Ataque à Bornéu, Sumatra e Java
A Batalha do Mar de Java
Invasão da Birmânia
O Japão ameaça a Índia Novembro de 1941. O Japão se acha nas vésperas de lançar-se à grande guerra contra as potências ocidentais. No gabinete do Marechal Sugiyama, chefe do Estado-Maior Supremo, realiza-se uma conferência secreta. O General Imamura, recém-chegado da China, recebe ordem de preparar uma operação fundamental: a conquista das Índias Orientais Holandesas. Para realizar essa difícil missão, Sugiyama lhe confia o comando do 16o Exército, poderosa força integrada por três divisões veteranas e numerosas unidades auxiliares. A operação se iniciará com a ocupação dos campos de petróleo, vitais, da ilha de Bornéu, e culminará com a invasão de Java, principal reduto das forças aliadas. Nos primeiros dias de dezembro, as tropas de Imamura terminam seus preparativos; estão prontas para desfechar a campanha. O chefe japonês recebeu uma ordem terminante de seus superiores: - Quaisquer que sejam as dificuldades, deve encerrar a conquista de Java no fim de duas semanas! A orientação será fielmente cumprida. O ataque contra Bornéu se inicia a 18 de dezembro e logra pleno êxito. Em seguida, os japoneses invadem Sumatra e submetem as forças holandesas com o apoio de elementos nacionalistas indonésios. Chegava então a vez de Java. Na madrugada de 18 de fevereiro, 56 navios-transportes zarpam da Indochina, rumo ao extremo oeste da ilha. Simultaneamente, outros 40 navios-transportes se dirigem das Filipinas para a costa oriental. Assim, convergindo para Java de ambos os lados, os japoneses se dispõem a aniquilar a guarnição aliada. Enquanto as tropas de invasão navegam para o seu objetivo, os bombardeiros e caças Zero atacam os aeródromos da ilha e conseguem destruir a quase totalidade da aviação aliada. Está assim assegurada a absoluta supremacia aérea japonesa, fato que terá influência decisiva no desenrolar da campanha Em seu QG, em Bandung, o General Wavell, comandante-em-chefe das forças aliadas em Java, compreende que tudo está perdido. Para defender, a ilha, conta apenas com três fracas divisões holandesas, três batalhões australianos e uma dezena de antiquados tanques leves. No total, uns 28.000 soldados desprovidos de suficiente munição e armamento. Com essa reduzida força terá de enfrentar o ataque das aguerridas divisões de Imamura. Diante da difícil situação, o alto-comando britânico, em Londres, decide ordenar a Wavell que abandone Java. Este, depois de entregar o comando supremo ao Almirante holandês Helfrich, parte de avião rumo à Índia. |
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A batalha do Mar
de Java Na tarde de 26 de fevereiro, o Almirante Doorman, seguindo ordens de Helfrich, zarpa do porto de Surabaya, ao encontro da frota de invasão japonesa. O chefe holandês comanda uma força integrada pelos cruzadores De Ruyter, Java, Exeter (britânico), Houston (americano) e Perth (australiano), e nove destróieres. Navegando em direção contrária, aproxima-se de Java a esquadra japonesa do Almirante Sokichi Takagi, composta por 4 cruzadores e 13 destróieres, escoltando 40 navios-transportes abarrotados de tropas de assalto. Às 16h15 do dia 27, as duas esquadras estabelecem contato e travam combate. Os navios, disparando seus canhões sem cessar, encurtam rapidamente as distâncias que os separam. Pouco depois, um dos cruzadores japoneses atinge o Exeter com um projétil de 8 polegadas, causando-lhe graves danos na casa das máquinas. Os navios aliados lançam então uma cortina de fumaça, para proteger o cruzador do fogo japonês. Simultaneamente, o Almirante Doorman ordena aos seus destróieres avançar a toda velocidade para deter o ataque dos destróieres japoneses que se aprontam para liquidar o Exeter, com seus torpedos. Os velozes navios iniciam um furioso combate, circunstância aproveitada pelo Exeter, que se retira em direção ao porto de Surabaya. Entretanto, não conseguirá escapar à destruição. Poucos dias de pois, é encontrado e afundado por naves japonesas, no estreito de Sonda. Doorman, enquanto isso, continua o mortal duelo com os navios de Takagi. Ao cair da noite, tudo termina. O valente almirante holandês perece junto com sua nave capitânia, o cruzador De Ruyter. Os japoneses, sem ter sofrido nenhuma perda, conseguem ainda afundar o Java e três destróieres. A derrota naval sofrida pelos aliados deixa livre o caminho para as forças de invasão de Imamura, que já estão navegando nas proximidades do cabo Bantã, no extremo norte de Java. Às 0h30 de 1o de março de 1942, os navios japoneses se aproximam da costa, escoltados pelo porta-aviões Ryujo, seis cruzadores e numerosos destróieres. De surpresa, surgem da obscuridade os cruzadores aliados Perth e Houston. A esquadra japonesa arremete imediatamente contra os dois navios e, disparando seus canhões e torpedos, consegue afundá-los. Em meio ao confuso combate, muitos torpedos atingem os navios-transportes das tropas japonesas. Quatro vão a pique; entre eles o Ryujo Maru que conduz a bordo o General Imamura e seu estado-maior. O chefe japonês no entanto consegue nadar, agarrado a destroços, durante mais de duas horas, quando é finalmente salvo e conduzido à costa. Vitória japonesa Pouco depois do meio-dia a totalidade das tropas japonesas