Guerra na África do Norte

 

O avanço alemão para o Egito

            

A reconquista alemã da Cirenaica

Batalha de El Gazala e Bir Hacheim

 

 

Depois da derrota sofrida na Cirenaica, Rommel reagrupou suas dizimadas forças, em torno da localidade de El Agheila, onde conseguiu rechaçar os ataques que, sem demasiado empenho, foram lançadas pelas unidades de vanguarda do 8o Exército britânico. A 5 de janeiro de 1942, chegou a Trípoli um comboio italiano transportando 55 tanques, 20 veículos blindados, armas e abastecimentos de todo o gênero. Com o amparo desses elementos, o Afrika Korps recuperou, em parte, a sua capacidade combativa.

 

Rommel resolvera iniciar uma nova ofensiva no dia 17. Nessa data, escreveu à esposa uma carta, anunciando-lhe sua decisão: - Estou articulando - dizia - uma série de planos que não me atrevo a confiar a ninguém. Me julgariam louco...

 

Na realidade, seu projeto era extremamente arriscado. O Afrika Korps e as forças italianas haviam perdido quase a metade de seus soldados - mais ou menos 60.000 homens - e, praticamente, a totalidade de seus tanques. Nessas condições, a realização de uma ofensiva em grande escala era totalmente impraticável. Outras circunstâncias, no entanto, viriam a facilitar os planos de Rommel. Por ordem de Goering, a Luftwaffe concentrou, na Sicília, poderosas unidades - mais de 400 aviões - que, sob o comando do Marechal Kesselring, iniciaram uma ofensiva aérea maciça contra a ilha de Malta e as unidades da marinha britânica no Mediterrâneo. Os alemães conseguiram, dessa forma interromper temporariamente os devastadores ataques ingleses contra os comboios que abasteciam o Afrika Korps, e Rommel pôde receber valiosos reforços. Por sua vez, o 8o Exército britânico, extenuado pela longa campanha, e desvinculado de suas bases de abastecimento do Egito, teve sua potência grandemente reduzida.

 

Uma de suas brigadas foi enviada à Birmânia, para enfrentar os japoneses, e a veterana 7a Divisão blindada, foi substituída na frente de combate, pela inexperiente 1a Divisão, recém-chegada da Inglaterra.

 

Rommel considerou, a 20 de janeiro, ter chegado o momento de lançar-se à contra-ofensiva. Até esse dia havia mantido os seus planos no mais absoluto segredo, não os confiando sequer ao General Bastico, chefe das forças italianas. Às 8h30 da manhã de 21 de janeiro de 1942, o general alemão distribuiu ao seu Panzerarmee Afrika (Exército Panzer da África) a ordem de ataque. O Afrika Korps era composto pelas 15a e 21a Divisões Panzer e a 90a Divisão Panzer leve, e todas as formações italianas: 20o Corpo de Exército, com as Divisões Ariete e Littorio (blindadas) e Trieste (motorizada) e o 21o Corpo, com as Divisões de Infantaria Pavia, Brescia e a motorizada Trento.

 

Ao receber a determinação de Rommel, o General Bastico foi dominado por um acesso de fúria, e transmitiu imediatamente a Roma a notícia da intempestiva decisão do chefe alemão. Este, sem se perturbar pelos protestos do seu colega italiano, colocou-se à frente de suas colunas blindadas e iniciou o avanço contra as posições britânicas. Contava, nesse momento, com 196 tanques (117 alemães e 79 italianos).

 

 

A primeira vitória

 

Frente às posições alemães em El Agheila, os britânicos haviam concentrado uma brigada de infantaria motorizada e a 1a Divisão blindada. Esta unidade, comandada pelo General Messervy, contava com uma força de 150 tanques médios e leves. Mais atrás, em Bengási, estava localizada a 4a Divisão de infantaria hindu. O grosso do 8o Exército permanecia a centenas de quilômetros para o leste, nos arredores do porto de El Gazala e Tobruk. Rommel, portanto, tinha condições de aniquilar a 1a Divisão blindada, antes que esta pudesse receber auxílio da massa das forças britânicas.

 

O chefe alemão deslocou suas unidades em duas colunas. Uma avançou pela estrada da costa, e a segunda pelo interior, através do deserto. No lado britânico, a surpresa foi total. As tropas avançadas da 1a Divisão, nos areais, ao sul da localidade de Agedabia, viram-se repentinamente sob o fogo concentrado das Panzer, e tiveram de empreender acelerada retirada, deixando nas mãos dos alemães 9 canhões e 100 veículos. No dia 22, Rommel entrou em Agedabia e determinou que parte de suas forças efetuassem um movimento envolvente para o leste, para cercar, pela retaguarda, os tanques de Messervy.

