.

 

“Estamos em marcha”

 

No dia 17 de outubro, o marechal Badoglio entrevistou-se com Ciano e comunicou-lhe que o almirante Cavagnari, chefe da Marinha, havia-o informado da impossibilidade de enviar reforços a Visconti Prasca quando este houvesse iniciado o ataque, pois os gregos já haviam bloqueado o canal de acesso ao porto de Arta, onde os italianos pretendiam desembarcar suas tropas. Além disso, Badoglio demonstrou a Ciano que, dadas as novas circunstâncias, considerava sumamente perigosa a realização do ataque, opinião esta compartilhada pelos chefes de Estado-Maior das três armadas.

 

Alarmado, Ciano transmitiu imediatamente a Mussolini as sombrias informações do marechal. O Duce, no entanto, estava decidido a não voltar atrás. No dia 19, recebeu a resposta do rei Boris, na qual, de maneira esquiva, comunicava que não interviria na invasão contra a Grécia. Apesar disso, Mussolini marcou a data para três dias depois a data definitiva do ataque: 28 de outubro, pela madrugada. Ciano, apressadamente, redigiu o ultimato que o embaixador em Atenas devia apresentar ao primeiro-ministro Metaxas. Como salientou o próprio Ciano, este documento apresentava aos gregos uma única alternativa: ou aceitavam a ocupação de seu país ou seriam atacados.

 

No dia 22 de outubro, Mussolini enviou uma carta a Hitler, comunicando-lhe, sem especificar a data do ataque, sua decisão de invadir a Grécia. Dois dias depois, Ribbentrop telefonou urgentemente a Ciano e marcou uma entrevista entre Hitler e o Duce na cidade de Florença. Hitler acabava de conferenciar com Franco e Pétain, com o propósito de obter o apoio espanhol e francês na luta contra a Inglaterra. Não havia, no entanto, obtido nenhum resultado positivo para suas gestões.

 

No dia 28, chegou a Florença o trem que conduzia o Fuhrer. Na Plataforma, rodeado pelos expoentes máximos do fascismo, Mussolini o aguardava, impaciente. Assim que Hitler desceu do suntuoso vagão, o Duce se adiantou e o saudou efusivamente, dizendo com voz emocionada: - “Fuhrer, estamos em marcha. Na madrugada de hoje, as tropas italianas, vitoriosas, cruzaram a fronteira greco-albanesa!”. Mussolini estava-se desforrando. Pela primeira vez, desde o início da guerra, era ele quem apresentava de surpresa a Hitler o fato consumado de uma agressão triunfante. O ditador alemão, no entanto, não demonstrou o golpe que levou. Com grande esforço, ocultou a cólera e desejou a Mussolini êxito na empresa. Poucas horas depois, embarcou de volta para a Alemanha. O Duce, radiante de satisfação, partiu, por sua vez, rumo a Roma.

 

O fracasso da ofensiva italiana

 

No dia 28 de outubro de 1940, às 2:45 da madrugada, o embaixador italiano em Atenas entrevistou-se com o confuso primeiro-ministro grego e lhe entregou o ultimato de Mussolini. Às 5:30, as tropas italianas comandadas pelo general Visconti Prasca cruzaram a fronteira e iniciaram o avanço em direção ao sul.

 

Tal como havia sido planejado, o grosso das forças fascistas - integrado por quatro divisões - deslocou-se ao longo da costa do mar Jônico e, assim que alcançou as margens do rio Kalama, conquistou uma cabeça-de-ponte sobre o lado meridional. Ao norte, a divisão alpina Júlia avançou através da agreste cordilheira do Pindo e chegou a poucos km da estratégica localidade de Metsovo. Aí, porém, foi alvo de violentos contra-ataques por parte dos gregos e, após sangrentas perdas, foi obrigado a empreender a retirada, cedendo o terreno conquistado. Os gregos, entretanto, obtiveram sua maior vitória no extremo setentrional da fronteira albanesa. Nesse setor, as divisões italianas tentaram penetrar em território grego, mas foram rechaçados e tiveram que empreender uma retirada acelerada.

