Ofensiva Japonesa

 

O Japão ataca Pearl Harbor

            

Pearl Harbor

 

 

“Subam o Monte Nitaka”

 

Domingo, 7 de dezembro de 1941, nas ilhas Havaí. A manhã clara ilumina um céu azul, sereno e quase sem nuvens. Na ilha Oahu, um manto de silêncio estende-se sobre a capital, Honolulu, e o porto militar de Pearl Harbor. As ruas permanecem silenciosas e as estradas desertas. A população descansa, ainda, da agitada noite de sábado. Somente a bordo dos grandes navios de guerra dos Estados Unidos, ancorados em Pearl Harbor, pode-se observar algum movimento. Marinheiros lavam as cobertas, piquetes procedem a mudança de guardas e sentinelas, que, lentamente, caminham pelo cais como o único sinal de atividade visível. Em Pearl City, alguns automóveis circulam pelas ruas. São os últimos oficiais e marinheiros da frota americana, regressando à base, depois de uma noite divertida. Dominando tudo, o profundo silêncio, rompido, esporadicamente, pela descarga de um automóvel ou uma exclamação ao longe.

 

Das alturas que dominam a zona podem ver-se, imóveis, as silhuetas cinzentas dos navios de guerra ancorados. São os encouraçados Arizona, Nevada, Tennessee, Maryland, Oklahoma, West Virginia, California e Pennsilvania, este último no dique seco. Ali estão também, os cruzadores Raleigh, Honolulu, Helena e St. Louis; o navio-oficina Vestal e o lança-minas Oglaga, o petroleiro Neosho, os destróieres Downes e Cassin, no dique seco, junto ao encouraçado Pennsilvania; o navio-mãe para hidroaviões Curtiss e o Utah, encouraçado afastado do serviço e utilizado como alvo. Grande quantidade de rebocadores e naves menores estão ancorados em sua volta. No total, são quase 90 navios auxiliares e de combate abrigados no porto.

 

Não estão ali os porta-aviões. Em dezembro de 1941, três dessas unidades integravam a frota do Pacífico, o Enterprise, o Lexington e o Saratoga. O primeiro encontrava-se em viagem de regresso da ilha de Wake; o segundo conduzia aviões para Midway, e o terceiro encontrava-se na costa ocidental dos Estados Unidos, em revisão geral periódica.

 

Este era o panorama de Pearl Harbor, no dia 7 de dezembro de 1941, nas primeiras horas da manhã.

 

 

Enquanto isso...

 

Nas cobertas de seis porta-aviões japoneses, navegando a 230 milhas ao norte da ilha de Ohau, começava-se uma febril atividade. As bandeiras de combate foram içadas aos mais altos mastros. Os motores de numerosos aviões puseram-se em marcha. Dezenas de pilotos, bombardeadores, operadores de rádio e metralhadores dirigem-se às suas respectivas máquinas.

 

O mar, agitado, faz os barcos jogarem muito. A escuridão ainda existente, por instantes, traz dúvidas aos chefes encarregados das ordens. Contudo, depois de breve observação, as ordens são dadas.

 

Uma lâmpada, refletindo luz verde, move-se em círculo. É a ordem de partida.

 

Às seis da manhã de 7 de dezembro, o primeiro avião japonês levanta vôo, sem obstáculos. Depois dele, em rápida e ininterrupta sucessão, os demais o imitam.

 

Quinze minutos depois, já levantaram vôo 183 aviões de combate bombardeiros e lança-torpedos. Depois, em formação no alto, descrevendo um vasto círculo sobre os seis porta-aviões, os aparelhos tomam o rumo diretamente para o sul, na direção de Pearl Harbor.

 

São 7 horas da manhã, quando o comandante da força aérea japonesa em ação, capta uma transmissão da estação de rádio de Honolulu. Trata-se de informes do tempo.

 

Por volta das 7h30, rompendo as nuvens, surge já claramente a comprida linha branca da costa de Oahu. Naquele momento, um dos aviões de reconhecimento, à cabeça da formação, comunica as posições de dez encouraçados, um cruzador pesado e dez cruzadores leves americanos ancorados em Pearl Harbor.

 

Às 7h49 do dia 7 de dezembro de 1941, o comandante Mitsuo Fuchida, chefe da força aérea atacante japonesa, dirigiu-se ao operador de rádio e lhe ordena: - Determine a todos os aviões que se lancem ao ataque. Pouco depois, as primeiras bombas explodiam sobre o porto militar de Pearl Harbor.

 

O ataque em marcha

 

Em fins de março de 1941, um jovem japonês desembarcou nas ilhas do Havaí. Chamava-se Takeo Yoshikawa. Não tinha ainda 30 anos, ao chegar como adido ao Consulado Geral de seu país, em Honolulu. Sua missão consistia em realizar estudo detalhado acerca dos nativos daquelas ilhas, filhos de súditos japoneses. Na realidade, vinha com objetivo muito diferente.

 

Yoshikawa, egresso da Academia naval japonesa em 1933, já no posto de alferes-de-fragata, foi afastado de suas funções, por causa de séria enfermidade. Restabelecido em 1937, Yoshikawa foi reincorporado ao serviço ativo, mas, desta vez, seu destino não foi um barco de guerra. Mais ainda, trocou seu uniforme por roupas civis, convertendo-se em obscuro diplomata de segunda classe. Na realidade, Yoshikawa passara a depender do Ministério de Assuntos Exteriores. Sua missão, extremamente secreta, não era outra senão a espionagem e para cumpri-la seguiu para Honolulu.

 

O jovem Yoshikawa estudou minuciosamente a disposição de Pearl Harbor, seu cais, suas águas, suas profundidades, suas distâncias e medidas. Acompanhado algumas vezes, outras a sós, realizou longas excursões de pesca e natação. Também dava prolongados passeios de automóveis, em companhia de moças nativas e vôos em aviões de turismo. O jovem Yoshikawa mostrava-se muito interessado na vida ao ar livre, sobretudo nas proximidades da costa, notadamente quando havia navios americanos perto.