 

Diante da grave ameaça que se articulava às suas costas, o chefe britânico ordenou retirada imediata. A 23 de janeiro, os tanques ingleses marcharam para o norte e se defrontaram com a muralha das Panzer. Estabeleceu-se uma violentíssima luta, durante a qual os ingleses perderam numerosos carros blindados. A maior parte, no entanto, conseguiu evadir-se através de uma brecha. Rommel, sem vacilar, lançou-se à sua perseguição e, no dia seguinte, conseguiu, depois de uma série de combates bem sucedidos, aniquilar a divisão. Messervy havia perdido na batalha 100 dos seus 150 tanques. A 27 de janeiro, Rommel enviou um grupo mecanizado em direção a Mechili para atrair a essa localidade as unidades do 8o Exército, que marchavam para apoiar a 4a Divisão hindu, que ainda permanecia entrincheirada em Bengási. Simultaneamente arremeteu com o grosso de suas forças contra Bengási, cortando a rota de escape dos hindus. Estes, contudo, conseguiram romper o cerco e se evadiram para o norte. No dia 29, os tanques alemães e italianos entraram em Bengási. Apesar da destruição feita pelos ingleses, antes da retirada, Rommel conseguiu capturar uma enorme quantidade de combustível, armas, víveres e provisões. A extraordinária presa incluía 1.300 caminhões, em perfeito estado de funcionamento, que foram usados pelo chefe alemão, no seu avanço posterior.

 

A marcha para El Gazala

 

A notícia do desastre sofrido pela 1a Divisão blindada convenceu finalmente o General Ritchie, chefe do 8o exército, que o ataque de Rommel não era uma simples tentativa de penetração, mas sim uma ofensiva em grande escala. Em vista disso, ordenou que todas as suas forças se deslocassem, aceleradamente, até um determinado ponto, ao sul do porto de El Gazala.

 

Uma coincidência fez com que, no mesmo dia em que Rommel ocupou Bengási, recebesse de Mussolini a ordem terminante de conquistar a cidade. O ditador ainda assinalava, na sua presunçosa determinação, que a cidade devia ser atacada unicamente por forças motorizadas, sem recorrer às divisões de infantaria italianas, que, por sua ordem, haviam permanecido na retaguarda, sem intervir na luta. Rommel, no entanto, estava já preocupado com coisas mais importantes. Estabeleceu o corpo blindado italiano a leste de Bengási, e lançou suas Panzer em perseguição aos britânicos. O avanço adquiriu, então, um ritmo vertiginoso.

 

Deslocando-se pela estrada costeira, e através do deserto, as colunas do Afrika Korps convergiram sobre a linha de El Gazala. A 2 de fevereiro teve lugar um choque sangrento com tropas de uma brigada hindu, a qual, depois de encarniçada resistência, teve de bater em retirada. A bordo de um veículo de exploração, Rommel, nesse dia, entrou na cidade de Derna, abandonada já pelo inimigo. No dia 4, os britânicos dispersaram sua concentração em El Gazala e tentaram imediatamente consolidar posições defensivas.

 

A luta se interrompe

 

Uma vez alcançada as linhas britânicas, as forças alemães detiveram seu avanço. A longa e rápida marcha e os ininterruptos combates haviam extenuado as tropas e diminuído o potencial combativo do Afrika Korps. Rommel, em vista disso, resolveu fazer uma pausa, para descansar seus homens e reparar as armas e os veículos. Necessitava, além disso, de reorganizar suas linhas de abastecimento, e receber reforços das sua bases de provisões, situadas a centenas de quilômetros, na retaguarda. Exista também a possibilidade do 8o Exército tentar retomar a iniciativa lançando-se de surpresa num contra-ataque.

 

Para frustrar esta última ameaça, o chefe alemão iniciou a construção de posições fortificadas e estendeu um vasto campo de minas, frente às linhas inglesas. Os caminhos que corriam atrás da frente de combate foram também minados e protegidos com ninhos de metralhadoras e canhões antitanques. O Afrika Korps pôde assim dedicar-se, por inteiro, à reconstituição de suas forças.

 

No lado inglês desenvolviam-se trabalhos semelhantes. Por ordem do General Auchinleck, comandante-em-chefe britânico no Oriente Médio, Ritchie também passou a construir uma cadeia de poderosas fortificações. De El Gazala, na costa do Mediterrâneo, até Bir Hacheim, reduto situado a 64 km para o sul, os ingleses semearam centenas de milhares de minas, e levantaram inúmeras fortificações. Esses redutos tinham por missão impedir que os alemães abrissem brechas através do campo minado. Eram defendidos por fortes alambrados e suas guarnições contavam com abastecimentos para resistir por muito tempo, em caso de serem sitiados.

 

O flanco direito dessa linha era defendido pela 1a Divisão de infantaria Sul-africana e pela 50a Britânica. Na extremidade esquerda situou-se uma brigada de tropas da França Livre, com base em Bir Hacheim. Na retaguarda, em Tobruk, ficaram a 2a Divisão Sul-africana e a 5a hindu. O grosso das forças blindadas, integradas pelas 1a e 7a Divisão, colocou-se em profundidade, em torno do entroncamento rodoviário de Knightsbridge. Todas essas forças foram submetidas a um intenso treinamento, pois, por ordem de Churchill, teriam de lançar-se o quanto antes ao contra-ataque.