 

Diante do inesperado fracasso do ataque, Mussolini encolerizado, decidia substituir Visconti Prasca pelo general Soddu, subsecretário da guerra, que se transportou para a Albânia, no dia 5 de novembro. Três dias depois, o Duce manteve uma conferência com o marechal Badoglio, o general Roatta e outros chefes militares, e expressou-lhes com amargura que os planos e prognósticos de Visconti Prasca e de Jacomoni haviam-se revelados totalmente falsos. Badolglio lembrou então a Mussolini que ele, oportunamente, havia frisado a necessidade de contar com um mínimo de 20 divisões e com o apoio da Bulgária pata levar adiante a invasão.

 

Em fins de novembro, Badoglio entrevistou-se novamente com Mussolini e este voltou a manifestar seu pesar pelo fato de ter adotado o plano de Visconti Prasca. Badoglio compreendeu, então que o Duce tentava desligar-se de sua própria responsabilidade na infortunada empresa. Indignado, o veterano marechal respondeu a Mussolini. - Excelência, sois o comandante-em-chefe e foram-lhe apresentados dois planos: um do general Visconti Prasca, preparado de acordo com determinadas condições políticas, expostas por Ciano e Jacomoni; e outro, preparado pelo Estado-Maior do Exército Real, baseado na participação da Bulgária na guerra. Sua excelência escolheu o plano de Visconti e creio que, honradamente, não possa fazer nenhuma recriminação ao Estado-Maior do Exército Real!

 

Badoglio, com sua impulsiva resposta, decretou a sua própria liquidação. Mussolini, no momento, não disse nada e despediu-se cortêsmente. Nesse mesmo dia, porém, comunicou ao conde Ciano que havia decidido destituir o marechal. Finalmente, no dia 6 de dezembro, levou a cabo seu propósito e designou, em substituição a Badoglio, o general Cavallero.

 

Os gregos, entretanto, haviam obtido uma série de vitórias ao longo de toda frente. No dia 14 de novembro, o general Papagos, comandante-em-chefe do exército grego, lançou um ataque ao norte, com cinco divisões, e conseguiu empurrar os italianos para o interior da Albânia e ocupar, em território daquele país, a cidade de Koritza. Sem dar descanso aos italianos, os gregos prosseguiram em seu avanço e tomaram a cidade de Progradez. A profunda penetração dos gregos, ao norte, criou uma grave ameaça para o flanco esquerdo das tropas fascistas que combatiam na cordilheira de Pindo e na costa do mar Jônico. Assim, o comando italiano viu-se obrigado a ordenar uma retirada ao longo de toda frente.

 

Nestas circunstâncias, Papagos decidiu deslocar o grosso de suas tropas para o sul, com a finalidade de avançar sobre o Pindo e a costa, em direção ao porto albanês de Valona, uma das principais bases de abastecimento do exército italiano. Enfrentando uma série de violentos combates, os gregos conseguiram apoderar-se, no início de dezembro, do porto de Santi Quaranta  e da cidade Argirocastro, e aproximando-se paulatinamente de Valona. Os italianos, entretanto, haviam recebido reforços e contavam com um total de 16 divisões; Papagos, por sua vez, dispunha de 12 divisões.

 

Em janeiro de 1941, os gregos redobraram seus ataques, apoiados por cinco esquadrilhas da RAF, enviados do Egito, pelos ingleses. Havia-se iniciado o áspero inverno balcânico, e os soldados, tanto os gregos como os italianos, deviam padecer terríveis penúrias. No início, a ofensiva teve êxito e os gregos ocuparam o porto de Chimara e a estratégica localidade de Klisura, poucos km ao sul de Valona. Os italianos, porém, resistiram encarniçadamente e conseguiram, por fim, deter o avanço. O general Cavallero, novo chefe das forças fascistas, deu início, então aos preparativos para lançar o contra-ataque que era insistentemente reclamado por Mussolini.

 

Hitler e Churchill intervêm no conflito

 

A inesperada vitória obtida pelos gregos sobre os italianos fez com que Churchill alimentasse a esperança de construir nos Balcãs uma nova frente contra a Alemanha. Decidiu, por isto, enviar sem demora à Grécia o grosso das forças inglesas que estavam combatendo vitoriosamente, no norte da África, contra as tropas do marechal Graziani.

