Para Moscou
No dia 30 de setembro, as Divisões Panzer de
Guderian se lançaram ao ataque, antecipando-se em dois dias à ofensiva principal.
A investida surpreendeu os soviéticos e, rapidamente, as colunas blindadas
conseguiram internar-se para o nordeste. A 4a Divisão Panzer,
aniquilando as unidades russas que se interpunham sem eu caminho, dirigiu-se
a toda velocidade para a cidade de Orel e, num único dia, conseguiu penetrar
mais de 100 km em território inimigo.
No dia 2 de outubro, Guderian havia conseguido uma
ruptura completa do dispositivo soviético. Os tanques de vanguarda da 4a
Divisão Panzer alcançaram, naquele dia, a estrada pavimentada que vai para
Orel e se deslocaram rapidamente para aquela cidade, sem encontrar
praticamente nenhuma oposição. Na manhã do dia seguinte, penetraram
inesperadamente em Orel, assegurando, assim, a posse deste centro vital de
comunicações na rota de avanço para Moscou.
Sem dar descanso ao inimigo, Guderian dirigiu para
oeste as 17a e 18a divisões Panzer, para cercar as
unidades russas localizadas sobre seu flanco, em torno da cidade de Briansk.
A 6 de outubro, os Panzer se apossaram daquela cidade e, três dias depois,
estabeleceram contato com as unidades de infantaria do 2o Exército
de von Weichs. Três exércitos russos acabavam de ser cercados. Os soviéticos,
porém, arremeteram violentamente para romper o cerco e iniciou-se uma batalha
encarniçada.
Na noite do dia 6, caiu uma nevada antes do tempo
na frente de luta do 2o Grupamento Panzer e, apesar de sua curta
duração, converteu os caminhos em imensos lodaçais, paralisando o avanço das
colunas motorizadas. Apenas os tanques e veículos com lagartas podiam
deslocar-se através das rotas barrentas. Foi este o primeiro anúncio das
terríveis dificuldades que logo haveriam de se apresentar aos exércitos
alemães.
Prosseguindo em seu ataque a Moscou, a 4a
Divisão Panzer se deslocou pela estrada que corre para o nordeste, para
ocupar a cidade de Tula. Sua intenção, porém foi frustrada por um violento
contra-ataque russo. Grandes massas da infantaria investiram frontalmente
contra as unidades alemães e. simultaneamente, centenas de tanques T-34
lançaram-se de surpresa sobre seus flancos. Os velozes blindados russos
demonstraram possuir uma nítida superioridade sobre os tanques alemães e
causaram grandes baixas na divisão. Totalmente desmoralizados, os alemães tiveram
que ceder terreno. Pela primeira vez, desde o início da guerra, os
“invencíveis” Panzer foram derrotados. Na grossa couraça do T-34
ricocheteavam os projetis dos canhões antitanques de 47 mm e também os dos
canhões curtos de 75 mm dos tanques Mark IV.
A Batalha de Viasma
Em cumprimento às determinações do plano Tufão, o
grosso das forças do Marechal von Bock iniciou, no dia 2 de outubro, a
ofensiva sobre Moscou. O 3o Grupamento Panzer, de Hoth, e o 4o
Grupamento Panzer, de Hoeppner, ao norte e ao sul da estrada Smolensk-Moscou,
avançaram rapidamente em direção à cidade de Viasma. No dia 7 de outubro, as
duas pinças das colunas blindadas se fecharam sobre aquela localidade.
Formou-se assim uma gigantesca bolsa na qual ficaram cercados três exércitos
russos.
Nesse mesmo dia, o marechal von Brauchitsch,
comandante-em-chefe do Exército alemão, foi ao posto de comando do Marechal
von Bock para estudar o desenrolar as operações. A situação se apresentava
nitidamente favorável à Wehrmacht. Mediante uma série de impecáveis manobras,
as unidades blindadas haviam cercado, em Viasma e Briansk, uma gigantesca
massa de forças russas, criando, assim,
a possibilidade de realizar uma rápida penetração em direção à Moscou.
Brauchitsch, por isto, resolveu prosseguir imediatamente no ataque à capital
e ditou a respectiva ordem.
