A Agressão em marcha
Antecedentes da guerra no Pacífico
O caminho para Pearl Harbor
O caminho para Pearl Harbor Verão de 1935. No aeroporto militar de Wright Field, muitos oficiais das forças armadas americanas aguardavam nervosamente o vôo de prova de um novo e poderoso avião: o bombardeiro quadrimotor Boeing B-17, denominado “Fortaleza Voadora”. Os chefes da Marinha e do Exército não tem confiança no gigantesco aparelho. Para eles trata-se apenas de um avião sumamente caro que não possui a importância militar que lhe querem dar com fanático entusiasmo os oficiais do corpo aéreo. Os mecânicos e engenheiros realizam os últimos preparativos, e o B-17 apronta-se para levantar vôo. O Capitão Pete Hill, chefe da equipe de pilotos de prova, instala-se na cabina e põe em marcha os poderosos motores. Com um rugido ensurdecedor, o enorme bombardeiro começa a parquear lentamente e coloca-se na cabeceira da pista. Ansiosos, os chefes de aviação, entre os quais conta-se o Coronel Hugh Knerr, principal promotor do B-17, observam a manobra. O bombardeiro toma velocidade e, finalmente eleva-se no ar, erguendo o nariz em um pronunciado ângulo. Repentinamente, a máquina interrompe sua brusca subida e precipita-se ao solo. Ante o olhar horrorizado dos espectadores a máquina choca-se e se arrebenta com uma gigantesca explosão. No interior, o Capitão Pete Hill e um engenheiro da Boeing morrem carbonizados; só o co-piloto, Tenente Donald Putt, consegue escapar com vida. O fracasso do primeiro B-17 foi um rude golpe para os partidários do desenvolvimento acelerado do poderio aéreo americano. No entanto, o Coronel Knerr não desanima e consegue que o Departamento de Guerra conceda os fundos necessários para a construção de outros três aparelhos. Com essas máquinas prossegue as experiências e consegue eliminar as falhas que provocaram o trágico acidente. Seguidamente, Knerr, apoiado pelo General Andrews, chefe do corpo aéreo - que nessa época não era independente e sim um setor subordinado ao Exército - elaborou um plano no qual propunha a construção de 108 “Fortalezas-Voadoras” e a ampliação dos aeródromos americanos nas ilhas do Pacífico. Esse programa teria permitido aos Estados Unidos contar em 1941 com uma poderosa força aérea, capaz de enfrentar com êxito aos ataques japoneses contra o Havaí e as Filipinas. No entanto, o projeto não foi aprovado. Uma vez mais, os veteranos almirantes e generais que se opunham obstinadamente ao desenvolvimento do poderio aéreo, conseguiram fazer triunfar seus arcaicos princípios. Em 1937, e depois de longas discussões, o Departamento de Guerra recusou o plano com a seguinte resolução: “O Departamento de Guerra não pode aprovar o programa para desenvolver o avião B-17. Em lugar desse avião será construído um avião de bombardeio leve, manobrável e barato, cujo raio de ação não exceda 300 milhas”. Foi assim como a incrível cegueira dos dirigentes militares americanos daquela época impediu a formação de uma força de bombardeiros de longo alcance. Ao estourar a Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939, os Estados Unidos só dispunham de 19 bombardeiros B-17. Mas essas máquinas não estavam em condições de combater. Não eram blindadas, não tinham torres automáticas de metralhadoras e nem metralhadoras de cauda. Esse equipamentos vitais não tinham sido providenciados por falta de dinheiro para a sua fabricação!... Em fins de 1939, assumiu o cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército o General Marshall, que, seguindo instruções do Presidente Roosevelt, esforçou-se para remediar a situação crítica em que se encontravam as forças de ar e terra - o Exército contava unicamente com 230.000 soldados e 13.000 oficiais. Sob a enérgica orientação de Roosevelt, procedeu-se ao incremento acelerado do poderio militar americano. Em fins de 1940 o Congresso já havia votado leis pelas quais se dispunha o aumento dos efetivos do Exército até a cifra de 1.000.000 de soldados; a fabricação de 50.000 aviões para o Corpo Aéreo e de 15.000 para a Força Aérea Naval, e a construção de numerosos navios de guerra. Este esforço, no entanto, foi muito tardio. Foi assim que, em outubro de 1941, dois meses antes do ataque à Pearl Harbor, só existiam 33 tripulações de bombardeiros B-17 adequadamente treinadas! No total, o comando de combate da Força Aérea dispunha unicamente de 64 pilotos para quadrimotores, 97 para bombardeiros bimotores e 171 para aparelhos de caça. Assim, em dezembro de 1941, os americanos não contavam com o poder aéreo necessário para resistir ao ataque japonês. Teriam que pagar um preço muito elevado por essa infortunada falta de preparação. |
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A guerra “não declarada” Apesar da oposição da opinião pública à participação dos Estados Unidos na guerra, o Presidente Roosevelt compreendeu desde o princípio que teria, cedo ou tarde, que intervir junto com a Inglaterra no conflito, com a finalidade de impedir que as potências do Eixo conseguissem a vitória. Assim, uma vez iniciadas as hostilidades, permitiu aos países aliados adquirir nos Estados Unidos grande quantidade de armamentos e materiais bélicos. No dia 3 de setembro de 1940 deu um passo à frente nessa política e cedeu aos britânicos 50 torpedeiros, em troca do arrendamento a longo prazo das bases aéreas e navais na região do mar do Caribe. Roosevelt estava convencido de que o inimigo principal e mais perigoso era a Alemanha. Por esse motivo articulou sua política em estreita colaboração com Winston Churchill, com a finalidade de prestar a máxima ajuda possível à Inglaterra, para evitar que fosse derrotada pelos alemães. Paralelamente intensificou o rearmamento dos Estados Unidos, e tentou conter temporariamente a expansão japonesa na Ásia e no Pacífico mediante uma série de manobras diplomáticas e sanções econômicas. Em novembro de 1940, Roosevelt foi eleito pela terceira vez, Presidente dos Estados Unidos. No transcurso da campanha fora novamente forçado a afirmar que manteria o país à margem da guerra. Estas declarações, no entanto, estavam apenas dirigidas à satisfação do eleitorado, que, em sua maioria, era partidária de prosseguir a ajuda aos britânicos, mas sem intervir no conflito. Roosevelt sabia que tão difícil política não poderia prolongar-se indefinidamente. A situação era, nesses momentos, extremamente grave. No dia 27 de setembro, o Japão havia firmado com a Alemanha e a Itália um tratado de aliança pelo qual as três potências totalitárias comprometiam-se a prestar ajuda militar total e mútua