 

Hitler, por sua parte, havia resolvido, desde o início de novembro de 1940, intervir militarmente nos Balcãs para auxiliar aos derrotados exércitos de Mussolini. Ao mesmo tempo, planejou realizar uma série de operações destinadas a desalojar os ingleses do Mediterrâneo. O plano Felix, promulgado em 12 de novembro, incluía a conquista de Gibraltar, das ilhas canárias e do Cabo Verde; o plano Isabella previa a eventual invasão de Portugal com três divisões alemãs que seriam concentradas na Espanha. Todos esses projetos, no entanto, tiveram que ser abandonados ante a irredutível negativa de Franco para intervir na guerra.

 

Assim, somente ficou de pé a operação contra a Grécia. Batizada com o nome chave de Marita, foi aprovada definitivamente no dia 13 de dezembro de 1940. A este plano acrescentou-se, posteriormente, o projeto Girassol, pelo qual Hitler dispunha-se a enviar à Líbia um corpo Panzer (blindado), comandado pelo general Rommel.

 

Em cumprimento às determinações do plano Marita, o marechal von List, comandante do III Exército alemão, iniciou uma concentração de suas forças em território da Romênia. Este exército contava com 14 divisões, das quais oito eram blindadas. No início do mês de março de 1941, von List devia transpor o Danúbio e, logo depois de atravessar o território da Bulgária, irromperia nas planícies da costa oriental da Grécia.

 

Em 19 de janeiro de 1941, Hitler conferenciou com Mussolini em Berchtesgaden e expôs-lhe detalhadamente seu plano de ataque contra a Grécia. O Duce aceitou, sem discutir, os projetos do ditador alemão. A ofensiva, por mais que tardasse, teria lugar a 26 de março.

 

Enquanto isso, Churchill havia tentado, sem êxito, obter a aprovação do primeiro-ministro grego, Metaxas, para enviar um corpo blindado inglês para combater em território grego. Pelo falecimento de Metaxas, Korsyris, seu sucessor, inclinou-se a aceitar a intervenção inglesa. No dia 22 de fevereiro, chegou a Atenas sir Anthony Eden, ministro da guerra britânico, acompanhado pelo general Dill, chefe do Estado-Maior Imperial e pelo general Wavell, chefe dos exércitos do Oriente Médio, com o objetivo de formar a frente balcânica.

 

Rapidamente, os dirigentes ingleses e gregos chegaram a um acordo e fixaram um plano defensivo. O general Wavell enviaria, sem demora, do Egito, uma brigada blindada e duas divisões de infantaria - uma australiana e outra neozelandesa - às quais, posteriormente, se somariam outra divisão australiana e uma brigada polonesa. Estas forças, juntamente com as unidades gregas situadas na frente da Bulgária, ficariam sob o comando do general inglês Wilson, e tentariam conter o ataque alemão numa posição defensiva situada ao sul do porto grego de Salônica, sobre as margens do rio Aliakmon.

 

Eden transportou-se logo para a Turquia, onde tentou sem êxito atrair o presidente Inonu para a coligação antigermânica. De regresso à Atenas, no dia 2 de março, o ministro inglês tomou conhecimento, com profunda alarma, de que o general Papagos, comandante-em-chefe do exército grego, havia decidido alterar o plano combinado e queria enfrentar a invasão alemã na fronteira. Após calorosas discussões, o chefe grego sujeitou-se a colocar três divisões à disposição dos ingleses, para cobrir a linha do Aliakmon.

 

Em 7 de março, Eden enviou um extenso telegrama a Churchill, no qual se declarava partidário de manter, apesar das dificuldades, a decisão de mandar o corpo expedicionário britânico aos Balcãs. Num de seus parágrafos, o ministro declarava: “Sem dúvidas, nosso prestígio sofrerá, se formos expulsos ignominiosamente, mas em qualquer caso, será menos prejudicial para nós haver sofrido junto com a Grécia do que havê-la abandonando à sua própria sorte”. Nesse mesmo dia, o gabinete inglês reuniu-se em Downing Street e, depois de receber de Churchill o relatório sobre as comunicações de Eden, deu autorização definitiva para a intervenção militar na Grécia.