As forças de infantaria do 2o Exército
e parte do 4o se ocupariam de completar o aniquilamento das
unidades russas em Briansk e Viasma. Liberados dessa tarefa, os 2o,
3o e 4o Grupamentos Panzer, apoiados pelo 9o
Exército e parte do 4o, avançariam sem demora sobre Moscou, vindo
do sul, do centro e do norte. Com esta tríplice penetração, o Alto Comando
alemão se propunha envolver por completo a capital soviética e derrotar os
últimos restos do exército soviético encarregado da defesa.
Paralisa-se o avanço
No momento
em que as três grandes colunas blindadas iniciaram o ataque decisivo
sobre Moscou, desencadearam-se com furiosa intensidade as chuvas outonais
acompanhadas por nevadas antes do tempo. O 2o Grupamento Panzer de
Guderian, atolado na lama da estrada de Orel-Moscou, aprestou-se para
reiniciar o avanço. Parte de suas forças se achavam ainda empenhadas na luta
do cerco de Briansk, onde os russos continuavam lutando heroicamente.
Finalmente, entre os dias 17 e 20 de outubro, capitularam os últimos restos
dos exércitos soviéticos. Mais de 50.000 homens forma feitos prisioneiros.
Ao norte, as tropas alemães de infantaria
conseguiram também pôr fim à resistência das tropas russas cercadas em Viasma.
No dia 14 de outubro, renderam-se, no interior da gigantesca bolsa, perto de
650.000 soldados. A retaguarda do Grupo de Exércitos Centro, ficou assim
limpa de forças regulares russas. Haviam, porém, aparecido já as primeiras
unidades de guerrilheiros, cuja ação entorpeceu o trabalho do serviço de
abastecimento.
A chegada do “período da lama” teve funestas
conseqüências para a Wehrmacht. Até a estrada pavimentada Smolensk-Moscou se
converteu numa armadilha para as colunas mecanizadas, pois o intenso tráfego
de veículos e tropas acabou por desintegrar a capa de asfalto. Nos caminhos
enlameados, os soldados afundavam até os joelhos e os caminhões e automóveis
se enterravam até os eixos no lodaçal. Somente os tanques e veículos de
lagartas podiam continuar avançando lentamente por esses rios de lama.
Atolados no barro, as divisões se dispersaram e
perderam centenas de veículos e milhares de cavalos. Tornou-se, portanto,
impossível o transporte das peças de artilharia e das armas pesadas. O
abastecimento de víveres, munições e combustível tornou-se cada vez mais
difícil. Os soldados sofreram terríveis padecimentos e o esgotamento e a
paralisação se estenderam por todas as unidades. Apesar de tudo, o Alto
Comando permaneceu firme em sua intenção de alcançar Moscou antes da chegada
do inverno.
As unidades Panzer, de Guderian, deslocando-se a
uma velocidade máxima de 20 km por hora, deram início à penetração rumo à
cidade de Tula. O primeiro ataque fracassou, diante da obstinada resistência
dos russos. A estrada sobre a qual se desenvolvia o movimento se desintegrou
logo debaixo do peso dos tanques e veículos. Os russos, além disso, explodiam
todas as pontes e enchiam de minas amplos espaços de ambos os lados das
estradas, para impedir a manobra de envolvimento.
Finalmente,
no dia 29 de outubro, os tanques de vanguarda se aproximaram a poucos
quilômetros ao sul de Tula. A tentativa de tomar a cidade por um golpe de
surpresa terminou em sangrenta derrota. As esgotadas tropas blindadas já
haviam perdido o ímpeto combativo. Algumas unidades não recebiam nem sequer
pão fazia mais de uma semana. Ao norte, os 4o e 3o
Grupamentos Panzer haviam conseguido abrir caminho com maior rapidez e se
situaram sobre uma linha que ficava a menos duas jornadas de marcha de Moscou.
A meta já estava praticamente ao alcance das mãos. Na capital soviética
viviam-se horas de angústia. Stalin permanecia no Kremlin, mas a maior parte
do governo havia partido para o leste. O povo trabalhava febrilmente
levantando barricadas e cavando valas antitanques. Todas as forças
encarregadas da defesa se encontravam, desde o dia 14 de outubro, sob o
comando do Marechal Zukov que, com inquebrantável energia, dispôs-se a
enfrentar a última investida.
O ataque final
Na noite de 3 de novembro de 1941, caíram as
primeiras geadas na frente de luta de
Moscou. Sobre os caminhos, formou-se então uma firme camada de gelo que
permitiu a aceleração do avanço alemão. O Marechal von Bock ordenou
imediatamente às suas forças: recomeçar o ataque com o máximo de ímpeto
possível.