 

Em fins de junho, Yoshikawa deu por terminado o seu detalhado estudo acerca dos “filhos dos japoneses” e, com grandes precauções, remeteu as notas por via diplomática correspondente. Alguém mais avisado talvez houvesse advertido que aqueles papéis eram objeto de cuidadosa vigilância. Porém ninguém suspeitou. Em Tóquio, os relatórios foram enviados ao Capitão-de-Corveta Minoru Genda, ajudante do Chefe do Estado-Maior da Segunda Esquadra naval, Vice-Almirante Takojiro Onishi. A este último chefe, secretamente, fora encomendada pelo Almirante Yamamoto a missão de preparar o ataque a Pearl Harbor.

 

Minoru Genda, depois de estudar os relatório de Yoshikawa, informou favoravelmente. Imediatamente, Onishi redigiu um projeto de ataque, enviado ao Almirante Yamamoto. Além disso, cópias do relatório foram entregues ao Vice-Almirante Ugaki, Chefe do Estado-Maior do Almirante Yamamoto, e ao Chefe do Serviço de Operações da Marinha, Contra-Almirante Fukudome. Este último entrevistou-se com o Contra-Almirante Ryomosuke Kusaka, Comandante da 24a Esquadra Aérea, estacionada em Palao e comunicou-lhe seu novo destino: Chefe do Estado-Maior da 1a Esquadra Aeronaval. Em seguida, Fukudome entregou a Kusaka uma cópia do plano de ataque a Pearl Harbor, recomendando-lhe edito exame.

 

Kusaka meditou profundamente sobre o alcance e a possibilidade do plano. Pesou, cuidadosamente, os prós e os contras. Estudou minuciosamente cada um dos passos. Finalmente, acompanhado de Onishi, Kusaka entrevistou-se com Yamamoto. O plano era aceitável, faltava, apenas, a ordem para a sua exceção. Yamamoto manteve-se silencioso por uns instantes. Logo, aproximando-se de Kusaka, disse-lhe: - Tudo está em ordem. Terminemos. A partir daquele momento, o plano de ataque a Pearl Harbor estava em marcha.

 

Posteriormente, a bordo do Akagi, Kusaka informou ao Contra-Almirante Nagumo dos alcances do plano. Logo em seguida, a 1a Esquadra Aeronaval ganhava uma missão: prepara o ataque a Pearl Harbor.

 

Pouco depois, uma maquete em grandes dimensões da ilha de Oahu chegou ao Akagi. Minoru Genda dedicou-se imediatamente ao seu estudo, acompanhado pelo Capitão-de-Fragata Mitsuo Fuchida, que recebeu o comando de todas as esquadrilhas da 1a Esquadra Aeronaval.

 

Enquanto isso, em Pearl Harbor, Yoshikawa desenvolvia febril atividade, informando a seus superiores acerca das posições dos navios americanos, seus movimentos e outros detalhes mais.

 

Rumo a Pearl Harbor

 

De acordo com os planos estabelecidos, a esquadra não partiria do Japão, mas da baía de Tancã, na ilha de Etorofu, nas Curilas, ao norte do paralelo 40. Dali a esquadra tomaria o rumo leste, para depois virar para o sul e cair sobre Pearl Harbor pelo norte. Eram muitas as vantagens da manobra. Com efeito a baía de Tancã era um lugar solitário, onde uma grande frota poderia concentrar-se, sem despertar suspeitas e sem ser notada por observadores estranhos. Os arredores do paralelo 40 norte, por outro lado, eram o lugar ideal, pois nos últimos 15 anos nenhum navio havia sido avistado ali durante o inverno. A esquadra, portanto, deveria navegar sob o maior segredo, para concentrar-se na baía de Tancã.

 

Por volta de meados de novembro de 1941 tudo estava disposto e pronto para a operação. Com antecedência, no dia 1o, todos os comandantes das unidades engajadas na ação a desenvolver-se, foram reunidas pelo Vice-Almirante Ugaki, Chefe do Estado-Maior da Frota Combinada. A situação foi exposta em poucas palavras. Dias mais tarde, a 17, uma nova reunião foi realizada, com a assistência dos chefes dos navios menores. Como da vez anterior, a notícia do ataque foi recebida com entusiasmo.

 

Por último, no dia 17 à noite, a operação entre na sua fase de execução. Com efeito, levantando âncoras, o Akagi partiu. Horas depois, já em pleno mar aberto, aumentou a velocidade e, a toda máquina, dirigiu-se para seu objetivo imediato: a baía de Tancã. De outros portos, também, muitas outras unidades zarparam, seguindo o mesmo rumo. Entre as naves maiores, destacavam-se o porta-aviões Kaga (Alegria Exultante), o Hiryu (Dragão Valente), o Soryu (Dragão Verde), o Shokaku (Grou Ascendente) e o Zuikaku (Grou Feliz).

 

A 21 de novembro, o Akagi arribou na baía de Tancã. Outros barcos já se achavam ali. A operação foi rodeada do maior segredo: as precauções eram totais. Podia-se dizer que nenhum olhar indiscreto presenciara a chegada.

 

No dia seguinte, 22 de novembro, toda a esquadra encontrava-se reunida e pronta para iniciar a operação. Os dias que se seguiram foram dedicados a embarcar os abastecimentos e apetrechar as naves para a grande aventura. No dia 26 de novembro, às seis horas da manhã, a esquadra toda zarpou de Tancã. Os seus porta-aviões navegavam em linhas paralelas. Em volta deles, protegendo-os, cruzadores, destróieres e submarinos.

