A Rússia contra-ataca
Ataque à Criméia e Rostov
Contra-ataque russo
A Contra-ofensiva soviética No início do mês de outubro de 1941, Hitler
ordenou à Wehrmacht que iniciasse a ofensiva decisiva sobre Moscou. Ao mesmo
tempo, determinou, que os exércitos alemães prosseguissem, no norte e no sul
da Rússia, as operações contra Leningrado e a região caucasiana. Este plano,
porém, foi frustrado pela encarniçada resistência dos exércitos soviéticos.
Finalmente, com a chegada do inverno, a lama e a neve paralisaram por
completo o avanço. No norte, o grupo de exércitos do Marechal von
Leeb havia conseguido, no início de setembro e logo depois de terríveis
combates, completar pelo leste o cerco de Leningrado, ocupando a localidade
de Schüsselburg, sobre a margem meridional do lago Ladoga. Os russos, no
entanto, não cessaram a luta e continuaram resistindo obstinadamente nas
extensas e poderosas fortificações que contornavam a cidade. A 25 de
setembro, o Alto Comando retirou, por ordem de Hitler, todas as unidades
Panzer e motorizadas que lutavam na frente de Leningrado, com o objetivo de
usá-las no ataque contra Moscou. As forças de von Leeb ficaram, assim,
radicalmente debilitadas. Logo se fizeram sentir os desastrosos efeitos
dessa medida. Os russos lançaram repetidos e violentos ataques no sul, para
restabelecer novamente o contato com a guarnição sitiada. Para enfrentar esta
ameaça, von Leeb teve que retirar apressadamente forças que combatiam em
Leningrado, o que obrigou a suspender o estreitamento do cerco da cidade. O
Alto Comando, por sua vez, enviou a von Leeb, como reforço, uma divisão
transferida da França, dois regimentos de pára-quedistas da Luftwaffe e a
Divisão Azul, de voluntários espanhóis, que acabava de chegar à Rússia. Hitler, porém, havia resolvido renunciar à
conquista de Leningrado por meio de um ataque direto. No dia 29 de setembro,
emitiu uma instrução na qual expôs suas intenções. Dizia assim: “O Fuhrer
decidiu que São Petersburgo (Leningrado) seja apagada da face da Terra. A
sobrevivência desta grande cidade já não terá interesse alguma, uma vez que a
Rússia soviética seja derrotada... Sua intenção é que se estreite o cerco e a
cidade seja arrasada pela artilharia e contínuos ataques aéreos. Todo pedido
de capitulação deve ser recusado, pois o problema da sobrevivência e a
alimentação de sua população não pode nem deve ser resolvido por nós...”. Hitler, logo após emitir esta ordem implacável,
determinou que o Marechal von Leeb continuasse a penetração a leste de Leningrado,
para ocupar a localidade de Tchivin – onde existiam grandes depósitos de
bauxita – e estabelecer logo contato com as forças finlandesas que combatiam
na margem oriental do lago Ladoga. Von Leeb mostrou a Hitler que precisava de
forças suficientes para levar adiante a operação, mas teve, finalmente, que
acatar a vontade do Fuhrer. O ataque contra Tchivin teve início a 16 de
outubro, mas desde o começo foi prejudicado pela progressiva piora das condições
climáticas. Avançando lentamente pelos caminhos cobertos de gelo e lama, as
tropas alemães, completamente esgotadas, conseguiram alcançar Tchivin no dia
8 de novembro. Ali se deteve definitivamente o avanço, sem que se conseguisse
estabelecer a esperada união com os exércitos finlandeses. |
Ataque à Criméia No sul, as forças de von Rundstedt conseguiram
obter uma série de importantes vitórias antes que se iniciasse a época das
chuvas. O 11o Exército, do General von Schobert, cruzou o Dniéper em
princípios de setembro e marchou rapidamente em perseguição das unidades
russas que batiam em desordenada retirada. Poucos dias depois, morreu von
Schobert, ao aterrissar com seu avião num campo minado pelos russos, e foi
substituído pelo General von Manstein. Este chefe recebeu a missão de
conquistar a península da Criméia e, ao mesmo tempo, apoiar com parte de suas
forças o avanço em direção a Rostov. Frente a essa dupla tarefas, von
Manstein decidiu voltar seu esforço principal para a operação contra a
Criméia. No dia 24 de setembro de 1941 duas divisões alemães iniciaram o
ataque através do estreito do istmo de Perekop, onde os russos haviam
levantado uma intrincada rede de fortificações de mais de 15 km de
profundidade. Durante cinco dias, os alemães sustentaram violentos combates e
conseguiram desalojar, finalmente, os russos de suas posições, fazendo cerca
de 10.000 prisioneiros. Von Manstein, porém, não pôde aproveitar a vitória
pois, ao norte, dois exércitos russos comandado pelo General Ivan Boldin,
desencadearam um inesperado contra-ataque contra as forças restantes do 11o
Exército alemão e as unidades do 3o Exército romeno. Os soviéticos
conseguiram envolver os romenos e abriram uma brecha de mais de 14 km nas
linhas de retaguarda de von Manstein. Este, sem um instante de vacilação,
ordenou que as tropas que se achavam na Criméia se dirigissem em marcha
forçada para o norte e conseguiu conter a penetração russa. Ao mesmo tempo, o
1o Grupamento Panzer, de von Kleist, completou o cruzamento do Dniéper
e, deslocando-se a toda velocidade através das estepes, cercou pela
retaguarda as forças soviéticas perseguidas por von Manstein. No dia 10 de
outubro, finalizou a sangrenta batalha. Em poder dos alemães ficaram perto de
65.000 prisioneiros, 125 tanques e 500 canhões. Sem dar descanso às suas
tropas, von Manstein retomou imediatamente o ataque contra a Criméia. Os
russos decidiram defender, até o último homem, a península e, no dia 16 de
outubro, reforçaram sua guarnição com numerosas divisões que foram evacuadas
por mar, do porto de Odessa, que desde o começo da invasão havia permanecido
sitiado pelo 4o Exército romeno. O ataque alemão começou no dia 18
de outubro e logo se travou uma luta furiosa que se prolongou por 10 dias.
