A Queda de Cingapura
A queda de Hong Kong
Campanha da Malásia
Ataque a Cingapura
Marcha para o Sul Em seu gabinete de Tóquio, o Marechal Sugiyama, Chefe do Estado-Maior do Exército Imperial, aguarda ansiosamente o sinal que porá em marcha o ataque japonês no sudeste asiático. São 3 horas da manhã do 8 de dezembro de 1941 (7 de dezembro no Ocidente). Exatamente, às 3h11, um oficial de comunicações irrompe na sala e com a voz embargada pela emoção, pronuncia uma só palavra: Tora. Sugiyama põe-se de pé e pega o telefone. Logo depois, uma voz lhe responde no outro extremo da linha. Sugiyiama exclama: Tora, Tora! é a contra-senha enviada pelo Almirante Nagumo do porta-aviões Akagi, que anuncia o êxito do ataque de surpresa contra a base americana de Pearl Harbor. A guerra acabou de começar. A postos em seus barcos e posições de assalto, as tropas dos cinco exércitos japoneses esperam a ordem. O Marechal Terauchi, Comandante-em-Chefe das forças, recebe a mensagem de Sugiyama e, imediatamente, retransmite-a a seus oficiais. O 25o Exército do General Yamashita, o 14o do General Homma, o 15o do General Hita e o 16o do General Imamura, bem como o 23o do General Sakai, atacarão sem perda de tempo, os territórios da Malásia, Filipinas, Tailândia, Índias Orientais Holandesas e Hong Kong. Os soldados do General Yamashita zarparam dos portos da Indochina na manhã de 4 de dezembro (hora de Tóquio). São 25.000 homens, perfeitamente treinados para a luta nas selvas, apoiados por fortes unidades blindadas. A frota de invasão avistada três dias depois no golfo do Sião por aviões aliados, dirige-se a todo pano para a costa norte da península malaia. A notícia de deu deslocamento chega a Washington e a Londres e às bases britânicas de Hong Kong e Cingapura. Na noite de 7 de dezembro (hora de Tóquio), as tropas inglesas que defendem aqueles portos encontram-se já em armas e prontas para enfrentar o assalto. |
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Cai Hong Kong Agrupados em suas posições de assalto, os soldados do 23o Exército do General Sakai observam, na madrugada de 8 de dezembro, as posições fortificadas dos britânicos na península de Kowloon. Mais adiante, do outro lado da estreita baía, ergue-se a imponente baía de Hong Kong. Este velho baluarte do poderio inglês será a primeira presa conquistada pelas tropas do Exército imperial. Com fanática decisão, os japoneses carregam as baionetas contra as linhas inglesas, apoiados no ar pelas esquadrilhas de Zero e bombardeiros de picada. Para enfrentá-los, os britânicos contam apenas com uma reduzida força de seis batalhões e um grupamento de combatentes voluntários recrutados entre os habitantes europeus da colônia. No total somam uns 10.000 homens. Durante um par de dias de combate encarniçado em Kowloon, os japoneses redobram seus ataques e, mediante audaz golpe de mão, conseguem tomar o reduto de Shingmunn, ponto-chave das posições fortificadas britânicas. Um grupo de infantes sobe pelas escarpas do baluarte, desafiando o fogo dos fuzis e metralhadoras e, lançando granadas pelas aberturas dos atiradores, aniquila seus defensores. Pelo dia 13 de dezembro, os últimos soldados ingleses abandonaram Kowloon. Sakai e seus homens são donos absolutos da península. Na ilha de Hong Kong, o governador britânico Sir Mark Young e o Major-General Maltby, chefe da guarnição, aprestam-se para sustentar a última resistência. Rapidamente, distribuem armas aos soldados ao longo da costa. Não há um só minuto a perder, pois os japoneses podem tentar o assalto a qualquer momento. Sakai, contudo, demora o ataque. Está convencido de que os ingleses não prosseguirão na luta sem esperança para eles. Na manhã do dia 13, envia em uma lancha o Coronel Tokuchi Chada, com a missão de intimar o governador a depor as armas. Entretanto, Young recusa de imediato a intimação. Sakai resolveu, então, não esperar mais e no dia 18 de dezembro termina a concentração de sua artilharia sobre a margem e rompe fogo devastador contra Hong Kong. Ao cair da noite, os três regimentos de elite da veterana 28a Divisão do General Tadayoshi Sano cruzam a baía em centenas de lanchas, botes de borracha e conseguem desembarcar no extremo noroeste da ilha. Todavia, a operação custou aos japoneses perdas sangrentas. As tropas britânicas aferraram-se a suas posições e defenderam palmo a palmo o terreno de Hong Kong, mas não conseguiram impedir que os japoneses estabeleçam a cabeça de ponte. No dia seguinte, a metade da ilha já estava em mãos japonesas. A luta torna-se cada vez mais violenta. Em rápida penetração, as tropas de Sakai conseguem dividir as forças inglesas. O grosso, integrado por 5.000 homens, fica cercado na cidade de Vitória, capital da colônia. Outros 2.500 soldados são agarrados no extremo sul da ilha, na península de Stanley. Os ingleses, contudo, continuam oferecendo resistência. Finalmente, às 3 horas da tarde do dia 25 de dezembro, o General Maltby decidiu por fim ao sacrifício de seus homens, ordenando-lhes a deposição de suas armas. Assim, terminou a batalha de Hong Kong. Desembarque em
