Rommel avança na África
Primeiro ataque de Rommel
Reconquista da Cirenaica
Rumo a Tobruk
Fevereiro de 1941. Em Beda Fomm, miserável
vilarejo perdido nas areias da Líbia, as forças britânicas comandadas pelo
General O’Connor cercam e aniquilam as últimas unidades blindadas do Marechal
Graziani. Chega ao clímax, assim, a extraordinária campanha que, três meses
antes, os ingleses haviam iniciado na fronteira do Egito. A vitória de
O’Connor é total e já nada impede de ocupar Trípoli e expulsar
definitivamente os italianos da África do Norte. Contudo, seus planos foram frustrados: em 12 de
fevereiro, Churchill enviou um telegrama urgente ao General Wavell,
comandante-em-chefe dos exércitos britânicos no Oriente Médio, ordenando a
suspensão do avanço sobre Trípoli. O primeiro-ministro resolvera transferir
para a Grécia o grosso das tropas que combatiam na Líbia, para enfrentar a
iminência da invasão alemã. Esta decisão acarretará para os ingleses funestas
conseqüências. O desastre sofrido pelos italianos tem imediata
repercussão em Berlim. Hitler resolve enviar, sem demora, um corpo
expedicionário à África, integrado por uma divisão mecanizada e uma Panzer,
para conter o avanço britânico. A 6 de fevereiro, manda chamar o General
Erwin Rommel, de destacada atuação na campanha da França, à frente de uma
divisão Panzer, e confia-lhe o comando das forças. Na conferência entre Rommel, Hitler e o marechal
von Brauchitsch, comandante-em-chefe do Exército, fixou-se um plano improvisado
para salvar Trípoli. Rommel terá de seguir imediatamente para a Líbia, a fim
de estudar as condições do terreno. Como condição primordial para a remessa
das tropas alemães exigirá que os italianos estabeleçam uma linha defensiva a
uns 200 km a leste de Trípoli. Rommel assumirá o comando das forças
motorizadas italianas, mas ficará subordinado à autoridade do Marechal
Graziani. As primeiras unidades alemães começarão a chegar à África no meio
de fevereiro e a sua concentração terminará em fins de maio. A 11 de fevereiro, Rommel transladou-se a Roma e
obteve a aprovação do Alto-Comando para avançar a linha defensiva a leste de
Trípoli. Imediatamente, o chefe alemão voou para a Líbia, onde chegou na
manhã do dia 12, depois de uma escala na Sicília. |
Nem um passo atrás! No aeroporto de Trípoli, o Tenente Heggenreimer,
oficial de ligação junto ao comando italiano, aguardava Rommel. Apressou-se a
comunicar-lhe que o Marechal Graziani demitira-se e regressara à Itália. O
General Gariboldi, agora, exercia a chefia suprema das forças italianas na
Líbia. Nessa mesma tarde Rommel entrevistou-se com ele e o colocou a par de
seus planos. O chefe italiano mostrou-se completamente céptico quanto às
possibilidades de êxito de tão temerário projeto. Todavia, Rommel não se amedrontou. Tomando um
mapa, mostrou a Gariboldi o ponto onde pretendia bloquear o avanço britânico:
a localidade de Sirte, a 300 km a leste de Trípoli e, com voz enérgica e
decidida, disse a seu colega: - Este é o plano, nem um passo atrás! Se os
ingleses não encontrarem oposição, continuarão avançando. Porém, se nós
oferecermos resistência, hão de se deter. É necessário enviar para Sirte
todas as forças disponíveis. Suas palavras caíram no vazio. Gariboldi,
desmoralizado pela amarga experiência dos últimos meses de luta,
convencera-se de que a derrota seria inevitável. Compenetrou-se Rommel,
então, de que deveria agir com a máxima decisão, a fim de incitar os
italianos a prosseguirem resistindo. Resolveu lançar-se à luta, logo
chegassem os primeiros contingentes alemães. Poucas horas depois, a bordo de um bombardeiro
Heinkel, fez o seu primeiro vôo sobre as areias da Líbia; estudou,
cuidadosamente, o terreno onde se propunha conter a arremetida inglesa. Na
mesma noite, manteve nova entrevista com Gariboldi, juntamente com o General
Roatta, chefe do Estado-Maior do Exército italiano, que chegara de Roma.
Roatta trazia ordem de Mussolini para resistir a todo custo. Como
conseqüência, Rommel tinha plena liberdade para realizar o seu plano.