completa o seu desembarque em Bandang. Imamura ordena então o início da marcha contra a cidade de Batávia, situada a uma distância de 40 km para o oeste. Lideradas por formações de tanques e tropas motorizadas, as colunas de infantaria se deslocam em marcha forçada para seu objetivo, em meio às saudações da população nativa. A resistência aliada é praticamente nula. Enquanto Imamura continua seu avanço sobre Batávia, no extremo oriental da ilha desembarcam as forças imperiais da 48a Divisão de Infantaria, comandadas pelo General Tsuchiyashi. São tropas selecionadas que acabam de ter brilhante atuação nas Filipinas, e conseguem penetrar facilmente através das fracas posições defensivas dos holandeses. A 6 de março, Imamura ocupa Batávia, e no dia seguinte recebe nessa cidade uma mensagem do Comandante-em-chefe holandês, General Ter Porteen, comunicando-lhe que está disposto a negociar a rendição de suas tropas. O chefe japonês, acompanhado por oficiais do seu Estado-Maior, compareceu, no dia 8, a uma conferência com Porteen e o governador holandês Schouten, numa base aérea perto de Batávia. No decorrer da reunião, Schouten manifestou, intempestivamente, sua decisão de não endossar o pedido de armistício. Imamura, enfurecido, ordenou-lhe que abandonasse imediatamente a sala, e exigiu de Porteen que lhe desse uma resposta logo, definitiva. Porteen, totalmente abatido, respondeu que a rendição de suas forças era incondicional. No dia seguinte, às 8h10 da manhã, as tropas holandesas cessaram o fogo. Imamura permitiu então, num gesto cavalheiresco, que todos os comandantes e oficiais conservassem suas espadas. Em seguida, as forças japonesas continuaram sua marcha para o interior e, a 10 de março, ocuparam a cidade de Bandung, sede do governo holandês. Com a rápida conquista das Índias Orientais, o Japão assegurou a posse das ricas jazidas de petróleo e plantações de caucho (espécie de seringueira) dessas ilhas, o que lhe permitiu incrementar muito a capacidade produtiva de suas indústrias bélicas. O império estava agora em condições de travar uma prolongada guerra contra as potências ocidentais. Ataque à Birmânia A fim de cobrir o flanco ocidental dos territórios ocupados no sudeste da Ásia, o alto-comando japonês decidiu estender a penetração de suas forças até a Índia. Foi assim que se lançaram à conquista da Birmânia. A ocupação dessa vasta possessão britânica - também rica em petróleo - facilitaria aos exércitos japoneses um estratégico ponto de partida para tentar um ataque em grande escala ao território hindu. A operação foi confiada ao 15o Exército, do General Hita, cujas forças acabavam de apoderar-se do reino do Sião, com pouca luta. Nos primeiros dias de janeiro de 1942, a 55a e a 33a divisões de infantaria, comandadas pelos Generais Tekeuchi e Sakurai, penetraram através da fronteira meridional da Birmânia e, apoiados pelos ataques incessantes dos Zeros e bombardeiros de picada, superaram as unidades da 17a Divisão hindu, forçando-a a empreender a retirada. O grande plano do General Hita consistia em ocupar rapidamente o porto de Rangum, a fim de privar as forças britânicas de sua única via de reforço e abastecimento. (Mais de 300 km de selva impenetrável separam a Birmânia da Índia, e não existia nenhuma estrada entre ambos os países). Uma vez conquistada Rangum, obrigaria as forças britânicas a recuar para o norte, completando o seu isolamento e, simultaneamente, cortaria a vital estrada pela qual os aliados enviavam, de Rangum, material bélico para a China. O alto-comando britânico vislumbrou imediatamente o mortal perigo que a penetração japonesas ao longo da costa significava. Ordenou, então, ao General Smyth, comandante da 17a Divisão, que tentasse retardar ao máximo o avanço das tropas de Hita. Precisava-se manter aberto, a qualquer custo, o porto de Rangum! Os soldados de Smyth, cumprindo a rigorosa orientação, sustentaram sangrentos choques com os japoneses, à medida que recuavam. Hita deslocou, então, uma de suas divisões em um movimento de flanco, através da selva, com a intenção de envolver, pela retaguarda, as tropas britânicas, antes que cruzassem o rio Sittang, última barreira no caminho de Rangum. A situação era desesperadora. O General Smyth ordenou às suas tropas que acelerassem a marcha para o rio e destacou um regimento de soldados gurcas, na margem oposta, para defender a ponte contra um possível ataque de pára-quedistas. Na tarde do dia 21 de fevereiro, as colunas extenuadas da divisão convergiram sobre o rio Sittang. O chefe britânico recebeu, nesse momento, a notícia de que no porto de Rangum, começava a desembarcar a 7a Brigada Blindada, unidade que contava com uma força de 150 tanques. Embargado de alegria, Smyth compreendeu que o heróico esforço dos seus homens não havia sido em vão. Serão esses tanques da 7a Brigada que, em última instância, facilitarão a retirada de todas as forças britânicas para a Índia. No rio Sittang, no entanto, sobrevêm a catástrofe. Ameaçados pelos japoneses, que conseguiram infiltrar-se até a margem do rio, os destacamentos encarregados da guarda da ponte recebem de Smyth a ordem de fazê-la explodir. Sem vacilar, os sapadores detonam as cargas de explosivos e o vão central voa aos pedaços. Na margem oriental