em caso de que alguma delas fosse atacada por um país que não se achasse empenhado na guerra européia ou no conflito sino-japonês. Esta cláusula estava abertamente dirigida contra os Estados Unidos. A Inglaterra, por sua vez, havia conseguido rechaçar os ataques da Luftwaffe, mas achava-se agora com um problema que a ameaçava mortalmente: o bloqueio submarino. Semana após semana os submarinos alemães infligiam terríveis perdas nos comboios que transportavam alimentos, matérias-primas e armas para as Ilhas Britânicas. O Amirante Stark, chefe de operações navais dos Estados Unidos, calculava que os britânicos esgotariam suas reservas no prazo de seis meses, se a marinha americana não prestasse imediatamente ajuda aos seus comboios no Atlântico. Nessas circunstâncias, Churchill dirigiu um dramático apelo a Roosevelt, solicitando o apoio dos Estados Unidos para manter abertas as rotas de abastecimento através do Atlântico. Roosevelt, que se encontrava em viagem pelo Caribe, regressou imediatamente a Washington e resolveu, junto com seu gabinete, estender a proteção aos comboios no Atlântico, ainda que isso implicasse em choque armado entre os navios da escolta americana e os submarinos alemães. Simultaneamente decidiu fornecer material bélico aos ingleses sem necessidade de pagamento em dinheiro por essa compra. Essa medida deu lugar à aprovação - em março de 1941 - da célebre lei de Empréstimos e Arrendamentos, cujos benefícios foram logo estendidos aos países que se achavam em guerra contra as potências do Eixo. A participação da marinha americana na batalha do Atlântico de lugar a uma série de violentas discussões entre Hitler e o Almirante Raeder, chefe da frota alemã. O ditador estava decidido a evitar a qualquer preço a entrada dos EUA na guerra, até que a Rússia tivesse sido invadida e derrotada pela Wehrmacht. Assim recusou os insistentes pedidos de Raeder, para que autorizasse os submarinos a atacar os navios americanos. Roosevelt, entretanto, prosseguiu estendendo a proteção armada nas rotas do Atlântico. No dia 9 de julho de 1941 anunciou que tropas de seus país substituiriam as forças inglesas na defesa da Islândia. A Groelândia já tinha sido declarada parte integrante da zona de defesa continental americana. Todas essas medidas podiam dar lugar a um choque que serviria de motivo para a intervenção dos Estados Unidos na guerra. Hitler, no entanto, manteve-se firme em sua decisão de não se deixar arrastar à luta até que tivesse conseguido derrotar a Rússia. Os incidentes, no entanto, multiplicaram-se, aumentando a tensão. No dia 4 de setembro um submarino alemão disparou dois torpedos contra o torpedeiro americano Greer, mas não o atingiu. Esse ataque levou Roosevelt a anunciar, no dia 11, que havia dado ordens à marinha e à aviação para que abrissem fogo sobre todos os navios do Eixo que fossem avistados em águas vitais para os interesses americanos. No dia 13 de novembro, Hitler resolveu finalmente atender aos pedidos de Raeder e dos chefes da marinha e autorizou os submarinos a contra-atacar quando fossem agredidos. De fato, os submarinos alemães já tinham recorrido a essa política. No mês de outubro o torpedeiro Kearny foi avariado pelos torpedos de um submarino contra o qual havia lançado cargas de profundidade. Onze de seus tripulantes morreram. Foram esses os primeiros americanos mortos em combate contra a Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Poucos dias depois, outro torpedeiro, o Reuben James, foi atingido e afundado. Assim, meses antes do ataque japonês contra Pearl Harbor. As forças navais dos Estados Unidos já haviam iniciado uma guerra “não declarada” contra a Alemanha. Os informes “Magia” Em meados de 1940 os serviços de inteligência americana entraram de posse de um material extraordinário: o código “Púrpura”, utilizado pelos japoneses para a transmissão de suas informações secretas da mais alta importância. Com um extraordinário trabalho de deciframento, esse código pôde ser inteiramente interpretado e conseguiu-se também construir máquinas similares à utilizadas pelos japoneses na transmissão das mensagens “Púrpura”. A forma em que o código caiu em mãos americanas foi puramente acidental. No mês de maio de 1940 um barco veleiro japonês afundou no mar de Bering em meio a uma violenta tormenta. Poucos dias depois um baleeiro norueguês encontrou flutuando no mar o corpo do capitão japonês. Em seu uniforme, os marinheiros noruegueses encontraram um pequeno livro de capa de chumbo forrado com tecido que parecia conter uma série de tábuas de logaritmos. Os noruegueses entregaram esse livro a um guarda-costas americano, cujo capitão, ao examiná-lo, compreendeu que se tratava de um volume de código. Sem perda de tempo suspendeu sua viagem de patrulha e dirigiu-se à base naval de Dutch Harbor. Ao ser examinado o livro pelos experts comprovou-se que continha o ultra-secreto código “Púrpura”, utilizado nas comunicações cifradas pela marinha, aeronáutica e pelo Ministério de Relações exteriores do Japão. Rapidamente foram organizados em Washington os serviços para a intercepção e deciframento das mensagens japonesas. Os informes assim obtidos receberam o nome-chave de “Magia”. Construíram-se seus máquinas de deciframento que foram assim distribuídas: uma foi enviada a Londres, duas ficaram para a secção de Inteligência do Departamento da Marinha e outras duas foram destinadas ao Serviço de Inteligência de Comunicações do Departamento de Guerra. A última máquina disponível, junto com o pessoal encarregado de seu funcionamento foi enviada em abril de 1941 para as ilhas Filipinas para ser utilizada pelo comandante da Frota Asiática e pelo General MacArthur. Nenhuma máquina “Púrpura” foi instalada na base de Pearl Harbor, onde se encontrava a sede do comando da frota do Pacífico. O chefe dessa frota,. Almirante Kimmel, ficou, assim, subordinado a Washington, no que se refere à recepção dos informes japoneses interceptados. As mensagens “Magia”, decifradas pela Marinha e pelo Exército, foram objeto de um controle muito rigoroso. Só poucas pessoas tiveram acesso direto a esses documentos. Entre elas estavam o Presidente Roosevelt, o Secretário de Estado Hull, o Secretário de Guerra Stimson, o Secretário da Marinha Knox, o general Marshall, chefe do Estado-Maior do Exército, o Almirante Stark, chefe de operações navais, e outras sete altas autoridades navais e militares. Os serviços de inteligência da Marinha e do Exército alternavam-se cada 24 horas na tarefa de interceptar e decifrar as comunicações secretas japonesas e