Entrincheirados nos áridos terrenos de Ischum, os soldados soviéticos se
defenderam encarniçadamente. Por volta do dia 25 de outubro, as tropas de von
Manstein, esgotadas pela incessante e sangrenta luta, havia chegado
praticamente ao fim de sua capacidade combativa. O chefe alemão, porém,
resolveu insistir no ataque e conseguiu, dois dias depois, romper a linha
fortificada soviética. O caminho para Sebastopol estava aberto. Rapidamente von Manstein lançou suas forças para o
sul, para completar o aniquilamento dos exércitos russos. As unidades alemães
se deslocaram em leque através da península e conseguiram cercar e destruir a
maior parte das unidades soviéticas. No dia 30 de outubro, as colunas de
vanguarda alemães se apoderaram do forte Balaklawa, diante de Sebastopol e
sitiaram o porto. Ali, havia de se prolongar a resistência soviética até o
mês de junho de 1942. A primeira derrota Logo depois de completar a destruição dos
exércitos soviéticos situados na margem direita do Dniéper, o 1o Grupamento
Panzer, de von Kleist, prosseguiu seu avanço em direção a Rostov. Mais ao
norte, os 17o e 6o Exércitos irromperam também para o
leste, para ocupar a vital região industrial do Donetz. No dia 11 de outubro, as unidades de vanguarda de
von Kleist alcançaram o rio Mius e ocuparam a cidade de Taganrog, poucos
quilômetros a oeste de Rostov. Iniciou-se então o mau tempo e as chuvas
converteram rapidamente os caminhos em verdadeiros rios de lama, paralisando
quase por completo o avanço alemão. Os russos, aproveitando a pausa,
retiraram-se para o rio Dom, para escapar da investida das forças de von
Rundstedt. Este, ao receber a notícia da retirada soviética, ordenou às suas
extenuadas unidades que realizassem um supremo esforço e empreendessem sem
demora a perseguição do inimigo. O 6o Exército, sustentando encarniçados
combates, conseguiu ocupar Karkov no dia 26 de outubro, e chegou às margens
do Donetz. As unidades do 17o Exército alcançaram também, em fins
desse mês, o rio. Mas ali seu avanço ficou paralisado. Mais ao sul, o
grupamento de von Kleist, denominado agora 1o Exército Panzer,
conquistou, em 20 de outubro, o importante centro industrial de Stalin. Duas
tentativas de prosseguir o ataque contra Rostov viram-se frustradas pelas
condições adversas do clima e a resistência dos soviéticos. Diante desta
situação, o Marechal von Rundstedt dirigiu repetidos pedidos ao Alto Comando
para adiar o avanço sobre Rostov até a chegada do bom tempo, colocando suas
extenuadas forças numa linha fortificada ao longo do rio Mius. Hitler, porém,
impôs sua vontade e ordenou que se levasse adiante o ataque. No dia 17 de
novembro, os tanques de von Kleist se puseram novamente em marcha e, quatro
dias depois, irromperam em Rostov. O contragolpe russo não se fez esperar. Em torno de Rostov, o Marechal Timoshenko,
designado novo chefe da frente sul em substituição a Budienny, havia
concentrado numerosas unidades que superavam de forma esmagadora as forças
alemães. No dia 22 de novembro, os soviéticos se lançaram ao ataque e, seis
dias depois, forçaram von Kleist a abandonar Rostov. A retirada para a linha
do Mius, proposta novamente por Rundstedt, foi categoricamente recusada por
Hitler. Rundstedt, então, pediu a sua remoção e foi substituído por von
Reichenau. Este chefe tentou manter-se diante de Rostov, mas foi, finalmente,
obrigado a procurar refúgio na linha do Mius. Nessa posição, os alemães
conseguiram manter-se durante todo o inverno. Vitória soviética Nos primeiros dias de dezembro de 1941, a
gigantesca ofensiva da Wehrmacht sobre Moscou havia chegado ao fim. A
inquebrantável resistência dos exércitos russos e as terríveis condições
climáticas paralisaram por completo o avanço das divisões alemães a poucos
quilômetros da capital. O Alto Comando soviético resolveu, então, passar ao
contra-ataque. Concentrados em Moscou, numa frente de quase 1.000
km, os russos contavam com 12 exércitos integrados por 88 divisões de
infantaria, 15 de cavalaria e 24 brigadas blindadas. Estas forças estavam