 

Em março, Rommel viajou até o QG de Hitler, para fazer sentir ao Fuhrer a necessidade de incrementar o poderio do Afrika Korps e de ordenar a conquista de Malta. Hitler resolveu invadir essa ilha com forças italianas e alemães, no mês de junho. Posteriormente decidiu adiar a data desse ataque. No dia 28 de abril chegou ao posto de comando de Rommel o Marechal Kesselring, que exercia o comando supremo de todas as forças alemães no Mediterrâneo, e lhe comunicou que havia sido resolvido ocupar Malta em fins de maio. Este plano, batizado com o nome-chave Hércules, foi, no entanto, abandonado. A 21 de maio, Hitler ordenou que os preparativos continuassem apenas no papel, e que o ataque a Malta fosse suspenso, caso Rommel conseguisse conquistar Tobruk. Essa decisão traria funestas conseqüências para o Afrika Korps, pois os aviões e barcos britânicos, com base em Malta, conseguiriam, brevemente, interromper quase por completo o tráfego de comboios de abastecimento pelo Mediterrâneo.

 

Diante da grave ameaça que pairava sobre Malta, submetida já a incessantes bombardeios, Churchill ordenou ao General Auchinleck, a 10 de maio, que aprontasse suas forças para realizar uma ofensiva que obrigasse Rommel e o alto-comando alemão a concentrar todos os seus efetivos na Líbia.

 

O ataque deveria se efetuar nos primeiros dias de junho, coincidindo com o envio de um grande comboio de abastecimento à ilha. Na sua carta, Churchill expressava a Auchinleck a vital importância para os aliados que a conservação de malta representava. “Sua posse - dizia - dará ao inimigo uma ponte livre e segura para a África, com todas as conseqüências que advêm de tal fato. Sua perda cortará a rota aérea, da qual o senhor e a Índia dependem, para receber substancial reforço por meios de aviões... Comparados com a certeza desses desastres, consideramos que os riscos expostos pelo senhor sobre a segurança do Egito são seguramente menores, e os aceitamos”.

 

Foi assim, que, tanto o 8o Exército britânico, como o Afrika Korps, prepararam-se, simultaneamente, para passar à ofensiva.

 

As forças frente a frente

 

Ao começar o seu ataque contra as posições britânicas, Rommel dispunha de 320 tanques alemães e 240 italianos (estes, totalmente antiquados, chamados pelas tropas caixões motorizados). Os ingleses, por sua vez, contavam com 900 carros blindados, dos quais cerca de 200 eram tanques americanos Grant, armados com canhões laterais de 75 mm e canhões em torre giratória, de 37 mm. Os Grant, usados pela primeira vez na Líbia, surpreenderiam Rommel e causariam graves perdas ao Afrika Korps, pois seus canhões de 75 mm tinham maior alcance que as peças de artilharia dos tanques alemães Mark III e Mark IV. O restante dos tanques britânicos eram do tipo Crusader e Stuart, claramente inferiores aos similares alemães.

 

No ar, as forças do Eixo estavam, pela primeira vez, em relativa superioridade. A Luftflotte II, comandada pelo Marechal Kesselring, e as unidades da Régia Aeronáutica dispunham de 542 aparelhos, dos quais 120 eram velozes caças Messerschmitt 109. Os britânicos tinham 604 aviões de combate, porém seus caças Hurricane e Curtiss P-40 não podiam  competir com os Messerschmitt. No terreno das armas antitanques, Rommel levava uma vantagem decisiva com suas numerosas baterias de 50 e 88 mm.

 

Para romper as fortificações de El Gazala, Rommel traçou um plano audacioso. O movimento inicial seria desfechado pelas divisões italianas de infantaria, na forma de um ataque frontal contra o extremo norte e o centro das posições inglesas. Alguns tanques e veículos se deslocariam na retaguarda dessa frente, simulando a concentração de forças blindadas nessa zona. Dessa forma, se faria crer ao inimigo que o ataque principal seria efetuado nesses setores. Conseguir-se-ia assim que os britânicos concentrassem a totalidade ou uma parte importante de seus tanques ao norte da linha fortificada. Enquanto isso, a maior parte das forças  blindadas formadas pelo Afrika Korps (Divisões Panzer 15a e 21a  e a 90a leve) e pelo 20o Corpo motorizado italiano (Divisão blindada Ariete e motorizada Trieste) irromperiam pelo extremo sul, num movimento de flanco através do deserto, em torno do reduto de Bir Hacheim.

 

Uma vez alcançada a retaguarda das posições fortificadas, o Afrika Korps e os blindados italianos avançariam velozmente para o norte, em direção à costa do Mediterrâneo, para destruir as unidades blindadas do 8o Exército britânico. O aniquilamento dessas forças selaria a sorte das divisões de infantaria inimigas, entrincheiradas ao longo da linha de El Gazala. Sem o apoio dos tanques, os infantes, cercados, não teriam como resistir à investida dos Panzer. Simultaneamente, a 90a Divisão leve alemã penetraria profundamente para o nordeste, e cortaria a retirada da guarnição de Tobruk.