Rapidamente os três chefes ultimaram os detalhes do projeto e decidiram o
deslocamento do 10o Corpo do Exército italiano, integrado pelas
divisões Pávia e Brescia e a divisão blindada Aríete. Rommel, no dia
seguinte, dirigiu-se de avião a Sirte, e inspecionou as forças italianas ali
estabelecidas. Seus efetivos não alcançavam, sequer, o total de um regimento. A 14 de fevereiro chegou ao porto de Trípoli o
primeiro navio, conduzindo as unidades de vanguarda da 5a Divisão Mecanizada
alemã. As tropas, sem maior pressa, começaram a descarregar suas armas e
veículos nos cais. Interveio Rommel e ordenou o aceleramento do desembarque.
A noite chegou, e à luz dos grandes refletores os extenuados soldados alemães
deram por terminado o desembarque. Na manhã seguinte, Rommel passou em
revista a coluna, integrada por um batalhão de reconhecimento, outro de
canhões antitanques, ordenando ao chefe que empreendesse imediatamente a
marcha na direção de Sirte. Para despistar os aviões de reconhecimento
ingleses, Rommel mandou fazer nas carpintarias de Trípoli grande quantidade
de tanques simulados de madeira e os montou sobre automóveis Volkswagen. Essa
foi a primeira das muitas e hábeis astúcias a que recorreu o chefe alemão
para dissimular a escassez de suas forças. Ao ataque Em 24 de fevereiro de 1941, as forças alemães do 3o
Batalhão de reconhecimento e o 39o de antitanques tiveram o
primeiro choque com tropas britânicas. Começou, assim, a sangrenta luta, que
se havia de prolongar nas areias africanas por mais de dois anos. A chegada das unidades do Afrika Korps à Líbia não
tardou a despertar a preocupação do Alto-Comando britânico. Em 27 de
fevereiro, o Estado-Maior, em Londres, pediu ao General Wavell uma apreciação
das forças alemães e da ameaça que elas representavam para as posições
britânicas, na Líbia e no Egito. Dias após, Wavell respondeu confiante. A seu
juízo, as referidas forças eram de pequena magnitude e não estavam em
condições de atacar Bengási. Contudo, considerava possível o eventual uso até
de duas divisões alemães em uma ofensiva de grande escala. Assinalou, porém,
que o referido ataque não poderia consumar-se até o fim do verão, em virtude
das dificuldades existentes nos transportes marítimos alemães pelo Mediterrâneo
e a impossibilidade de operar com grandes unidades no deserto, durante a
temporada de calor. Baseado nestes cálculos, Wavell considerou desnecessário
reforçar as escassas forças britânicas que, sob o comando do General Neame,
encontravam-se operando na Líbia. Essas unidades careciam de toda experiência
de guerra no deserto, pois as tropas veteranas que lutaram contra Graziani
foram retiradas da frente. O grupamento do General Neame era integrada pela
metade da 2a Divisão Blindada, a 9a Divisão Australiana
(com efetivos incompletos) e uma brigada motorizada indiana. Além da
insuficiência de efetivos, estas divisões foram privadas de grande parte de
seus veículos, armas e equipamentos para aparelhar as tropas inglesas
enviadas à Grécia. Em 4 de março, os alemães se movimentaram. Comandados pelo
General Streich, chefe da 5a Divisão Ligeira, os batalhões do
Afrika Korps avançaram até o desfiladeiro de Mugtaa sem encontrar resistência
e ali estabeleceram uma forte posição defensiva. No dia seguinte desembarcou em
Trípoli um regimento da 15a Divisão Panzer, integrada por 120
tanques, 60 dos quais eram blindados Mark II e IV guarnecidos com canhões de
50 e 75 mm. Agora Rommel contava com forças suficientes para passar à
ofensiva. A 19 de março, foi à Alemanha e recebeu de Hitler
as folhas de carvalho para a sua Cruz de Cavalheiro, prêmio de sua atuação na
França. Rommel entrevistou-se logo com o Marechal von Brauchitsch, que lhe
ordenou que aguardasse a chegada da totalidade dos efetivos da 15a
Divisão Panzer, para empreender no mês de maio uma ofensiva limitada contra
as posições britânicas, na localidade de Agedabia, ao sul de Bengási. Rommel,
profundamente contrariado, apontou a von Brauchitsch a necessidade de
lançar-se ao assalto, imediatamente, para aproveitar a debilidade dos
ingleses. Uma arremetida audaz poderia culminar com a derrota total das
forças britânicas sediadas na Líbia. Todavia, seu projeto não encontrou apoio
algum da parte de Brauchitsch, que julgava a África como um teatro de guerra
completamente secundário. De volta a Trípoli, Rommel ordenou ao 3o
Batalhão de Reconhecimento tomar de assalto o posto avançado de El Agheila.