distribuídas em três grandes grupamentos: a Frente de Kalinin, sob o comando
do General Koniev, a Frente Oeste, comandada pelo marechal Zukov e a Frente
do Sudoeste, sob o comando do Marechal Timoshenko. O plano de ataque russo,
concebido pelo Marechal Chapochnikov e aprovado por Stalin a 30 de novembro,
tinha como objetivo o completo aniquilamento do Grupo de Exércitos Centro, de
von Bock, por meio de uma gigantesca manobra de pinças. A operação começaria
com um ataque sobre as duas alas alemães, integradas ao norte e ao sul pelos
3o, 4o e 2o exércitos Panzer. Ao mesmo
tempo, uma investida frontal manteria aferrado no centro o Grupo de Exércitos
de von Bock, com o fim de facilitar a manobra de envolvimento. Ao iniciar-se
a contra-ofensiva, as forças de von Bock estavam reduzidas a 67 divisões
desgastadas pela luta contínua. Todas estas unidades se encontravam
empenhadas na frente, sepultadas em neve e gelo, desprovidas de vestimentas
de inverno e sem receber víveres e abastecimentos. Devido às baixas sofridas
em combate e devido ao congelamento, as ditas unidades viram os seus efetivos
diminuírem numa média de 50%. Von Bock contava como única reserva para toda a
frente com uma só divisão de infantaria. No dia 6 de dezembro, começou o ataque russo. Na Frente de Kalinin, os exércitos de Koniev
lançaram-se inesperadamente sobre o 9o Exército alemão e
envolveram suas posições. No centro, Zukov desencadeou um demolidor ataque
contra os 3o e 4o Grupamentos Panzer, empregando na
operação quatro exércitos. Precedidos pelos velozes T-34 e apoiados por um
violentíssimo fogo de artilharia e dos novos lança-foguetes Katyusha, os
soldados da infantaria e os esquiadores soviéticos se infiltraram rapidamente
através das posições alemães. No sul, os russos atacaram o 2o
Grupamento Panzer, de Guderian, cujas unidades estavam localizadas numa
extensa saliência em torno de Tula. Dois exércitos penetraram em direção
desta cidade e avançaram por uma brecha de cerca de 20 km de extensão. O 2o
Exército alemão, que cobria o flanco sul de Guderian, foi também alvo de
violentos ataques. As unidades soviéticas tentavam, neste setor, cortar a
rota vital que, por Orel, assegurava a comunicação com as forças que
combatiam em Tula. Diante dessa situação desesperada, o Marechal von
Bock informou ao Alto Comando, no dia 8 de dezembro, que não podia conter o
ataque soviético e pediu imediatamente o envio de reforços. No dia 13 de
dezembro, von Bock entrevistou-se em Smolensk, com o Marechal Brauchitsch,,
comandante-em-chefe do Exército, e lhe expôs detalhadamente a crise por que
atravessavam seus exércitos. Ambos os chefes consideraram necessário
empreender a retirada para uma linha defensiva situada na retaguarda. Brauchitsch dirigiu-se sem demora para o QG de
Hitler, na Prússia Oriental, e lhe transmitiu os alarmantes relatórios de von
Bock, pedindo sua autorização para iniciar a retirada. Hitler, porém, opôs-se
terminantemente a que se abandonasse o terreno conquistado, pois considerava
que uma retirada nas condições vigentes poderia degenerar numa fuga caótica
que culminaria na derrota total de todos os exércitos alemães. Em
conseqüência, no dia 16 de dezembro emitiu a seguinte ordem: “Debaixo da
vigilância direta de generais, chefes e oficiais, obrigar-se-á a tropa a
resistir em suas posições até o fanatismo, sem prestar a menor atenção às
infiltrações inimigas em seus flancos e retaguarda”. Hitler, a seguir, decidiu desfazer-se de
Brauchitsch e, no dia 19 de dezembro, aceitou seu pedido de renúncia e
assumiu pessoalmente o comando supremo do exército. Nesse mesmo dia, von
Kluge substituiu von Bock como chefe do Grupo de Exércitos Centro. A essas
primeiras mudanças haveriam de se seguir muitas outras. A Wehrmacht perdeu,
assim, definitivamente os últimos vestígios de autonomia e passou a depender
por completo da vontade do Fuhrer. A ameaça do aniquilamento Após os primeiros êxitos, os russos redobraram
seus ataques a fim de levar a cabo o envolvimento total das forças alemães.