 

Sem saber, o General Ritchie, chefe do 8o Exército britânico, facilitaria os planos de Rommel, ao determinar a localização, em forma dispersa, de suas unidades blindadas. Colocou o 30o Corpo de exército, que agrupava a maior parte dos carros blindados, no flanco esquerdo, distribuindo suas várias unidades através do deserto. No extremo sul, junto a Bir Hacheim, situou a 3a Brigada motorizada hindu e a 7a Brigada motorizada. Mais ao norte localizou-se a 4a Brigada blindada, e no centro, em torno do reduto de Knightsbridge, a Brigada motorizada da Guarda e as 2a e 22a Brigadas blindadas. Assim, separadas umas das outras, as formações blindadas inglesas não estavam em condições de opor uma resistência eficaz ao impetuoso avanço do Afrika Korps.

 

Do seu posto de comando, no Cairo, o General Auchinleck, comandante-em-chefe das forças britânicas no Oriente Médio, vislumbrou claramente o perigo que representava a distribuição das forças adotada por Ritchie. Escreveu-lhe, então, a 20 de maio, uma longa carta, instando-o a manter juntas suas unidades blindadas, e colocá-las numa posição central, para possibilitar a utilização da totalidade de seus tanques, num contra-ataque de flanco contra o Afrika Korps, quando este conseguisse irromper através da linha fortificada. Ritchie, no entanto, não levou em consideração o acertado conselho. Deveria pagar muito caro o seu erro.

 

A Operação Veneza

 

Às duas da tarde de 26 de maio de 1942, Rommel deu às suas forças a ordem de ataque. Acobertadas por violento fogo de artilharia, as tropas italianas se lançaram ao assalto contra o setor central da linha de El Gazala. Cumprindo o plano de simulação, um regimento de tanques do Afrika Korps e outro do 20o Corpo motorizado italiano, acompanharam os infantes na etapa inicial do ataque e se expuseram às vistas dos aviões britânicos de reconhecimento. Ai cair da tarde, porém, estas unidades se deslocaram velozmente para o sul, a fim de reincorporar-se ao restante do grupamento blindado.

 

A concentração do Afrika Korps, no extremo sul, não passou, no entanto, inadvertida para as unidades de vanguarda britânicas, colocadas junto a Bir Hacheim. Os carros blindados de reconhecimento da 7a Brigada motorizada informaram pelo rádio às 15h30 que numerosos tanques e caminhões alemães avançavam em direção às linhas inglesas. Essa informação vital, porém, não foi levada em consideração pelo alto-comando britânico. O General Messervy, chefe das unidades blindadas que cobriam o setor de Bir Hacheim, tentou em vão convencer seu superior, o General Norrie, chefe do 30o Corpo de exército, que o ataque principal de Rommel deveria vir do sul.

 

Enquanto a confusão se alastrava nas fileiras britânicas, as forças blindadas do Eixo davam início ao ataque decisivo. A ação, batizada com o nome-chave de Operação Veneza, começou às 22h30 de 26 de maio. Sob um luar esplêndido, 10.000 veículos alemães e italianos, deslocaram-se em intermináveis colunas através das areias do deserto. Na vanguarda, no seu carro de comando, marchava Rommel. Pouco antes do amanhecer, as colunas fizeram alto a 18 km ao sul de Bir Hacheim. Ali, sem pressentir o perigo, montavam guarda os soldados da 1a Brigada de Franceses Livres, do General Koenig.

 

Depois de uma hora de descanso, Rommel ordenou reiniciar o avanço. As divisões italianas Ariete e Trieste, marchando sobre Bir Hacheim, lançaram-se ao ataque, confiantes que haviam de desbaratar facilmente a reduzida guarnição. Os franceses, no entanto, ofereceram encarniçada resistência e rechaçaram os italianos, infligindo-lhes grande perdas. O Afrika Korps, enquanto isso, irrompeu na retaguarda da linha fortificada, e, às 7h30 de 27 de maio, superou a 3a Brigada motorizada hindu, destruindo-a por completo. A 7a Brigada motorizada britânica caiu também frente à demolidora investida e, sofrendo sangrentas baixas, retirou-se, desordenadamente, para o leste. Com o caminho desguarnecido, a 90a Divisão leve alemã iniciou sua penetração para Tobruk e, às 10 horas da manhã, suas vanguardas alcançaram a localidade de El Adem, situada a poucos quilômetros ao sul da fortaleza.

 

À beira da derrota

 

Aparentemente, o plano de Rommel, parecia desenvolver-se com sucesso total. A surpresa havia sido conseguida, e as dispersas unidades blindadas do 8o Exército não haviam conseguido concatenar suas ações para conter a penetração dos alemães. No entanto, breve se produziria uma reviravolta da situação.