ficaram encurralados dois terços da divisão! Os japoneses concentram então seus ataques contra os soldados que, desesperados, tratam de atravessar a corrente a nado, ou em improvisadas balsas de bambu. Centenas de ingleses e hindus são ceifados pelo fogo das metralhadoras e morteiros, e muitos mais perecem afogados, afundando sob o peso das armas e equipamentos. Os sobreviventes ganham a outra margem, e são auxiliados por seus companheiros. Totalmente esgotados, reiniciam a marcha para Rangum. Na cidade, atacada incessantemente pelos bombardeiros japoneses, começara o êxodo da população. Milhares de homens, mulheres, velhos e crianças se precipitam em fuga pelas estradas que conduzem ao norte. Permanece em seu posto o Governador britânico, Sir Reginald Dorman-Smyth, e um punhado de funcionários, articulando a demolição das instalações portuárias e da usina elétrica. A queda de Rangum As tropas de Hita prosseguem avançando inexoravelmente e, em rápido deslocamento, deixam para trás o rio Sittang. Poucos dias depois cortam uma das estradas que se dirigem de Rangum para o norte, e ameaçam bloquear a segunda. Nessa dramática circunstância, chega à cidade o General Harold Alexander, enviado da Inglaterra por Churchill para assumir o comando de todas as forças britânicas que combatem na Birmânia. Alexander compreende imediatamente que os japoneses não tardarão a fechar o cerco sobre Rangum. Sem hesitar, ordena levar a cabo as demolições e empreender a retirada. A 7 de março de 1942, às 14 horas, uma série de violentas explosões abala Rangum. Imensas colunas de fumaça misturadas com línguas de fogo envolvem os escombros dos edifícios que acabavam de ser dinamitados. Próximo ao porto ardem furiosamente os depósitos das refinarias de petróleo. Tudo o que poderia ser de utilidades para o inimigo é destruído sistematicamente. Alexander reúne, então, suas tropas e tanques, e marcha para Prome, situada ao norte de Rangum. Não consegue, porém, percorrer mais que algumas dezenas de quilômetros. Novamente os japoneses se adiantaram e bloqueiam a estrada com uma barreira de morteiros e canhões antitanques. Durante 24 horas as tropas de infantaria britânicas, apoiadas por 20 tanques, lançam furiosos ataques, sem conseguir abrir passagem. Quando já tudo parece perdido, os japoneses, dizimados pela luta contínua, abandonam suas posições e deixam livre a estrada. Assim, por pouco, Alexander e seus homens conseguem escapar. A 8 de março as tropas de vanguarda do General Hita entram em Rangum, e, no dia seguinte, o chefe japonês instala na cidade o seu posto de comando. Até esse momento, seu plano se desenvolve com pleno sucesso. Numa rápida campanha conseguiu deslocar os britânicos, empurrando-os para o interior da Birmânia, onde praticamente, não tem possibilidade alguma de escapar. O alto-comando de Tóquio decide, então, reforçar Hita com dois regimentos de tanques e duas divisões de infantaria, a 18a do General Mudaguchi, que tivera destacada atuação na conquista de Cingapura, e a 56a, do General Watanabe. Com o apoio dessas forças, Hita deve intensificar o avanço para Mandalay, importante cidade, situada no centro da Birmânia. O avanço para o
norte O êxito das forças japonesas na Birmânia provocou intenso alarma na China. O General Chiang Kai-shek decidiu imediatamente oferecer tropas aos britânicos, para proteger a estrada Rangum-Kunming, através da qual os chineses recebiam vitais abastecimentos de material bélico enviados dos EUA. Essas forças, compostas de três divisões, ficaram sob o comando do General americano Joseph Stilwell, que, a 14 de março de 1942, assumiu a chefia das tropas em Lashio, na Birmânia. Os britânicos, por sua vez, decidiram concentrar suas forças ao sul de Mandalay, com o propósito de formar, juntamente com os chineses, uma frente única, para bloquear a penetração japonesa. A 17a Divisão, comandada agora pelo General David Cowan, travando duros combates com as unidades japonesas que o perseguiram incorporou-se à nova posição, onde já se achava instalada a 1a Divisão birmânica, unidade integrada por soldados ingleses, hindus e birmaneses. Com todas essas forças, Alexander criou um corpo de exército que entregou ao General Slim. Apesar de seus esforços, os aliados não conseguiram deter o avanço das colunas japonesas. Apoiados por fortes contingentes de nacionalistas birmaneses, que combatiam sob a denominação de Exército da Independência da Birmânia, os japoneses avançaram rumo ao norte. No dia 3 de abril, suas esquadrilhas de bombardeiros realizaram um devastador ataque de surpresa contra Mandalay, o qual arrasou a cidade e causou a morte de mais de 2.000 civis. O ataque pôde ser realizado impunemente, pois os britânicos careciam, praticamente, de armas antiaéreas e haviam perdido já a totalidade de sua aviação. Nesta situação desesperada, as tropas do General Slim ofereceram encarniçada resistência e conseguiram paralisar durante alguns dias a ofensiva japonesa. Em meados de abril, a 33a Divisão, do General Sakurai, aproximou-se do rio Irrawady, em rápido avanço, e ameaçou apoderar-se das importantes jazidas de petróleo situadas nas suas margens. Alguns destacamentos de nacionalistas birmaneses cruzaram a corrente em botes e tentaram conquistar este campos, mediante