 

A 5 de março, partiram de Alexandria os primeiros transportes carregados com os tanques da 1a brigada blindada. Esta corporação desembarcou no Pireo e, em 27 de março, alcançou suas posições de vanguarda sobre o rio Aliakmon. Posteriormente, incorporaram-se as unidades de infantaria. No total, os ingleses desembarcaram na Grécia 53.000 soldados.

 

Os alemães, por sua vez, terminaram os preparativos para o ataque. Na noite de 28 de fevereiro, as unidades de vanguarda de von List transpuseram o Danúbio e tomaram posições em território búlgaro. No dia seguinte, o rei Boris aderiu ao pacto com o Eixo. Hitler, simultaneamente, realizava ativas gestões para obter o apoio da Iugoslávia. Finalmente, em 25 de março, o primeiro-ministro iugoslavo, Dragisha Cyétkovic foi a Viena e, na presença de Hitler e Ribbentrop, lavrou sua firma no pacto do Eixo.

 

O Fuhrer, satisfeito com o resultado de sua política atemorizadora, dispôs-se a dar ordem de ataque. Um fato inesperado, porém, veio alterar seus planos.

 

 A rebelião iugoslava

 

Na Iugoslávia havia um numeroso e ativo grupo de oficiais nacionalistas que se opunha à política de aproximação com a Alemanha. Encabeçava este partido o general de aviação Dusan Simovi que, quando o primeiro-ministro Cvétkovic voltou de Viena, decidiu lançar a revolução, com o fim de impedir que sua pátria se convertesse num satélite nazista e executasse a agressão contra a Grécia.

 

Na madrugada de 27 de março, os conjurados deram o golpe sem encontrar nenhuma oposição. Cvétkovic, o príncipe regente Paulo, do Reino da Iugoslávia e muitos políticos e militares simpatizantes com o Eixo, abandonaram o país. Dono da situação, o general Simovic organizou um novo governo e colocou no trono vazio o jovem príncipe herdeiro Pedro. Ao divulgar-se a notícia do triunfo da revolução, o povo lançou-se em júbilo pelas ruas e expressou em tumultuosas manifestações a sua decisão de resistir à agressão alemã.

 

Hitler recebeu a notícia da rebelião na mesma manhã do dia 27. Enfurecido, mandou chamar imediatamente os chefes da Wehrmacht e ordenou-lhes aos gritos: - Decidi arremeter contra a Iugoslávia! A razão disso são as notícias da mudança de regime de Belgrado. Quanto tempo precisam vocês para poder atuar contra a Iugoslávia?

 

O general Halder, chefe do Estado-Maior, respondeu que tentaria completar os planos dentro de 24 horas. Então, o ditador comunicou, com voz ameaçadora aos seus assessores: - É preciso realizar os preparativos necessários para aniquilar a Iugoslávia militarmente e como entidade nacional. Não se farão contatos diplomáticos, nem se apresentará nenhum ultimato. A seguir, dirigindo-se a Goering, exclamou: - A Luftwaffe deverá arrasar Belgrado, atacando-a por ondas de golpes.

 

Antes de terminar esta dramática reunião, Hitler impôs aos seus generais sua última deliberação: - O início da operação Barbarossa terá que ser adiado por quatro semanas.

 

Barbarossa era o nome, em código, que designava a invasão da Rússia. Assim, a rebelião do povo iugoslavo teve uma conseqüência imediata e fundamental no desenrolar da guerra. As quatro semanas que a Wehrmacht perdeu, devido as operações nos Balcãs, contribuíram para diminuir ao mínimo a margem de tempo de que dispunham os alemães para alcançar Moscou antes do inverno.

 

Fracassam os planos de Churchill

 

A notícia da rebelião ocorrida na Iugoslávia provocou grande entusiasmo nos círculos governamentais de Londres. Churchill, sem perda de tempo, enviou um telegrama a Anthony Eden, que, em viagem de regresso à Inglaterra, encontrava-se na ilha de Malta. Nessa mensagem o líder inglês mandava que Eden voasse imediatamente para Atenas, a fim de reiniciar as negociações tendentes a formar uma frente unida dos países balcânicos, ante a agressão do Eixo.