 

Ao ter conhecimento do desastre sofrido pelas brigadas motorizadas ao sul de Bir Hacheim, o alto-comando britânico ordenou que a 4a Brigada blindada saísse imediatamente ao encontro do Afrika Korps e bloqueasse o seu avanço para o norte. Entretanto, a unidade nem chegou a pôr-se em movimento. Deslocando-se, velozmente, a 15a Divisão Panzer atacou-a, repentinamente, e depois de um violento combate, obrigou-a a retirar-se. Os alemães, contudo, sofreram grandes perdas, pois, como assinalou o próprio Rommel: “- Nos esperava ali uma surpresa, muito pouco agradável: o novo tanque Grant”.

 

Apesar das baixas sofridas sob o fogo dos Grant, o Afrika Korps continuou o seu avanço para o norte. Os ingleses saíram novamente em seu rastro, lançando na batalha a 22a Brigada blindada. Rommel, porém, novamente se antecipou ao ataque, e arremeteu contra os tanques inimigos, antes que estes, sequer, saíssem para o combate. Os britânicos combateram encarniçadamente, apoiados por violento fogo de artilharia e, antes de retirar-se, conseguiram destruir muito tanques e veículos alemães.

 

Ao cair da noite, Rommel, alarmado e preocupado, compreendeu que seu plano havia fracassado. Os ingleses, apesar das sucessivas derrotas, continuavam resistindo tenazmente ao longo de toda a frente, e haviam conseguido cortar, na retaguarda, as linhas de abastecimento do Afrika Korps. Além disso, a 90a Divisão leve alemã, acabava de ficar isolada em El Adem. A estes reveses somavam-se a falta de combustível e de munições, e a perda, em combate, de um terço de seus tanques.

 

Diante do difícil problema, e sob a ameaça iminente de um contra-ataque britânico, Rommel decidiu reagrupar, com presteza, todas as suas forças. 28 de maio, foi o dia decisivo, em que, em virtude da vacilação de seus chefes, o 8o Exército britânico perdeu a chance mais favorável para derrotar o Afrika Korps. Durante todo esse dia, as duas divisões Panzer permaneceram, por falta de combustível, praticamente paralisadas no meio do deserto. Por sua vez, a 90a Divisão leve viu-se obrigada, depois de sofrer pesadas baixas, a retirar-se de El Adem, e não conseguiu reincorporar-se ao restante das forças alemães. Nessas condições, um ataque britânico teria alcançado êxito seguro.

 

Com sua característica energia, Rommel conseguiu, contudo, afastar o perigo. Ordenou à 90a Divisão leve que se unisse, imediatamente, ao grosso do Afrika Korps, e apoiou sua movimentação, intercalando na brecha a Divisão blindada Ariete. Simultaneamente, organizou uma coluna de abastecimento, e, à frente dela, atravessou na manhã de 29 de maio o campo de batalha e reabasteceu as unidades Panzer.

 

Rommel na defensiva

 

Na noite de 29 de maio, resolveu o chefe alemão pôr um fim ao ataque, e passar à defensiva, para reorganizar suas forças. Havia já conseguido reagrupar suas unidades no próprio centro do dispositivo britânico (zona de luta intensa e incessante, a que os próprios britânicos chamavam de a caldeira). Apoiou sua retaguarda no oeste, nos extensos campos minados da linha de El Gazala, e cobriu os flancos, ao norte, ao sul e a leste, com uma barreira de armas antitanques. Adotando essa posição, Rommel, aparentemente, ficava aprisionado.

 

Não tardou, contudo, livrar-se do aperto. Destacamentos de sapadores do 10o Corpo de exército italiano abriram, partindo do oeste, duas sendas à margem da franja minada, permitindo o envio de suprimentos ao Afrika Korps. O próprio Rommel franqueou a barreira e, a 30 de maio, manteve, do outro lado da linha, uma conferência com o Marechal Kesselring, durante a qual comunicou-lhe seus planos para reassumir a ofensiva. Manteria, temporariamente, a maior parte de suas forças na cabeça de ponte, junto ao campo minado, obrigando os ingleses a desgastar suas unidades blindadas, numa série de ataques frontais contra as baterias antitanques. Ao mesmo tempo, consolidaria, definitivamente, suas linhas de comunicações, aniquilando a 150a Brigada britânica, que estava entrincheirada às costas do Afrika Korps, e à guarnição francesa de Bir Hacheim, que bloqueava a rota de abastecimento pelo sul.

 

Na manhã de 31 de maio, a 90a Divisão leve e a Ariete iniciaram o ataque contra o reduto da 150a Brigada. Lutando desesperadamente, os infantes ingleses infligiram sangrentas baixas às força alemães e italianas (entre os feridos estava o Coronel Westphal, chefe do estado-maior de Rommel). Contudo, no dia seguinte, a resistência pôde ser superada e perto de 3.000 soldados foram feitos prisioneiros. Esta vitória deu a Rommel o controle definitivo de todo o setor central da linha de El Gazala.