Singora Quatro horas da madrugada do dia 8 de dezembro. No céu de Cingapura rugem os motores dos aviões japoneses. Orientando-se pelas brilhantes luzes da cidade, as esquadrilhas cumprem sua tarefa mortífera, implacavelmente. Foi a primeira ação e os danos causados não chegaram a ser graves. Alguns edifícios destruídos, 63 civis mortos e 133 feridos. Porém, logo os ataques voltarão a se repetir e Cingapura conhecerá em toda a sua fúria o poder destruidor da força aérea japonesa. No norte, sobre as costas selvagens da península malaia, as forças do General Yamashita já iniciaram o desembarque e envolvem os destacamentos britânicos que defendem os portos de Singora e Kota Bharu. Começou, assim a marcha para o sul. Yamashita está resolvido a cobrir os 1.000 km de selva que o separam de Cingapura, num prazo não maior de 100 dias. Sem dúvida alguma. É uma empresa praticamente irrealizável, mas o enérgico chefe japonês, vencendo todos os obstáculos, levará a cabo a façanha. Depois do desembarque em Singora, os japoneses trabalharam febrilmente na construção de dois aeródromos, que servirão de base às esquadrilhas que até esse momento operam das longínquas costas da Indochina. Em poucos dias o trabalho terminou e já podem pousar os aviões. Daí em diante, Yamashita conta com uma superioridade avassaladora e dá início à sua “campanha-relâmpago” na selva. Duas divisões hindus se interpõem em seu caminho e, mais ao sul, uma divisão australiana comandada pelo General Gordon Benett mantém-se na reserva, na expectativa de novos desembarques. Numericamente as forças britânicas são superiores, mas sem experiência de combate e sem dispor de tanques. Os japoneses, todavia, são em sua maioria veteranos soldados da guerra da China e contam com o apoio de muitas unidades blindadas. Yamashita saberá aproveitar a fundo dessa vantagem. Rapidamente, traça seu plano de operações. Escolhe um batalhão de tropas selecionadas, concentra seus tanques, sua artilharia motorizada e se lança adiante na direção do rio Perak, situado a 350 km ao sul de Singora. Esta cunha mecanizada abre caminho ao grosso das forças japonesas, que se deslocam em marcha forçada pelos caminhos da selva. Os tanques avançam em coluna cerrada pelas estradas, semeando o pânico nos soldados hindus, a maioria dos quais jamais vira um veículo blindado. A resistência britânica esboroa-se e começa a retirada na direção do mar. Yamashita incita seus homens a manter com ímpeto a perseguição. Na marcha, improvisa sua célebre tática da confusão. É um engenhoso recurso que rende extraordinários resultados. Os grupos japoneses de vanguarda adiantam-se às forças britânicas em retirada e cruzam as pontes antes que sejam destruídas. Assim, infiltrando-se permanentemente à retaguarda, os japoneses conseguem desarticular uma após outra as linhas de resistência, que os britânicos tentam organizar. O avanço, então adquire vertiginoso ritmo. Pelo dia 11 de dezembro, os destacamentos batedores japoneses se encontram frente à localidade de Jitler, situada nas margens do rio Perak. Em 4 dias percorreram 350 km. O fim do “Prince
of Wales” Na noite de 8 de dezembro, o gigantesco encouraçado Prince of Wales abandona o porto de Cingapura, juntamente com o cruzador de batalha Repulse e os destróieres Express, Electra, Vampire e Tenedos. A reduzida frota, comandada pelo Almirante Phillips, de proa para o norte, perdeu-se na amplidão. Seu objetivo: atacar as naves japonesas que estão desembarcando tropas em Singora e Kota Bharu. Desprezando as advertências dos chefes navais de Cingapura, Phillips resolveu lançar-se ao ataque, apesar de não contar com apoio aéreo para proteger suas naves contra as esquadrilhas japonesas estacionadas nos aeródromos da Indochina. Às 13h45 do dia 9, a frota já havia percorrido a metade do caminho e navegava ao abrigo de um céu coberto de espessas nuvens. Tudo parecia indicar que conseguiria alcançar seu objetivo, sem ser pressentida. Contudo, naquele exato momento, as naves foram avistadas pelo submarino I-56, cujo comandante transmitiu imediatamente o alerta ao Contra-Almirante Sadaichi Matsunaga, chefe da 22a Flotilha Aérea baseada em Saigon. Sem demora, Matsunaga ordenou aos seus pilotos o ataque aos barcos ingleses. Com febril entusiasmo, as tripulações, mecânicos e armeiros preparam os aparelhos, carregam as bombas e os torpedos. Minutos depois, as primeiras esquadrilhas levantaram vôo rumo ao sul, precedidos por aviões de exploração. A caça começara. Durante muitas horas os aviões patrulharam as águas do golfo do Sião, sem encontrar sinais dos navios. Finalmente, ao esgotar o combustível regressaram à sua base. Na manhã seguinte, a busca reiniciaria com mais intensidade. Entretanto, a frota britânica empreendera seu regresso a Cingapura. Às 21 horas, os vigias avistaram três aviões, que acreditaram ser japoneses (eram aviões de patrulhas aliadas) e o Almirante Phillips, convencido de que a esquadra japonesa em Singora seria alertada e escaparia, decidiu suspender o ataque. Horas depois, o Almirante recebeu uma mensagem urgente de Cingapura, anunciando que as forças japonesas realizaram um novo desembarque na localidade de Kuantã. Sem vacilar, Phillips ordenou aos seus navios rumar para aquele porto. Nesse momento o submarino japonês I-58 navegava, também, para Kuantã e cruzou com a frota britânica. O comandante deu a notícia do encontro à base de Saigon e disparou dois torpedos contra o Repulse, sem atingir ao alvo. Às 10h15 da manhã de 10 de dezembro, uma avião avistou através das nuvens os barcos ingleses. Assim, fixou