Na manhã de 24 de março, os alemães apossaram-se daquela localidade, após
breves combates, mas não conseguiram capturar a guarnição, que se retirou
rapidamente para o norte, na direção do desfiladeiro de Mersa el Brega. Ali,
os britânicos começaram a construir aceleradamente fortificações, instalando
extensas cercas de arame farpado e campos minados. Rommel seguiu os ingleses,
pisando-lhes o calcanhar e deteve a sua marcha diante do desfiladeiro. Aquela
posição constituía o primeiro objetivo do ataque planejado pelo Alto-Comando
alemão, para o mês de maio. Rommel, entretanto, resolveu desalojar os
ingleses do seu reduto imediatamente, antes que eles consolidassem suas obras
defensivas. Na tarde de 31 de março, as unidades da 5a
Divisão Ligeira atacaram Mersa el Brega e, depois de encarniçados combates
com os ingleses, viram-se forçados a interromper a luta. Assim começou a primeira
campanha relâmpago de Rommel na África do Norte. A conquista de Bengási A surpreendente penetração alemã provocou intenso
alarme no comando britânico. A 2 de abril, o General Wavell notificou a
Churchill que, em vista do estado precário das unidades blindadas do General
Neame, este, possivelmente, ver-se-ia obrigado a retirar-se e abandonar
Bengási, para evitar um encontro com os alemães, pois suas forças estavam em
condições de inferioridade. Nesse mesmo dia, Churchill enviou um telegrama a
Wavell, concitando-o a aniquilar o inimigo quanto antes. Entrementes, Rommel
completara a derrota das forças inglesas em Mersa el Brega. Com um calor
asfixiante, superior a 40 graus, os infantes alemães atravessaram os campos
minados e, apoiados pelo bombardeio dos Stukas e o mortífero fogo dos canhões
de 88 mm, conseguiram tomar o desfiladeiro. A maior parte dos soldados
ingleses conseguiu retirar-se para o norte, deixando nas mãos dos alemães
numerosos caminhões e veículos blindados. A conquista de Mersa el Brega abriu a Rommel as
portas da Cirenaica. O chefe alemão não vacilou. Ao receber a notícia de suas
forças de exploração de que os ingleses prosseguiam aceleradamente a
retirada, ordenou à 5a Divisão Ligeira a imediata perseguição em
direção a Agedabia. Em 2 de abril, as colunas motorizadas alemães começaram a
se deslocar velozmente pela estrada pavimentada que contornava o
Mediterrâneo. Na manhã deste dia, as tropas de vanguarda, comandadas pelo
Coronel Panath, chegaram a poucos quilômetros ao sul de Agedabia e se
prepararam para o ataque. Rapidamente, os alemães deslocaram-se em torno da
aldeia; os seus canhões de 88 mm romperam um fogo devastador contra as
posições inglesas. Aos primeiros disparos conseguiram fazer voar os depósitos
de munições. Simultaneamente, os tanques do 5o Regimento Panzer,
que avançavam mais ao sul, travaram
encarniçado combate com os blindados britânicos. Os poderosos canhões de 50 e
75 mm dos Panzer não tardaram em definir a luta. Em poucos minutos, sete
tanques ingleses foram destruídos e o resto retirou-se velozmente. Na mesma
tarde Agedabia caía nas mãos dos alemães. Rommel, que participara da batalha com as tropas
de vanguarda, não deu descanso a seus homens. Ordenou, sem demora, às
unidades de exploração, que prosseguissem no avanço e não se despregassem das
forças britânicas em retirada. Em 3 de abril, em Agedabia, Rommel tomou uma
decisão temerária. Diante de um inimigo desmoralizado e em fuga, a seu ver só
lhe cabia uma atitude: perseguí-lo tenazmente até o aniquilamento. Por isso,
ordenou à 5a Divisão Ligeira e à divisão blindada italiana Aríete,
a marcha acelerada através do deserto, para colher pela retaguarda as
unidades britânicas, que se retiravam pela costa, em direção da fronteira
egípcia. O 3o Batalhão de Reconhecimento, comandado pelo
Tenente-Coronel von Wechmar, continuaria avançando ao longo do Mediterrâneo,
em direção a Bengási, com a missão de ocupar aquela cidade e empurrar os
ingleses para a armadilha preparada a suas costas por Rommel. A 3 de abril, o General Wavell foi de avião até a
frente para estudar pessoalmente a crítica situação. Com profundo alarme,
comprovou que a investida de Rommel causara completa desorganização nas
forças britânicas. Imediatamente, ordenou uma retirada geral. Bengási devia
ser abandonada, a 9a Divisão Australiana devia retirar-se em boa
ordem para Tobruk, sob a cobertura de parte das unidades da 2a
Divisão Blindada. O resto dos tanques, com apoio de uma brigada motorizada
indiana, ficaria em Mechili, no meio do deserto, para evitar que os alemães
cortassem a retirada das unidades australianas. Na tarde deste dia, Rommel dirigiu-se em seu carro
de comando para o norte e impeliu von Weichmar a acelerar o avanço sobre Bengási.