 

Chegava agora a vez de Bir Hacheim, onde se travaria um dos mais encarniçados encontros de toda a campanha. Abrigados sob uma intrincada rede de casamatas, trincheiras e ninhos de metralhadoras, quatro batalhões de soldados franceses, comandados pelo General Koenig, conseguiram rechaçar, durante 11 dias, os furiosos ataques da 90a Divisão leve alemã, e da Divisão italiana Trieste. A Luftwaffe incorporou-se à luta, e submeteu as posições de Bir Hacheim a um implacável bombardeio. De 2 a 11 de junho, os Stukas realizaram 1.300 ataques contra o reduto francês. Com um heroísmo incomparável, os soldados de Koenig, entre os quais se encontravam dois batalhões da Legião Estrangeira, mantiveram-se firmes em suas posições. Finalmente, receberam ordem de retirar-se. Na noite de 10 de junho, os sobreviventes, com o General Koenig à frente, abriram passagem através do cerco e chegaram às linhas britânicas.

 

Enquanto se desenrolava, em Bir Hacheim, essa dramática luta, Rommel trabalhava, aceleradamente, reorganizando suas forças. Sabia que os ingleses não tardariam a lançar suas unidades blindadas contra a cabeça de ponte que o Afrika Korps sustentava junto ao campo minado. Ali, na caldeira, dar-se-ia o choque que iria decidir a sorte da batalha.

 

Otimismo em Londres

 

Enquanto a luta de desenrolava na Líbia, em Londres Churchill dava publicidade ante a Câmara dos Comuns a uma informação que acabava de receber da frente de combate, enviada pelo general Auchinleck. O documento rescendia otimismo e dava a entender que os comandos britânicos na África confiavam obter a vitória sobre Rommel. De fato, Auchinleck, no seu informe, dizia o seguinte: “O ataque contra a frente norte de nossa posição principal, ao sul de El Gazala, realizado no dia 27, conseguiu pouco ou nada. Outra tentativa de irromper através de nossas defesas, pela estrada da costa, foi detida. Durante os dias 28, 29 e 30 de maio foram travadas lutas contínuas e violentas, entre nossas divisões blindadas e o Afrika Korps alemão, apoiado pelo Corpo móvel italiano. A batalha deslocou-se em vaivéns, numa ampla região, limitada ao norte por Acroma e, 40 milhas ao sul, por Bir Hacheim ...

O inimigo, ao esgotar seus abastecimentos e água, teve que abrir brechas em nossos campos minados...

A 31 de maio, o inimigo conseguiu retirar muitos de seus tanques e veículos através dessas brechas, as quais tratou imediatamente de proteger de ataques provenientes do leste, localizando canhões antitanques, com os quais está bem equipado... Uma luta intensa ainda está-se travando, e a batalha, de modo algum, terminou. Esperam-se novos e violentos combates, porém quaisquer que sejam os resultados, não existe a menor sombra de dúvida de que os planos de Rommel para sua ofensiva inicial foram totalmente desbaratados, e que seu fracasso lhe custou grandes perdas em homens e materiais...”.

 

Baseado nesse informe alentador, Churchill pôde encerrar suas declarações, dizendo: - Temos todas as razões para estar muito satisfeitos com o desenvolvimento da batalha até o presente... Logo, no entanto, a “Raposa do Deserto” demonstraria que os chefes britânicos se haviam apressado demais, julgando-o derrotado.

 

Anexo

 

A Linha El Gazala - Bir Hacheim

A chamada Linha El Gazala - Bir Hacheim era uma longa posição fortificada que se estendia desde El Gazala, na costa do Mediterrâneo. Até Bir Hacheim, situada 64 km ao sul. A linha defensiva era integrada, principalmente, por campos minados. Havia 500.000 minas que se constituíam, logicamente, um obstáculo muito difícil de franquear. Porém, dada a possibilidade de abri caminho através dos campos minados, aquilo não era suficiente. Devia ser complementada com uma defesa muito firme. Sob esse aspecto, os britânicos admitiram que, mesmo a mais férrea das obras defensivas sempre, invariavelmente, ofereceria seu flanco esquerdo desguarnecido. Era, com efeito, impossível construir uma linha defensiva de tal extensão, que fosse efetivamente capaz de proteger as forças. Uma linha nessas condições se prolongaria quase indefinidamente.

A situação foi solucionada construindo-se uma cadeia de reditos fortificados, que abrigavam desde pequenas unidades até brigadas inteiras. Defendidos pelos campos de minas, e por fortes alambrados, eram, na verdade, pequenos fortins. As guarnições tinham abastecimentos para resistir a um longo assédio e possuíam sua própria artilharia.

A função dos redutos era dupla. Em primeiro, defender os campos de minas. Em segundo, convertiam-se em baluartes que era necessário eliminar e não deixar atrás.