sua exata posição. A caça dramática entrou, então, em sua etapa culminante. Às 11h07, soaram os alarmas no Repulse e a tripulação apressadamente tomou seu posto de combate. Do sul, a uma altura de 3.000 metros, aproximava-se uma esquadrilha de bombardeiros japoneses. O ataque foi fulminante. Rompendo a barreira de fogo antiaéreo, os aviões convergiram sobre a nave e arrojaram suas bombas. O Repulse estremeceu, envolto em fumaça e nas gigantescas colunas de água provocadas pelas explosões. Entretanto, apenas uma bomba atingira o alvo. Cinco torpedeiros Mitsubishi picaram sobre o Prince of Wales e conseguiram acertar dois impactos. O navio, com duas de suas hélices inutilizadas, perdeu a velocidade e inclinou-se bastante para um dos lados. O Capitão Tennant, comandante do Repulse, enviou imediatamente um sinal ao encouraçado, indagando a magnitude de seus danos. Não recebeu, no entanto, nenhuma resposta. Insistiu repetidas vezes, sem obter nenhuma resposta. Sem hesitar, resolveu aproximar-se do Prince of Wales para oferecer-lhe ajuda e reduziu a 20 nós a velocidade de sua nave. Naquele momento, uma esquadrilha de torpedeiros lançou-se ao ataque. Seis aviões, rompendo a formação, viraram bruscamente na direção do Prince of Wales e outros três aparelhos lançaram-se sobre o Repulse. Não havia possibilidade alguma de escapatória. Na imensidão do mar, as duas enormes naves ofereciam-se como alvo perfeito. Um torpedo atingiu em cheio o Repulse e outros três fizeram impactos contra o Prince of Wales. Desafiando a mortífera cortina de projeteis estendida pelas baterias antiaéreas dos navios britânicos, os aviões japoneses repetiram seus ataques. Outros quatro torpedos alvejaram o Repulse em ambos os lados e o barco perdeu a direção. O Capitão Tennant compreendeu que o fim havia chegado e ordenou que a tripulação abandonasse o navio. Sem temores e sem pressa, os homens do Repulse alinharam-se sobre a coberta inclinada e começaram a se lançar ao mar. Tennant permaneceu na ponte de comando, resolvido a sucumbir com seu navio. Seus oficiais recorreram à força e conseguiram impedir seu intento. Às 12h33 o Repulse virou e dois minutos após desapareceu sob as ondas. O Prince of Wales não tardaria a segui-lo. Alcançado por cinco torpedos, recebeu o golpe de misericórdia de uma bomba em plena coberta. Correndo risco supremo, o destróier Express diminuiu sua marcha e aproximou-se do encouraçado em chamas, para recolher os feridos. O Almirante Phillips, acompanhado do Capitão Leach, da ponte, dirigiu, serenamente, a evacuação de seus homens. Em cima, nos céus, os aviões japoneses começaram a reagrupar-se para novo ataque. Contudo não foi necessário consumá-lo. Sacudido por violentas explosões internas, o gigantesco encouraçado começou a submergir. Phillips, então, ordenou aos últimos tripulantes que permaneciam ao lado dos canhões, que se atirassem ao mar. Às 13h19, o Prince of Wales foi, finalmente a pique, provocando gigantesco redemoinho. Phillips e Leach, fiéis às tradições marítimas, sucumbiram junto de seus navios. “Blitzkrieg” na
selva Agrupados na escuridão, os soldados japoneses armados de fuzis e baionetas, em silêncio, aguardam a ordem de ataque. Tem apenas uma ordem: triunfar ou morrer. Aqueles homens compõem o corpo suicida, com o qual Yamashita resolveu abrir caminho diante das forças britânicas localizadas à margem do rio Perak. A referida unidade era composta de uma companhia de infantaria, duas seções de engenharia, 10 tanques e dois canhões de campanha. Yamashita determina ao chefe da coluna suas últimas instruções e o assalto se inicia. Avançando rapidamente através dos seringais, os infantes caem sob o fogo de uma dezena de canhões e sofrem terríveis perdas. Os sobreviventes, apoiados pelos tanques, continuam avançando. No transcorrer do dia, os britânicos lançam violentos contra-ataques. A coluna japonesa foi praticamente aniquilada, porém realiza sua missão, a brecha está aberta e por ela precipitam-se os regimentos, anulando toda oposição. A resistência diante do rio Perak desmorona-se e os britânicos começam aceleradamente a retirada para a outra margem do rio. Depois de fulminante vitória, Yamashita resolveu não realizar um ataque frontal contra as posições inimigas, porém manda trazer do porto de Singora dezenas de botes e lanchas de desembarque, a fim de deslocar pelo mar as suas tropas na retaguarda das linhas britânicas. A audaz manobra surte pleno êxito. Na noite de 2 de janeiro de 1942, os soldados japoneses desembarcam de surpresa nas praias do sul da desembocadura de Perak e infiltram-se pelas costas das forças hindus, que defendem o rio. Na iminência do perigo de ver-se cercado, o General Heath, chefe dessas unidades, ordena a retirada geral para o sul. Nada detém o avanço japonês. No rio Slim, os britânicos tentam levantar uma nova frente e concentram a totalidade de seus efetivos das 9a e 11a divisões hindus. Yamashita manda suas tropas atravessar o rio no setor defendido pelas duas brigadas da 11a divisão. Iniciará o ataque com um regimento de infantaria, comandado pelo Coronel Ando, apoiado por duas companhias de tanques e uma seção de sapadores. Um jovem comandante da unidade blindada propõe a Ando lançar os tanques como ponta de lança, em ataque de surpresa noturno. Ando aceita o temerário plano e dispõe