Ao cair da noite, o batalhão de reconhecimento chegou à cidade, que já havia
sido abandonada pelos ingleses e foi recebido com alegria pelos habitantes
italianos. Antes de retirar-se, os ingleses incendiaram todos os depósitos de
combustível e destruíram por completo as instalações portuárias. Vitória em Mechili Com energia inesgotável, Rommel, no dia 4 de
abril, percorreu a extensa frente, transportando-se de um ponto a outro em
seu teco-teco Storch, estimulando os chefes das diferentes colunas a se
deslocaram em marcha forçada rumo a Mechili. Naquele fortim e cruzamento de
caravanas, localizado no meio do deserto, propunha-se aniquilar as forças
britânicas, que se interpunham em sua rota de avanço na direção do
Mediterrâneo. Seu objetivo final era alcançar o mar e cortar a
estrada para Tobruk, impedindo que os ingleses buscassem refúgio ali. A 5a
Divisão avançou para o sul de Mechili, através dos imensos areais, seguindo
uma antiga rota de caravanas. Na tarde de 5 de abril, Rommel incorporou-se às
forcas em marcha, e às três da madrugada do dia seguinte conseguiu alcançar,
em seu carro de comando, a cabeça da divisão. Pouco depois a coluna se
deteve. Rommel, profundamente aborrecido, verificou que ela havia perdido o rumo. De acordo com a distância do
trajeto, a unidade, necessariamente, já teria alcançado a localidade de Bir
Tangeder, situada a poucos quilômetros ao sul de Mechili. Todavia, não se
divisava nenhuma aldeia na imensidão do deserto. Nessa ocasião, um Storch aterrou junto à coluna, e
seu piloto informou a Rommel que fortes unidades inglesas haviam-se
entrincheirado em Mechili e que centenas de veículos blindados retiravam-se
apressadamente na direção da costa. Rommel não titubeou um só instante. Devia
fechar imediatamente a armadilha. Então, ordenou aos vários grupamentos
motorizados que se dirigissem ao leste e cortasse todos os caminhos entre
Mechili e o mar. O batalhão do Coronel Panath recebeu a missão de adiantar-se
a toda velocidade, ocupar o porto de Derna e bloquear a estrada de Tobruk. Uma nova dificuldade veio arrefecer a manobra do
cerco. As forças italianas comandadas pelo Coronel Fabris, que deviam atacar
Mechili pelo leste, foram detidas em seu avanço, ao esgotar-se o combustível
de seus veículos. Rommel mandou reunir os últimos 35 tambores que restavam à
disposição do QG alemão e empreendeu viagem, no meio da noite, na direção das
posições de Fabris, para fornecer-lhe o combustível. No caminho, a reduzida
coluna defrontou-se inesperadamente com um grupamento de veículos blindados
ingleses. Sem vacilar, Rommel ordenou a seu chofer que arremetesse
diretamente na direção dos ingleses e, milagrosamente, conseguiu abrir
passagem. Depois de entregar a gasolina aos italianos,
Rommel incorporou-se à sua coluna e os acompanhou no ataque a Mechili. Horas
depois, o forte foi cercado. Rommel mandou um emissário intimar os ingleses à
capitulação. Porém eles se recusaram a depor as armas. Pelo leste e pelo sul,
as colunas italiana e alemã completaram o cerco, e, em 8 de abril, iniciaram
o assalto, apoiados por intenso fogo de artilharia. As forças britânicas, em
sua maioria compostas por soldados de um brigada motorizada indiana,
ofereceram encarniçada resistência e tentaram, repetidas vezes, abrir
passagem na direção leste. Finalmente, um ataque conjunto de infantaria e
tanques alemães e italianos pôs fim à resistência. Mais de 2.000 soldados e
centenas de veículos foram capturados. Rommel dirigiu-se então para a costa, para unir-se
ao batalhão do Coronel Panath, que reclamava insistentemente a remessa de
reforços para impedir a infiltração de forças inglesas em Tobruk. Às seis da
tarde, Rommel chegou a Derna e, alegremente, constatou que entre os numerosos
prisioneiros tomados por Panath encontravam-se os principais chefes
