A derrota do 8o Exército britânico
A derrota do 8o Exército
britânico
Tobruk
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Junho, 1o de 1942. A sudoeste do porto de Tobruk, o Afrika Korps e o 8o Exército britânico acham-se empenhados, há cinco dias, em uma sangrenta batalha. Encurralados contra os extensos campos de minas da linha de El Gazala, as forças alemães desprovidas de combustível e munição, encontram-se em gravíssima situação. Rommel, sem vacilar, ordena que seus tanques aniquilem uma brigada de infantaria britânica, entrincheirada às suas costas e estabelece contato, através do campo minado, com as unidades do 10o Corpo de Exército italiano. Assim, a crise é superada. Enquanto as Panzer se reabastecem aceleradamente, os ingleses permanecem inativos. Uma terrível confusão reina nas fileiras do 8o Exército. Seu chefe, o General Ritchie, convencido de que a batalha está ganha, dispõe-se a lançar um último ataque para exterminar as unidades de Rommel, que “caíram na ratoeira”. No entanto, não consegue coordenar um plano definido e perde, assim, um tempo precioso. Resolve, finalmente, efetivar uma investida direta contra as posições alemães. O ataque, partindo do sudoeste, será feito por tropas de infantaria da 5a Divisão hindu e pela 22a Brigada blindada. Simultaneamente, a 32a Brigada de tanques pesados intervirá também no assalto vindo do norte. A operação, designada de Aberdeen, se iniciará na manhã de 5 de junho. A irresolução dos britânicos possibilita a Rommel uma pausa de 4 dias, que ele aproveita procurando reorganizar suas dizimadas unidades e consolidando as defesas do perímetro que ocupa. Com serenidade e absoluta confiança na vitória, aguarda então o ataque das forças de Ritchie. |
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Derrota decisiva Durante a noite de 4 para 5 de junho, o chefe alemão situou a 15a Divisão Panzer ao sul do perímetro defensivo, com o objetivo de poder deslocá-lo livremente para o nordeste ou sudoeste, conforme a orientação do ataque britânico. De suas trincheiras, na vanguarda, os soldados do Afrika Korps podiam vislumbrar na obscuridade as massas negras dos carros blindados inimigos tomando posição para o ataque. Às 3 horas da madrugada, a infantaria hindu iniciou o avanço e conseguiu penetrar profundamente nas linhas alemães. Chegou o dia, porém, e com ele a derrota para os britânicos. Pouco antes das 6 da manhã, e depois de uma hora de violenta preparação pela artilharia, a 22a Brigada blindada, integrada por 156 tanques leves Stuart, deslocou-se em leque e investiu contra as linhas defendidas pela divisão blindada Ariete. No primeiro momento, o ataque britânico teve sucesso, e obrigou os tanques italianos a recuar até às linhas da artilharia alemã. Ali, os carris blindados ingleses caíram sob o fogo cerrado das mortíferas peças de 88 mm e sofreram enormes baixas. Os tanques que conseguiram escapar à destruição retiraram-se aceleradamente e deixaram abandonadas, a retaguarda, as unidades de infantaria. Do sul, avançando velozmente, a 15a Divisão Panzer e um grupo motorizado conduzido pelo próprio Rommel cortaram a retirada dos ingleses e os submeteram a um fogo devastador. Combatendo com bravura extraordinária, os tanques britânicos abriram passagem até suas linhas. Enquanto isso, ao norte, a 32a Brigada de tanques, composta por veículos pesados Matilda, foi rechaçada pela 21a Divisão Panzer e embrenhou-se num campo de minas alemão, sofrendo grandes baixas, causadas pela ação combinada dos explosivos e canhões antitanque. Ao cair da noite, o deserto se iluminou com os restos chamejantes dos tanques ingleses destruídos. Em seu fracassado ataque o 8o Exército perdeu 110 tanques. Milhares de soldados de infantaria ficaram aprisionados por trás das linhas alemães. Na manhã seguinte, as brigadas blindadas britânicas lançaram-se novamente ao ataque, para resgatar as unidades cercadas. Convergindo do leste e do oeste, as Panzer encurralaram os tanques inimigos e lhes causaram novas e tremendas perdas. A jornada terminou com a derrota total das forças de Ritchie. Nessa seqüência brutal de combates, o chefe britânico havia perdido 168 tanques médios, 50 pesados, quatro regimentos de artilharia, uma brigada de infantaria hindu e todo o grupo de apoio da 7a Divisão Blindada. Rommel retoma a