que o ataque seja iniciado à meia-noite. A 7 de janeiro, na hora determinada, a coluna se põe em movimento. Sob as ordens do Comandante Shimada, 17 tanques pesados e três leves avançam com velocidade reduzida pela estrada estreita. Adiante, em frente das linhas britânicas, 20 sapadores, protegidos por 80 soldados, rápidos, dinamitam os obstáculos que obstruem a rota. Os tanques se deslocam e arremetem contra as posições britânicas. Atrás correm acelerados os infantes. O tanque de Shimada atravessa uma linha de cerca de arame farpado, e, disparando à queima-roupa contra as trincheiras hindus, acelera a marcha. Um blindado japonês é atingido por um canhonaço, mas os restantes continuam avançando. De repente, surge na estrada uma coluna motorizada inimiga. Os tanques alinham seus canhões e a um só tempo rompem fogo, causando verdadeira carnificina. Sem deter sua marcha, os blindados de Shimada continuam disparando à esquerda e à direita, espalhando a morte e o pânico nas fileiras indianas. No dia seguinte, a coluna cruza o rio Slim e continua sua penetração profunda na direção sul. Às suas costas a infantaria japonesa completa a ruptura, atacando os grupos de soldados indianos, que se retiram em meio de espantosa confusão. Naqueles instantes dramáticos, chegou à frente de luta o General Wavell, designado por Churchill e Roosevelt comandante-em-chefe de todas as forças aliadas, no sudeste asiático. Sem vacilar, Wavell ordena a retirada geral para o extremo sul da península malaia. No dia 10, os restos das brigadas indianas iniciam a retirada e, quatro dias depois, conseguem romper contato com as linhas avançadas japoneses, que as perseguiam implacavelmente. Ao terminar a batalha de Slim, Yamashita dá três dias de descanso às suas extenuadas tropas. A marcha incessante pelas selvas e os ininterruptos combates produziram grandes claros nas fileiras japonesas. Contudo, novos reforços chegam do porto de Singora. Os britânicos, por sua vez, inesperadamente, a 13 de janeiro, recebem auxílio. Desafiando os ataques da aviação japonesa, chega a Cingapura um comboio, que, transporta uma brigada indiana, outra britânica, canhões antiaéreos e antitanques e 51 aviões de caça Hurricane. A luta não demora a reativar-se. Os britânicos defendem uma nova barreira fluvial: a linha do rio Muar. Comanda as forças o general australiano Gordon Bennett, cuja 9a Divisão, mantida até aquele momento na reserva, haveria de bater-se com extraordinário heroísmo. Durante toda a semana conseguiram os britânicos deter o assalto das fantásticas tropas de Yamashita. Finalmente a frente se desmorona. Pelo flanco esquerdo a 45a Brigada indiana e dois batalhões australianos são cercados pelas tropas japonesas da divisão da Guarda Imperial. Durante vários dias as unidades sitiadas ofereceram resistência, mas foram praticamente dizimadas. Só 800 dos 4.000 soldados escaparam ao massacre. Em 23 de janeiro, o General Gordon Bennett realiza uma dramática conferência com seus oficiais. Os chefes das diferentes divisões expõem-lhe a desesperada situação em que suas tropas se encontram e solicitam-lhe que ordene a evacuação de todas as forças britânicas para a ilha de Cingapura. O combativo general australiano deseja prosseguir lutando, mas compreende que seus oficiais tem razão. É impossível deter o avanço japonês. Durante toda a noite do dia 31 de janeiro, as colunas dos esgotados soldados hindus, australianos e britânicos desfilam através da comprida ponte, que cruza o estreito de Johore. Na manhã seguinte chegam à ilha de Cingapura os últimos sobreviventes de um batalhão escocês, que marcham imperturbáveis ao compasso da música de suas gaitas. Segundos depois das 8 horas, detonam, então, as cargas demolidoras e a ponte voa feita em pedaços. A conquista de
Cingapura Em seu posto de comando do forte Canning, o General Percival, chefe da guarnição de Cingapura, estuda a defesa da ilha. As gigantescas fortificações que defendem a margem sul não podem prestar nenhum serviço, pois, o ataque japonês virá pelo norte, através do estreito de Johore. Percival resolveu resistir aos desembarques na praia e desloca a totalidade de suas forças, mais de 86.000 soldados, ao longo da costa norte. A 9a Divisão australiana e uma brigada indiana tomam a seu cargo a defesa do setor ocidental. No extremo deste estão localizadas as tropas da 11a Divisão hindu e a 18a Divisão britânica. Aparentemente, todas essas tropas constituem um poderoso exército. Contudo, na prática, são um agrupamento desordenado de tropas extenuadas, desprovidas de elementos blindados, apoio aéreo e armas antitanques. Yamashita, ao contrário, dispõe de quase 60.000 soldados perfeitamente equipados, centenas de tanques e absoluta superioridade aérea. Às 10h30 da noite de 8 de fevereiro de 1942, começou a batalha de Cingapura. Amparados pela escuridão centenas de lanchas, pontões, botes de borracha, carregados de soldados japoneses aproximam-se do extremo noroeste da ilha. Mais de 15.000 homens intervém no assalto. Para enfrentá-los naquele setor só havia 2.500 infantes australianos. Protegidos pelo fogo devastador das baterias localizadas na margem oposta do estreito, os japoneses desembarcaram e travaram encarniçada luta contra as tropas australianas. O combate prolongou-se toda a noite. Ao despontar do dia, os japoneses