um ataque de surpresa. Foram no entanto rechaçados, com grandes perdas, pelos soldados britânicos, entrincheirados em torno dos poços de petróleo. Deparando com essa inesperada e forte resistência, Sakurai deslocou uma força de 2.000 homens, numa manobra de flanco, e conseguiu cercar os ingleses. Estes, dado a emergência, fizeram voar pelos ares os poços de petróleo, e se lançaram contra as linhas japonesas, a fim de abrir caminho para o norte. Durante 48 horas travou-se uma violenta e furiosa batalha em meio dos campos de petróleo em chamas. Do norte, a 38a Divisão chinesa do General Sunlijen, lançou sucessivos ataques, com o propósito de quebrar o cerco e libertar os ingleses, mas seu esforço fracassou. Finalmente, os britânicos conseguiram abrir uma brecha nas posições japonesas e, abandonando todos os seus veículos e animais de carga, escaparam da armadilha. Retirada para a
Índia Enquanto aconteciam estes sangrentos encontros, a 55a e a 56a Divisões japonesas redobravam os seus ataques contra Mandalay e Lashio, cidades situadas na rota de abastecimento da China. Ali, os aliados seriam também derrotados. Depois de uma batalha renhida, os japoneses puseram em retirada as forças de Stilwell, e as empurraram para a fronteira. Ficou aberto o caminho para o norte, e os japoneses aproveitaram imediatamente a vantagem. Lançando na vanguarda suas unidades motorizadas, avançaram rapidamente em direção de Mandalay e Lashio, e as ocuparam, respectivamente, a 1o e 5 de maio. A vital estrada ficou assim cortada. Sem possibilidade de escapar para a China, Stilwell e a maior parte de seus soldados recuaram para a Índia, onde chegaram depois de realizar uma penosa marcha, através de 225 km de florestas. As tropas de Slim, enquanto isso, empreendiam a sua retirada para o rio Chindwin, com a intenção de levantar nas suas margens uma nova linha defensiva. Sem lhes dar trégua, os japoneses se lançaram em sua perseguição. Diante do rio Irrawady, os britânicos conseguiram frear a investida japonesa e, a 30 de abril, cruzaram o rio, e fizeram voar suas pontes. A retirada adquiriu, então, dramáticos aspectos. Avançando penosamente pelos atalhos da selva, os extenuados soldados ingleses e hindus, entre os quais contavam-se mais de 2.000 feridos e enfermos, dirigiram-se para o Chindwin, acossados permanentemente pelas unidades japonesas. Ao chegar à margem daquele rio, Slim deu ordem de destruir todos os tanques e veículos. O chefe britânico compreendera que já não era possível continuar a resistência em solo birmanês e resolveu empreender a retirada para a Índia, atravessando as agrestes montanhas da fronteira. Antes de completar a retirada, suas tropas tiveram ainda que sustentar um último e sangrento encontro com os japoneses. As unidades da retaguarda foram atacadas nas margens do Chindwin e viram-se obrigadas a abrir passagem combatendo encarniçadamente. Conseguiram salvar-se finalmente, depois de penosos esforços. Assim, concluiu-se a primeira campanha da Birmânia. A notícia da extraordinária vitória produziu em Tóquio imenso júbilo e deu lugar a grandes celebrações. O exército de Hita recebeu então, do alto-comando japonês a missão de preparar a conquista da Índia. O Japão se
aproxima da Índia A embriaguez da vitória que reinou em Tóquio, diante dos acontecimentos ocorridos na frente das operações, chegou ao paroxismo quando se confirmou que também na África do Norte Rommel atacava com êxito os britânicos. A fé na vitória final era tal, que os grandes jornais de Tóquio enviaram imediatamente seus correspondentes à cidade de Istambul, na Turquia, com o objetivo de divulgar a informação referente ao histórico encontro entre as tropas japonesas, que conquistariam a Índia, e os alemães, que avançariam através do Oriente Médio. Não cabia na imaginação dos japoneses a idéia de que a linha alcançada não seria superada tão cedo e que logo começaria a grande retirada. Tojo, falando diante da Dieta, declarou solenemente: - As Índias tem uma história e uma cultura brilhantes, mas atualmente estão submetidas ao jugo britânico. Chegou para elas o momento de libertar-se da tirania colonialista... Enquanto Tojo pronunciava essas palavras, Chandra Bose, Presidente da liga da independência indiana, lançou, da Alemanha, um apelo a todos os nativos do grande país do Oriente. Um dia depois foi nomeado presidente e representante do povo indiano. Em seguida, numa entrevista à imprensa, proclamou o nascimento de uma Índia para os indianos. Depois seguiu viagem imediatamente, rumo a Tóquio. Paralelamente a esses acontecimentos, o avanço japonês havia prosseguido. As tropas japonesas na Birmânia haviam chegado muito perto da fronteira da Índia. O momento do triunfo final parecia estar bem próximo. Anexo Alexander - Sua missão não será
fácil... O senhor deverá tratar de salvar o grosso de nossas tropas... Talvez
não possa fazê-lo! - Tentarei fazê-lo, senhor... e espero ser bem sucedido... Os dois homens se fitaram
longamente. A entrevista havia terminado e dos cigarros se elevavam trêmulas
aspirais de fumaça azul. O mais velho dos dois fitando duramente o vazio,
murmurou: - Eu o desejo sinceramente Alexander! Imediatamente levantou-se
e, depois de apertar a mão que lhe estendia o general, abandonou o recinto.