 

 

Dois contra um

31 de janeiro de 1942. As colunas do Afrika Korps avançam velozmente através das areias da Cirenaica, depois de derrotar e causar graves danos aos tanques do 8o Exército britânico. Nessa dramática circunstância, o General Auchinleck enviou a Winston Churchill um detalhado relatório sobre a causa fundamental do desastre: os carros blindados foram superados pelos poderosos canhões das Panzer.

O informe dizia textualmente: “- Com relação à atuação da 1a Divisão blindada: não tenha a certeza de que os tanques inimigos hajam sido numericamente inferiores aos nossos... mas é possível mesmo que, na zona de lutas, nossa força de tanques, tenha sido superior à deles. Já dei a V. Excia. as razões da derrota de nossas forças blindadas e creio que elas continuam válidas. As causas que mencionei, são o alcance e o rendimento inferiores do canhão de duas libras, comparados com os canhões alemães, e a pouca segurança mecânica de nossos tanques de cruzeiro, comparados com os tanques alemães. Além disso, não estou satisfeito com a atuação tática de nossas unidades blindadas, que não é de nível suficientemente elevado, para compensar a superioridade material dos alemães. Vejo-me obrigado, muito a contragosto, a chegar à conclusão de que, para enfrentar as forças blindadas alemães, com uma esperança razoável de sucesso, as nossas forças blindadas, tal como estão atualmente equipadas, organizadas e dirigidas, precisam apoiar-se, pelo menos, numa superioridade de dois contra um. Mesmo assim, devem recorrer, para obter êxito, a uma estreita cooperação com a infantaria e a artilharia”.

 

 

As forças frente a frente

 

Forças à disposição de Rommel

Afrika Korps

15a Divisão Panzer

21a Divisão Panzer

90a Divisão Leve

20o Corpo de Exército

101a Divisão motorizada Trieste

132a Divisão blindada Ariete

133a Divisão blindada Littorio

21o Corpo de Exército

17a Divisão de infantaria Pavia

27a Divisão de infantaria Brescia

102a Divisão de infantaria Trento

Forças blindadas: 320 tanques alemães (40 Pz IV, com canhão de 75 mm), 240 tanques italianos

Força aérea: 542 aviões (120 Me 109)

 

Forças à disposição de Ritche

13o Corpo de Exército

1a Divisão Sul-africana

50a Divisão de infantaria

Guarnição de Bir Hacheim

1a Brigada de tanques

30a Brigada de tanques

30o Corpo de Exército

1a Divisão blindada

7a Divisão blindada

12a Brigada de lanceiros

4o Regimento de tanques (sul-africano)

Guarnições de Tobruk, Gambut e Bardia

2a Divisão Sul-africana

5a Divisão hindu

Forças Francesas Livres

Forças blindadas: 900 tanques (200 Grant, americanos, com canhão de 75 mm)

Força aérea: 604 aviões

 

 

O Afrika Korps

O Afrika Korps não foi, como se pode supor, um corpo integrado por tropas selecionadas. Tampouco, suas unidades eram formadas por soldados voluntários, treinados especialmente para a guerra no deserto. Pelo contrário, o Afrika Korps era uma unidade formada por soldados recrutados segundo o procedimento comum, e treinados segundo os planos normais das unidades alemães. Somente alguns de seus oficiais recebiam instruções especial, quando agregados a unidades italianas, veteranas do combate no deserto. Em outros pontos, nada diferenciava o Afrika Korps dos demais grupos de combate da Reichswehr.

O soldado alemão era jovem, forte, e se achava perfeitamente adestrado no uso de suas armas. Seu sentido de dever e de disciplina o convertiam num bom soldado. Todas essas condições, importantes em outros campos de batalha, não se aplicavam, porém, no deserto. Com efeito, a experiência demonstrou que os australianos, os neozelandeses, os sul-africanos e até os ingleses, se adaptam melhor que os alemães à luta no deserto. De outra parte, não apenas os soldados, mas também os oficiais e corpos técnicos, careciam de experiência de luta em solo africano; experiência, que os ingleses possuíam, em alto grau. Compensando seus fatores negativos, o Afrika Korps possuía uma vantagem muito importante: a homogeneidade de suas unidades. Com efeito, as unidades britânicas eram um verdadeiro mosaico de raças, nacionalidades e idiomas. Seus oficiais e seus homens, muitas vezes, precisavam entender-se por meio de intérpretes. Forçosamente, sua organização e eficiência deveriam ressentir-se. Isto não ocorria aos alemães.

O Afrika Korps teve, e manteve nos seus veteranos, mesmo depois de terminada a guerra, um extraordinário espírito de equipe. O mesmo espírito que Rommel, o chefe incontestável, havia sabido inculcar nos seus soldados.

 

 

Os heróis de Bir Hacheim

A 64 km da costa do Mediterrâneo, encontra-se Bir Hacheim. Seu nome deriva de um antigo poço de ;água, que existiu na região em tempos imemoriais. Até o mês de maio de 1942, Bir Hacheim se caracterizava por ser, apenas, o extremo sul da linha defensiva El Gazala - Bir Hacheim. A 27 de maio, ali se encontravam quatro batalhões que integram a Brigada de Franceses Livres, sob o comando do General Koenig. Nesse mesmo dia, as Divisões italianas Ariete e Trieste atacam o reduto. Dada a disparidade das forças, sua queda em mãos dos atacantes deve ser rápida. Essa previsão, porém, não se cumpre. Os franceses resistem ao ataque, encarniçadamente, e retêm, em suas mãos, o fortim, a Ariete, perde, no ataque, 40 tanques.