conseguiram consolidar sua cabeça-de-ponte e iniciaram sua penetração pela base aérea de Tengah e às 8 horas da manhã o aeródromo caía em suas mãos. Os britânicos, imediatamente, enviaram reforços, mas não conseguiram conter o avanço japonês. Na tarde do dia 10, as unidades de Yamashita aproximaram-se da localidade de Bukit Timah, onde se encontravam os principais depósitos de munições e abastecimentos dos ingleses. Naquele ponto travou-se um furioso combate. Durante 48 horas os australianos rechaçaram, um após outro, os fanáticos assaltos japoneses. Mas sua resistência não podia durar. Acossados pelo fogo da artilharia, bombardeiros de picada e tanques, os australianos retiram-se para os subúrbios de Cingapura. Na cidade a situação era desesperadora. Os bombardeiros japoneses atacavam incessantemente, faltava água, milhares de feridos jaziam amontoados nos hospitais e igrejas. O fim estava próximo. O General Percival enviou uma dramática mensagem ao General Wavell, instalado em seu posto de comando em Java, assinalando a impossibilidade de continuar a resistência naquela espantosa condição. Seguindo as instruções terminantes dias antes dadas por Churchill, Wavell respondeu a Percival incitando-o a prosseguir na luta até o último soldado. Entretanto, em Londres, Churchill compreendeu a inutilidade de prolongar por mais tempo o heróico sacrifício dos defensores de Cingapura. Em 14 de fevereiro enviou um cabograma a Wavell, autorizando-o a permitir a Percival a rendição da praça. No dia seguinte, Wavell enviou uma mensagem a Percival, comunicando-lhe que, a partir daquele momento, estava em suas mãos decidir a oportunidade de por fim à luta. No dia 15, Percival recebeu a notícia de que o sistema de águas correntes deixara de funcionar. Só restavam reservas de água potável para 24 horas. Imediatamente reuniu seus oficiais e comunicou-lhes que se propunha a iniciar, nessa mesma tarde, as negociações da rendição. Naquele preciso instante, chegava a mensagem de autorização de Wavell. Já não havia obstáculo para dar por terminada a tragédia de Cingapura. Às 16h45, Percival dirigiu-se às linhas japonesas, onde foi recebido pelo Tenente-Coronel Sugita, que o conduziu ao prédio da fábrica de automóveis Ford, situada ao norte da localidade de Bukit Timah, onde Yamashita instalara seu posto de comando. Depois de trocarem fria saudação, ambos os chefes iniciaram as discussões para o cessar fogo. Yamashita exigiu rendição imediata e incondicional. Percival tentou adiar sua decisão para o dia seguinte, mas teve de ceder diante da irredutível atitude do chefe japonês. Às 19h50 do dia 15, a ata da capitulação foi assinada. Uma hora depois, cessou a luta em todas as frentes. Pouco depois, no topo do forte Canning, os soldados japoneses içaram a bandeira vermelha e branca do Império do Sol Nascente. A última tragédia Dois dias antes da rendição da fortaleza de Cingapura, o Ministro de Informação da colônia Sir Robert Scott, obedecendo a ordens do governo de Londres, organizou um comboio, empregando todas as embarcações ainda disponíveis, para evacuar cerca de 3.000 civis, oficiais do Estado-Maior, enfermeiras e técnicos, e transportá-los às Índias Orientais Holandesas. A multidão de refugiados juntou-se nos cais. Centenas de automóveis dirigiram-se para o porto à procura de navios salvadores. Milhares de pessoas de todas condições lutavam para conseguir um lugar nos barcos prontos para zarpar. Juntavam-se à multidão muitos soldados que haviam abandonado a frente e tratavam de salvar a vida. À distância, mas já próximos, os japoneses redobravam seus encarniçados ataques contra os extenuados defensores. A queda da cidadela podia ser questão de horas. Ao anoitecer e após um intenso bombardeio da aviação japonesa, a flotilha pôs-se ao mar. Em um dos navios abandonou também o porto, o Almirante Speener, chefe das forças navais de Cingapura e o Vice-Marechal do ar Pulford, comandante da aviação. Durante toda a noite, os barcos e lanchas de todos os tipos navegaram em confusa formação. Seu rumo eram as costas da Sumatra. Ao chegar o dia sobreveio a tragédia. No horizonte ouviu-se o surdo rugir dos motores. Centenas de refugiados olharam ansiosamente à distância e avistaram as esquadrilhas de bombardeiros japoneses que se aproximavam em vôo rasante, em direção à flotilha. Simultaneamente, ameaçadoras silhuetas apareceram no horizonte; era uma formação de destróieres japoneses, que se dirigia a Sumatra, escoltando um comboio de invasão. Minutos depois a catástrofe se abatia sobre os fugitivos. Os aviões japoneses, sobrevoando a flotilha, descarregaram uma chuva de bombas. Suas metralhadoras, além disso, semearam a morte nos tombadilhos dos navios. Os destróieres, por sua vez, aproximaram-se a todo vapor e começaram a apresar as embarcações e bombardear as que pretendiam fugir. O navio em que viajava o Almirante Speener e o Vice-Marechal Pulford consegui iludir seus perseguidores e buscou refúgio numa pequena ilha. Os dois chefes britânicos, junto com 45 camaradas, desceram em terra e esconderam-se na floresta. Ali os esperava um terrível destino. Sem alimentos e atacados pela malária, foram caindo um a um. Somente oito salvaram-se, dirigindo-se a Sumatra em uma embarcação nativa. Ali caíram em mãos dos japoneses. Anexo O “Petrel” Xangai. 8 de dezembro de 1941.