Alexander, de pé, silencioso, contemplou a figura que se afastava. Sabia que
seria difícil cumprir aquela missão. Mas sabia também que aquele homem que
acabava de sair confiava nele. E a confiança de Winston Churchill era algo
que não se podia nem devia fraudar. A 5 de março de 1942, em
Rangum, capital da Birmânia, o General Alexander assumia o posto de
comandante-em-chefe das tropas britânicas. Sua missão: defender a Birmânia do
ataque japonês e salvar s forças inglesas do desastre iminente. A missão,
efetivamente não podia ser mais difícil, mas Alexander a encarou, como
sempre, confiante e serenamente. Harold Rupert Leofric
George Alexander nasceu a 10 de dezembro de 1891. Estudou em Harrow e na
academia militar de Sandhurst. Ao deflagrar a Primeira Guerra Mundial, foi
incorporado ao corpo expedicionário inglês que lutou na França. Ao término
das hostilidades, Alexander foi designado para a Índia, onde tomou parte em
diversas expedições destinadas a sufocar levantes das tribos nativas. Em
1942, promovido a general, foi nomeado comandante-em-chefe das forças
britânicas da Bismânia e, posteriormente, em 1943, fez jus ao cargo de
comandante-em-chefe das forças do Oriente Médio, de onde foi transferido,
para igual posto, no norte da África. Nessa região organizou a ofensiva
contra as forças do Eixo sobre as quais alcançou brilhante vitória. Desde
esse momento, atuou como chefe das forças aliadas nas operações combinadas
realizadas no Mediterrâneo. Foi governador militar na Sicília, depois da
invasão aliada da Itália. Logo depois tornou-se comandante de um dos
exércitos que combateu na península italiana durante a campanha de 1944.
Nesse mesmo ano, foi promovido a marechal e nomeado chefe supremo de todas as
forças aliadas no Mediterrâneo. Deve-se destacar que nos primeiros momentos
da guerra, Alexander teve a seu cargo uma das operações mais arriscadas: a
evacuação das forças aliadas de Dunquerque. Numerosas condecorações premiaram
a sagacidade e a coragem de Alexander. Na lembrança de seus contemporâneos
permanece viva a têmpera de aço que o caracterizaram durante a guerra e a
constante serenidade que demonstrou em todos os momentos. O Exército Japonês Durante os primeiros
meses de 1942, o mundo, assombrado pela rápida série de conquistas do
exército japonês, perguntava: Como era aquele exército? Quem o formava? Que
força o impulsionava? A resposta não tardou a chegar. O exército japonês era
um corpo armado que se regia pelo código dos Samurais. Era um exército que
condensava as virtudes do povo japonês. Era um exército que reunia ao mesmo
tempo a filosofia herdada dos tempos feudais e a formação profissional e
técnica moderna. O dever para com o Imperador, levado às últimas
conseqüências, era regra única e inviolável que regia o exército japonês.
Esse dever considerava a morte mais leve que uma pluma e o medo o mais
miserável dos vícios. Acima do medo e do dever, do temor e da resignação, da
fome e do sofrimento, estava a figura inatingível do imperador. E morrer por
ele era a glória suprema. Forte, rígido e
desapiedado deveria ser um exército regido por tais princípios. E o exército
japonês provou ser tudo isso. O soldado japonês A organização militar
japonesas considerava apto para todo serviço os recrutas que medissem, no
mínimo 1,50 m de altura, pesassem 50 kg e tivessem mais de 75 cm de tórax. Cada convocação anual
reunia cerca de 1.500.000 homens. Porém, o Exército aceitava somente os mais
aptos; assim, aproximadamente 60% dos recrutas eram recusados. A composição percentual
das unidades do exército japonês, relativas à ocupação ou profissão, era a
seguinte: camponeses, 30%; operários, 30%; comerciários, 15%; funcionários,
7%; professores, 3% e mineiros, 1%. O nível de instrução do
soldado japonês era muito elevado. As estatísticas demonstram que 85% dos
soldados haviam concluído seus estudos elementares, 11% eram de nível médio e
de 1 a 2% eram universitários. A incorporação dos
recrutas à vida militar se fazia numa cerimônia da qual participavam os pais
e irmãos do futuro soldado. Os oficiais mostravam aos familiares as
instalações do quartel, e explicavam aos mesmos as características da vida
que o recruta levaria. No outono, efetuavam-se grandes manobras e até 1o
de dezembro os soldados abandonavam o quartel. As fazê-lo, reintegrando-se na
vida civil, um novo uniforme lhes era entregue, para usá-los quando fossem
convocados para novos períodos de instrução ou no caso de uma mobilização. O soldado japonês recebia
ordens que, sempre, eram dadas em nome do comandante-supremo: o Imperador. E
o cumprimento de tais ordens, assim como seus demais deveres, se regiam pelos
seguintes princípios: 1. A lealdade; 2. A obediência; 3. A coragem; 4. A
retidão; 5. A frugalidade. A base da alimentação do
soldado japonês era uma mistura proporcional de 60 e 40% de arroz e centeio.