preparavam as cópias dos informes “Magia” para distribuí-las aos funcionários citados. Uma vez estudados esses informes, todas as cópias eram destruídas, menos uma, conservada nos arquivos secretos. Ao aumentar a tensão entre o Japão e as potências ocidentais, em meados de 1941, intensificaram-se as transmissões em código entre Tóquio e suas representações diplomáticas em Washington e Berlim. Por isso, os serviços de inteligência americana concentraram sua tarefa de intercepção sobre os circuitos e conseguiram decifrar as mensagens que o governo japonês enviou a seus representantes nos decisivos meses que precederam o ataque a Pearl Harbor. EUA e Inglaterra estreitam sua aliança Em 12 de novembro de 1940, o Almirante Stark, chefe de operações navais da Marinha Americana, apresentou a Roosevelt um extenso relatório no qual aconselhava que representantes da Marinha e do Exército iniciassem imediatamente conversações com os chefes militares britânicos, com o fim de traçar os planos e acordos definitivos para apresentar uma frente única contra as potências do Eixo. Roosevelt aprovou imediatamente o projeto. As discussões foram iniciadas em Washington no dia 29 de janeiro de 1941, cercadas do maior segredo, e tiveram como resultado a aprovação de um acordo militar entre os dois países. Os chefes britânicos insistiram em que a frota americana do Pacífico destinasse parte de seus navios para a defesa da base de Cingapura, mas os dirigentes navais americanos opuseram-se categoricamente a dividir sua esquadra. Finalmente foi resolvido que os britânicos reforçariam Cingapura com navios próprios e os americanos enviariam, se necessário, parte de sua frota do Atlântico para apoiar a marinha inglesa no Mediterrâneo. O conjunto de planos aprovados - que compreenderam todas as regiões do mundo e os problemas estratégicos da guerra marítima, aérea e terrestre - recebeu a denominação de “Acordo ABC-I”. Os compromissos fundamentais deste plano, no que respeita à participação dos EUA, eram os seguintes: os americanos concentrariam seu esforço bélico na região do Atlântico e da Europa, com a finalidade de apoiar os britânicos em luta contra a Alemanha, considerada como o inimigo principal. No Pacífico a frota americana recebia uma missão essencialmente defensiva. As autoridades militares dos dois países deram plena aprovação ao projeto e começaram a elaborar em detalhe seus respectivos planos de guerra a fim de adaptá-los às diretrizes do “Acordo ABC-I”. A partir desse momento e tal como afirmou o Almirante Stark, ficou de fato resolvida a intervenção dos EUA na guerra. Os acontecimentos iriam decidir em que momento os americanos participariam abertamente na luta. Quando a Alemanha invadiu a Rússia, em junho de 1941, Roosevelt decidiu estender imediatamente a ajuda militar aos soviéticos. Seu secretário, Harry Hopkins, viajou a Moscou para oferecer dito apoio a Stalin e averiguar quais as necessidades dos russos em armas e material de guerra. Os primeiros laços da aliança entre as três grandes potências, EUA, Inglaterra e a URSS, ficaram assim acertados. Entretanto, as relações com o Japão estavam bastante tensas. Em abril de 1941, o Ministro de Relações Exteriores japonês firmou em Moscou um pacto de não-agressão com Stalin. De acordo com ele os japoneses obtiveram liberdade de ação para por em marcha seus planos de conquista no sudeste da Ásia e no Pacífico. No mês de julho, o Exército e a Marinha completaram seus projetos para a ocupação da Indochina, Malásia, Índias Orientais Holandesas, arquipélago das ilhas Bismarck e as Filipinas. A Marinha, por iniciativa do Almirante Yamamoto, já se achava ocupada no planejamento secreto do ataque contra a base americana de Pearl Harbor. Em uma conferência celebrada no dia 2 de julho, na presença do imperador Hiroito, os dirigentes políticos e militares japoneses acertaram, como primeiro passo, ocupar quanto antes a Indochina e, ao mesmo tempo, realizar todos os preparativos necessários para entrar em guerra contra os EUA e a Inglaterra. Esta decisão foi transmitida às missões diplomáticas em Berlim e Washington, e foi interceptada pelos serviços de inteligência americanos. Roosevelt teve assim conhecimento da iminente invasão da Indochina. No dia 24 de julho, e depois de obter o consentimento do governo de Pétain - a Indochina era então possessão francesa -, os japoneses empreenderam a ocupação de uma série de estratégicos portos e aeródromos naquela colônia. A reação de Roosevelt não se fez esperar. No dia seguinte decretou a congelação de todos os fundos japoneses nos Estados Unidos, medida que deu lugar à completa interrupção de intercâmbio comercial entre os dois países. Poucos dias depois os britânicos e o governo das Índias Orientais Holandesas ordenaram, por sua vez, a cessação do comércio com o Japão. O ponto vital dessas medidas estava na interrupção das remessas de petróleo. O governo japonês esperava as sanções americanas e britânicas, mas não havia previsto a decidida atitude das autoridades das Índias Orientais Holandesas. Essa colônia era a principal fonte de abastecimento de petróleo do Japão e, portanto, ao cessar suas remessas, os japoneses ficavam com o problema de esgotar a curto prazo suas reservas, sem possibilidade de reabastecimento. Em 10 de agosto, Roosevelt e Churchill mantiveram, a bordo do cruzador americano Augusta, a célebre conferência do Atlântico. O problema do Japão foi um dos principais assuntos tratados pelos dois estadistas. Roosevelt comunicou ao primeiro-ministro britânico que estava decidido a manter em plena vigência as sanções econômicas e a não permitir a expansão japonesa no sudeste asiático. Acrescentou, no entanto, que estava decidido a continuar as discussões com os japoneses com o objetivo de ganhar tempo para reforçar as guarnições no Pacífico. Tojo assume o poder A crise provocada pela suspensão das remessas de petróleo deu lugar a uma série de agitadas reuniões entre os dirigentes políticos e militares japoneses. O Primeiro-Ministro Konoye, apoiado pelo Almirante Nagano, chefe do Estado-Maior da Marinha, decidiu realizar uma última tentativa para induzir os EUA a que depusessem sua oposição às ambições japonesas. O general Tojo, Ministro da Guerra, chegou a autorizar uma entrevista direta entre Konoye e Roosevelt, mas colocou como condição que o primeiro-ministro não cedesse em ponto algum dos planos de expansão para o sul. A projetada conferência, no entanto, não chegou a ser realizada porque Roosevelt, convencido da falsidade das propostas japonesas, negou-se a se