No norte, os exércitos de Koniev ocuparam Kalinin, a 16 de dezembro. No sul,
o 2o Exército alemão conseguiu conter, com o apoio do 2o
Grupamento Panzer, a investida de 22 divisões de infantaria e 5 brigadas
blindadas soviéticas, frustrando assim, a possibilidade de queda do setor a
seu encargo. No dia 20 de dezembro, Guderian deslocou-se até o
QG de Hitler e tentou, sem êxito, convencê-lo para que autorizasse a retirada
das forças alemães. Ao regressar à frente, Guderian se encontrou com uma nova
crise. Na noite de Natal, os russos abriram caminho através do flanco
esquerdo do 2o Grupamento Panzer e, utilizando grandes massas de
cavalaria e esquiadores, irromperam em direção da localidade de Jushnov,
situada na retaguarda do 4o Exército alemão. Esta força ficou,
assim, exposta ao perigo de ser totalmente cercada. Devido a estes fatos, Guderian
teve uma violenta discussão com o Marechal von Kluge e foi destituído. No norte, as forças de Koniev, que somavam 4
exércitos, prosseguiram avançando para o sul e conseguiram, no dia 31 de
dezembro, derrotar uma importante fração do 9o Exército alemão. O
envolvimento do grosso do Grupo de Exércitos Centro começou, desse modo, a
converter-se numa ameaçadora possibilidade. Atacando do norte, do centro e do
sul, os exércitos de Koniev, Zukov e Timoshenko propunham-se convergir sobre
a localidade de Viasma e aniquilar, ali, a massa das forças de von Kluge.
Nessa gigantesca operação intervieram, no início de janeiro, 20 exércitos
russos com um total de 165 divisões. Persistindo em sua penetração através da larga
brecha aberta sobre o flanco sul do 4o exército alemão, três
exércitos soviéticos precedidos pelo 1o Corpo de Cavalaria da
Guarda, internaram-se em direção a Viasma e ameaçaram cortar a estrada vital
que une aquela cidade a Smolensk. Sobre esta rota atuavam já numerosas
unidades guerrilheiras providas de armas e munições por via aérea. Em
princípios de fevereiro, os russos lançaram ao sudoeste de Viasma forças
pára-quedistas que estabeleceram contato com as unidades avançadas da
cavalaria. Mais para o sul, outros dois exércitos russos
investiram sobre o desguarnecido flanco do 2o Grupamento Panzer,
comandado agora pelo General Schmid e ameaçaram também interromper as
comunicações dessa força com a retaguarda. Os alemães, porém, combateram
encarniçadamente e, reforçados por três divisões, conseguiram manter suas
posições. No centro, cinco exércitos russos atacaram
frontalmente no ponto de união do 4o Exército alemão com o 4o
Grupamento Panzer e conseguiram abrir profunda brecha. Ante o grave perigo, O
General Hoeppner, chefe desta última unidade, resolveu por iniciativa própria
ordenar, a 8 de janeiro de 1942, a retirada limitada. Hitler imediatamente
ordenou a sua destituição e o expulsou das fileiras do Exército. Para o
Fuhrer, toda retirada equivalia a um ato de traição. A situação, porém, era praticamente insustentável.
As forças alemães, dizimadas pela luta e pelo frio, não podiam manter-se por
mais tempo em suas posições avançadas. O Marechal von Kluge pediu a Hitler
que permitisse urgentemente uma retirada nos setores onde os russos haviam conseguido
irromper, para diminuir as terríveis perdas de homens e materiais. No dia 15 de janeiro, o Fuhrer deu sua autorização
para que o Grupo de Exércitos retrocedesse passo a passo até as posições
fortificadas da retaguarda. Nesse mesmo dia von Kluge ordenou ao 4o
Exército e ao 4o Grupamento Panzer que iniciassem a retirada para
oeste. Ao diminuir-se a frente, ficaram livres diversas unidades que, a 3 de
fevereiro, conseguiram fechar a brecha que separava o 4o Exército
do 4o Grupamento Panzer e cercaram várias divisões do 33o
Exército soviético do General Yefremov. No norte, os soviéticos, porém, haviam
desencadeado um ataque demolidor sobre o flanco do 9o Exército
alemão e penetraram rapidamente para o sul, em direção a Viasma. No dia 9 de
janeiro, outras forças russas da Frente de Kalinin atacaram em direção a
sudoeste e conseguiram abrir uma brecha de 120 km de extensão nas linhas
alemães. Porém, o General Model, que substituiu Strauss no comando do 9o
Exército atuou com extrema energia e conseguiu estabelecer uma nova linha
defensiva. Dessa maneira, em meados de fevereiro, o Grupo de
Exércitos Centro superou o momento culminante da crise. A potência dos
ataques russos foi-se esgotando devido à intensidade do gigantesco esforço e
as grandes perdas sofridas. A retaguarda das linhas alemães continuou, porém,
a luta contra as numerosas unidades de cavalaria e de pára-quedistas
soviéticas que haviam conseguido infiltrar-se no transcurso da ofensiva. Os
últimos focos de perigo foram finalmente eliminados no mês de abril.