Na ofensiva final, os 3o e 4o
Grupamentos Panzer deviam avançar em direção ao canal do Volga, para envolver
Moscou pelo norte. O 4o Exército, do Marechal von Kluge, levaria a
cabo o ataque frontal contra a capital e, pelo sul, os tanques de Guderian
completariam o cerco. A proteção dos gigantescos e expostos flancos da cunha
alemã ficaria a cargo do 2o Exército, ao sul, e do 9o,
ao norte.
Guderian reiniciou o ataque contra Tula,
deslocando o centro da gravidade para o leste, para atacar pelo flanco as
poderosas unidades russas entrincheiradas em frente à cidade. No curso da
manobra, os alemães foram inesperadamente atacados no flanco direito por
numerosas divisões de infantaria e cavalaria soviéticas, apoiadas por uma
brigada de tanques. Após duros e violentos combates, os blindados alemães
conseguiram pôr em retirada os russos. O avanço para Tula prosseguiu, então,
em meio a permanentes tempestades de neve. No dia 13 de novembro, a
temperatura desceu a 22 graus negativos, o que provocou terríveis sofrimentos
às tropas desprovidas quase por completo de roupas de inverno.
No dia 15 de novembro, o 3o Grupamento
Panzer se lançou ao ataque no norte, apoiado por parte das forças do 9o
Exército. No dia seguinte, aderiu à ofensiva o 4o Grupamento
Panzer. O avanço de ambas as forças blindadas logo perdeu o impulso diante da
inflamada resistência dos russos e os efeitos desastrosos do frio sobre homens,
armas e veículos. As unidades Panzer conseguiram, porém, abrir caminho em
direção ao canal do Volga, ao norte de Moscou. Os tanques de Guderian
continuavam, porém, sustentando violentos combates em torno de Tula. A cidade
permanecia firme nas mãos dos russos.
As tropas alemães eram submetidas a incríveis
penúrias. Apesar dos insistentes pedidos dos chefes dos diferentes exércitos
e do Alto Comando, Hitler não autorizara a tempo a provisão de agasalhos para
os soldados. O resultado dessa estúpida atitude foi desolador. Providos de
simples uniformes de algodão, os infelizes soldados viram-se submetidos a
temperaturas de até 40 graus negativos nas planuras cobertas de gelo e neve.
Milhares de homens morreram congelados.
As perdas de veículos também foram desastrosas. A
gasolina se congelava nos tanques de combustível e os caminhões e blindados
só podiam ser postos em movimento acendendo-se fogo debaixo dos motores. As
miras de pontaria dos canhões, ofuscados pelo gelo e as metralhadoras se
enguiçaram. O poder de fogo das unidades reduziu-se, assim, radicalmente.
Apesar dessas terríveis dificuldades, os alemães prosseguiram ainda avançando
lentamente. A leste de Tula, os blindados de Guderian conseguiram penetrar em
direção à Moscou, sustentando encarniçados encontros com os soviéticos. No
dia 17 de novembro, uma divisão de infantaria conseguiu conter um violento
contra-ataque das tropas siberianas russas, mas foi logo derrotada por uma
fulminante investida dos tanques T-34. Tomados pelo pânico, os soldados da
infantaria alemã bateram em desordenada retirada. Guderian, profundamente
abatido, compreendeu que a capacidade combativa de suas tropas havia chegado
ao fim. Uma de suas brigadas, que devia contar com 600 tanques, havia ficado
reduzida a 50 blindados avariados.
Estas circunstâncias não conseguiram, porém, levar
o Alto Comando a deter o ataque. Moscou estava já a poucos quilômetros, e
tinham que jogar tudo na última cartada. Finalmente, a 23 de novembro,
Guderian foi ao posto de comando do Marechal von Bock, para solicitar-lhe que
pusesse fim ao avanço. O 2o Grupamento Panzer havia chegado já ao
limite de sua capacidade de luta e enfrentava uma oposição cada vez mais
violenta por parte dos russos.
Von Bock pôs-se imediatamente em comunicação, por
telefone, com o Marechal Brauchitsch para pedir-lhe que determinasse a
detenção da ofensiva sobre Moscou. Brauchitsch, porém, recusou o pedido e
ordenou de forma categórica que Guderian prosseguisse no ataque. A última
esperança de evitar a iminente catástrofe foi frustrada.