encontrar com Konoye. No dia 2 de outubro de 1941, o Secretário de Estado Hull comunicou essa decisão ao Almirante Nomura, embaixador japonês em Washington. A sorte de Konoye ficou assim selada. Ante o malogro de sua política de negociações, viu-se forçado a apresentar sua demissão e, no dia 18 de outubro, assumiu o poder o General Tojo, decidido partidário da guerra. No dia 2 de novembro o novo gabinete realizou uma reunião decisiva. Depois de longas discussões os ministros concordaram em realizar uma última gestão ante o governo americano, com a finalidade de chegar a um compromisso. Se essa tentativa fracassasse, o Japão de lançaria, sem demora, à luta. Três dias depois o gabinete realizou uma nova conferência e ultimou os detalhes da ação a seguir. Apresentaria em primeiro lugar uma proposta de acordo aos americanos. Caso esse oferecimento fosse rechaçado seria entregue um segundo documento no qual estariam expostas as exigências mínimas dos japoneses para evitar o conflito. Se até o dia 25 de novembro não tivesse sido obtida a aprovação dos americanos, seria comunicado ao Imperador que estava em suas mãos a decisão final para o início da guerra. Sem demora o Ministério de Relações exteriores transmitiu ao Embaixador Nomura a resolução do Governo, junto com o texto das duas proposições. A mensagem, interceptada e decifrada pelos serviços de inteligência americana, continha um dramático aviso: “Tanto em letra como em espírito esta nossa oferta é, certamente, a última...”. Assim, graças aos informes “Magia”, o governo dos EUA teve conhecimento antecipado de que se aproximava o fim das negociações com o Japão. No mesmo dia que o gabinete japonês adotou essa decisão, os chefes de estado-maior do Exército e Marinha americanos, General Marshall e Almirante Stark, apresentaram a Roosevelt um extenso relatório em que analisavam a crítica situação. Ambos os chefes opinavam que os Estados Unidos deviam evitar o início da guerra enquanto de completava o reforço das guarnições do Pacífico. Com esse fim não devia apresentar-se ao Japão nenhum ultimato. A luta devia começar quando este país atacasse diretamente as possessões americanas, britânicas ou holandesas. Roosevelt reuniu-se com seu gabinete no dia 7 de novembro e solicitou a opinião dos ministros sobre as possibilidades de um choque armado. Todos, sem exceção, estiveram de acordo em que o ataque japonês poderia ocorrer a qualquer momento. Decidiu-se, no entanto, prosseguir com a política adotada e estender ao máximo as discussões com o fim de ganhar tempo para aumentar o poderio americano no Pacífico. Na tarde desse mesmo dia o Embaixador Nomura entrevistou-se com o Secretário Hull e entregou-lhe a primeira proposta, exigindo-lhe pronta resposta. No dia 10 de novembro Nomura foi recebido por Roosevelt que lhe anunciou que o Japão teria que provar com fatos suas declarações pacifistas retirando todas as suas tropas da China e Indochina. O compromisso esperado pelos japoneses ficou, assim, frustrado. Nesse mesmo dia, no Japão, o Almirante Nagumo, chefe da frota encarregada do ataque a Pearl Harbor, ordenou a suas unidades que completassem os preparativos de combate para o dia 20 de novembro. A partir desse momento, a marcha para a guerra iria desenrolar-se inexoravelmente. As últimas conversações Diante do fracasso dessa primeira gestão, Nomura, agora acompanhado do Embaixador Kurusu, enviado urgentemente de Tóquio, comunicou fazer maiores concessões para conseguir um acordo. A resposta não tardou em chegar. O governo japonês não estava disposto a realizar novas concessões, e Nomura devia apresentar sem demora a segunda e última proposta. No dia 20 de novembro o Embaixador japonês entregou a Hull a nota decisiva. O Secretário de Estado tomou o documento e lhe deu uma rápida leitura. Já conhecia integralmente seu texto, pois este havia sido decifrado pelos serviços de escuta. O Japão aceitava retirar suas tropas da Indochina depois que se tivesse chegado a um acordo pacífico com a China. Exigia também que os EUA se comprometessem a não interferir de forma alguma na disputa entre o Japão e a China. Em resumo: a paz com os chineses, negociada de acordo com as exigências japonesas, seria o ponto de partida para a liquidação das disputas. Os Estados Unidos, como retribuição a essas vagas promessas, deviam suspender suas sanções econômicas e recomeçar as remessas de petróleo ao Japão. Hull, assim como Roosevelt, considerou que tal acordo era totalmente inaceitável. No entanto, e com o fim de ganhar tempo de que precisavam os chefes militares, decidiram apresentar uma contraproposta aos japoneses, destinada a manter vigentes as relações entre ambos os países. O dia 22 de novembro foi uma data decisiva. O governo japonês enviou uma mensagem a Nomura - decifrada no mesmo dia pelos serviços de inteligência do Departamento da Marinha americana - na qual lhe comunicava que havia resolvido fixar como data final para a assinatura do acordo o dia 29 de novembro. O último parágrafo dizia: “Esta vez garantimos que a data final não pode ser mudada de formas alguma. Depois dela os acontecimentos começarão a ocorrer automaticamente...” Nesse mesmo dia o Almirante Yamamoto, comandante-em-chefe da frota japonesa, enviou um telegrama ao Almirante Nagumo, chefe da esquadra encarregada do ataque a Pearl Harbor, com a ordem definitiva de operações: “A força de Tarefas zarpará de Hitokappu Wan no dia 26 de novembro e se dirigirá sem ser percebida até o ponto de reunião fixado para o dia 3 de dezembro. O dia X será o dia 8 de dezembro”. O dia X era o dia do ataque a Pearl Harbor - pela diferença de horas, o dia 8 de dezembro no Japão correspondia ao dia 7 nas ilhas Havaí. Hull realizou urgentes reuniões com os representantes diplomáticos da Inglaterra, Holanda e China com o fim de colocá-los a par da trégua que se propunha oferecer aos japoneses. Em troca da promessa japonesa de paralisar os movimentos militares no sudeste asiático, as potências aliadas se comprometeriam entregar uma quota reduzida de petróleo para abastecer as necessidades civis e quantidades limitadas de alimentos e matérias-primas. Por ordem de Roosevelt, o Secretário de Estado enviou uma mensagem a Churchill comunicando-lhe o plano. Roosevelt de seu punho e letra escreveu ao pé da carta: “Eu não tenha muitas esperanças, e devemos estar preparados para o mais grave, possivelmente agora mesmo”. Nas vésperas do