 

A navegação foi difícil, em vista do mar grosso. Os navios estavam abarrotados de homens e abastecimentos. As peças de artilharia estavam prontas, a tripulação dormia aos pés dos canhões. A tensão era enorme e nada poderia aplacá-la. Além do mais, a névoa envolvia tudo, criando um ambiente fantasmagórico. Com todas as luzes apagadas, a esquadra continuou navegando na direção de seu objetivo, em precárias condições. Durante a marcha, por segurança, o abastecimento de petróleo efetuou-se sem diminuir a velocidade. Os radiotelegrafistas, por seu lado, ficaram à escuta as 24 horas do dia, na missão de detectar as transmissões inimigas e, mais importante, captar possíveis contra-ordens de Tóquio.

 

A 2 de dezembro, por fim, conheceu-se a data do ataque. Naquele dia, Yamamoto comunicou que a ação teria lugar no dia 8. A senha foi dada com três palavras: Subam o monte Nitaka.

 

No dia 7, o Akagi recebeu uma nova mensagem de Yamamoto. Tratava-se de uma mensagem do Imperador Hiroíto, nos seguintes termos: “O imperador espera que cada um cumpra o seu dever”. A 24 nós, a frota dirigia-se rumo sul, para Pearl Harbor.

 

A bordo dos navios reuniram-se todos os homens. O Contra-Almirante Nagumo, depois de içar no alto do mastro o galhardete hasteado na nave-capitânia do Almirante Togo, em 1905, durante a guerra russo-japonesa, disse a seus homens: - Espero que todos cumpram o seu dever, mesmo ao preço de suas vidas. No dia seguinte se lançaria ao ataque.

 

Asas contra Pearl Harbor

 

Na sala de operações do porta-aviões Akagi, o Capitão-de-Fragata Mitsuo Fuchida reuniu sua tripulação, dando-lhes, imediatamente, suas últimas ordens: - Os aviões-torpedeiros atacarão os encouraçados. Os bombardeiros se ocuparão dos barcos amarrados nos cais. Os bombardeiros de picada atacarão as defesas antiaéreas e metralharão todas as suas instalações.

 

A frota encontrava-se, nesse momento, exatamente a 230 milhas ao norte da ilha Oahu. Pouco antes da madrugada de 7 de dezembro (hora do Havaí), os porta-aviões japoneses giraram e deram a proa ao vento norte. A bandeira de combate flutuava em cada um dos principais mastros. O intenso balancear trouxe dúvidas quanto ao êxito da operação. Fuchida, depois de examinar o estado do mar e os ventos, julgou possível a decolagem. Instantes depois, as cobertas começaram a vibrar com o ronco dos motores, que se punham em marcha. Fuchida, com seu traje de vôo abotoado, ajustou o casco e dirigiu-se para deu avião. O Almirante Nagumo, Kusaka e o Estado-Maior da frota alinhavam-se ao costado. Uma luz verde movimentou-se me círculo. Era a ordem de partir.

 

O ataque

 

As primeiras bombas caíram sobre Hickam Field, onde se achavam alinhados os bombardeiros pesados. Em seguida a ilha Ford e Wheeler Field foram objetos dos ataques. Um pouco depois, grandes massas de fumaça elevavam-se dessas bases aéreas. No ar só se via aviões japoneses. A transmissão do rádio de Honolulu, estranha e paradoxalmente, irradiava normalmente. A surpresa fôra total.

 

Misuo Fuchida, como chefe das esquadrilhas, nessa altura dos acontecimentos, enviou a seguinte mensagem à frota: - Tivemos êxito no ataque de surpresa. Solicito transmitir este comunicado a Tóquio. Nesse instante, os aviões torpedeiros entraram em ação. Paralelamente, o fogo antiaéreo começou e alcançou grande intensidade. - Impressionou-me a rapidez da reação, que começou cinco minutos depois do lançamento da primeira bomba - disse Fuchida mais tarde. Logo, produziu-se atroadora explosão na fila dos encouraçados.

 

O deslocamento do ar fez trepidar os aviões atacantes. Era o encouraçado Arizona. Naquele instante, Pearl Harbor e seus arredores converteram-se em verdadeira fogueira. O Utah fôra virado. O West Virginia e o Oklahoma, com seus costados arrasados pelos torpedos dos aviões, estavam perigosamente inclinados. O Arizona ardia inteiramente e começara o incêndio no Maryland e no Tennessee. Enquanto isso, seguindo a ordem de Fuchida, a frota já transmitira a palavra Tora (Tigre). Era senha que os comandantes da esquadra esperavam. Era a senha aguardada em Tóquio, significando “ataque conseguido”.

 

Entretanto, os aviões continuavam a lançar suas bombas. O dispositivo atacante desenvolvia-se em cadeia. Primeiramente, atacavam os aviões-torpedeiros, depois os bombardeiros de picada e, por último, os bombardeiros. No alto, descrevendo círculos as máquinas aguardavam seu turno, enquanto da terra as baterias antiaéreas disparavam incessantemente. Deram-se então algumas tentativas da aviação americana de interceptar o ataque. Poucos aviões de caça decolaram e enfrentaram os atacantes, e, em todas os casos, o fizeram por iniciativa própria e sem esperar ordens que, por outro lado, não foram dadas. Foram poucos os pilotos que valentemente, levantaram vôo. Fuchida, em cavalheiresco reconhecimento disse: - Durante o ataque, muitos dos nossos pilotos viram os valentes esforços dos aviadores americanos para fazer subir seus aviões, mesmo diante da nossa manifesta superioridade numérica. Eles voavam diretamente a empenhar-se na luta. O efeito foi nulo; mas sua coragem impõe respeito e admiração.

 

Depois de aproximadamente uma hora de ataque, os aparelhos da primeira onda começaram a regressar aos seus porta-aviões. Nessa altura dos acontecimentos, a atmosfera cobria-se totalmente de massas negras de fumaça, impedindo localizar os alvos. Agravava a situação dos atacantes a intensidade do fogo antiaéreo, cada vez mais forte.