A Wehrmacht é derrotada
Envoltos nas tempestades que os cegavam, os
exércitos alemães tentaram, em fins de novembro, um último esforço para
alcançar Moscou. Uma divisão Panzer conseguiu abrir caminho até a localidade
de Krasnaia-Polnaia, situada a 22 km da capital. Guderian, por sua vez,
continuou avançando para o norte e, a 27 de novembro, uma de suas divisões
conseguiu situar-se a poucos quilômetros ao sul da cidade de Kashira, próxima
de Moscou. Este foi o ponto extremo da penetração do 2o Grupamento
Panzer.
No dia 28 de novembro, Guderian recebeu ordem do
Alto Comando para completar a conquista de Tula por meio de uma manobra de
cerco. Rapidamente se realizaram os preparativos para a operação. As
divisões, esgotadas e dizimadas pelo frio e pelas contínuas lutas,
aprontaram-se, na madrugada de 2 de dezembro, para realizar o ataque. A neve
caía sem cessar e a temperatura havia descido para 35 graus negativos. De
início, as 3a e 4a divisões Panzer surpreenderam os
russos e conseguiram abrir caminho em direção a Tula. O avanço progrediu
lentamente através de caminhos cobertos de neve e em meio a contínuas
tempestades. Pouco a pouco, o ataque foi perdendo ímpeto. As tropas esgotaram
suas últimas forças e os veículos ficaram sem combustível. O esperado apoio
do 4o Exército, do Marechal von Kluge, que devia vir do oeste, não
chegou. Ao norte e na retaguarda, grandes massas de infantaria e tanques
soviéticos ameaçavam envolver as forças de Guderian. A temperatura havia
descido para 50 graus negativos.
Ao cair da noite, a 5 de dezembro de 1941, o
General Guderian tomou uma resolução extrema. Pela primeira vez desde o
início da guerra, ordenou a seus tanques que empreendessem a retirada. Com
sua heróica e encarniçada resistência, os soviéticos haviam conseguido o que
até então parecia impossível. A Wehrmacht fôra derrotada.
No dia seguinte, o Marechal von Bock, com
aprovação do Marechal Brauchitsch, comandante-em-chefe do Exército, emitiu a
ordem de suspender o ataque a Moscou. Era a ocasião que Zukov esperava. Sem
perda de tempo, ordenou aos exércitos soviéticos que se preparassem para
lançar o contra-ataque.
Missão em Moscou
Tal como havia sido decidido por Churchill e
Roosevelt em sua entrevista nas costas da Terra Nova, em fins de setembro de
1941, Lord Beaverbrooke e Harriman partiram a
bordo de cruzador britânico London para a Rússia.
A chegada dos plenipotenciários aliados ocorreu
pouco depois no porto de Arkangel, Mar Ártico. Dali se dirigiram imediatamente
a Moscou, por via aérea, chegando à capital no dia 28 de setembro. A recepção
dos russos não foi calorosa, pois a negativa de Churchill sobre a abertura de
uma segunda frente foi interpretada por Stalin como ato inamistoso. No dia
seguinte à chegada, os dois delegados encontraram-se com o dirigente russo.
Este mostrou-se cordial na recepção de ambos os embaixadores. Em reuniões
posteriores produziram-se ásperas mudanças de opiniões que chegaram a
converter-se em inesperados choques verbais. Stalin, abertamente, acusou a
Inglaterra de abandonar a União Soviética à sua sorte. Mais tarde, no
entanto, o tom das conversações tomou um tom amigável. Stalin, então,
declarou achar-se satisfeito com os resultados obtidos na conferência.
Molotov, no discurso que encerrou as conversações, expressou o profundo
agradecimento dos russos aos americanos e ingleses e assinalou que o trabalho
realizado permitia vislumbrar a vitória final sobre Hitler. O resultado
concreto foi a assinatura de um acordo pelo qual fixavam-se as quantidades e
tipos de abastecimento que os aliados enviariam à União Soviética, no período
compreendido entre o dia 1o de outubro de 1941 e 1o de
junho de 1942.
Os materiais citados no tratado incluíam aviões,
em número de 400 mensais, tanques (500 por mês), canhões antitanques e
antiaéreos, caminhões e veículos blindados e matérias-primas como alumínio,
cobre, níquel, magnésio, petróleo, borracha, etc.