Uma vez por semana era servida carne, e nos demais dias, peixes e legumes. Em
batalha, recebiam alguns quilos de arroz e alimentos concentrados, feitos à
base de algas, ricas em ferro. As tropas despertavam às
cinco da manhã, no verão, e às cinco e trinta, no inverno. Depois de uma hora
destinada à limpeza e à meditação, servia-se o desjejum. Almoçava-se ao
meio-dia, e, às cinco e meia da tarde, jantava-se. As faltas eram punidas com
castigos físicos, tais como bastonadas e pancadas aplicadas com o sabre. A marcha era o exercício
mais importante a que era submetido o soldado japonês. Comumente marchava
diariamente 50 km. E 100 km não era exercício raro. O banho diário era
obrigatório; barbear-se, não. A alimentação dos oficiais era igual à dos
soldados. O soldado japonês lançava
um grito quando caía. São três palavras que resumem o seu extraordinário
espírito de sacrifício e explicam muitas das suas façanhas: Tenno heika
banzai! (Dez mil anos de vida para o Imperador!). Destruam a ponte! Birmânia, fevereiro de
1942. A 17a Divisão hindu, diante do avanço dos japoneses, é
obrigada a efetuar uma retirada. Sua meta é Rangum, a principal base
britânica na Birmânia. A deslocação, ao longo da costa, é realizada em
condições que raiam ao desumano. Sob um sol de fogo, envolvidos em nuvens de
insetos que cobrem seus corpos, os homens da 17a Divisão se
arrastam para Rangum. Alguns veículos avançam penosamente pelo caminho
estreito. Mulas e bois puxam carroças transportando feridos, e os escassos
abastecimentos da Divisão. De súbito, ao longe, na cabeça da coluna,
escutam-se explosões e o pipocar de metralhadoras. Os homens, extenuados, se
lançam ao chão, nas margens do caminho. Sabem que deverão permanecer assim,
10, 15, 20 minutos, atentos, com as armas engatilhadas, aguardando o ataque
japonês. Enquanto isso a vanguarda da coluna enfrenta o choque. É mais uma
emboscada. Há 22 dias que se retiram através da selva e os ataques são
freqüentes. Meia hora depois, volta a
reinar o silêncio. Os japoneses, cumprido o seu objetivo de entorpecer a
retirada e causar algumas baixas, se retraem. A coluna reinicia a marcha. É
plena madrugada, quando uma voz, repetida em mil tons diferentes, passa de
boca em boca:... O Sittang... O Sittang... E ali está, efetivamente,
o Sittang. O rio Sittang que é o último curso de água que separa a tropa da
cidade de Rangum. Os homens apressam a
marcha. Os veículos são acelerados ao máximo. As bestas de carga são exigidas
sem piedade. Ali estava o Sittang e a ponte que os leva à margem oposta.
Depois, entre eles e os japoneses, se abrirá uma larga barreira de água. São três da madrugada,
quando uma coluna se detém inesperadamente. Os homens de entreolham ansiosos.
Os veículos silenciam seus motores. Ordens pronunciadas ao longe, esclarecem
a situação. Um carro capotou no caminho e o trânsito se interrompeu. Ninguém
pode avançar, nem retroceder. Febrilmente, os sapadores começam a trabalhar para
desimpedir a estrada. Não é fácil, porém, trabalhar na escuridão, contando
com homens esgotados e famintos, debilitados pelas febres e pela longa
marcha. E menos ainda quando a coluna sabe que, a seu redor, os japoneses
vigiam e atacam ao menor descuido. Os sapadores, animados
pelos oficiais, trabalham arduamente. O tempo, porém, não se detém. Por fim,
minutos depois, a rota fica desimpedida e o trânsito se restabelece.
Lentamente, a cabeça da coluna alcança a ponte. Os veículos começam a passar,
um após o outro. Quando o Estado-Maior da Divisão acaba de passar, estala às
suas costas um violento tiroteio. - os japoneses bloquearam o caminho! Um
homem grita. Outro diz: - Estamos cercados! E assim era. Os soldados
japoneses, infiltrando-se, cortaram o acesso à ponte. A partir desse
instante, uma só interrogação preocupa a todos os combatentes: - A ponte
cairá nas mãos dos japoneses? Os soldados da 17a Divisão sabem que
isso não pode acontecer. Se acontecesse, Rangum estaria perdida. Portanto, a
luta a que se lançam assume o caráter épico. Por fim, às 2h30 da madrugada,
uma ordem estarrecedora chega às linhas de frente: - Destruam a ponte! O espetáculo dantesco que
acompanha a explosão, escapa a qualquer descrição. Dezenas de soldados,
depois de resistir até o último instante, se lançam às águas, numa tentativa
suprema de cruzar a nada o Sittang. Outros, sem lagar suas armas, combatem
até o último cartucho, e depois esperam de pé, a investida dos japoneses.
Estes, além de exterminar os defensores, varrem a superfície das águas com
suas metralhadoras, fuzis e armas curtas. Tudo é utilizado na matança. E
poucos, muito poucos, são os soldados da 17a Divisão que chegam à
margem oposta. Quando foi reorganizada a Divisão, do outro lado, somente lhe
restavam, como material bélico, 1.420 fuzis. Restava, incólume, o
prestígio, a coragem, o espírito de sacrifício e de renúncia que havia
impulsionado todos aqueles homens, cercados e perdidos, a combater até o
último instante. Zeros ao ataque 19 de fevereiro de 1942.