 

Depois do regresso da primeira onda de aviões, chegou a segunda. Foram 171 aparelhos ao todo. O segundo grupo atacou por espaço de uma hora. Bateu, sem interrupção, os alvos já castigados pela primeira onda e outros que escaparam incólumes.

 

Porém, sofreu em maior grau as conseqüências do fogo antiaéreo, cada vez mais intenso e preciso. Pelas 10 horas da manhã, a segunda onda atacante empreendeu sua retirada aos porta-aviões. O avião de Fuchida, antes de distanciar-se voou em círculos sobre Pearl Harbor, colhendo muitas fotos da zona e, em seguida partiu.

 

Nos porta-aviões, todavia, as máquinas estavam sendo reabastecidas para novas saídas. Fuchida, depois de parar seu aparelho na coberta do Akagi, apresentou-se imediatamente ao Almirante Nagumo, a fim de apresentar-lhe seu relatório, solicitando-lhe permissão para efetuar nova incursão. Contudo, Nagumo, não duvidando, negou-se e ordenou a retirada. Mais tarde, as bandeirolas de sinais indicavam a partida. A frota completa tomou o rumo do norte e distanciou-se a toda velocidade.

 

O desastre da frota americana

 

Nesta altura dos acontecimentos, enquanto a frota japonesa se distanciava triunfante do teatro da luta, em Pearl Harbor, coberto por densas nuvens de fumaça negra, o comando americano fazia o reconhecimento das perdas irreparáveis. Cerca das 10 horas do dia 7 de dezembro de 1941, a situação das naves dos Estados Unidos, em Pearl Harbor, era a seguinte:

Encouraçados: Arizona: Perda completa, por explosão do paiol de proa. Oklahoma: Perda completa. Tombado e afundado no porto. Depois, foi porto a flutuar para desimpedir o porto e voltou a ser afundado fora da ilha de Oahu. California e West Virginia: Afundaram sem virar, com a ponte de comando à flor da água. Muito depois foram postos a flutuar e reparados, voltando ao serviço ativo. Nevada: Semi-afundado, foi encalhado para impedir sua perda em águas profundas. Logo foi reparado e voltou ao serviço ativo. Pensilvânia, Maryland e Tennessee; Todos danificados, sem gravidade.

Cruzadores: Helena, Honolulu e Raleigh: todos danificados. Reparados, voltaram à ativa.

Destróieres: Dois irremediavelmente danificados. Dois outros reparados posteriormente e em serviço ativo

Navios auxiliares: Um navio de aprovisionamento de hidroaviões e um navio-oficina danificados e reparados, já postos em serviço.

Utah: Encouraçado afastado do serviço, usado como alvo, afundado no seu ancoradouro.

 

No que diz respeito à força aérea americana, ascendeu a 202 o número de aviões destruídos. As baixas do pessoal militar dos Estados Unidos foram as seguintes: Total de mortos,  3.303. Total de feridos: 1.272. Baixas totais: 4.575. As perdas japonesas totalizaram 28 aviões e três pequenos submarinos de 40 toneladas, cada um.

 

O ataque a Pearl Harbor marcou um êxito para as armas japonesas. A frota americana sofreu um rude golpe e tardaria a recuperar-se. Era o momento da ação e o Japão soube aproveitá-lo. Sem perder um instante, seus exércitos lançaram-se à conquista do sudeste asiático.

 

Os Estados Unidos declaram guerra

 

Pouco depois das 14 horas do dia 7 de dezembro de 1941, as emissoras comerciais dos Estados Unidos transmitiram os primeiros comunicados sobre o ataque japonês. A notícia, inesperada, causou grande comoção na população civil americana e despertou violenta reação no sentido de responder ao golpe. Imediatamente, sem esperar o chamado, dezenas de milhares de homens solicitaram voluntariamente sua incorporação às fileiras das forças armadas. Uma frase, repetida mil vezes, correu como rastilho de pólvora por todo o território americano: “Lembrem-se de Pearl Harbor...”

 

No dia seguinte, segunda-feira, 8 de dezembro, os jornais de todo o país publicaram os detalhes do devastador ataque japonês. Logo depois do meio-dia realizou-se uma sessão conjunta das duas câmaras, no Capitólio de Washington. As galerias, lotadas de público, aguardavam com ansiedade, o resultado da reunião. Decidia-se ali o destino da nação. Sua segurança e seu futuro. O Presidente Roosevelt entrou no recinto sob calorosos aplausos. Lentamente se dirigiu para a tribuna. Um silêncio total se fez no amplo salão.

 

Roosevelt iniciou o seu discurso com uma frase de enérgica condenação pelo traiçoeiro ataque. Disse o presidente: “Ontem, 7 de dezembro de 1941, uma data que viverá na infâmia, os Estados Unidos da América foram repentina e deliberadamente atacados por forças navais e aéreas do Império do Japão”.

 

Após descrever os acontecimentos, o Presidente Roosevelt declarou categoricamente: “Como comandante-em-chefe do exército e da Marinha, dei ordens para que se tomem todas as medidas para nossa defesa...”, frase que provocou uma calorosa ovação por parte do auditório. Interrompendo as aclamações, Roosevelt concluiu seu discurso dizendo: “Solicito que o Congresso declare que, a partir do momento em que se produziu o infame e não provocado ataque japonês, domingo, dia 7 de dezembro de 1941, existe um estado de guerra entre os Estados Unidos e o Império Japonês”.

 

Anexo

 

“Sou americano!”

Porta-aviões Enterprise. Nas proximidades de Pearl Harbor, em viagem de treinamento.