ataque No dia 25 de novembro, Roosevelt manteve uma reunião na Casa Branca com os mais destacados dirigentes políticos e militares americanos. Estavam presentes: o Secretário de Guerra Stimson, o Secretário da Marinha Konx, o Secretário de Estado Hull, o General Marshall e o Almirante Stark. Nessa conferência o presidente e seus ministros discutiram a possibilidade de um ataque japonês de surpresa. Stimson narrou posteriormente os pormenores da discussão. Reproduzimos seu relato: “O Presidente, logo de início, referiu-se às relações com o Japão. Mr. Hull disse que os japoneses estavam inclinados para o ataque e que poderiam atacar a qualquer momento. O Presidente disse que os japoneses eram conhecidos por realizar um ataque sem prevenir e manifestou que poderíamos ser atacados, digamos, por exemplo, na próxima segunda-feira... Um problema nos inquietava profundamente. Se alguém sabe que seu inimigo está por atacar, não é inteligente esperar até que ele dê o salto sobre a gente, tomando a iniciativa. Apesar do risco que implicava deixar que os japoneses efetuassem o primeiro disparo, nos dávamos conta que a fim de termos o pleno apoio do povo americano era desejável ter certeza que os japoneses foram os que fizeram isso de tal forma que não ficasse dúvida em mente alguma sobre quem eram os agressores... A questão era como devíamos manobrá-los (aos japoneses) para levá-los à situação de disparar o primeiro tiro sem que o perigo para nós fosse muito grande. Era um assunto difícil”. Ao concluir a reunião na Casa Branca Stimson dirigiu-se ao seu gabinete na Secretaria de Guerra e ali recebeu de seus assessores uma notícia urgente. Os japoneses estavam embarcando grandes contingentes de tropas no porto de Xangai, e as unidades avançadas dessa frota de invasão já se encontravam navegando junto à costa chinesa ao sul da ilha de Formosa. Assim, o ataque contra a Malásia e as Índias Orientais já estava praticamente em marcha. Stimson telefonou imediatamente ao Presidente Roosevelt, e lhe informou a dramática nova. A possibilidade de acertar a trégua proposta por Hull ficou assim completamente eliminada. Além disso, em novas consultas, Hull comprovou que as potências aliadas e principalmente a China opunham-se a um acordo com o Japão. Na noite de 25 de novembro chegou a resposta de Churchill e seu conteúdo decidiu finalmente Hull a abandonar todas as intenções de conciliação com os japoneses. O primeiro-ministro britânico assinalava que a projetada trégua era prejudicial a Chiang Kai-shek e poderia contribuir para o desmoronamento da resistência chinesa. Hull comunicou então sua decisão a Roosevelt, o qual lhe deu plena aprovação. A nova proposta redigida por Hull era uma exposição clara e terminante das exigências americanas. Oferecia aos japoneses suspender as sanções econômicas e propunha a assinatura de um tratado de comércio e um pacto mútuo de não agressão, sob a condição de que os Japão retirasse todas as suas forças da China e da Indochina e reconhecesse como único governo chinês o regime de Chiang Kai-shek. Esta oferta, com certeza, não seria aceita pelo governo de Tojo, pois equivalia à renúncia de todas as conquistas realizadas pelos japoneses no continente asiático. Assim entendeu Hull que, em 27 de novembro, disse ao Secretário de Guerra Stimson: - Lavei minhas mãos a respeito desse assunto e agora está em suas mãos e nas de Knox, do Exército e da Marinha. O jogo da diplomacia estava encerrados. Em Tóquio, o documento americano causou uma imediata reação. O gabinete resolveu iniciar a guerra no momento em que as forças de ataque estivessem prontas para entrar em ação. O Ministro das Relações Exteriores enviou sem demora um telegrama ao Embaixador Nomura - decifrado pelo serviço de inteligência da marinha americana - no qual lhe comunicava a decisão do governo de dar por terminadas todas as negociações. Como último trâmite, Nomura deveria apresentar um relatório com os pontos de vista japoneses que lhe seria enviado com urgência. A entrega desse documento significaria a ruptura diplomática das relações entre ambos os países. Este telegrama que também fôra interceptado e decifrado pelo serviço de inteligência da marinha americana, permitiu que o governo de Washington tomasse conhecimento antecipado de que a nova nota japonesa equivaleria, de fato, ao início da guerra. Diante da crítica situação, os secretários da Guerra e da Marinha viram-se com o problema de escolher a atitude que as forças armadas americanas adotariam. O General Marshall e o Almirante Stark aconselharam novamente não iniciar as hostilidades até que os japoneses tivessem atacado ou ameaçassem diretamente as possessões americanas, britânicas ou holandesas no Pacífico. Esta proposta foi aceita e foi transmitida uma mensagem de alerta de guerra às guarnições americanas localizadas naquele oceano. O Almirante Kimmel, chefe da frota ancorada em Pearl Harbor, foi avisado de que as negociações com o Japão estavam rompidas, devendo ele esperar um ataque para os próximos dias. Assinalaram no entanto que tal ataque, de acordo com as informações recolhidas, teria por objetivo as Filipinas, Tailândia, Malásia ou Bornéu. A mensagem não continha qualquer indicação de que a agressão poderia ser dirigida contra Pearl Harbor, apesar de terem sido interceptadas numerosas comunicações de Tóquio ao cônsul japonês no Havaí, solicitando detalhadas informações sobre o número e tipo de navios estacionados em Pearl Harbor, e o lugar exato de seus ancoradouros. Às 2 horas da tarde de 1o de dezembro o gabinete japonês reuniu-se na presença do Imperador Hiroíto. Tojo anunciou que já não podia esperar nada das vias diplomáticas e que era necessário iniciar imediatamente a guerra. Os chefes da Marinha e do Exército anunciaram que estavam prontos e ansiosos por entrar em ação. Diante dessas entusiásticas manifestações o Imperador Hiroíto permaneceu em absoluto silêncio. A decisão de iniciar a guerra foi tomada, no entanto, com sua tácita aprovação. No dia seguinte o Almirante Yamamoto enviou ao Almirante Nagumo, cuja frota já se encontrava navegando para Pearl Harbor, a mensagem em código que confirmava a ordem de ataque: Escale o monte Nitaka. Estoura a guerra No dia 28 de novembro Roosevelt manteve uma reunião com seu gabinete, na qual ficou resolvido que o Presidente enviaria uma mensagem final de advertência ao Imperador Hiroíto. No entanto, os acontecimentos se precipitavam. No dia 3 de dezembro os serviços de inteligência da Marinha interceptaram uma mensagem de Tóquio ordenando à embaixada japonesa em Washington que destruísse seus códigos secretos. Dois dias depois Nomura informava que havia cumprido a ordem. A guerra já era inevitável. Nessas