A promessa de ajuda dos aliados à Rússia foi
concretizada nos momentos mais difíceis para esta última. No dia 2 de outubro
as forças da Wehrmacht iniciavam sua ofensiva final contra Moscou. Em meio à
catástrofe, o compromisso aliado de reforçar a União Soviética não podia ser
mais oportuno. A rádio de Moscou, no dia 14 de outubro de 1941, anunciou-o da
seguinte maneira: “Enquanto milhares de alemães morrem nos bosques de
Briansk, centenas de aviões ingleses devastam Nuremberg... Abastecimentos
militares nos são enviados pela Inglaterra através dos oceanos... Os Estados
Unidos constroem 5.000 aviões por mês... O tempo é nosso aliado...”
ANEXO
“A Rússia
acabou”
Como conseqüência da
rápida campanha realizada pelos exércitos alemães na frente soviética, rica
em triunfos, e também diante da retirada quase ininterrupta das forças
russas, na Alemanha considerou-se que a operação militar chegava ao fim.
Comunicados transbordantes de otimismo foram publicados, a esse respeito.
Pela mensagem telegráfica que damos a seguir, tem-se uma idéia disso:
“Berlim, 9 de outubro de
1941. Uma onda de júbilo sem precedentes invadiu hoje a Alemanha, como
resultado de uma série de notas oficiais que declaram categoricamente que a
Rússia deixou de existir como potência militar. Durante toda a amanhã e a
tarde, o povo recebeu uma quantidade de notas sensacionais. Todos os recursos
da organização de propaganda alemã foram empregados para explorar, até os
últimos limites, os acontecimentos registrados.
“O chefe da Imprensa do
Reich, Otto Dietrich, reuniu os jornalistas, ao meio-dia, na grande sala do
Ministério de Propaganda, e leu um comunicado especial do Alto Comando.
Assinalou que a destruição dos exércitos russos havia-se completado e que a
“Rússia como potência militar estava acabada”. Não há dúvida, acrescentou,
“que toda as frente russa foi destroçada”.
“Segundo declarou
Dietrich, os russos adotaram o plano de campanha que mais convinha à
Alemanha. “O exército russo, disse, escolheu um sistema de resistência e de
luta em vez da retirada para os espaços vazios. Isto era exatamente o que nós
queríamos, e os destruímos”. Admitiu que “foi uma luta dura”; que quando for
escrita a história desta campanha, “ficará demonstrado que todo êxito é
devido ao poderoso gênio do Fuhrer”.
“Rückmarsch!”
Burzewo, localidade na
estrada Naro-Fominsk-Moscou. 2 de dezembro de 1941. O termômetro assinala 35
graus negativos. Uma espessa capa de neve cobre os tetos das 30 ou 40 casas
que formam o povoado. Alguns soldados do 3o Batalhão do 478o
Regimento de Infantaria da Wehrmacht patrulham as ruas desertas. Caminham
lentamente, com a arma pronta e o olhar fixo nas portas e janelas. Mas,
apenas o ruído de seus próprios passos os recebe e acompanha. O povoado está
deserto. É meio-dia. Um pálido sol arranca faíscas do gelo que cobre o
caminho. Poucas horas antes, às 8 da manhã, os homens deste batalhão
lançaram-se ao ataque, desesperadamente, sem esperar o apoio prometido da
artilharia. O frio os impulsionou, um frio espantoso, cruel, horrível. Todos
preferiram jogar cara ou coroa com a própria vida. Aquelas casas ocultavam
estufas, tetos firmes, calor. Algo mais valia do que a própria vida, sob a
neve. E agora, o 3o Batalhão do 478o estava ali, sob o
comando do Major Staedke, a apenas 40 km de Moscou.
Após acomodar
precariamente os feridos, os soldados apressaram-se na tarefa de reforçar
suas defesas e preparar-se para enfrentar um presumível contra-ataque russo.
Uma bateria de canhões de assalto e um 88 antiaéreo foram postos em posição.
As sentinelas se dispersaram pelos postos assinalados. A preparação do rancho
provocou júbilo nos homens e fez com que se esquecessem o risco que corriam.
Mas o perigo estava ali,
muito perto.