Combatendo desesperadamente durante mais de três meses, o Grupo de Exércitos
Centro, conseguira escapar ao aniquilamento. A Wehrmacht, no entanto, havia
sofrido diante de Moscou uma derrota decisiva. Desde o início da campanha da
Rússia, o Exército alemão perdeu um total de 1.107.830 soldados, o que
equivalia a uns 35% de seus efetivos. Estas terríveis perdas já não puderam
ser cobertas e a Alemanha ficou, assim, numa situação de nítida inferioridade
frente ao poderio crescente dos soviéticos. Entrevista Eden-Stalin Em princípios de novembro de 1941, Winston
Churchill resolveu esclarecer os distintos problemas que dificultavam a ação
conjunta a seguir com os soviéticos. O avanço alemão, que prosseguia sem
descanso, havia alarmado o líder britânico. Sua preocupação era,
principalmente, os vitais estabelecimentos petrolíferos do Cáucaso, cuja
posse permitiria aos alemães ampliar suas possibilidades até limites
imprevisíveis. Para solucionar as diferentes dificuldades,
Churchill decidiu enviar uma missão a Moscou encabeçada pelo Ministro de
Relações, Anthony Eden, acompanhado pelo General Nye. No dia 5 de dezembro Churchill entregou a Eden as
diretrizes referentes à missão. Elas assinalavam que as divisões britânicas
que propunha empregar para defender o Cáucaso não poderiam ser usadas por
causa da crise na frente da Líbia. “Portanto”, acrescentava, “a melhor forma que pode
tomar nossa ajuda (fora o abastecimento) é a localização de uma poderosa unidade
de nossa força aérea, digamos 10 esquadrilhas, no flanco sul dos exércitos
russos, de onde, entre outras coisas, elas podem ajudar a proteger as bases
russas no mar Negro”. Apesar disso, Eden devia discutir com Stalin a
determinação dos fins pretendidos pela URSS e pelas nações aliadas, em sua
luta com a Alemanha de Hitler. Assim expressou-se Churchill em uma carta
dirigida a Stalin, na qual dizia: “O fato de que a Rússia seja um estado
comunista e a Inglaterra e os Estados Unidos não, e tampouco queiram sê-lo, não constitui obstáculo algum para
que tracemos um bom plano para nossa segurança mútua”. A projetada missão de
Eden chegou ao conhecimento do governo americano no dia 4 de dezembro. Ao
receber a notícia, o Secretário de Estado Hull, com a devida aprovação de
Roosevelt, enviou uma mensagem a Eden, anunciando-lhe que seu governo
sustentava como única política para o pós-guerra os princípios enunciados na
Carta do Atlântico. Recomendava, portanto, não entrar em qualquer acordo e
principalmente secreto, sobre os problemas do após-guerra. Durante sua permanência em Moscou, Eden recebeu de
Stalin a proposta de realizar uma ampla revisão das fronteiras ocidentais da
URSS, ao término da guerra, em troca das quais os russos estavam dispostos a
reconhecer o estabelecimento de bases aos britânicos em países da Europa
ocidental. Quando Churchill tomou conhecimento da proposta soviética,
escreveu a Attlee, que nesse momento exercia interinamente o governo
britânico, enquanto Churchill permanecia em Washington e comunicou-lhe o
seguinte: “Não existe qualquer possibilidade de concordarmos com tal
proposta, secreta ou pública, sem um entendimento prévio com os Estados
Unidos. Não chegou ainda o momento para acertar a situação das fronteiras,
que somente poderão ser resolvidas em uma conferência de paz após termos
vencido a guerra”. ANEXO
Os Exércitos russos na Batalha de Moscou “Frente de Kalinin”- Coronel-General Koniev 22o Exército
(Vostruchov), 29o Exército (Chezov), 31o Exército
(Juschkevitz), 39o Exército (Bersarin). O Grupo de Exércitos de
Koniev atacou do norte, contra a ala setentrional do Grupo de Exércitos de
von Bock, integrada pelo 9o Exército (Strauss) e pelo 3o
Grupamento Panzer (Hoth). “Frente do Oeste”- General-de-Exército Zukov 1o Exército de