5h30 da manhã. A cidade vive o nervosismo dos instantes prévios da ação
militar. As forças japonesas quase sem encontrar resistências, ocuparam parte
da cidade. Vários barcos de guerra japoneses, entretanto, aproximam-se do
cais. Ali, a única força aliada em condições de resistir são dois pequenos
navios de guerra: a canhoneira Wake, de bandeira americana, e o inglês
Petrel. À luz da manhã, vários
destróieres japoneses aproximam-se pelo rio. Por terra, além disso, forças de
infantaria e artilharia toma posições para atacar os barcos aliados. À distância, os barcos
japoneses preparam os canhões. Ancorados, diante do cais, os dois navios
oferecem-se como alvos excelentes. Da coberta de um dos navios japoneses, o
guarda-costas Idumo, um marinheiro faz rápidos sinais com duas bandeirolas.
Usa o código internacional e sua mensagem é lacônica: “Exigimos rendição
imediata à Armada Imperial”. Nos dois pequenos barcos dão-se breves
confabulações. A situação é clara: estão sós, quase desarmados, diante de uma
força numerosa e superiormente armada. Resistir seria condenar-se à morte
inevitável. Resta um caminho, salvar, pelo menos, os homens. Na canhoneira
americana Wake a decisão é imediata: rendição. Um marinheiro agita as
bandeirolas regulamentares e comunica a resposta. Imediatamente, de um dos
navios japoneses saem várias lanchas
tripuladas por algumas dezenas de combatentes japoneses. Instantes depois,
abordam o Wake e arreiam a bandeira americana. Duzentos metros mais
longe, contemplando a cena, o Tenente Pokinborne, da reserva, um inglês de 60
anos, comandante da canhoneira Petrel, compreende que talvez chegou o momento
final de sua vida. Decide, simplesmente, responder ao ultimato japonês, mas
usa suas bandeiras como sinais. Grita uma ordem e seis marinheiros
precipitam-se sobre as duas únicas metralhadoras, que constituem todo o
armamento do barco. A armas giram sobre seus reparos e apontam para os navios
japoneses. Pokinborne, depois de um instante de silêncio, murmura uma palavra
e, gravemente, ajoelha-se sobre a coberta. Os metralhadores, sem vacilar,
abrem fogo. Pokinborne, sacando suas pistolas do regulamento, esvazia a
carga, apontando para o navio japonês mais próximo. As naves japoneses, sem
esperar um segundo, respondem ao fogo com todos os seus canhões, Momentos depois, tudo
terminou. O Petrel, praticamente destroçado, afunda rapidamente. Entre seus
restos, os corpos de seus tripulantes perdem-se no fundo do rio. A Frota Japonesa (t = toneladas) Comandante em chefe:
Almirante Yamamoto Chefe do Estado-Maior:
Almirante Ugaki Primeira Frota 1a Divisão de
encouraçados Nagato (43.600 t) - Mutsu
(43.600 t) 2a Divisão de
encouraçados Ise (38.700 t) - Hyuga
(36.600 t) - Fuso (36.600 t) - Yamashiro (39.200 t) 3a Divisão de
encouraçados Kongo (36.600 t) - Haruna
(36.600 t) - Kirishima (36.600 t) - Hiei (36.600 t) 6a Divisão de
cruzadores Aoba (7.100 t) - Kinugasa
(7.100 t) - Kako (7.100 t) - Furutaka (7.100 t) 1a Frotilha de
cruzadores ligeiros Abukuma (5.200 t) 3a Frotilha de
cruzadores ligeiros Sendai (5.200 t) 3a Divisão de
porta-aviões ligeiros Hosho (7.500 t) - Zuiho (11.200 t) Segunda Frota 4a Divisão de
cruzadores pesados Atago (9.800 t) - Takao
(9.800 t) - Chokai (9.800 t) - Maya (9.800 t) 5a Divisão de
cruzadores pesados Myoko (10.000 t) - Nachi (10.000 t) - Haguro (10.000 t) 7a Divisão de
cruzadores pesados Kumano (8.500 t) - Suzuya (8.500 t) - Mogami (8.500 t) - Mikuma
(8.500 t) 8a Divisão de
cruzadores pesados Tone (8.500 t) - Chikuma (8.500 t) 2a Frotilha de
cruzadores ligeiros Jintsu (5.200 t) 4a Frotilha de
cruzadores ligeiros Naka (5.200 t) Terceira Frota 16a Divisão de
cruzadores pesados Ashigara (10.000 t) -
Nagara (10.000 t) - Kuma (10.000 t) 5a Frotilha de
cruzadores ligeiros Natori (5.900 t) 12a Divisão de
porta-aviões Kamikawa-Maru
(porta-hidroaviões) Sanyo-Maru
(porta-hidroaviões) 6a Frotilha de
submarinos Chogei (navio-mãe) Primeira Esquadra Aeronaval 1a Divisão de
porta-aviões Akagi (26.900 t) - Kaga (26.900 t) 2a Divisão de
porta-aviões Soryu (15.900 t) - Hiryu (15.900 t) 4a Divisão de
porta-aviões ligeiros Ryujo (8.000 t) - Shoho
(11.200 t) - Kasuga Maru 5a Divisão de
porta-aviões Zuikaku (25.700 t) - Shokaku (25.700 t) Tora! 8 de dezembro de 1941. Malásia.
Várias embarcações de todo tipo balançam-se sobre a superfície de um mar
sereno. Ainda é noite, e ao longe se desenha a tênue linha da costa. Um
rosário de luz, trêmulo, brinda um maravilhoso espetáculo. Porém, os homens
que tripulam os navios não gozam daquele panorama de contos de fadas. Pelo
contrário, olham concentradamente a costa iluminada que parece convidá-los. Pelas cobertas dos
navios, envoltos na escuridão e silenciosos, os homens se movimentam
sigilosamente. Em voz baixa, com murmúrios pouco audíveis, trocam impressões
e dão ordens. Se da costa pudessem ver
as embarcações, alarma se propagaria.