A 7 de dezembro, domingo, sua atividade reduzira ao máximo. Centenas de homens folgavam sobre a coberta, nas salas de diversão e nos seus compartimentos individuais. Mas, a bordo, nem tudo era calma. Vários aviões do Enterprise haviam decolado em vôo de patrulha e o destacamento de aterragem devia manter-se alerta, juntamente com os operadores de rádio, que mantém contato com os aparelhos em vôo.

Já passam das 6h30 e vários aviões devem retornar à sua base para serem rendidos. O oficial da coberta de aterragem indaga os dados da cabina de rádio: “Há contato com os homens em vôo?” Alguém responde que não, mas, que continuam esperando e chamando: - Aqui, Grande Pássaro Branco... Aqui, Grande Pássaro Branco... Chamando a Gaivota 1, Gaivota 2 e Albatroz 1... Aqui, Grande Pássaro Branco... Câmbio.

O operador faz um gesto e olha o relógio.

- É estranho - observa - Já são 6h45 e os aviões já deviam estar voando sobre as cobertas do barco.

- Aqui, Grande Pássaro Branco - recomeça o jovem, em tom indiferente, mas se interrompe bruscamente, Captara algo e alguma palavras em inglês. Frenético, manobra os controles de seu aparelho, aumentando o volume e a sintonia da voz. Com um gesto, chama a atenção do oficial da coberta, que se aproxima correndo.

De repente, em meio das interferências e zumbidos indefiníveis, volta a ouvir a voz: - Não atirem! Sou americano! Céus!

Depois o silêncio. O oficial e o radiotelegrafista, interrogam-se com um olhar. Mas ninguém compreendeu.

Eram 6h53 e o Tenente-de-Corveta Manuel Gonzalez, piloto da tripulação do Enterprise, acabava de ser derrubado pelos Zeros japoneses, que avançavam sobre Pearl Harbor.

 

 

“Tudo vai bem, não se preocupe”

A tela do radar alterou seu aspecto uniforme na parte superior direita. Foi um eco apenas visível, tênue e alto. Algo muito débil, porém real.

O cabo Joe Lockard cravou o olhar na tela e seguiu fascinado, o movimento do ponto luminoso. O eco parecia ziguezaguear  e, logo, tornou-se fixo. - Se há ecos, há aviões ou, pelo menos, devia haver - murmurou de si para si, o cabo Lockard.

Imediatamente manipulou os controles do radar e ficou absorto na contemplação da tela. Nervosamente, Lockard estendeu a mão até alcançar o telefone. Diante dele, novamente, o maldito eco. Discou três números e esperou. Uma voz cansada respondeu: - Central de controle...

Rapidamente, Lockard explicou o sucedido. A voz respondeu áspera, como se quisesse evitar incômodos com aquela espécie de informação. Aparentemente, era absolutamente impossível que houvesse aviões no ar e se houvesse, seriam americanos, claro.

O cabo pendurou o gancho do telefone e marcou as horas de seus relógio. Eram 7 da manhã.. De acordo com as instruções recebidas, aquela hora o aparelho devia cessar seu funcionamento. Lockard, sem mais demoras, desligou o radar e retirou-se da cabina. Estava fechando a porta, quando ouviu o telefone. Voltou e atendeu. Uma voz comunicou-lhe que até as 7h30 não iriam buscá-lo. “Mais meia hora neste buraco” pensou Lockard. Sentou-se e tornou a ligar o radar. “Pelo menos, contemplando aquele estranho eco não me aborrecerei”, pensou.

A tela iluminou-se e Lockard não pôde conter uma exclamação. A imagem já não era apenas um ponto visível, mas um eco perfeitamente definível, amplo, inconfundível, avançando em direção ao Havaí.

Uma nova chamada, obteve resposta semelhante à primeira: - Não se preocupe, tudo vai bem.

Minutos depois, uma esquadrilha em fila indiana, despencou-se sobre Pearl Harbor e começou a despejar suas bombas. Atrás dela, outras e outras mais.

Eram 7h58 do dia 7 de dezembro de 1941. O Japão acabara de atacar os Estados Unidos.

 

 

Yamamoto

“Washington, 17-4-43 - 15h35. Muito Secreto: Secretaria da marinha ao Controle de Caças Henderson. O Almirante Yamamoto, acompanhado do Chefe do Estado-Maior e sete oficiais generais da Marinha Imperial, entre eles o cirurgião chefe da grande frota, partiu de Truk, às 8 horas desta manhã, por via aérea, em inspeção das bases de Bougainville. O Almirante e sua comitiva viajarão nos Sally, escoltados por seis Zeke. Escolta e honra, provavelmente procedente de Kahili, com itinerário previsto de Rabaul Bucka às 16h30. O almirante pernoitará em Bucka e regressará ao amanhecer rumo a Kahili, estando a aterragem prevista para 9h45. Em seguida, o almirante embarcará numa caça-submarino em Balalle para inspeções de unidades navais, sob o comando do Almirante Tanaka. Esquadrão 939. Repito: 3,3,9, P-38 deve de qualquer maneira, esperar e destruir Yamamoto e seu Estado-Maior, na manhã de 18 de abril. Tanques suplementares, instruções e dados do tempo chegarão a 17 d abril à noite de Port Moresby. Informações acentuam a extrema pontualidade do Almirante Yamamoto. O Presidente confere grande importância a esta missão, cujos resultados deverão ser comunicados a Washington. Frank Knox. Secretário de Estado da Marinha.

Documento ultra-secreto, que não deve ser copiado, nem arquivado, mas, destruído depois da execução”.

Em 17 d abril de 1943, o telegrama do Secretário remetido ao Controle de Caças Henderson marcava o fim da vida de Yamamoto. Realmente, no dia seguinte, 18 de abril, em rápida e surpreendente ação, uma patrulha de 16 P-38, sob o comando do major Mitchell, derrubou o aparelho que conduzia o Almirante Yamamoto. Entre os destroços do avião incendiado, apareceu o corpo semicarbonizado do Almirante.