circunstâncias Roosevelt decidiu que se enviasse a nota a Hiroíto. O documento não fazia mais que enumerar as proposições americanas que os japoneses já haviam recusado. Era o dia 6 de dezembro de 1941. O embaixador britânico fez chegar ao governo americano informações do Almirantado que duas grandes frotas japonesas tinham sido avistadas ao sul da península da Indochina. De acordo com seu rumo e velocidade chegariam no dia seguinte à Malásia. Ao cair da noite, uma nova mensagem japonesa foi interceptada. Era a nota final cuja entrega daria automaticamente início às hostilidades. Pouco depois das 21 horas, os serviços “Magia” tinham decifrado 13 dos 14 artigos do documento, e foram levados imediatamente à Casa Branca. O Presidente Roosevelt, ao terminar a leitura, exclamou com voz emocionada: - Isto significa a guerra! O drama chegou assim ao seu fim. Nas primeiras horas da manhã de 7 de dezembro, Roosevelt recebeu a cópia decifrada do último artigo da nota japonesa. o governo de Tóquio anunciava simplesmente que todas as possibilidades de acordo tinham terminado. Pouco depois os serviços “Magia” interceptaram uma nova mensagem, na qual dava ordens ao Embaixador Nomura para apresentar o documento decisivo ao Secretário de Estado Hull às 13 horas de Washington (essa hora correspondia às 7:30 da manhã no Havaí, momento fixado para o ataque a Pearl Harbor). Tomando conhecimento desta última comunicação, o General Marshall resolveu enviar sem demora um sinal de alerta ao General Short, chefe das forças do Exército em Pearl Harbor e às guarnições americanas no extremo Oriente e no Caribe. Dizia: “Os japoneses apresentam às 13 horas de hoje o que constitui um ultimato. Receberam igualmente ordens de destruir imediatamente suas máquinas de cifrar. Não sabemos que significado preciso pode ter a hora fixada, mas esteja de alerta. Participe esta comunicação às autoridades navais - Marshall”. Este telegrama foi cifrado às 11h58 de Washington e enviado a São Francisco, de onde foi retransmitido ao Havaí. No entanto, quando chegou finalmente nas mãos do General Short já era muito tarde. Seis horas antes, os aviões japoneses haviam levado a cabo seu surpreendente e devastador ataque contra a frota ancorada em Pearl Harbor. A última
entrevista Pouco depois da uma da tarde do dia 7 de dezembro de 1941, uma urgente mensagem por rádio foi recebida no Departamento da Marinha, em Washington. A comunicação retransmitida pela base naval de São Francisco provinha de Pearl Harbor e era a dramática notícia de que os japoneses acabavam de atacar Pearl Harbor. A mensagem, emitida sem o emprego de código algum, dizia: “Ataque aéreo, Pearl Harbor. Não foi uma simulação”. Quando recebeu a comunicação, o Secretário da Marinha, Knox, telefonou imediatamente para a Casa Branca e comunicou a Roosevelt a terrível notícia. O Presidente mandou chamar o Secretário de Estado Hull. Este chegou à Casa Branca às 14h05. O Presidente, após colocá-lo a par das novidades, ordenou que sustasse a entrevista que havia solicitado aos enviados japoneses Nomura e Kurusu, mas sem fazê-los saber o que havia ocorrido. Devia, simplesmente, mostrar-se frio e receber de suas mãos o ultimato japonês que havia sido interceptado e decifrado pelos serviços de inteligência americanos horas antes. Hull foi imediatamente para o Departamento de Estado e às 14h20 recebeu em seu gabinete o Embaixador Nomura e o enviado especial Saburu Kurusu. Estes haviam chegado, contrariando as instruções recebidas do seu governo, uma hora depois do previsto. Havia-se perdido um tempo precioso. Uma hora antes da chegada dos emissários japoneses, as primeiras bombas haviam caído sobre Pearl Harbor. Ao encontra-se com Hull, o Almirante Nomura entregou-lhe a nota dizendo-lhe: “Deram-me instruções de entregar-lhe esta resposta às 13 horas”. Hull, grave, respondeu: “Por que devia-me entregar às 13 horas?” “Não sei porque!” O Secretário de Estado, bruscamente, tomou a nota e disse, amargamente: “Nunca, nestes últimos nove meses pronunciei uma palavra que não fosse certa. Jamais vi um documento tão cheio de falsidades e distorções”. Assim terminou a entrevista. Minutos depois, ao chegar à sua embaixada, Nomura recebeu a notícia: Aviões japoneses sobre Pearl Harbor! A guerra começava... Anexo Informes de Pearl Harbor Tóquio ao Cônsul-Geral em
Honolulu 24 de setembro de 1941
(n° 83). Adiante encarecemos nos
envie informações relativas navios de guerra conforme as seguintes normas até
onde seja possível: (1) As águas de Pearl Harbor serào divididas em 5
subzonas, aproximadamente. Nada temos a objetar se você as reduz da forma que
achar mais conveniente. Zona A: águas entre a ilha Ford e o Arsenal. Zona B:
Águas adjacentes à ilha ao sul e ao oeste da ilha Ford. Esta zona acha-se do
lado oposto à ilha da Zona A. Zona C:
East Loch. Zona D: Middle Loch. Zona E: West Loch e as rotas marítimas de
comunicação. (2) Com respeito aos navios de guerra e porta-aviões desejamos
ter seus informes sobre os que estão ancorados (estes não são tão
importantes), amarrados e ancorados, bóias e em diques. Indique sucintamente
tipos e classes. Se for possível, desejaríamos que você mencionasse o caso de
quando houver dois ou mais navios ancorados um junto ao outro, num mesmo
ancoradouro. (Decifrado no Departamento de guerras dos EUA no dia 9 de
outubro de 1941). Cônsul-Geral em Honolulu
a Tóquio 29 de setembro de 1941
(n° 178). ( A mensagem n° 178 respondia ao n° 83 e estabelecia uma designação
em código de duas letras para cada uma das cinco zonas em que se dividia Pearl
Harbor). (Decifrado no Departamento da Marinha dos EUA no dia 10 de outubro
de 1941). Tóquio ao Cônsul-Geral em
Honolulu 15 de novembro de 1941
(n° 111). Como as relações entre o Japão e Estados Unidos são sumamente
críticas envie em forma irregular seus informes sobre navios em Pearl Harbor,
se bem que a um ritmo de dois por semana. Apesar de você ser muito cauteloso,
permitimo-nos esclarecer a necessidade de manter o maior segredo (Decifrado
no Departamento da Marinha dos EUA no dia 3 de dezembro de 1941). Cônsul-Geral em Honolulu
a Tóquio 18 de novembro de 1941
(n° 222) (A mensagem n° 222 era um informe sobre os navios americanos que se
encontravam nas diferentes zonas de Pearl Harbor). (Decifrado no Departamento
de Guerra dos Estados Unidos no dia 6 de dezembro de 1941). Tóquio ao Cônsul-Geral em
Honolulu 18 de novembro de 1941
(n° 113). Favor informar sobre as seguintes zonas, quanto a navios ancorados:
Zona N, Pearl Harbor, Baía Mamala (Honolulu) e as zonas adjacentes a elas.