Realmente, nas cobertas dos barcos, alinhados e silenciosos, centenas de
soldados japoneses aprestam suas armas e ajustam seu equipamento. Da coberta de um dos
navios, um homem da uma ordem em voz baixa. Imediatamente, a embarcação
começa a aproximar-se da costa. Faz lentamente, segundo instruções recebidas.
Por último, a poucas centenas de metros da costa, os barcos param a marcha. O
homem que deu a ordem de aproximar, abandona a coberta e desce ao seu
camarote. Ali, acende uma pequena luz e inclina-se sobre um grande mapa.
Mentalmente, repassa seu plano. Diante de suas naves, encontra-se o porto de
Singora. Na direção do sul, a mais de 1.000 km, está Cingapura. Seus homens
devem cobrir aquela distância em menos de 100 dias. Será uma campanha que ,
teoricamente, parece impossível de realizar. Aquela marcha superará a
blitzkrieg alemã. Aquele avanço pelas selvas, sem meios motorizados a seu
alcance, realizar-se-á nas piores condições. Mas o homem que comanda aquelas
tropas está disposto a cumprir o planejado. Não há impossíveis para ele. São 4h15 quando uma voz
grita a palavra de chave: Tora! A palavra faz os homens
estremecerem e, mais que a ninguém, eletriza o chefe. Todos tem a intuição do
significado da palavra chave. Ela a conhece. Corre à coberta e murmura uma
ordem. Num instante, os homens ocupam as pequenas lanchas de desembarque. Na
primeira que se desprende da embarcação, vai ele. Da coberta, os tripulantes
gritam: Banzai! Minutos depois, os
primeiros soldados japoneses põem o pé em terra. Na chefia deles vai o
comandante. É o General Yamashita, o “Rommel” japonês. A conquista da Malásia
começara. Que Deus os abençoe 2 de dezembro de 1941. Cingapura,
a grande praça forte britânica, vive os instantes precedentes à grande
aventura da guerra. As relações entre a Inglaterra e o Japão evoluíram de
forma por demais desfavorável. As notícias alarmantes sucedem-se dia a dia.
Por último, o Almirantado, diante do caráter que tomam os acontecimentos,
decide reforçar convenientemente a defesa da base. Naquele dia 2 de dezembro,
chega a Cingapura o encouraçado Prince of Wales, de 35.000 toneladas e o
cruzador de batalha Repulse, escoltados por vários barcos menores. A defesa
da possessão britânica parece, assim, protegida convenientemente. Pelo menos,
na crença dos chefes ingleses. No dia 8 de dezembro de
1941, conhecida a notícia do ataque japonês a Pearl Harbor, a esquadra
inglesa foi posta em estado de alerta. Imediatamente, a duas naves de guerra,
zarpam em direção ao norte, com a missão de impedir os desembarques
japoneses. Um dia depois, a 9 de
dezembro, um submarino japonês os descobre. A partir daí, as forças japonesas
do mar e do ar começam a gigantesca caçada. As esquadrilhas
japonesas, sem perder um só minuto, levantam vôo e começam um minucioso
trabalho de observação. O tempo, tempestuoso, dificulta as operações dos
aviões japoneses. Em 10 de dezembro,
finalmente, a frota inglesa foi descoberta. Os bombardeiros e torpedeiros
japoneses, iniciam, então, ataque maciço aos barcos. Estes, apelando para a
sua formidável defesa antiaérea procuram afugentá-los. Mas em vão. As bombas,
uma a uma, golpeiam inexoravelmente. Os barcos ingleses, desesperadamente,
tratam de evitar a destruição. Valentemente, seus homens lutam até o último
alento. Porém, as ondas de aviões japoneses sucedem-se incansáveis e
interminavelmente. Então, os torpedos rematam a obra destruidora. Uns após
outros alvejam e debilitam cada vez mais a fortaleza aparentemente
indestrutível. O Repulse foi o primeiro
a sucumbir. Na coberta, sem abandonar seus postos, a tripulação não cede. As
baterias antiaéreas disparavam sem interrupção até os últimos instantes.
Finalmente o Repulse desaparece sob as águas. O Prince of Wales, sem
diminuir o ritmo de fogo de suas baterias, continua enfrentando a agressão
dos aviões japoneses. Mas isso não podia durar muito. Atingido outra vez o
encouraçado começa a afundar. Um destróier inglês,
aproxima-se, então do Prince of Wales. Os homens deste, obedecendo às ordens
do Capitão Leach, comandante do barco, abandonam o navio que afunda. Da ponte
de comando o Almirante Sir Thomas Phillips, chefe da esquadra, e o Capitão
Leach, observam a tarefa de salvamento. Alguém do destróier
grita, naquele instante dramático: - Almirante, venha para bordo! Phillips,
então, honrando suas tradições, respondeu imediatamente: - Adeus. Obrigado.