 

Churchill confiava que a incorporação da Iugoslávia ao bloco dos países aliados teria de levar a Turquia, finalmente, a definir sua posição e integrar-se com os países em guerra com o Eixo. Nesse mesmo dia, Churchill enviou um telegrama ao Presidente turco, Ismet Inonu, instando-o a superar as indecisões e as dúvidas e passar, definitivamente, a integrar o bloco aliado. No dia seguinte, um telegrama de Churchill, destinado a Eden, chegou a Atenas. O político inglês já se encontrava ali. A mensagem continha um extenso memorando, no qual Churchill lhe expunha seus novos planos com respeito aos Balcãs. O documento dizia: “Iugoslávia, Grécia e Turquia, juntamente conosco, possuem 70 divisões mobilizadas nesse teatro de luta. Os alemães não tem mais que trinta. Portanto, as 70 podem dizer a essas 30: “Se vocês atacam qualquer um dos nossos, entrarão em guerra com todos”. Enfocado assim o problema, Churchill considerava possível induzir os alemães a não levar adiante a invasão ou, em último caso, atrasá-lo durante vários meses, o que permitiria aos ingleses reforçar consideravelmente suas forças nos Balcãs, com o apoio dos apetrechos de guerra enviados pelos Estados Unidos.

 

A mensagem continha uma série de apreciações errôneas sobre a capacidade militar da Wehrmacht. Dizia, por exemplo, que os alemães precisariam de “vários meses para deslocar reforços ao teatro de operações e, além disso, o mesmo teatro e certamente as vias de comunicação que levam até ele, não são suficientemente aptas para permitir o deslocamento de forças maiores, sem um prolongado processo de ampliação dessas vias”. Os alemães, utilizando forças mecanizadas e aerotransportadas, superariam, no entanto, facilmente essas dificuldades.

 

Seguindo as instruções do Primeiro-Ministro, Eden permaneceu em Atenas, com a missão de levar adiante as negociações com a Turquia. Simultaneamente, o general Dill foi a Belgrado, para estudar sobre o terreno, as possibilidades que existiriam para os Aliados no sentido de formar uma frente comum. Sua missão consistia, além disso, em preparar a viagem de Anthony Eden à capital da Iugoslávia, para que esse formalizasse a aliança antigermânica proposta por Churchill. Sua missão, no entanto, não teve êxito. O governo revolucionário, encabeçado pelo general Simovic, não se mostrou inclinado a concretizar o acordo proposto, ainda que tenha exposto sua decisão de lutar, em caso de que a Iugoslávia fosse invadida. Dill constatou, além disso, que o exército iugoslavo estava totalmente incapacitado para enfrentar a maquinária militar alemã.

 

Churchill, no entanto, insistiu em seus planos, pois compreendia perfeitamente que era necessário agir o quanto antes. Cada dia que passava significava, evidentemente, maior perigo, dada a quantidade de tropas alemães que convergiam sobre a fronteira. No dia 4 de abril enviou um urgente telegrama pessoal ao general Simovic, concitando-o a afastar toda a vacilação e lançar-se ao ataque contra a retaguarda das forças italianas situadas na Albânia. No entanto, já era tarde. A Wehrmacht tinha completado seus preparativos e, dois dias depois, se lançaria ao ataque contra a Iugoslávia, de surpresa.

 

Anexo

 

As primeiras informações

Atenas, 18 de outubro de 1940

A invasão italiana iniciou-se às 5:30, meia hora antes de expirar o prazo concedido pelo ultimato enviado ao governo de Atenas exigindo bases, e imediatamente após a resposta negativa. O inimigo seguiu duas linhas principais, a partir da Albânia e, segundo se sabe, chegou até as primeiras fortificações gregas, que foram construídas apressadamente devido à ocupação italiana na Albânia, havia 18 meses. Uma das colunas empreendia o ataque contra Janina ao longo da costa, com o fim de isolar a importante base naval de Corfú, enquanto a outra encaminhava sua ação contra Koritza e Salônica, ponto vital dos defensores.

As primeiras ações

Os encontros principais tiveram lugar em Camurjai, ponto situado ao sul da fronteira albanesa, e Konispoli, que fica defronte a Corfú. Os gregos lutam corajosamente nas montanhas, e a reduzida força aérea grega integrada por 12o aparelhos, interveio na ação contra as forças peninsulares em marcha. Estas forças secundadas por grande numero de aviões que cooperavam com os contingentes de terra atacando as fortificações que se encontravam a certa distância da fronteira.