britânicos: o general Neame e o General O’Connor; no último instante, Wavell
confiara a este o comando das forças inglesas. Os dois chefes foram
aprisionados por uma patrulha de motociclistas alemães, quando se retiravam
na direção de Tobruk com as tropas da 9a Divisão Australiana. Na noite de 8 de abril, a maior parte dos soldados
australianos conseguiu atravessar a débil barreira erguida pelos alemães e
procurou refúgio em Tobruk. Naquele dia, Wavell foi de avião àquela praça e
ordenou à sua guarnição que a defendesse até o último homem. Por sua vez,
Rommel ordenou às suas forças lançarem-se sem demora ao ataque contra o
estratégico porto. Se Tobruk caísse em suas mãos, o caminho do Egito ficaria
aberto. Bombardeio britânico a Trípoli O vitorioso avanço das tropas alemães sobre Tobruk
provocou intenso alarme no Alto-Comando Naval britânico em Alexandria. No dia
10 de abril de 1941, o Almirante Cunningham, chefe da frota estacionada nesse
porto, enviou uma urgente mensagem a Londres, anunciando que “se os alemães puderem
transportar suficientes forças pelo Mediterrâneo, provavelmente conseguirão
ocupar Marsa Matruh e, se conseguirem
fazê-lo, será duvidoso que a frota possa continuar em Alexandria, sob os
ataques da aviação inimiga”. Baseado nesses temores, Cunningham propunha
interromper a via de abastecimento do Afrika Korps pela destruição do porto
de Trípoli, por meio de bombardeios aéreos. No dia 14 de abril, o Primeiro-Ministro Winston
Churchill ordenou que a frota de Cunningham levasse a cabo a destruição de Trípoli
com um bombardeio naval. O líder britânico tomara essa decisão, pondo em
risco suas grandes unidades navais, dada a possibilidade de reunir, em tão
breve tempo, uma força aérea de bombardeio de suficiente poder de ataque. O
Almirantado, por sua vez, considerou necessário somar à ação de bombardeio
uma operação de bloqueio. Com essa finalidade ir-se-ia sacrificar um dos
grandes encouraçados da frota do Mediterrâneo, o Barham, afundando-o no canal
de acesso ao porto de Trípoli. Este plano foi comunicado a Cunningham, que se
opôs veementemente ao afundamento do Barham, considerando que sua perda não
seria compensada pelos benefícios que poderiam resultar. Comunicou isso ao
Almirantado em um telegrama enviado no dia 15, cujo parágrafo final
anunciava: “Antes de enviar o Barham, sem apoio e com tão poucas
probabilidades de êxito, prefiro atacar com a totalidade da frota de batalha
e aceitar os riscos”. A decisão de Cunningham foi recebida com satisfação por
Churchill, que deu ordens para que fosse levada adiante a operação. Ao despontar o sol do dia 21 de abril de 1941, a
esquadra inglesa, comandada por Cunningham e integrada pelos grandes
encouraçados Warspite, Barham e Valiant, o cruzador Gloucester e numerosos
destróieres, apresentou-se de surpresa em Trípoli. Durante 40 minutos, os
grandes canhões dos encouraçados despejaram uma chuva de projeteis sobre o
porto e causaram graves danos nas instalações. Além disso, os depósitos de
combustível, perto do cais, foram atingidos e consumidos pelas chamas. Com grande
surpresa para o almirante britânico, os alemães praticamente não ofereceram
resistência. Assim a frota pôde cumprir sua missão e retirar-se
sem sofrer perda alguma. Nesse mesmo dia, Cunningham enviou uma mensagem a
Londres, que dizia: “Trípoli foi bombardeada durante 40 minutos, às 5 da
manhã de hoje, segunda-feira, a uma distância de 14.000 a 11.000 jardas,
aproximadamente. Com assombro de minha parte conseguimos surpresa total,
provavelmente devido a que a força aérea alemã achava-se operando em outras
zonas”. ANEXO
Nativos