Por detrás das colinas
próximas, observando-os, os oficiais das guarnições dos T-34 esperavam. Os
binóculos dos russos moviam-se lentamente, marcando as posições dos canhões
de assalto, do 88 e dos grupos de infantaria.
As horas da luz passaram
lentamente. As sombras da noite começaram a cair. Nos arredores do povoado,
acendiam-se, espaçadamente, pequenos pontos avermelhados: eram os cigarros
das sentinelas. Muito perto, os oficiais russos continuavam esperando.
Às 10 da noite, um
oficial dos blindados veio reunir-se a eles e, agachando-se, correu para o
seu T-34. Desapareceu, engolido pelo monstro de aço. A pequena torre
fechou-se sobre ele e o motor começou a zumbir. O rádio do tanque chefe
estabeleceu contato com os demais carros e a coluna se pôs em movimento. Como
uma onda que não pode conter, as lagartas
surgiram no alto da colina. Com uma sacudidela, inclinaram-se e começaram a
descer. Todos os canhões, a uma ordem, abriram fogo. Dez, 12, 15 casas
arderam simultaneamente. A noite, silenciosa até então, converteu-se num
inferno de disparos, gritos, explosões de granadas e estampidos das caixas de
munições. Os soldados alemães surpreendidos no descanso, abandonaram os
refúgios desesperadamente, fugindo em desordem. Com grandes esforços, o Major
Staedke conseguiu reorganizar a defesa. Os canhões responderam ao fogo dos
tanques, as metralhadoras começaram a vomitar fogo em todas as direções, os
fuzis cuspiram descargas atrás de descargas.
Ao amanhecer, seis
tanques russos ardiam nas ruas do povoado. As casas, convertidas em montanhas
de fumaça, serviam de trincheiras ao que restara do batalhão. Os feridos,
dispersos por todas as partes, morriam sem receber a mínima assistência. O único
oficial médico alemão, esquentando a seringa de injeções para que o seu
conteúdo não se congelasse, aplicava morfina aos feridos que encontrava em seu caminho. Era tudo o
que podia fazer.
O Major Staedke,
horrorizado, ordenou a retirada. Porém, novos T-34 apareceram, cortando-lhes
o caminho. A batalha se reacendeu, sem descanso, sem trégua, desesperadamente
para ambos os lados.
Na tarde de 4 de
dezembro, alguns sobreviventes alcançaram as linhas alemães; 24 horas depois,
o General Guderian resolveu suspender o ataque no setor central. Era a data,
na qual, segundo os planos de von Bock, os Panzer deviam iniciar o assalto a
Moscou. Agora, a ordem de assalto final havia sido substituída por outra sem
dúvidas: - “Rückmarsch!”- “Retirada!”.
“Nosso exército deve ganhar e ganhará”
A proximidade dos
exércitos alemães da cidade de Moscou mobilizou todos os recursos da União
Soviética. Stalin, pessoalmente, dirigiu-se ao povo russo numa proclamação
dramática, chamando-o para a luta sem quartel contra o invasor. A gravidade
da situação pode ser deduzida dos termos da proclamação.
Este foi o discurso
pronunciado por Stalin no dia 6 de novembro de 1941, no momento em que os
exércitos alemães se aproximavam de Moscou:
“Nosso país foi atacado e
invadido... O inimigo planejou acabar conosco em um mês e meio e chegar aos
Urais num tempo ainda menor. Os fatos tem demonstrado que este plano
insensato fracassou por completo. O Exército russo, a Armada e as forças
aéreas já tem enchido os rios com o sangue inimigo, mas o inimigo não deixa
de levar para a frente reservas frescas, para alcançar seu objetivo antes que
chegue o inverno. Não há dúvida, no entanto, de que depois de 4 meses de
guerra, a força do inimigo, que certamente foi calculada por excesso, vai
declinando, enquanto que nossas reservas chegam agora em número crescente.
“Os invasores alemães
confiavam em penetrar profundamente em nosso país depois da derrota inicial
do exército russo, mas aqui os alemães se enganaram igualmente. O Exército
russo não tem ainda a experiência combativa dos alemães, pois nossas forças
estão lutando apenas há quatro meses, enquanto os alemães vem lidando com a
guerra há dois anos. O fato principal é, porém, que o moral do Exército russo
está mais elevado do que nunca. Nosso Exército defende seu próprio país,
enquanto o exército alemão é levado a uma guerra de agressão e de conquista.
Em conseqüência, nosso Exército deve ganhar e ganhará”.