Efetue suas investigações com grande segredo. (Decifrado pelo Departamento de
Guerra dos Estados Unidos no dia 5 de
dezembro de 1941) Tóquio ao Cônsul-Geral em
Honolulu 20 de novembro de 1941
(n° 111). Favor investigar rapidamente as bases da frota nas vizinhanças da
zona militar do Havaí (Decifrado no Departamento de Guerra dos EUA no dia 4
de dezembro de 1941). Tóquio ao Cônsul-Geral em
Honolulu 29 de novembro de 1941
(n° 122). Recebemos quatro informes sobre movimentos de navios. No futuro,
favor informar também quando não haja movimento. (Decifrado no departamento
da Marinha dos EUA no dia 5 de dezembro de 1941). Mensagens “Púrpura” Textos de algumas das
mensagens secretas que, deciframos com o código “púrpura”, foram enviados
pelo governo japonês ao Embaixador Nomura em Washington 5 de novembro de 1941 (n°
736) É absolutamente
necessário que todas as disposições sejam tomadas para que assinatura deste
acordo seja completada até o dia 25 deste mês. Compreendemos ser esta uma ordem
difícil; mas, dadas as circunstâncias, é inevitável. Favor entender isto a
fundo e encare o problema de evitar que as relações entre o Japão e Estados
Unidos caiam em um estado caótico. Rogamos que proceda, portanto, com grande
determinação e com um esforço ilimitado. (decifrado em 5 de novembro de 1941) 11 de novembro de 1941
(n° 762) A julgar pelo andamento
das negociações parece que há indícios de que os Estados Unidos não se deram
conta da crítica situação. Persiste o fato de que a data estabelecida em
nossa mensagem n° 736 é absolutamente inamovível nas presentes condições. É
uma data final definitiva e por conseguinte é essencial que se consiga um
acordo até ela. O governo deve ter um quadro claro dos acontecimentos ao
apresentar o caso ao Parlamento. Pode ver assim que a situação se aproxima do
ápice e o tempo realmente está se esgotando. (decifrado no dia 12 de novembro
de 1941) 16 de novembro de 1941 (1) Li seu número 1090 e
pode estar seguro de que tem toda nossa gratidão pelos esforços que realizou.
A sorte de nosso império pende de um delgado fio. Por isso, favor lutar mais
duramente que nunca. (2) Em nossa opinião deveríamos esperar e ver que rumo
toma a guerra e permanecer pacientes; no entanto, lamento profundamente dizer
que a situação faz que isto seja afastado. Estabeleci essa data final para a
solução dessas negociações em nosso número 736 e não haverá mudanças. Favor
tratar de compreender isto. Veja quão breve é o tempo; por esse motivo não
permita que os Estados Unidos nos desviem e continuem retardando as
negociações. Pressione-os para uma solução sobre a base de nossas propostas e
faça o melhor para chegar a uma solução imediata (decifrada em 17 de novembro
de 1941) 22 de novembro de 1941
(n° 812) É terrivelmente duro para
nós considerarmos uma mudança na data que fixamos em nosso n° 736. Você o
sabe. No entanto, sabemos que está trabalhando tenazmente. Ajuste-se à
política fixada e faça o melhor. Não economize esforços e procure conseguir a
solução que desejamos. Há razões além de sua capacidade de suspeita pela
quais necessitamos definir as relações nipo-americanas até o dia 25; mas se
dentro dos próximos 3 ou 4 dias puder terminar as conversações com os
americanos, se a assinatura pode ser completada para o dia 29; deixe-nos escrever
esta data por extenso: vinte e nove; se as notas relativas podem ser
intercambiadas; se podemos chegar a um entendimento com a Inglaterra e a
Holanda; e, em resumo, se todas as questões podem ser concluídas, resolvemos
esperar até essa data. Esta vez, garantimos que a data final não poderá ser
trocada, em absoluto. Depois dela, os acontecimentos começarão a ocorrer de
maneira automática. Favor fazer isto objeto de sua cuidadosa consideração e
trabalhe mais duramente que nunca. Isto, por ora, é apenas para informação
dos embaixadores, exclusivamente. (decifrado no dia 22 de novembro de 1941) Plano de guerra americano Apresentado no dia 5 de
novembro de 1941 ao Presidente Roosevelt pelo General Marshall, chefe do
Estado-Maior do Exército, e pelo Almirante Stark, chefe de Operações Navais
da Marinha dos EUA. “(a) Os objetivos básicos militares e estratégicos
acordados nas conversações entre os estados-maiores britânico e americano
continuam sendo válidos. O objetivo fundamental das duas nações é derrotar a
Alemanha. Se o Japão for derrotado e a Alemanha continua em guerra, a decisão
não terá sido alcançada. Em todo caso, uma guerra ofensiva ilimitada não deve
ser empreendida contra o Japão, uma vez
que ela enfraquecerá muito o esforço combinado no Atlântico contra a
Alemanha, que é o inimigo mais perigoso. (b) A guerra entre Estados Unidos e
Japão deve ser evitada enquanto se aumenta as forças defensivas no Extremo
Oriente, até o momento em que o Japão ataque ou ameace diretamente
territórios cuja segurança seja de grande importância para os EUA. Só devem
ser realizadas ações militares contra o Japão em caso de se produzirem uma ou
várias das seguintes contingências: (1) uma ação direta de guerra das forças
armadas japonesas contra o território ou territórios sob mandato dos EUA, a
Comunidade Britânica, ou as Índias Orientais Holandesas.; (2) A penetração de
forças armadas japonesas na Tailândia ao oeste dos 100o de
longitude este, ou ao sul dos 10o de latitude norte; ou em Timor
português, Nova Caledônia ou nas ilhas da Lealdade. (c) Do ponto de vista da
estratégia mundial, um avanço japonês sobre Kuming ou a Tailândia, salvo no caso anteriormente citado, ou um
ataque contra a Rússia, não justificariam a intervenção dos Estados Unidos
contra o Japão. (d) Deve ser oferecida ao governo central chinês toda a ajuda
que seja possível realizar, sem entrar abertamente em guerra. Especificamente
recomendamos: Que não seja autorizado o envio de forças armadas dos Estados
Unidos para intervir contra o Japão na China. Que a ajuda material à China
seja acelerada de acordo com as necessidades da Rússia, Inglaterra e de
nossas próprias forças. Que a ajuda ao Grupo Voluntário Americano seja
contínua e acelerada na máxima extensão possível. Que não seja apresentado um
ultimato ao Japão”. Mensagem final de Roosevelt a Hiroíto Texto do telegrama
enviado ao Embaixador americano em Tóquio, Joseph Grew, para ser entregue ao
Imperador Hiroíto. 818 - 6 de dezembro - 21
horas Confidencial Favor comunicar quanto
antes possível e na forma que julgar mais correta, a seguinte mensagem do
Presidente ao Imperador: “A Sua Majestade Imperial, o Imperador do Japão: Há aproximadamente um
século, o Presidente dos Estados Unidos dirigiu ao Imperador do Japão uma
mensagem formulando uma oferta de amizade do povo de seus país ao do Império.