Boa sorte. Que Deus os abençoe. Pouco depois, o Prince of
Wales submerge nas profundas águas. Na ponte de comando, junto de seu barco,
afundam-se o Almirante Phillips e o Capitão Leach. No último momento, quando
as águas os alcançaram, os dois lobos do mar saudaram seus homens, que os
contemplavam emocionados. Em dez segundos, tudo
desapareceu da superfície do oceano. A fortaleza inexpugnável A partir de 1921 os
ingleses começaram a construção de gigantescas fortificações em torno do
porto de Cingapura. Essa base, chaves
das comunicações marítimas entre o Pacífico e o Índico iria converter-se
com o tempo no “Gibraltar asiático”. Dezenas de canhões do maior calibre
foram instalados apontando para o mar, pois essa era a direção da qual
esperava-se viriam os ataques. Os anos correram e o aperfeiçoamento de novas
armas introduziu mudanças revolucionárias nas condições da guerra. O Japão
soube assimilar muito cedo as novas técnicas. Rapidamente organizou uma
poderosa força aérea, construiu gigantescos porta-aviões e equipou seus
exércitos com formações de tanques e elementos mecanizados. Inexplicavelmente,
os britânicos conservaram sua confiança nos velhos canhões de Cingapura.
Iriam pagar muito caro sua cegueira. Janeiro de 1942. O General Wavell,
comandante-em-chefe dos exércitos aliados no Extremo-Oriente, realiza um giro
de inspeção na ilha de Cingapura. Desconcertado, comprova que a costa norte
não existe defesa alguma. Nem fortes, nem redutos, nem campos minados. Nem
sequer uma só trincheira. O trágico descobrimento o assusta. Cingapura, a
fortaleza “inexpugnável”, está à mercê do ataque iminente das tropas
japonesas que avançam pelas florestas da península malaia. De nada servem os
gigantescos canhões que apontam para o mar. O assalto virá da direção
oposta., do norte, e não haverá maneira de detê-lo. Em Londres, Churchill
espera confiante o ataque japonês. Ele também sucumbiu ao mito. Cingapura, a
invencível cidadela, resistirá durante semanas, durante meses, até que
cheguem os reforços que se propõem enviar do Oriente Médio, Austrália e
Índia. Repentinamente, seus projetos
desmoronam-se. Chega um telegrama de Wavell com a crua exposição da verdade.
Cingapura não poderá resistir, pois sua porta traseira está aberta
completamente. No norte não há defesas. Abatido, Churchill
compreende que construiu seus planos sobre uma base totalmente falsa. Desafoga
então sua cólera e indignação em um violento comunicado dirigido ao General
Ismay, chefe do Estado-Maior do Ministério da Defesa. Escutemos ao velho
lutador: “Para que serve ter uma ilha
como fortaleza se não é convertida em cidadela? Construir uma linha de
refletores e fogo cruzado, combinada com uma imensa rede de cercas de arame e
obstáculos nas regiões pantanosas e fornecer a munição adequada para permitir
aos canhões da fortaleza abater a artilharia inimiga localizada em Johore,
era uma previsão elementar de tempos de paz, que se torna inconcebível não
tenha sido tomada em uma fortaleza que esteve em construção durante vinte
anos... Qual a razão por que nenhum de vocês me colocou a par quando esse
assunto foi discutido? Isso teria que haver sido feito muito especialmente,
porque durante os últimos dois anos assinalei repetidamente em meus
diferentes comunicados que confiava nessa defesa da ilha de Cingapura contra
um sítio formal... Baterias que apontam para o mar e uma base naval não
constituem uma fortaleza, que é uma praça forte totalmente fechada. Ter
apenas baterias que partam para o mar, e não contar com fortes ou obras
defensivas permanentes para proteger sua retaguarda é um fato que não pode
ser desculpado de forma alguma. Por essa negligência, toda a segurança da
ilha foi posta à mercê de 10.000 homens que cruzem o estreito em botes.
Advirto-o de que este será um dos maiores escândalos que possivelmente possa
ser colocado a descoberto...” Em seguida, Churchill
assinalou detalhadamente todas as medidas que considerava necessário tomar
para a defesa da ilha. Sua nota conclui com uma dramática diretiva: “A cidade
de Cingapura deve ser convertida em cidadela e defendida até a morte. Não
cabe contemplar a possibilidade de uma rendição...” “A resistência não pode durar...” Mensagem enviada pelo
General Percival ao General Wavell, no dia 13 de fevereiro de 1942. “O inimigo encontra-se
agora a 5.000 jardas do porto, o que coloca toda a cidade de Cingapura dentro
do alcance de sua artilharia de campanha. Corremos também o perigo de esgotar
nossas provisões de água e alimentos. Na opinião dos comandantes, as tropas
em luta estão esgotadas, tanto para resistir a um forte ataque como para
lançar um contra-ataque. Todos nós aceitaríamos de boa vontade a
possibilidade de iniciar uma ofensiva, mas isso é impossível, porque não
existe tropas que possam realizar esse ataque. Nessas condições não é
provável que a resistência possa durar mais do que um ou dois dias. Meus
comandantes subordinados são de opinião unânime que ganhar tempo não
compensará os graves danos e as elevadas baixas que teria a cidade de
Cingapura. Como o império de ultramar está interessado, sinto-me obrigado a
representar seus interesses. Deve chegar um momento em que, pelo bem das
tropas e da população civil, um maior derramamento de sangue não terá
qualquer vantagem. Suas instruções de 10 de fevereiro estão sendo levadas à
prática, mas, nas circunstâncias acima citadas consideraria V.S. a
possibilidade de me dar poderes discricionários mais amplos?” O General Wavell, após
consultar Churchill, enviou, no dia 15 de fevereiro, uma mensagem na qual
autorizava cessar a resistência quando considerasse que a situação assim o
impunha. Reproduzimos a mensagem de Percival a Wavell: “Em virtude da
destruição causada pela ação inimiga, a água, a gasolina, os alimentos e a
munição, praticamente esgotaram-se. Incapacitado de continuar a luta por mais
tempo. Todos cumpriram com seu dever e agradecem vossa ajuda”. |