assalto (Kusnetzov), 1o Corpo de Cavalaria da Guarda (Belov), 5o
Exército (Govorov), 10o Exército (Golikov), 16o
Exército (Rokossovski), 20o Exército (Vlasov), 30o
Exército (Lieiuschenko), 33o Exército (Yefremov), 43o
Exército (Gelubjev), 49o Exército (Sacharkin), 50o
Exército (Boldin). O Grupo de Exércitos de
Zukov atacou, no centro e no sul, contra a massa principal do Grupo de
Exércitos de von Bock, integrada pela ala meridional do 3o
Grupamento Panzer (Hoth), o 4o Grupamento Panzer (Hoeppner), o 4o
Exército (von Kluge), o 2o Grupamento Panzer (Guderian) e o 2o
Exército (von Weichs). “Frente Sudoeste” – Marechal Timoshenko 3o Exército
(Gerassimenko), 13o Exército (Gorodnojanski), 40o
Exército (Kostenko), 61o Exército (Podlas). O Grupo de Exércitos de
Timoshenko atacou, do sul, a ala meridional das forças de von Bock, integrada
pelo 2o Exército (von Weichs) e o 2o Grupamento Panzer
(Guderian) Substituições no Comando alemão Ao fracassar a ofensiva
sobre Moscou, em dezembro de 1941, foram substituídos os seguintes chefes: Comandante supremo do
Exército, Marechal von Brauchitsch. Comandante-em-chefe do
Grupo de Exércitos Centro, Marechal Rundstedt. Comandante-em-chefe do
Grupo de Exércitos Centro, Marechal von Bock. Comandante-em-chefe do 2o
Exército Panzer, Capitão-General Guderian Comandante-em-chefe do 2o
Exército, General von Weichs Comandante-em-chefe do 17o Exército, General von Stulpnagel No mês de janeiro de 1942
foi destituído: Comandante-em-chefe do Grupo
de Exércitos Norte, Marechal Ritter von Leeb. Luta sem Quartel Os russos utilizaram na
batalha contra o invasor todos os tipos de elementos. Contribuíram assim,
para a derrota dos alemães, os cães amestrados, usados em grande número pelos
combatentes soviéticos. Tratava-se de animais que levavam, presas em seus
flancos, duas cargas explosivas de alto poder. As duas cargas estavam ligadas
entre si e conectadas a uma antena que se elevava sobre o animal. Os
cachorros, obedecendo à voz do soldado que os guiava, dirigiam-se para os
tanques ou veículos alemães, rastejando e entrando debaixo dos mesmos.
Depois, levantando-se bruscamente, comprimiam a antena contra o veículo. O
contato do mesmo era suficiente para fazer detonar a carga explosiva que os
cães levavam em seus flancos. O animal morria, mas o tanque voava em pedaços. Corpo de Expedição Italiano Durante a realização da
histórica conferência de Brennero, Hitler deu conhecimento a Mussolini de sua
intenção de “aniquilar a URSS”. Mussolini manifestou sua intenção de não
permanecer ausente na campanha. Hitler, então, escreveu-lhe dizendo.: “... A
ajuda decisiva, Duce, poderá levá-la à prática, reforçando vossas forças na
África...”. Hitler, positivamente, mostrava-se avesso à intervenção italiana
na campanha italiana.: “A Itália não pode ficar ausente... As forças
terrestres e aéreas italianas intervirão na quantidade e nos setores que os
Estados-Maiores decidam. A conseqüência imediata
disto foi a organização do Corpo de Expedição Italiano, constituído
oficialmente no dia 9 de julho de 1941. A ordem do comando supremo foi a
seguinte: “Todas as forças, terrestres e aéreas, destinadas a operar na
frente russa, constituirão o Corpo de Expedição Italiano na Rússia
(C.S.I.R.). Por isto, desde o dia 10 de julho de 1941, o comando do corpo de
exército motorizado se denominará Comando do Corpo de Expedição Italiano na
Rússia”. As forças, sob as ordens
do General Francisco Zingales, estavam constituídas pelas seguintes unidades: Divisão de infantaria
motorizada Pasúbio. Divisão de infantaria
motorizada Turim. 3a Divisão
motorizada Príncipe Amadeo de Aosta 3o Grupo de
artilharia antiaérea 61o Grupo
aéreo de observação 22o Grupo de
caça No dia 11 de julho, o Corpo
de Expedição iniciou a marcha, por trem, para a longínqua frente de combate.