“A última grande batalha”
Proclamação de Hitler ao
exército alemão, ao iniciar-se a ofensiva contra Moscou, em 2 de outubro de
1941: “Soldados da Frente Oriental! Preso da mais profunda inquietação pela
existência e futuro do nosso povo, resolvi, a 22 de junho, apelar diretamente
a vós para nos adiantarmos ao ataque que nos ameaçava mo último momento. Era
intenção do potentado do Kremlin, como bem o sabemos, destruir não somente a
Alemanha, mas toda a Europa”.
“Soldados: quando, em 22
de junho, convoquei-os para afastar o terrível perigo que ameaçava os nossos
lares, vós vos encontrastes diante do maior poder militar de todos os tempos.
No entanto, em três curtos meses, graças a vossa valentia, meus camaradas,
conseguistes destruir, uma depois da outra, as brigadas blindadas do inimigo,
exterminar uma infinidade de divisões, fazer inúmeros prisioneiros e ocupar
espaços incomensuráveis”.
“Em poucas semanas, os
três distritos industriais vitais deste inimigo estarão totalmente em vossas
mãos. Vossos nomes, soldados das forças armadas alemães, e os nomes de nossos
valentes aliados, os de vossas divisões e regimentos, de vossos navios e
vossas esquadras aéreas, ficarão ligados para todo o sempre às mais
gigantescas vitórias da história universal. Fizestes mais de 2.400.000
prisioneiros, com a destruição ou captura de mais de 17.500 tanques, mais de
21.600 canhões, derrubando ou destruindo em terra 14.200 aviões. O mundo
nunca viu nada igual.
“Nesses três meses e
meio, meus soldados, assentaram-se as bases para o último e gigantesco
esforço destinado a esmagar o inimigo antes que sobrevenha o inverno, Já
foram realizados todos os preparativos necessários, dentro do que é
humanamente possível. Tudo foi preparado sistematicamente, passo a passo,
para levar o inimigo a uma situação que nos permita assentar-lhe o mais
demolidor dos golpes. Começa hoje a última grande batalha decisiva deste
ano”.
“O que vós e as tropas
aliadas haveis realizado nos impõe a mais profunda gratidão a todos.
Prendendo a respiração, a pátria os acompanhará com suas bendições nos graves
dias do futuro. Com a ajuda de Deus, vós lhe dareis não só a vitória, como
também a mais importante condição prévia para a paz”.
Adolf Hitler. Fuhrer e
Comandante Supremo das Forças Armadas
Guerra sem quartel
Dia 30 de novembro de
1941. A avalanche alemã está chegando às portas de Moscou. Porém, na cidade,
algumas coisas permanecem imutáveis. O diário Pravda, pontualmente, é
distribuído nas ruas, nas trincheiras, nas fábricas. Na primeira página, em
destaque, a notícia do fuzilamento de vários indivíduos surpreendidos
enquanto roubavam casas abandonadas. Além disso, a condenação à morte de
vários especuladores que revendiam gêneros e víveres. Moscou já se converteu
em zona de primeira linha. Não comporta meias medidas. A mobilização total é
imposta pelas autoridades, decisivas a salvar a capital da Rússia. Os
poderosos T-34, mal saídos das fábricas, são conduzidos pelos próprios
operários para a frente. Os batalhões siberianos, transportados em ônibus e
automóveis, carros requisitados e caminhões partem para as primeiras linhas.
As tropas são lançadas na batalha sem ordem alguma, à medida que chegam da
retaguarda. O objetivo, nesses instantes dramáticos, é deter os alemães, não
permitir que ponham os pés dentro dos limites da capital. Não importa como,
nem com o quê. Basta detê-los. Regimento após
regimento, batalhão após batalhão, os homens são lançados ao combate. É uma
verdadeira carnificina. Homens jovens e anciãos empunham armas e se lançam na
primeira linha. Adolescentes e mulheres, trabalhando dia e noite, abrem
centenas de postos fortificados, valas antitanques e muralhas de arame
farpado. Nenhum momento de repouso interrompe seu trabalho. Dia e noite lutam
por defender sua capital.
Por fim, na noite de 5 para 6 de dezembro de 1941,
chegou uma ordem às primeiras linhas alemães. Seu texto era breve, mas
dramático. Dizia: “O ataque a Moscou fracassou. Retirar!”.
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