iniciativa Depois de rechaçar o ataque britânico, Rommel decidiu eliminar a guarnição francesa de Bir Hacheim, que, desde 2 de junho, resistia obstinadamente aos ataques das formações alemães e italianas. A tomada desse reduto permitiria ao chefe alemão manter limpa sua retaguarda, o que lhe daria ampla liberdade de ação para empreender o assalto final contra as forças britânicas, sediadas em torno de El Gazala e Tobruk. A partir de 6 de junho, as tropas de Rommel realizaram repetidos e violentos ataques contra Bir Hacheim, apoiados pelo bombardeio incessante dos Stukas. Não conseguiram, no entanto, dobrar a desesperada resistência dos franceses, que, na noite de 10 de junho, abriram passagem através do cerco e se incorporaram às linhas do 8o Exército. Bir Hacheim ficou, assim, nas mãos de Rommel, que, na tarde de 11 de junho, colocou a totalidade de suas forças em marcha para o norte, decidido a travar sem demora a batalha final. Ao ter conhecimento da queda de Bir Hacheim, o General Ritchie procurou reconstituir a frente de combate, agrupando suas forças numa linha paralela à costa do Mediterrâneo. Dois redutos, Knightsbridge e El Adem, constituíram-se nos pontos chaves dessa posição, defendidos, respectivamente, pela Brigada da Guarda e pela 29a Brigada hindu. O chefe britânico acreditava que podia rechaçar a iminente investida de Rommel, pois ainda contava com numerosos carros blindados (250 tanques médios e 80 Matildas). Determinou então a seus subordinados que empregassem os tanques em estreito contato com as unidades de artilharia e infantaria, para não as expor, isoladamente, a um novo choque com os Panzer. O General Norrie, chefe do 30o Corpo de Exército, contudo, afastando-se dessa orientação, ordenou à 7a e à 1a Divisões Blindadas que transpusessem a linha fortificada e saíssem ao encontro das forças de Rommel. Nas últimas horas da tarde de 11 de junho, a 15a Divisão Panzer e a 90a leve avançaram para El Adem, sob o comando direto de Rommel. Simultaneamente, a 21a Divisão Panzer marchou para o ataque contra o centro das posições britânicas. Levantando gigantescas nuvens de poeira, os carros blindados alemães convergiram sobre as linhas inimigas. Nessas circunstâncias, um destacamento da 90a Divisão leve deu de encontro a uma coluna de veículos blindados na qual viajava o General Messervy, chefe da 7a Divisão blindada. Aproveitando a confusão, o general britânico conseguiu fugir, refugiando-se no interior de um poço de água seco, onde permaneceu escondido durante o decorrer do dia 11. Ao ter notícia do desaparecimento de Messervy, o General Norrie confiou o comando da 7a Divisão ao General Lumsden, chefe da 1a Divisão blindada, e lhe ordenou que atacasse imediatamente, com as duas unidades, a 15a Divisão Panzer, cujas colunas se encontravam já a 10 km a sudoeste de El Adem. Enquanto os britânicos se encaminhavam para o ataque, Rommel deslocou a 21a Divisão Panzer, em um movimento envolvente, e rodeou, pela retaguarda, a 7a Divisão inglesa. Surpreendidos no meio da manobra que se preparavam para executar, os tanques britânicos, sob o violento fogo concentrado dos Panzer e das baterias antitanque, sofreram grandes baixas. Em meio à batalha, chegou Lumsden, do norte, com os tanques da 1a Divisão. Imediatamente, compreendeu que não era mais possível realizar o ataque planejado por Norrie, e lhe propôs uma retirada imediata de todas as unidades blindadas para o reduto fortificado de Knightsbridge. Norrie, contudo, insistiu em seu plano. A partir desse momento ficou selada a sorte das unidades blindadas britânicas. No furioso combate com os Panzer, os tanques do 8o Exército foram destruídos, um após o outro. Na manhã de 12 de junho, a 21a Divisão Panzer e a 15a fechavam suas pinças no leste e no oeste, enquanto