Isoroku Yamamoto, nasceu no ano de 1883. Desde pequeno destacou-se como aluno excelente e bom desportista. Seu amor pela vida ao ar livre levou-o a chegar na adolescência à escola naval, onde ingressou  em 1901. Em 1904, aos 21 anos, passou a integrar os quadros de oficiais da frota imperial. Um ano depois, em 1905, interveio na guerra russo-japonesa, sofrendo alguns ferimentos. Anos depois, em 1911, Yamamoto passou, como professor, para a Escola de canhoneiras. Em 1919 foi nomeado Membro do Gabinete do adido naval japonês, em Washington. Durante dois anos viveu nos Estados Unidos e estudou na universidade de Harvard. Ali, entre outras atividades, destacou-se como grande jogador de xadrez. Foi ali, também, que Yamamoto descobriu a aviação. Converteu-se em apaixonado admirador de Mitchell, o “profeta” dos aviões. Dedicou, então, todos os esforços para aperfeiçoar seus conhecimentos da aviação e problemas correlatos.

Em 1923 e 1924, realizou um giro pela Europa. Em 1924, foi promovido a Comandante e foi encarregado da instrução dos pilotos da Força Aérea Naval. Yamamoto devotou-se de corpo e alma e foi considerado como o verdadeiro fundador da Força Aérea Naval japonesa. Em 1928, foi nomeado comandante do porta-aviões Akagi e em 1931, comandante-em-chefe da 1a Esquadra e em 1932 comandante-em-chefe da Aviação naval. Nos anos que antecederam à guerra, Yamamoto se opôs tenazmente à aproximação com a Alemanha e manifestou, também, sua oposição à guerra. Em 1941, ordenou o ataque à Pearl Harbor, como comandante-em-chefe da 1a Esquadra. Dois anos depois, em 1943, a esquadrilha sob o comando do Major Mitchell, homônimo do grande Mitchell, que Yamamoto tanto admirava, o derrubou. Yamamoto morreu vítima da sua grande paixão: os aviões.

 

 

Uma hora antes

Pearl Harbor. 7 de dezembro de 1941. O torpedeiro Ward, em missão de patrulha, dirige-se à entrada do porto. Passa pelos grandes encouraçados ali ancorados e põe a proa na direção do mar aberto. De repente, sem explicações, muda o rumo e aumenta a velocidade. Agora, parece vacilante, pois ziguezagueva ao longo de centenas de metros. Inesperadamente, levantando grande coluna de água, detém-se. Chocara-se contra um obstáculo submerso a pouca profundidade. Os marinheiros inclinam-se sobre a borda, para ver de perto o objeto. Mas é tarde. Os restos afundaram. Tudo foi tão rápido, mas deu para ver claramente a nítida silhueta de um submarino de bolso japonês. Sua presença foi detectada pela esteira, o que fez ziguezaguear o Ward e acelerar a sua marcha até afundar a pequena embarcação japonesa. A tripulação perscruta infrutiferamente as águas. Não há sobreviventes, nem declarações. Mas, o que fazia a embarcação japonesa dentro do porto? Ninguém suspeitou. Logo saberiam. Eram 6h51 da manhã.

 

 

Os heróis americanos

Sobre o céu de Pearl Harbor, 354 aviões japoneses cruzaram os ares, semeando a morte. O ataque maciço e inesperado foi enfrentado por sete caças americanos, que decolaram todos por iniciativa pessoal de seus pilotos. A intervenção desse punhado de bravos não conseguiu impedir a ação mortífera dos bombardeiros japoneses. Derrubaram um total de 12 aviões japoneses, porém seis deles pereceram na luta. Foram os tenentes: Cristiansen, Whiteman, Bishop, Gordon Steling, Dains e Taylor. Apenas um sobrevivente: o Tenente Welshm, que derrubou quatro aviões japoneses. Cairia, dois anos   depois, derrubado por um Zero, três dias antes que o Congresso dos Estados Unidos lhe concedesse a Medalha de Honra, ganha naquele longínquo 7 de dezembro, em Pearl Harbor, e que lhe fora negada porque decolara contra os japoneses sem permissão.

A Medalha de Honra do Congresso foi-lhe concedida, mas já não havia ninguém para recebê-la.

 

 

Declarações de Roosevelt

“O repentino e criminoso ataque perpetrado pelos japoneses no Pacífico é o ponto culminante de uma década de imoralidade internacional. Poderosos e sem vergonhas bandoleiros uniram-se para fazer guerra a toda raça humana. Agora, lançaram o guante de desafio aos Estados Unidos da América do Norte.

“Os japoneses violaram traiçoeiramente a paz, que há anos reinava entre nossas nações. Muitos soldados e marinheiros americanos pereceram em conseqüência da ação dos inimigos. Foram afundadas naves americanas. Muitos aviões da União foram destruídos.

“Em 1931, o Japão, sem aviso prévio, invadiu a Manchúria.

“Em 1935, a Itália invadiu a Etiópia, sem aviso prévio.

“Em 1938, Hitler ocupou a Áustria, sem aviso prévio.

“Em 1939, Hitler invadiu a Checoslováquia, sem aviso prévio.

“Posteriormente, Hitler invadiu a Polônia, sem aviso prévio.

“Em 1940, Hitler invadiu a Noruega, Dinamarca, Holanda, Bélgica e Luxemburgo, sem aviso prévio.

“Em 1940, a Itália atacou a França e, posteriormente, a Grécia, sem aviso prévio.

“Em 1941, as potências do Eixo atacaram a Iugoslávia, a Grécia e dominaram os Balcãs, sem aviso prévio.

“Em 1941, Hitler invadiu a Rússia, sem nenhuma advertência.

“E agora, o Japão atacou a Malaia, a Tailândia e os Estados Unidos, sem aviso prévio.