Surabaya, na costa norte de Java. Em terra, distribuídos em toda a extensão
da pista, com seus motores em movimento e prontos para decolar e interceptar
possíveis atacantes japoneses, se encontravam 50 a 60 caças Curtiss P-36,
P-40 e Brewster F2A Constituem a maior concentração aérea aliada de combate e
são sua última esperança. Às 11h30 da manhã, perto
de 50 P-36 e P-40 levantam vôo e sobem a 3.000 metros de altura. Após se
reagruparem, formam 3 grandes V. Em seguida, sem quebrar a formação, iniciam
o trabalho de patrulha. Constituem,
sem sombra de dúvida, uma massa aérea de combate capaz de impor respeito ao
mais audaz adversário. Nessa mesma hora, já
próximo ao meio-dia, voando a 4.800 metros de altura, aparece uma formação
japonesa. São 23 Zeros de combate, enviados para atacar Surabaya.. na luta
que se anuncia, enfrentrar-se-ão dois tipos de aviões e duas cifras muito
díspares. Cada Zero, expoente máximo da agilidade e maleabilidade, deverá
enfrentar, na proporção de um contra dois, aos antiquados P-36, e seu modelo
posterior P-40; ambos, tecnicamente muito inferiores aos Zeros. Somente
favorecerá aos pilotos aliados a superioridade numérica, esmagadora, neste
caso. Assim que os aviões
japoneses divisam seus adversários, lançam fora imediatamente seus tanques suplementares,
e se dispõem ao combate. Os P-36 e os P-40, por sua vez, em formação cerrada,
tomam altura, dirigindo-se para o inimigo. Logo depois, quando ambas as
formações se rompem, trava-se a peleja de cães, isto é, os combates
individuais. Nesse momento, ninguém pode contar com a ajuda e a proteção de
ninguém. Cada piloto e cada avião ficam entregues à sua coragem pessoal, sua
perícia e às suas condições técnicas para o combate. A luta dura pouco. Seis
minutos apenas. Cruzando-se e entrecruzando-se, os aviões japoneses e aliados
disparam rajadas após rajadas. As ágeis curvas dos Zeros lhes permitem ganhar
posições favoráveis. A maior capacidade de manobra dos aparelhos japoneses
vence sempre aos poucos manobráveis aviões aliados. E os melhores aviões começam,
lenta, mas firmemente, a cravar seus dentes. Um P-36 cai, envolto em chamas.
Logo, outro o segue. Um P-40 entra em parafuso. Outro explode no ar. E assim,
em trágica sucessão, a formação aliada é desbaratada, destroçada, varrida do
céu de Surabaya. Quando, 6 minutos depois,
o combate termina, alguns aparelhos aliados se perdem na distância, evitando
a luta. Deixam para trás cerca de 40 P-36 e P-40 derrubados. Os japoneses
perderam apenas 3 aparelhos. Em Surabaya ocorrera a
primeira maciça oposição aérea aliada às formações japonesas de combate. O
resultado provara a clara superioridade do Zero sobre seus similares
inimigos. O fim do Exeter Quando, no mês de
dezembro de 1939, três cruzadores ingleses encurralaram e obrigaram o
couraçado de bolso alemão Admiral Graf von Spee a fugir, o nome de um deles
se tornou célebre. Era o Exeter, um cruzador de tipo York deslocando 8.300
toneladas e com 172 m de comprimento. Nesse combate, o Exeter, que
desenvolvia uma velocidade de 32 nós e estava armado com 6 canhões de 8
polegadas e 4 de 4, ficou bastante avariado. Transladado à base britânica das
ilhas Malvinas e, posteriormente, ao porto inglês de Plymouth, foi submetido
a reparos que necessitaram dois longos meses de trabalho. Chegamos ao dia 2
de março de 1942, e o Exeter volta à notoriedade. Depois de intervir na
batalha do Mar de Java, o Exeter, escoltado pelos destróieres Pope e
Encounter, dirige-se para o sul. Avariado, e navegando em velocidade
reduzida, achava-se a 60 milhas ao sul de Bornéu, quando duas silhuetas
apareceram no horizonte. Eram os cruzadores pesados japoneses Nachi e Haguro,
escoltados por dois destróieres. As naves japonesas, avançando do sul,
fechavam o cerco estabelecido por outros dois cruzadores e dois destróieres
que vinham do norte. O Exeter e sua escolta estavam numa armadilha, e o seu
Capitão, Gordon, compreendeu isso imediatamente. Às 10h10 o cruzador inglês
rumou ao sudoeste, seguidos pelos destróieres, que lançaram uma cortina de
fumaça. O grande cruzador, nesse momento, navegava a 25 nós. Às 10h20, a armadilha se
fechou sobre os barcos ingleses. Os quatro cruzadores japoneses, a um só
tempo, abriram fogo com todos os seus canhões. O Exeter replicou, e o mesmo
fizeram os destróieres, que abriram fogo sobre a escolta japonesa. Durante
algum tempo, as naves trocaram disparos de canhões e torpedos. Por fim, às
11h20, uma granada de 8 polegadas acertou em cheio o barco inglês. Os
delicados mecanismos de controle de tiro foram danificados para sempre. As
torres do Exeter estavam, portanto, irreparavelmente silenciadas.
Imediatamente, deu-se a ordem de abandonar o navio, que foi cumprida. Poucos
minutos depois, um destróier japonês, aproximando-se, disparou um torpedo, e
o Exeter, ferido de morte, afundou nas profundezas. Na superfície, uma grande
mancha de óleo, e alguns destroços, flutuando à deriva, marcavam o lugar onde
repousava aquele que havia sido o vencedor do Graf Spee. Estilhaço 20 de março de 1942. As
forças japonesas, num avanço rápido, ameaçam apoderar-se da importantíssima
estrada da Birmânia. Tropas chinesas, numa ação desesperada, atacam os
japoneses, para impedi-lo. As forças inglesas, tentando ajudar os chineses,
enviam para o local da luta dois grupos de Guarda do Rei, de Essex e os
tanques do 7o Regimento de Hussardos. Quando essas forças chegam
às imediações da povoação de Paungde, são obrigadas a entrar em combate com
cerca de 2.000 japoneses, que ocupavam aquela posição. A dura luta ocasiona a
inevitável perda de alguns carros blindados, entre os quais o veículo comandado
pelo Tenente Pattison, que cai prisioneiro dos japoneses. O oficial inglês é
logo enviado à presença do chefe japonês, que o interroga. Ante o silêncio
hostil do tenente britânico, o oficial japonês o esbofeteia uma e outra vez.