Durante a viagem, o General Zingales foi substituído pelo General Giovanni
Messe. Um total de 225 trens transportaram os soldados italianos ao longo de
2.300 km, até as proximidades da fronteira da Hungria com a Romênia. Por fim,
as forças italianas conheceram seu novo destino, entre o 17o
Exército alemão e o 4o exército romeno. O CSIR fez parte do 11o
Exército alemão. Entre 11 e 12 de agosto,
as forças italianas entraram em contato com o inimigo, pela primeira vez. Cenas da derrota Episódios da retirada
alemã, em dezembro de 1941, tomados de narrações de soldados e oficiais. “Todos os hospitais e
locais de reuniões de enfermos aos quais cheguei, estavam congestionados e
sempre fui despachado em condições que dificilmente podem ser descritas. Não
se notava preocupação pelos feridos. Por isto, num trem hospital auxiliar,
passamos 18 horas sem café e alimento; o chefe do trem, um cirurgião da
aviação, que não se havia interessado por nenhum dos prisioneiros,
desapareceu em Lyblin porque a sua licença começava no dia seguinte... Uma
parte dos que andavam vagando pelos hospitais devia estar na frente; isto se
aplica não apenas ao pessoal da tropa como também aos oficiais; é assombrosa
a quantidade deles”. “O quadro que apresenta o
caminho da retirada, agora, não é grato; a disciplina começa a ser relaxada.
Aumenta o número dos soldados que se retiram a pé e sem armas com um novilho
atado por uma corda ou com um trenó carregado de batatas atrás deles;
emigram, assim sem chefes, para o oeste. Os soldados mortos devido aos
bombardeios já não são enterrados. As colunas, freqüentemente sem chefes,
aparecem pelos caminhos, enquanto as tropas combatentes de todas as armas,
inclusive as antiaéreas, mantém-se adiante, empenhando suas últimas energias.
Todo o complemento das unidades (formações de exército, aviação, serviço de
abastecimento) volta para a retaguarda sem condução como se fosse uma fuga.
Uma psicose, quase um pânico, apoderou-se das colunas que não conheciam este
quadro, habituados apenas a avanços impetuosos. Sem alimentação, com frio,
sem direção, retrocedem. Entre eles há também feridos que não puderam ser
evacuados”. “O transporte ferroviário
foi terrível. Depois da partida de Kaluga, em vagão de carga, fomos
desembarcados até o meio-dia. Ao anoitecer, continuamos viagem num caminhão
aberto. Depois de uma hora, fomos desembarcados numa escola sem calefação.
Ali permanecemos dois dias. Não houve comida quente e a fria era insuficiente.
Depois, fomos num trem hospital russo até Viasma. Lá, permanecemos 89 horas
na estação. Enquanto isso, os aviões russos atacaram. Finalmente, fomos
transportados para o trem hospital alemão que fazia 48 horas estava ao lado
do nosso. Desgraçadamente, também ali a situação era pouco agradável; eram
carros de 3a classe; com três cobertores, em cada banco havia um
soldado, o terceiro no corredor em cima do chão...”. “Quanto mais nos
aproximávamos de Kaluga, tanto maior era a quantidade de armas e materiais
que se achava sem dono pelos caminhos e pelos campos. Haviam sido abandonadas
peças leves e pesadas, pedaços de pontes novas, inúmeros caminhões e
automóveis e até colunas inteiras de caminhões. Se as intensas tempestades de
neve, sobretudo nos dias 22 e 23 de dezembro, não houvessem “tapado” – no
sentido literal da palavra – estes sinais de uma retirada precipitada aos
olhos das unidades da frente que passavam em sua proximidade, a impressão da
derrota – da qual é culpado o comando supremo – teria sido ainda mais
dolorosa”. Morte na neve Relatório do sacerdote
Heinrich Link, capelão da 17a Divisão de Infantaria do Exército
alemão. “Na tarde de 4 de
dezembro de 1941, dirigi-me ao batalhão de ataque da 17a Divisão, para
servir no meu cargo de sacerdote, na medida do possível, à unidade em uma
difícil missão. À noite, por volta das 22 ou 23 horas, marchamos com um frio
extremo para a zona de preparativos. O estado material da unidade era
catastrófico. Os soldados em sua maior parte haviam intervido em duras lutas
durante o avanço para Tula. Todo soldados possuía exclusivamente um fino
capote de uniforme, um protetor de cabeça montanhês e um par de luvas. Apesar
do meu sobretudo posto em cima do capote, sofri tanto essa noite com o
terrível frio que acreditei que já não podia suportar. A temperatura era de
35 a 40 graus negativos. Tampouco a alimentação distribuída rapidamente
correspondia de maneira alguma a uma tal empresa; cada um recebeu 30 gramas
de gordura e 5 a 6 soldados – se não me engano – deviam repartir um pão entre
si. Uma hora antes do início do ataque, achávamo-nos sem proteção alguma
contra o vento e o frio intenso. “O ataque começou a uma
hora da noite claramente iluminada pela lua. Uma seção do batalhão conseguiu
penetrar na localidade de Ketri, primeiro objetivo do ataque. Ali foi cercada
por importantes forças inimigas e provavelmente aniquilada. O fogo do inimigo
era extraordinariamente intenso. Os soldados atacantes deviam permanecer
durante a noite na planura descoberta no meio da neve. Os homens, devido ao
frio glacial, nãos e achavam em condições de manejar as armas. “Na noite de 5 de
dezembro, depois do fracasso completo do ataque, a unidade teve que ser
reconduzida para as posições de partida. Impressionante era o aspecto que
apresentavam os soldados. Porém, ainda mais impressionante era o espetáculo
do posto de socorro. Mesmo quando se dispunha de todos os lugares debaixo de
tetos disponíveis, não foi possível alojar todos os feridos e congelados. Uma
parte deles teve que permanecer ao ar livre durante uma segunda noite até
encontrar alojamento. As cenas que se desenrolaram nos ambientes ocupados
foram as mais truculentas e horrorosas que conheci durante a guerra. Os
cirurgiões e o pessoal da saúde trabalharam até o completo esgotamento e, no
entanto, não puderam atender a todos. “Faltava calefação
suficiente, cobertores de lã e também alimentação. Uma parte dos feridos
graves teve que ser transportada, sem consideração com seu estado, em
caminhões descobertos, para a estação ferroviária mais próxima de Kaluga.