“Tudo isto tem o mesmo patrocínio.

“Tenho a confiança de que todos conservaremos todas aquelas grandes causas espirituais, sem as quais não poderemos sair triunfantes. E repito que os Estados Unidos não podem aceitar outro resultado senão a vitória completa e final.

“Não só deve ser apagada a extrema vergonha da traição japonesa, como as fontes da brutalidade internacional, onde elas estiverem, devem ficar terminadas e completamente destroçadas.

“Lembremos, sempre, que a Alemanha e a Itália, apesar de não haver uma formal declaração de guerra aos Estados Unidos, neste momento, se consideram em guerra conosco da mesma maneira que se consideram em guerra com a Inglaterra ou a Rússia. E a Alemanha colocou todas as outras Repúblicas da América na categoria de inimigas.

“Esperamos eliminar o perigo japonês, porém de nada nos serviria se o conseguíssemos e descobríssemos que o resto do mundo se encontra dominado por Hitler e Mussolini.

“Ganharemos a guerra e a paz que a seguirá. Nestas horas obscuras deste dia - e através de outros dias obscuros que surgirão - saberemos que a grande maioria dos membros da raça humana está nosso lado. Muitos deles estão lutando conosco. Por representar a nossa causa, também, nós representaremos a deles igualmente. Nossa esperança e a esperança deles de liberdade estão sob a proteção do Altíssimo”.

 

 

Declaração de guerra

No dia 11 de dezembro de 1941, a agência oficial alemã Deutsche Nachrichten Büro anunciou: “O Ministro das Relações exteriores, Joachim von Ribbentrop, hoje, ao meio-dia, entregou uma nota ao Encarregado dos Negócios dos Estados Unidos, em que expressa que os Estados Unidos trocaram sua inicial neutralidade por ações abertas de guerra contra a Alemanha, criando, assim, um estado de beligerância.

“Por isso, a Alemanha rompe todas suas relações diplomáticas com os Estados Unidos e, devido às condições criadas pelo Presidente Roosevelt, a Alemanha se considera, desde hoje, em guerra contra os Estados Unidos”.

O Ministro das Relações Exteriores da Itália Conde Galeazzo Ciano, enviou ao Embaixador dos estados Unidos, Sr. Phillips, em Roma, a seguinte declaração: “Sua majestade, o Rei Imperador da Itália, comunica que a Itália encontra-se em guerra contra os Estados Unidos”.

 

 

Dez anos de tensão

O conflito entre o Japão e os Estados Unidos remonta-se ao começo da década anterior ao ataque de Pearl Harbor. Cronologicamente, os antecedentes são os seguintes:

18 de setembro de 1931: as tropas japonesas entraram em Mukden e começaram a apoderar-se do território, dando origem à formação do Estado títere de Manchukuo.

Em 27 de janeiro de 1932: as tropas japonesas desembarcaram em Xangai e se retiraram posteriormente. A influência japonesa aumentou na zona.

5 de novembro de 1936: o Japão aderiu ao pacto anti-Comintern.

7 de julho de 1937: um incidente entre as tropas chinesas e japonesas, nos arredores de Peiping, deu início à guerra sino-japonesa.

16 de julho de 1937: o Secretário do Departamento de Estado, Sr Cordell Hull, anunciou os 14 pontos da política externa dos Estados Unidos, base das negociações americano-japonesas.

12 de dezembro de 1937: aviões japoneses afundam a canhoneira americana Panay, resultando dois mortos.

30 de dezembro de 1938: os Estados Unidos enviam uma enérgica nota ao Japão, advertindo contra sua intromissão nos direitos americanos na China e oferecendo a realização de uma conferência.

26 de julho de 1939: os Estados Unidos anunciam que se propõem a ab-rogar o tratado comercial com o Japão.

27 de setembro de 1940: o Japão se alia ao Eixo.

12 de outubro de 1940: os Estados Unidos recomendam a seus cidadãos a evacuação do Japão e da China.

26 de julho de 1941: os Estados Unidos congelam os depósitos bancários japoneses.

28 de julho de 1941: as tropas japonesas começaram a ocupar a Indochina.

30 de julho de 1941: os Estados Unidos protestam contra o bombardeio japonês do Tutila

1o de agosto de 1941: o Presidente Roosevelt proíbe a remessa de gasolina ao Japão

4 de agosto de 1941: o Japão suspende o tráfego de navios aos Estados Unidos.

28 de agosto de 1941: o Presidente Roosevelt recebe propostas de paz do Primeiro-Ministro Konoye

A 15 de novembro de 1941: chega aos Estados Unidos o Sr. Kurusu, para cooperar com o Almirante Nomura

25 de novembro de 1941: os Estados Unidos recebe informações sobre as concentrações de tropas japonesas na Indochina.

26 de novembro de 1941: o Sr Cordell Hull entrega aos japoneses um documento formal, expondo os princípios básicos dos Estados Unidos e sua aplicação nos assuntos orientais.

2 de dezembro de 1941: o Departamento de Estado indaga dos propósitos do Japão a respeito das tropas concentradas na Indochina.

7 de dezembro de 1941: o Japão ataca Pearl Harbor e a ilha de Oahu e Manila

 

 

Plano Martin-Bellinger

Em agosto de 1941, dois militares americanos profetizaram com estupenda exatidão os ataques que os japoneses lançariam contra Pearl Harbor, três meses depois. Foram eles o General Frederick Martin, Comandante da Aviação nas ilhas do Havaí, e o Vice-Almirante Patrick Bellinger, Chefe da Defesa Aérea de Pearl Harbor. Naquela data os dois chefes apresentaram às autoridades militares de Washington extenso relatório, no qual expunham a maneira como os japoneses poderiam realizar um ataque de surpresa contra a estratégica base, esclarecendo as maneiras consideradas necessárias para frustrar a agressão. Desgraçadamente, este estudo, intitulado “Plano de Emprego da Aviação de Bombardeio na Defesa de Oahu”, não foi levado em consideração pelos chefes superiores do Exército e da Marinha.