Por fim, sem poder arrancar-lhe a informação desejada, entrega-o, com uma
ordem, à guarda. Minutos depois, amarrado fortemente, os japoneses arrastam o
Tenente Pattison para uma curva da estrada. Ali, por onde deverão passar os
tanques britânicos, amarram-no ao tronco de uma árvores. O oficial britânico
compreende, então, a diabólica intenção dos seus captores. Morrerá ali mesmo,
crivado pelas balas dos seus próprios companheiros. Não passará muito tempo,
quando o rumor das lagartas que se aproximam o colocam tenso. Pattison
percebe que são tanques ingleses que estão chegando. E com eles o seu fim. Quando o primeiro carro
inglês aparece de longe, os japoneses descarregam uma chuva de fogo sobre
ele. O tanque, imediatamente, responde ao fogo. Dada a colocação do Tenente
Pattison, forçosamente, os projeteis ingleses devem cair ao seu redor. E
assim acontece. Um após outro, os disparos o envolvem, numa sucessão de
explosões. As bombas de 25 libras caem cada vez mais perto. Mais e mais... De súbito, o impossível
acontece. O que parece frito da imaginação sucede. Um morteiro de 25 libras
atinge o tronco onde Pattison está amarrado, os estilhaços, sem tocá-lo, se
cravam aos eu redor. E um deles corta a corda que o sujeita. Pattison,
sentindo-se livre, arrebenta as últimas ligaduras que o prendem e,
rastejando, vai até os veículos ingleses. Minutos depois o Tenente
Pattison está nas suas linhas. A morte ficou para trás. Carros blindados 20 de março de 1942.
Carros blindados britânicos, enviados em auxílio das tropas chinesas que
enfrentam os japoneses, se aproximam do povoado de Paungde. Essa localidade
se encontra em poder dos japoneses e os ingleses sabem que precisam
apodera-se dela ou correm o risco de um cerco que pode implicar na destruição
de suas próprias forças. Nas primeiras horas do
dia 20 de março, os tanques britânicos se aproximam do povoado. Existem lá,
entrincheirados, 2.000 japoneses. Cada casa é uma verdadeira fortaleza. Cada
homem está disposto, como é tradicional, a lutar até o último alento pelos
seu imperador. As perspectivas não podem ser mais desalentadoras... É preciso abrir caminho,
combatendo sem descanso, sem trégua. Os tanques dispõem-se a atravessar a aldeia, enfrentando as
conseqüências. A uma ordem, avançam. Um dilúvio de fogo cai sobre eles.
Metralhadoras, fuzis e morteiros disparam incessantemente. Os japoneses,
entrincheirados nas casas, atiram granada após granada. Bombas Molotov caem,
em rápida sucessão. O estrondo é ensurdecedor. O ricochetear dos projeteis
sobre as blindagens dá a nota aguda, sobre o grave som dos canhões de 25
libras. Os caminhões oferecem alvo fácil para os atiradores japoneses. Um
após outro são destruídos. Um tanque salta e cai, capotado. Atrás dele, mais
caminhões e mais tanques destruídos. Então, quando a coluna é pressionada
pelos veículos da retaguarda, e deve avançar, inexoravelmente, chega o golpe
de misericórdia. Das nuvens, em ondas sucessivas, os bombardeiros japoneses
arrasam os veículos. Horas de pois, o combate
terminado, pela estrada, pouco antes deserta, se alonga um espetacular
cemitério de veículos. Ali ficaram 11 tanques e 100 caminhões. Stilwell Comentava-se que era “um
general de cabelos brancos e rosto curtido, que agüenta melhor a marcha,
dispara com maior precisão e trabalha mais duro que o soldado três vezes mais
jovens que ele...” Joseph Stilwell,
conhecido entre seus homens como Uncle Joe (Tio José), nasceu na Flórida e se
criou em Nova York. Depois de formar-se na Academia militar de West Point, em
1904, serviu no exército regular das Filipinas e na Califórnia. Foi enviado
para a França quando os Estados Unidos entraram na Grande Guerra (1914-1918)
e serviu, depois do armistício, no exército de ocupação. Nos Estados Unidos
estudou o idioma chinês e foi para Peiping, como adido da embaixada de seus
país. Desde 1920, prestou serviços, alternativamente, na China e nos Estados
Unidos. Durante os anos em que esteve na China travou grande amizade com
Chiang Kai-shek. Fez, além disso, longas viagens pelo país, sem outro
elemento que uma mochila. Conheceu assim, intimamente, o povo chinês. Essa
experiência lhe proporcionou falar o idioma de seus amigos chineses com
perfeição. Em plena guerra contra os japoneses, numa ocasião, devia conduzir
um grupo de 120 americanos, ingleses e chineses através da selva. As marchas
eram de 25 km diários, e o ritmo era dado pelo General Stilwell, que, além de
animar continuamente a coluna, aproveitava os momentos de repouso para
inspecionar infatigavelmente os homens e suas armas. Durante a marcha, a sua
alimentação se limitava a queijo e biscoitos. Outra de suas façanhas
foi caminhar, ao lado de seus soldados, ao longo de 340 km, através de uma
região açoitada pelo impaludismo e pela cólera, subindo por trilhas de montanhas
rochosas ou marchando, dias inteiros, rio acima, pelos leitos de cursos
d’água. |