O primeiro comunicado de guerra expedido pelo chefe do Estado-Maior das forças gregas dizia: “As forças italianas atacaram às 5:30, as posições gregas situadas ao longo da fronteira com a Albânia. As tropas da Grécia resistem energicamente”.

 

 

Proclamação do General Metaxas

“Que a nação se levante e lute pela defesa do país, as mulheres, as crianças  e as sagradas tradições. Devemos mostrar que somos dignos da herança de liberdade que nos legaram os nossos antepassados e lutar até a morte. Chegou o momento de lutar por uma vida independente. “A Itália não reconhece o nosso direito de viver como nação livre, apesar da neutralidade da Grécia. O ministro italiano entregou-me o pedido para que cedêssemos territórios gregos à sua discriminação, caso contrário as tropas italianas iniciariam o avanço ao romper do dia. “Respondi-lhes: Considero este pedido e a forma pela qual foi formulado como um declaração de guerra à Grécia”.

Proclamação do Rei Jorge II

“O primeiro-ministro acaba de divulgar sob que condições nos vimos obrigados a entrar em guerra contra a Itália que ameaça nossa independência. Neste grande momento, estou certo de que todos os cidadãos gregos, homens e mulheres, cumprirão seus deveres até o fim, mostrando-se dignos de nossa gloriosa história. Com fé em Deus e em nosso destino, a nação, como um só homem, lutará por seus lares”

Pouco depois, o Rei Jorge II percorreu de carruagem as ruas da cidade de Atenas, sendo aclamado com entusiasmo pela multidão. Suspenderam-se as aulas nas escolas e milhares de crianças, agitando bandeirolas, uniram-se à multidão em suas demonstrações ao monarca. A proclamação do rei foi divulgada em todas as cidades e povoados da Grécia por meio de alto-falantes. A palavra do rei, chamando para a luta, chegou a todos os lares e contaminou o povo grego, amante da paz, mas dono de uma antiga tradição de coragem na defesa de sua terra milenar.

 

 

Poderio militar grego

O pequeno reino da Grécia, com uma população de 7.190.000 habitantes, pôde por em pé de guerra u exército calculado em 400.000 homens, uma vez que foram convocadas as reservas para associar-se ao exército permanente de 70.000 praças. Há 5 corpos de exército, cada um formado por 3 divisões. O primeiro tem seu QG em Atenas e está sob o comando do general Potsikas; o segundo, em Larissa, sob o comando do general Dimitri Papasoupoulos; o terceiro, em Salônica, comandado pelo general Tsolakoglou; o quarto, em Cavalla, sob as ordens do general Kosmas, e o quinto em Alexandrópolis, sob o comando do general Constantino Bakapoulos. Uma divisão de infantaria acha-se em Tanina, sob o comando do general Katsimitros. A aviação grega consta de 120 aviões e está dividida em 10 grupos, cada um dos quais formado por três esquadrilhas de quatro aviões. A esquadra é constituída por 10 contratorpedeiros, 13 torpedeiros, 8 destróieres, 6 submarinos e várias unidades menores. Entre os aliados crê-se que, sem uma grande ajuda, a Grécia seria vencida em poucos dias pela Itália que tem 220.000 soldados concentrados na Albânia. A Inglaterra possui uma poderosa esquadra no Mediterrâneo e comprometeu-se a ajudar a Grécia. O grande porto de Salônica, freqüentemente apontado como chave dos Balcãs, é o objetivo dos italianos, que desejam fortificá-lo antes que os ingleses o ocupem. Apesar de reduzidas as suas forças, os gregos esperam poder oferecer aos italianos uma firme resistência. Para tanto, baseiam-se no fato de seu terreno ser acidentado e nas dificuldades de ordem geográfica que os italianos deverão enfrentar.

 

 

Ultimato da Itália para a Grécia

Roma, 20 de outubro de 1940.

“O governo italiano viu-se obrigado a notar, repetidas vezes, no transcurso do atual conflito, que o governo grego mantinha uma atitude que contrariava não apenas as relações normais e pacíficas de boa vizinhança entre duas nações, como também os estritos deveres do governo grego como Estado neutro.