Este transporte, que excedia as energias, não pôde ser suportada por muitos”. Vitória frustrada A gigantesca
contra-ofensiva soviética que salvou Moscou de cair nas mãos da Wehrmacht
tinha por fim alcançar o completo aniquilamento do Grupo de Exércitos Centro,
comandado pelo Marechal von Bock. Este objetivo, no entanto, não pôde ser
alcançado. Depois, os russos assinalaram as causas que, a seu ver, provocaram
o fracasso da projetada manobra. Estas foram: (1) a ofensiva desenvolveu-se
em condições sumamente difíceis, pelo frio extremo, a profundidade da camada
de neve que cobria o terreno e o pequeno número de caminhos utilizáveis; (2)
o exército russo carecia ainda de suficiente experiência na organização e
desenvolvimento de operações ofensivas em grande escala; (3) as tropas
empregadas provinham de unidades da reserva e eram de recente constituição e
não tinham, portanto, adestramento e experiência; (4) a indústria de
armamentos soviética, apesar dos
esforços realizados, não conseguia cobrir as necessidades do exército
vermelho em tanques e unidades mecanizadas; (5) a distribuição das forças
russas não foi taticamente acertada; pretendeu-se alcançar um grande número
de objetivos simultaneamente, o que impediu concentrar uma massa operativa
suficientemente poderosa para conseguir uma decisão terminante; (6) a
capacidade de resistência dos exércitos alemães foi subestimada; (7) a
aviação também não foi empregada adequadamente; (8) as forças de guerrilheiros
foram equivocadamente organizadas em grandes formações, o que facilitou sua
destruição; (9) o plano de cerco do Grupo de Exércitos Centro resultou, na
prática, excessivamente ambicioso; os objetivos muito distantes não puderam
ser alcançados antes da chegada do degelo e a época da lama, que paralisou
praticamente as operações. Nenhum passo atrás O General Halder, chefe
do Estado-Maior do Exército alemão, expõe a dramática crise que a Wehrmacht
teve que enfrentar ao receber de Hitler a ordem de não retroceder, após o
início da vitoriosa contra-ofensiva russa. Tinha que dar aos comandos
responsáveis da frente, umas ordens claras, com uma ampla visão, que lhes
servissem de base para uma atuação autônoma dentro de um plano de conjunto.
Com uma fanática raiva Hitler opunha-se à idéia de retirar metodicamente as
tropas a uma linha atrasada algumas jornadas de marcha, e que era apropriada
para a defesa, e exigia pelo contrário (ainda que em situações táticas
insustentáveis) que todas as tropas tinham que “sustentar-se” até o último
homem no posto em que se encontravam. “Em circunstâncias
normais é possível fugir a uma crise nas operações, como a que se havia
apresentado, recuando e iniciando assim uma nova operação. Operação é
movimento. A mobilidade das tropas havia diminuído extraordinariamente, mas
ainda era suficiente para salvar a crise tática. “Isto foi proibido por
Hitler aos chefes das tropas da frente com sua ordem draconiana. As
conseqüências foram graves perdas de homens e material, que teriam sido
completamente evitáveis. “Os acontecimentos foram
mais poderosos que a ordem de Hitler. “A frente, apesar dos
esforços sobre-humanos das tropas, foi cedendo passo a passo, e em alguns
pontos chegou a se quebrar. Quando finalmente decaiu a força do ataque russo,
encontravam-se as tropas em uma linha que apresentava profundas penetrações e
saliências, e houve até que aceitar a separação total de um importante grupo
de forças”. |