Essa oferta foi aceita, e no longo período de ininterrupta paz que se seguiu,
nossas respectivas nações, através da virtude de seus povos e do bom
critérios de seus governantes, prosperaram e ao mesmo tempo contribuíram para
o bem da humanidade. Só em situações de extraordinária importância para
nossos países vejo-me na obrigação de enviar a Sua Majestade mensagem sobre
assuntos de Estado. Considero que devo fazê-lo desta vez, por causa da grave
e transcendental emergência que parece estar formando-se. Estão ocorrendo na
zona do Pacífico acontecimentos que ameaçam privar a nossas nações e a toda a
humanidade da benéfica influência da paz duradoura entre nós. Esses
acontecimentos encerram trágicas possibilidades. O povo dos Estados Unidos,
que acredita na paz e no direito das nações de viver e deixar viver as outras
nações, acompanhou com ansiedade as conversações mantidas entre nossos
governos durante os últimos meses. Confiamos no término do
atual conflito entre o Japão e a China. Confiamos em que se poderia
estabelecer no Pacífico uma paz de tal natureza que povos de diversas nações
pudessem conviver sem temor de uma invasão.; que se poderia suprimir delas
todos os inadmissíveis excessos de armas e que todos os povos poderiam
reiniciar seu comércio sem
discriminações em favor ou contra alguma nação. Tenho certeza de que Sua
Majestade compreenderia tão bem como eu que, ao perseguir esses elevados
objetivos, tanto o Japão como os Estados Unidos devia estar de acordo em
eliminar qualquer forma de amaça militar. Isto parece-me essencial para
atingir os objetivos. Há mais de um ano o Governo de Sua Majestade concluiu
com o de Vichy um acordo pelo qual cinco ou seis mil soldados japoneses
poderiam penetrar no norte da Indochina Francesa para proteger as tropas que
estavam operando contra a China mais ao norte. E durante a última primavera e
verão o Governo de Vichy permitiu a entrada de novas forças armadas.
Japonesas ao sul da Indochina, com o objetivo de defendê-la. Creio que não me
engano ao dizer que não se levou a cabo, nem sequer foi projetado um ataque
contra a Indochina Francesa. Durante as últimas semanas tornou-se evidente
para o mundo que as forças militares, navais e aéreas japonesas
introduziram-se em tal quantidade no sul da Indochina, que dão lugar a uma
razoável dúvida por parte das demais nações pelo mundo, no sentido de que
essa concentração continuada não é de caráter defensivo. Em vista do fato a
que refiro, e de que as tropas estão se estendendo para os extremos sudeste e
sudoeste da península, é agora naturalmente razoável que o povo das
Filipinas, das centenas ilhas das Índias Holandesas, da Malaia e da Tailândia
mesmo se pergunte se essas forças do Japão estão preparando ou tratando de
efetuar um ataque em uma ou outra dessas direções. Estou seguro de que Sua
majestade compreenderá que o temor de todos esses povos é legítimo, desde que
se encontrem comprometidas sua existência nacional e a paz. E restou seguro
também de que Sua Majestade compreenderá porque o povo dos Estados Unidos, em
sua maioria, olha com receio o estabelecimento de bases militares, navais e
aéreas, dotadas e equipadas em forma tal que podem constituir forças armadas
e em condições de realizar ações defensivas. Fica claro que a persistência de
uma situação dessa natureza é inconcebível. Nenhum dos povos a que me referi
acima está obrigado a permanecer, seja transitória ou permanentemente, sobre
um barril de dinamite. Não existe absolutamente alguma intenção de parte dos Estados Unidos de invadir a
Indochina se se retirassem dela todos
os soldados e marinheiros japoneses. Creio
que podemos obter a mesma segurança de parte dos respectivos governos
das Índias orientais, da Malásia e da Tailândia. Comprometemo-nos ainda a
conseguir a do Governo da China. Desta forma a retirada das forças japonesas
da Indochina daria por resultado o afiançamento da paz e em toda a zona
meridional do Pacífico. Dirijo-me pessoalmente a Sua Majestade, a fim de
rogar-lhe que, como eu o faço, pense na forma de dissipar as nuvens negras na
atual emergência. Considero que nós, não apenas em benefício do povo de
nossos grandes países, mas também por um princípio de humanidade para com os
povos vizinhos, temos o sagrado dever de restabelecer a tradicional amizade e
evitar novos atos de guerra e
destruição no mundo. Franklin Roosevelt (A imprensa foi apenas informada de
que o Presidente enviara uma mensagem ao imperador) Churchill recebe a notícia Nove da noite do dia 7 de
dezembro de 1941. No gabinete de Winston Churchill, o velho líder inglês
acha-se reunido com o embaixador americano Winnant e Averell Harriman. O
primeiro-ministro sintoniza seu aparelho de rádio para escutar as últimas
notícias da frente russa e a luta na África do Norte. Não suspeita da gravidade
dos acontecimentos que acabam de ocorrer no Pacífico. Churchill, fatigado
pelas tarefas do dia, fuma um grande charuto, como de hábito. A voz do
locutor não consegue tirá-lo de sua sonolência. Seus companheiros de mesa
igualmente não lhe presta maior atenção. O locutor está por finalizar a sua
leitura quando pronuncia, em tom um pouco mais alto, algumas frases. Estas
tem a virtude de sacudir aos que ouvem. Entre as frases do locutor haviam-se
destacado palavras como “Pearl Harbor”... “Ataque japonês”... Desconcertado,
Churchill interroga a seus companheiros com o olhar. Harriman repete com voz
emocionada o que acabam de escutar. Nesse momento irrompe na casa o mordomo do primeiro-ministro.
Aproxima-se rapidamente e, deixando de lado a sua habitual circunspecção, exclama: “É certo! Os
japoneses atacaram aos americanos”. Churchill abandonou
rapidamente sua residência e ordenou a seus subordinados que o pusessem
imediatamente em comunicação com o Presidente Roosevelt, Poucos minutos
depois, os dois chefes aliados conversavam telefonicamente. Roosevelt
confirmou a notícia escutada, dizendo-lhe: “É totalmente verdade...
Atacaram-nos em Pearl Harbor... Agora estamos no mesmo barco... “Churchill, consciente da
extrema gravidade do momento, respondeu: “isto, certamente, simplifica as
coisas... Que Deus esteja convosco!” |