“E diversas ocasiões o governo italiano viu-se na necessidade de recordar ao governo grego estes deveres e de protestar contra a sua sistemática violação, especialmente desde que o governo permitiu que suas águas territoriais, costas e portos fossem usados pela esquadra inglesa durante suas operações de guerra, favoreceu o abastecimento das forças aéreas britânicas e permitiu a organização de um serviço de informações militar no arquipélago grego, em prejuízo da Itália.

“O governo grego está perfeitamente inteirado desses fatos, que, em mais de uma oportunidade, foram objeto de diligências diplomáticas do governo grego, que devia ter medido as graves conseqüências de sua atitude, não respondeu com nenhuma medida de proteção da sua própria neutralidade, mas, ao contrário, acrescentou a ação de favor para com as forças inglesas e sua colaboração com os inimigos da Itália

“O governo italiano tem provas de que tal colaboração (com a Inglaterra) foi prevista pelo governo grego e submetida a acordos de caráter militar, aéreo e naval.

“O governo italiano não se refere apenas às garantias inglesas aceitas pela Grécia como parte do programa de ação dirigido contra a segurança da Itália, mas também a explícitas e precisas obrigações contraídas pelo governo grego de colocar à disposição das potências em guerra com a Itália de importantes posições estratégicas em território grego, incluindo as bases aéreas de Tessália e Macedônia, destinadas ao território albanês

“O governo italiano deve lembrar ao governo grego sua provocação à Albânia, com a política territorial adotada na provocação de Ciamúria, e as insistentes tentativas para criar distúrbios além de suas fronteiras.

“Ainda com relação a estes fatos, o governo italiano viu-se obrigado, ainda que infortunadamente, a lembrar ao governo grego as inevitáveis conseqüências que semelhante política traria para a Itália

“Tudo isto não pode continuar sendo tolerado pela Itália. A neutralidade da Grécia continua se transformando cada vez mais em apenas nominal. Isto não poderia conduzir senão a um conflito armado entre a Itália e a Grécia, conflito que o governo italiano tem toda a intenção de evitar.

“Em conseqüência, o governo italiano resolveu pedir ao governo grego com a finalidade de garantir a neutralidade da Grécia e a segurança da Itália que permita à Itália ocupar com suas forças armadas, enquanto dure o conflito com a Inglaterra, certos pontos estratégicos do território grego”.

“O governo italiano pede ao governo grego que não se oponha a tal ocupação e que não impeça o trânsito de tropas italianas destinadas a efetuá-la. Estas tropas não se apresentam como inimigas da Grécia... caso as tropas italianas encontrassem resistência, venceriam tal resistência pelas armas e o governo grego assumiria as conseqüências que resultassem”. De “O Jornal da Itália”.

Crendo que a Inglaterra a protege, a Grécia intensificou sua opressão aos albaneses em seu território e também conspirou contra a independência da Albânia, fato pelo qual terá que responder”. “Trinta missões inglesas acham-se distribuídas com propósitos diferentes em várias partes da Grécia. Muitas bases gregas, especialmente as de Corigo e Creta acham-se permanentemente à disposição das forças inglesas para o ataque à Itália e às rotas de navegação italiana”.

 

 

Mobilização total

Atenas, 3 de novembro de 1940

No 7o dia da invasão italiana, as forças nacionais continuam contendo em todas as frentes a máquina bélica fascista e desbarataram os esforços italianos para conquistar terreno na frente de Koritza, na Albânia.

Durante todo o dia houve intensos combates de artilharia. As baterias gregas bombardearam duramente as posições inimigas e conseguiram impedir às tropas italianas de efetuarem contra-ataques. Em alguns setores obrigaram-nas a se retirarem e refazer suas linhas. Os esforços italianos para desalojar os gregos com o uso de aviões de bombardeio malograram em quase todos os casos, devido ao terreno que oferece uma proteção natural aos soldados e excelente meio para dissimular a artilharia.

Hoje continuaram passando prisioneiros italianos pela retaguarda e, ao se referirem aos ataques gregos, contaram que uma unidade italiana de 140 homens foi destruída ao encontrarem soldados gregos que avançam sobre Bikilista. Outros 150 soldados foram feitos prisioneiros. Informaram também que 6 oficiais perderam a vida. Entre os prisioneiros havia muitos feridos, o que demonstra a violência da luta e a bravura do inimigo em sua decisão de lutar até o fim.