O plano de Martin e Bellinger era o seguinte: a força de ataque japonesa conteria seis porta-aviões. Posto que a força em questão devia evitar sua avançada durante a marcha, viajaria pela rota do Grande Círculo (Pacífico Norte) e se aproximaria do Havaí pelo norte. O ataque, hipoteticamente, seria lançado ao amanhecer, a fim de que a força especial dispusesse da proteção da noite, durante a sua viagem, e ao aproximar-se do Havaí evitando em parte, assim, sua detecção. Os aviões japoneses decolariam de um ponto situado a não mais de 350 milhas do Havaí, significando que às primeiras horas da manhã do dia anterior ao ataque, a força especial japonesa estaria a 884 milhas do Havaí; navegando assim, um dia e uma noite a 27 nós, chegaria à distância de 350 milhas.

Esta foi, exatamente, a maneira como os japoneses realizaram os eu ataque de surpresa. Empregaram seis porta-aviões, desviaram-se da rota do grande Círculo, reuniram e abasteceram suas naves a 800 milhas do Havaí. Durante os dias 6  e 7 de dezembro de 1941, navegaram rumo a Pearl Harbor, a 26 nós. Ao amanhecer do dia 7 de dezembro, a uma distância de 200 milhas da base, os aviões decolaram e rumara ao objetivo. Em seu relatório, Martin e Bellinger propunham que se organizasse a defesa de Pearl Harbor com uma força de 180 bombardeiros quadrimotores B-17 e 36 aviões torpedeiros de grande raio de ação, a fim de interceptar a frota japonesa, antes que ela se aproximasse das ilhas do Havaí.

Assim, detalhavam o projeto: “A chave base deste plano baseia-se: primeiro, uma completa e consciente exploração da zona havaiana, durante o dia; uma força aérea ofensiva capaz de atacar o objetivo localizado pela exploração; terceiro, se o objetivo for um porta-aviões, atacá-lo antes do dia fixado para tomar posição diante de Oahu, de onde poderia lançar seus aviões ao ataque. Nossos principais estrategistas e táticos nesta guarnição estão de acordo que este plano resolverá a defesa das ilhas Havaí, e estamos convencidos de que é o único e o melhor modo para localizar porta-aviões inimigos e atacá-los, antes que possam chegar à distância de lançamento de Oahu. Devemos surpreender e atacar o inimigo antes que ele nos destrua. Devemos estar preparados convenientemente para o dia D. Considera-se que uma força de 180 aviões quadrimotores, com 36 torpedeiros de grande raio, é uma força pequena, se se compara com a importância desta possessão. Esta força poderá custar ao governo o preço inferior a um encouraçado”. Sem dúvidas, se o plano Martin-Bellinger tivesse sido adotado, outra seria a história do ataque a Pearl Harbor.

 

 

Mensagem de Roosevelt

“Na manhã do dia 11 de dezembro, o Governo da Alemanha, prosseguindo na sua política de dominação mundial, declarou guerra aos Estados Unidos. O que se sabia e se esperava fazia tempo sucedeu. As forças que se empenham em escravizar o mundo inteiro movem-se em direção deste Hemisfério. Nunca houve um repto maior à vida. A liberdade e à civilização.

“Toda a demora aumentaria o perigo. O esforço conjurado e rápido de todos os povos da Terra, que estão resolvidos a permanecer livres, assegurará a vitória mundial das forças da justiça e do direito sobre as forças do barbarismo e selvajaria.

“Também a Itália declarou guerra aos Estados Unidos.

“Solicito, portanto, que o Congresso reconheça a existência de estado de guerra entre os Estados Unidos e a Alemanha e entre os Estados Unidos e a Itália”.

 

 

O Tenente Iida

As forças japonesas acabam de consumar seu ataque contra a base de Pearl Harbor. Os componentes da primeira leva de aviões japoneses retiram-se para os porta-aviões. No horizonte perfilam-se os aviões da segunda leva.

Os caças, divididos em esquadrões, aproximam-se velozmente à ilha. À frente do 3o Esquadrão de caça voa o Zero do Tenente Iida. Acompanham-no nove aviões da sua formação.

A esquadrilha de Iida tem uma missão definida: metralhar o aeródromo de Kanoche. E para lá se dirige. Já está voando sobre o campo quando é interceptado por cinco ou seis aviões inimigos. Os Zeros travam combate e derrubam todos os contra-atacantes.

A artilharia antiaérea, no entanto, não permanece inativa. As baterias, em rápida sucessão, abrem fogo contra os aviões japoneses. Uma cortina de balas se forma contra os aviões japoneses. Estes, realizando arriscadas manobras, tratam de iludir o fogo antiaéreo. Mas um deles não consegue. E é alcançado em uma parte vital; os tanques de combustível. Trata-se do avião do Tenente Iida.

A gasolina corre pelas asas e pela fuselagem. Os tanques se esgotam rapidamente. O avião de Iida tem poucos minutos de vôo. Mas o tenente japonês não se retira do combate, como supõem seus companheiros. Permanece voando em círculos sobre a zona de luta até que o último dos aparelhos de sua esquadrilha se distancia e se perde no horizonte, cumprindo suas ordens.

Depois de comprovar que seus homens estão a salvo, Iida, sem combustível, perde altura e desce para o aeroporto. Encontra-se a pouca altura quando, imprevistamente, o aparelho volta-se para baixo e cai pesadamente. Pouco depois é uma massa de metal, retorcido e calcinado. O Tenente Iida tinha 27 anos. Cobriu seus homens até o último momento. E todos regressaram. Menos ele.

 

 

Voltar