África do Norte. As tropas inglesas retiram-se acossadas pelo avanço alemão. Dispersas, as últimas unidades procuram alcançar as linhas britânicas. Três soldados pertencentes a uma unidade de artilharia avançam com dificuldade através das areias. Marcharam horas e estão esgotados, mas sua decisão é irremovível: devem chegar até as linhas inglesas e estão decididos a conseguir. Inesperadamente, atrás de uma série de montículos de areia, que lhes ocultaram a visão, aparece grande quantidade de homens entretidos em reparar vários veículos detidos. São alemães. Os ingleses, surpreendidos com a imprevisível aparição, vacilam um instante, mas um deles se repõe e decide. Toma uma manta e a deita-a sobre sua cabeça, ajusta seu cinturão em volta da fronte e fecha a manta, envolvendo seu corpo. Com sua barba comprida e seu rosto queimado pelo sol assemelha-se a um nativo. Sem hesitar, seus companheiros o imitam. Logo, são três árabes que ali estão. E não duvidam. Continuam avançando, aproximando-se das linhas alemães. Quando se acham a poucas dezenas de metros dos alemães, começam a falar entre eles, em voz alta, imitando os hábitos dos nativos. Riem estrepitosamente e gesticulam à maneira árabe. Entrementes chegam ao acampamento alemão, começam a cruzá-lo, sem deixar de rir e mover os braços. Assim, com a tensão do momento crescendo de segundo a segundo, os três soldados passam pelos alemães. Cinco minutos depois tudo passou, deixaram-se cair na areia e ficaram silenciosos. Chefiando o grupo ia o soldado R.A. Woods, de 19 anos, natural de Canterbury. Um mês após o episódio, o soldado Ronald Arthur Woods seguiu para o Real Colégio Militar de Sandhurst, onde recebeu sua promoção ao posto de oficial. Erwin Rommel
- Hitler acusa-me de alta traição. Poderei suicidar-me com veneno... Deram-me, apenas 10 minutos... Mais tarde, após apertar as mãos d seu filho Manfred, o Marechal Erwin Rommel foi ao encontro de seu destino. Dois generais o acompanhavam. Pouco depois Rommel estava morto. Era o dia 14 de outubro de 1944. Erwin Rommel nasceu em Heindenhein (Wurtemberg), em 1891. Seguiu a carreira das armas e participou da Primeira Guerra Mundial no posto de tenente. Ferido no bosque das Argonnes, foi hospitalizado. Restabelecido, foi mandado para a frente austro-italiana, onde permaneceu até o fim da guerra. Ao firmar-se o armistício, reintegrou-se à vida civil, desempenhando diversas atividades. Depois de assinado o Tratado de Versalhes, incorporou-se novamente às forças armadas de seu país. Foi mandado para Universidade de Turbingen e, depois, a Munique. Ali conheceu Hitler, e, imediatamente, compartilhou de sua posição política, convertendo-se em um dos seus mais fiéis aliados. A explosão da Segunda Guerra Mundial permitiu a Rommel demonstrar em toda plenitude as magníficas qualidades que o caracterizaram como comandante e estrategista. Seu nome salientou-se nas campanhas da França e, posteriormente, nas da África, onde comandou o célebre Afrika Korps. Depois da derrota sofrida em El Alamein, foi transferido para a Itália e depois à França, onde foi encarregado da defesa da Muralha do Atlântico. Com a invasão aliada à Europa, foi ferido por uma metralhadora inimiga. Enquanto se restabelecia, agravou-se o antagonismo que surgira lentamente entre Hitler e ele. Realmente, Rommel compartilhava da posição de muitos militares alemães, no sentido de encontrar uma solução para o conflito. E esta solução só poderia ser o armistício. Porém, Hitler não participava daquela idéia e o destino de Rommel ficou selado. A 14 de outubro de 1944, em sua residência, foi procurado pelos generais Burgdorf e Maisel. Pouco depois, após despedir-se dos seus, seguiu com eles de automóvel. Esta foi a última viagem do Marechal Erwin Rommel. Ninguém voltaria a vê-lo com vida. “São nossos...” Março de 1941. Tropas inglesas retiravam-se sob o fogo alemão. Uma companhia avançava dificilmente pelas areias do deserto. De repente, aparece diante deles um grupo de carros blindados alemães, cortando-lhes