O governo, hoje, convocou novas classes na arma de artilharia para reforçar as tropas combatentes. Convocou as de 1925 e 1926 para se incorporarem às fileiras imediatamente, sendo esta uma das últimas medidas para a mobilização total do país. Os chefes gregos e oficiais do Estado-Maior acreditam que suas forças, se chegar a esperada ajuda exterior, poderão conter por longo tempo os italianos e depois tomar a ofensiva, se outros países não entrarem na luta.

Informa-se que grandes reforços gregos, tanto de tropas regulares como das convocadas agora, foram enviadas para as guarnições da Macedônia, Trácia e Florina para consolidar a frente onde os italianos são duramente atacados. Despachos da frente Koritz noticiam a chegada de aviões e unidades motorizadas italianas, porém, acredita-se que a vantagem inicial obtida pelos gregos ao derrotar naquela frente os italianos, será um obstáculo para o esperado contra-ataque destes

O Estado-Maior grego dirige as operações, localizado no alto do monte Pissoderi, ao pé do qual se estende a frente de Koritza, com a cidade do mesmo nome visível, à distância. Dizem os comunicados que ambos os lados sofrem grandes baixas, pis os gregos resistem a cada tentativa dos italianos para recuperar o terreno que conquistaram nos 5 primeiros dias de luta, depois de iniciada a invasão. Os gregos combatem resolvidos a manter suas linhas e continuar avançando em toda a costa, paar cortar os abastecimentos que os italianos recebem no porto de Tirana

Tropas inglesas já se encontram em terras gregas, nas ilhas de Cafalônia e Corfú, no mar Jônico, assim como em Creta. Além disso, efetuam-se preparativos para receber várias esquadrilhas da RAF, procedentes do Egito. Existe a possibilidade de que os ingleses usem bases gregas para atacar o sul da Itália e as bases italianas no Mediterrâneo Oriental. A povoação civil recebeu os ingleses com entusiasmo em todos os pontos onde desembarcaram. A aviação italiana, hoje, bombardeou Janina, e, segundo notícias gregas, atirou seus projéteis ao acaso, durante várias incursões, depois dos três ataques aéreos de ontem, que causaram enormes prejuízos a propriedades civis. Os italianos atacaram, também, por ar, Salônica, Patras e Larissa, assim como Porto Novo, em Corfú. Quatro aviões italianos de bombardeio foram derrubados, segundo informações, durante ataques ao território grego, além de outros, cujo número se ignora, destruídos durante incursões a Koritza e Arjirocastro, onde os gregos metralharam aparelhos italianos em terra.

 

 

Venceremos

Com o exército italiano na Grécia, 2 de novembro de 1940

Hoje avancei trabalhosamente entre charcos e lamaceiros, por um escarpado caminho na montanha, cheio de lodo, situado em “alguma parte da Grécia”, acompanhando as colunas italianas em sua marcha para a frente da região de Janina. Num velho automóvel americano, um dos poucos que ainda não foram requisitados pelo Exército, na Albânia, passei junto a dezenas de caminhões pesados que, cheios de soldados italianos, avançavam lentamente pela montanha em constante fluxo. Num caminho secundário, vi com freqüência grupos de soldados do corpo de engenharia que, providos de pás, picaretas, pedras e pedregulhos, dedicavam-se a reparar as estradas que, já não são muito boas com bom tempo, agora acham-se cheias de buracos em conseqüência das chuvas torrenciais

Enquanto se achavam reunidos em redor de um fogo protegido por uma pedra e bebiam alguns tragos de “grappa”, a bebida alcoólica mais forte da Itália, tentando reduzir os efeitos do frio e da umidade, os oficiais nos informaram que as tropas de choque que realizaram o avanço italiano são compostas por unidades de infantaria, apoiadas por tanques ligeiros, os únicos que podem ser usados nessas regiões montanhosas, especialmente depois das fortes chuvas.

Enquanto atravessamos a antiga fronteira grego-albanesa, o chofer albanês me mostra o edifício da alfândega grega, em cujas paredes os soldados italianos pintaram, com letras negras: “Venceremos”.

 

 

 

Voltar