Bir Harcheim, nas mãos dos franceses, converte-se numa perigosa cunha, que ameaça interromper as linhas de abastecimento do Afrika Korps, que, mais ao norte, combate os britânicos.

Rommel decide, diante disso, forçar a rendição dos defensores. Preliminarmente, durante a noite de 1o para 2 de junho, rodeia a posição francesa com os efetivos da 90a Divisão leve alemã e com a Trieste. Em seguida, exige a rendição. Koenig, sem vacilar, rechaça a intimação e abre fogo. As unidades do Eixo iniciam, então, o ataque, que se prolonga, ininterruptamente, durante 10 dias,

A Luftwaffe, por sua vez, apoiando o ataque dos efetivos terrestres, lança onda após onda de aviões sobre os franceses. Entre 2 e 11 de junho, a aviação alemã realiza 1.300 ataques contra Bir Hacheim. Além disso, a artilharia bombardeia incessantemente a posição, e a infantaria realiza repetidos ataques. Bir Hacheim, contudo, resiste.

O dispositivo francês constava de 1.200 ninhos de metralhadoras, trincheiras de combate e esconderijos de armas leves e pesadas. Densos campos minados defendiam, também a cidadela francesa. Até 6 de junho, a 90a Divisão leve alemã realiza desesperadas tentativas, e suas pontas de lança chegam a aproximar-se até 800 metros do centro do reduto. Contudo, são contidas e rechaçadas. A esta ação seguem-se novos e terríveis bombardeios aéreos e terrestres. Mas Bir Hacheim continua resistindo. No dia 9, a infantaria alemã, sob as vistas de Rommel, que, pessoalmente, presencia a operação, se lança ao ataque, conseguindo chegar a 200 metros do reduto central, mas sofrendo terríveis perdas. Nesse meio tempo, a Luftwaffe continua martelando a posição francesa. No dia 10, um grupo de combate, sob a orientação do Coronel Baade consegue apoderar-se dos principais ninhos defensivos dos franceses. Estes, sem esmorecimentos, continuam combatendo. Nessa mesma noite (10 de junho), obedecendo ordens do comandante-em-chefe britânico, o General Koenig abandona a posição com a maior parte de suas tropas. É auxiliado, na emergência, pela 7a Brigada motorizada britânica. O carro do General Koenig é dirigido, debaixo do fogo alemão, por uma enfermeira, Susan Travers, até as posições britânicas. Ao chegar, o carro apresenta 11 perfurações de bala.

Na manhã de 11 de junho, a 90a Divisão leve  alemã ocupa Bir Hacheim. Encontra ali, perto de 500 franceses, feridos na sua maioria, que não puderam ser evacuados.

A epopéia de Bir Hacheim terminara. Os Franceses Livres de Koenig escreveram uma brilhante página de heroísmo. França, a França imortal, não se rende.

 

 

Um velho soldado

26 de maio de 1942. O Afrika Korps avança através dos campos de minas que se alongam no flanco sul do exército britânico e irrompe nas linhas da retaguarda. Um grupo de carros blindados e veículos semilargatas alemães ataca, repentinamente, o QG da 7a Divisão Blindada britânica. Os ingleses, surpreendidos, esboçam uma fraca resistência. O General Messervy, chefe da divisão, trata de se afastar do local, com dois oficiais de seu Estado-Maior. As metralhadoras alemães, no entanto, matam o motorista e o veículo para. Messervy compreende que não tem escapatória. Toma então uma resolução audaciosa. Sem vacilar, com um rápido golpe, arranca do colarinho as insígnias do seu posto. Consegue assim não ser identificado. Um pouco depois, conduzido para a retaguarda junto com seus oficiais, é entrevistado por um oficial médico do Afrika Korps. Este ao ver diante de si um homem de idade madura, vestindo o uniforme, lhe diz: - O senhor tem mais de 35  anos, não é?... Nós, no Afrika Korps não queremos ninguém com menos de 35 anos... Messervy, imperturbável lhe respondeu: - Sou um velho soldado ... lutei na outra guerra e me apresentei novamente, como voluntário, para lutar nesta... porém não sou nada mais que o limpador de banheiros do comando da minha divisão...

Nessa noite, Messervy conseguiu iludir a vigilância de seus captores e se internou no deserto, rumo às linhas britânicas. Caminhando sem parar, sol o sol ardente da manhã, ao longo de quase 30 km, o General Messervy conseguiu finalmente chegar ao QG do 8o Exército. O “velho soldado”, um dia e meia depois, estava novamente à frente da sua divisão.

 

 

 

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