o caminho. Os ingleses deitaram-se no chão, estudando a situação. Finalmente, depois de breve discussão, o oficial comandante decidiu: - Devemos nos dispersar em pequenos grupos e seguir avançando até as nossas linhas. Seguir unidos, seria nossa perdição. Em grupos de 5 ou 6. Vamos e boa sorte. Silenciosamente, os homens foram-se levantando. Depois, começaram a caminhar em diferentes direções. O soldado de infantaria Smuts alcançou os 4 homens que já se distanciavam e avançou com eles. Durante várias horas, marcharam penosamente sobre as areias do deserto, debaixo de sol ardente. A água escasseava e a sede intensa os torturava. Afinal, horas depois, a chegada da noite brindou-lhes um pouco de repouso. Arrastando-se, internaram-se no leito seco de um rio. Ali, deixaram-se cair sofregamente. Decidiram então, fazer um pequeno acampamento e dormir até a manhã do dia seguinte. Cada um dos homens montaria guarda, por turno. Já passava da meia-noite, quando o soldado Smuts cumpria seu plantão de vigilância. Deitado no chão e envolto em sua manta, perscrutava a escuridão. A seu lado, os demais homens dormiam extenuados. Repentinamente, um rumor surdo alertou Smuts. Levantando-se, tratou de identificar o lugar de onde provinha o ruído. Motores – pensou ele – ao ouvir o estrépito inconfundível. Ajoelhou-se e procurou penetrar através da escuridão, em busca dos caminhões desconhecidos que se aproximavam. Finalmente, os viu. Vinham em coluna, com os faróis apagados e avançavam lentamente. Nervoso, sacudiu seus companheiros, despertando-os. Abaixados, os homens observaram em silêncio a coluna que se aproximava. - São nossos – disse em voz baixa um dos soldados. – Estamos salvos – acrescentou outro. Naquele instante, o caminhão que encabeçava a coluna estava a menos de 20 metros do grupo dos ingleses. Uns após outros, os homens se levantaram. Já iam ao encontro dos caminhões, quando uma voz estranha e gutural os paralisou: - Achtung! Como que impulsionados por mãos invisíveis, os soldados ingleses arrojaram-se ao chão e permaneceram imóveis. A coluna alemã, entretanto, sob o peso dos veículos, estremecia a areia. Instantes depois, tudo havia desaparecido. Ao longe, perdidos nas trevas, os alemães avançavam na direção das linhas inglesas. Atrás deles, arrastando-se, os soldados britânicos os seguiam. Rommel em perigo
8 de abril de 1941, seis
horas da manhã. Frente de batalha na região de Mechili. Faltam 24 horas para
que os alemães lancem um ataque na direção das linhas britânicas. Rommel resolve
fazer o reconhecimento do terreno e ordena que o seu “Storch” esteja pronto
para a decolagem. Minutos depois, depois de voltear pelo deserto, o “Storch”
ganha altura. Voando a 50 metros do chão, o avião acerca-se das primeiras
linhas. De repente, diante dele, aparece um batalhão formando uma comprida
fila.. A uma ordem de Rommel, o avião se aproxima e perde altura. Perto já,
dá várias voltas em torno das tropas. Imediatamente Rommel identifica os
homens e voltando-se para o piloto diz: - Italianos... Bersaglieri... Com um gesto, o aviador dispõe-se a saudá-los, porém uma exclamação de Rommel o detém: - Suba rápido, afaste-se daqui. Obedecendo, o piloto descreve um giro veloz e se distancia a toda velocidade, ainda sem compreender os motivos da ordem de Rommel. Não tarda, porém, a dar-se conta do sucedido; olha para trás e compreende tudo. Na terra, espalhados no solo do deserto, os homens do batalhão de bersaglieri apontavam suas armas e disparavam incessantemente contra o avião. Perdendo altura, o “Storch” oculta-se atrás de uma elevação e se cobre do ataque italiano. Então, o piloto olha interrogativamente para Rommel. – Foi um milagre não nos terem derrubado – disse o chefe alemão. Minutos depois, desviando-se dos seu aliados, o avião alemão se perde ao longe. |