as divisões italianas Ariete e Trieste pressionavam no sul. Ruptura no norte No momento em que estava ocorrendo essa dramática batalha, chegou ao porto de comando de Ritchie o General Auchinleck. Os dois analisaram a situação, e consideraram, apesar das graves perdas sofridas, que deviam sustentar a frente de combate. Determinaram, portanto, que o 8o Exército prosseguisse resistindo ao logo da linha El Gazala - Knightsbridge - El Adem. Deveria ser contida a qualquer preço a penetração de Rommel para o norte! O chefe alemão, contudo, já havia conseguido rechaçar o resto das brigadas blindadas britânicas em direção a Knightsbridge e, ao cair da noite, irrompeu com suas forças pelo caminho que une esse posto ao reduto de El Adem. A frente do 8o Exército ficou, assim, rompida. Todas as unidades situadas a oeste, na linha de El Gazala, estavam em perigo iminente de serem cercadas pelos Panzer. Uma terrível confusão instalou-se nas fileiras britânicas. O General Norrie, chefe do 30o Corpo de Exércitos, perambulou no seu veículo através do deserto, tratando desesperadamente de reagrupar suas forças. Na cruenta luta de 12 de junho havia perdido 260 tanques. Sem dar trégua aos ingleses, Rommel continuou, no dia 13, o seu avanço. Durante toda a manhã os canhões do Afrika Korps, bombardearam, com ruído infernal, o reduto de Knightsbridge sem conseguir sufocar a heróica resistência da brigada da Guarda. A 15a Divisão Panzer prosseguiu convergindo para o leste, aniquilando os tanques e veículos blindados que encontrava pelo caminho. Do oeste, a 21a Divisão Panzer completou a manobra de pinça deslocando-se, dificilmente, em meio a uma tremenda tempestade de areia. A batalha prosseguiu com fúria crescente durante o resto do dia. Ao cair da tarde, as forças blindadas do 8o Exército haviam ficado reduzidas a 70 tanques. Agora, nada podia impedir a vitória de Rommel. Nessa noite, a brigada da Guarda abandonou suas posições em Knightsbridge, depois de ter sofrido a perda da quase totalidade de seus veículos blindados de apoio, e conseguiu incorporar-se ao grosso do 8o Exército. A evacuação desse reduto deixou a Rommel o caminho livre até a costa. Imediatamente o chefe alemão compreendeu que devia completar, o mais rápido possível, a penetração para o norte, a fim de ganhar a costa, e bloquear a estrada que corre paralela ao Mediterrâneo. Dessa forma conseguiria cortar a última rota de fuga que restava às divisões britânicas de infantaria que ainda permaneciam entrincheiradas na linha de El Gazala. Em meio à obscuridade os Panzer do Afrika Korps iniciaram sua concentração, preparando-se para reatacar. As divisões italianas Ariete e Trieste deslocaram-se velozmente sobre o flanco oriental para cobrir o avanço, e a 90a Divisão leve alemã movimentou-se para Tobruk com a missão de cortar em profundidade a linha de retirada do 8o Exército. Sobrepujando o seu esgotamento, os soldados e tanquistas alemães e italianos subiram em seus veículos, com a jubilosa certeza de que a vitória já estava em suas mãos. Às 10h30 da manhã de 14 de junho, Ritchie, convencido de que a batalha estava perdida, enviou um telegrama a Auchinleck, anunciando-lhe a sua intenção de retirar as tropas de El Gazala em direção à fronteira egípcia. O General Norrie, chefe do 30o Corpo, havia ordenado ao General Gott, chefe das tropas de El Gazala, que iniciasse o movimento de retirada. Ritchie pretendia reagrupar todas as unidades sobreviventes do 8o Exército, a leste de Tobruk, e manter a resistência nessa fortaleza, mesmo quando fosse novamente sitiada. Esse plano contradizia a decisão adotada no mês de janeiro, juntamente com Auchinleck, quando se havia resolvido que, em caso de uma derrota, não se defenderia Tobruk. Rommel, enquanto isso, se achava já em marcha para o norte. Rodando velozmente através do deserto, as colunas do Afrika Korps se dirigiam em linha reta para a estrada costeira, pela qual se retiravam aceleradamente as tropas inglesas. De improviso, os tanques se internaram num extenso campo minado, e numerosos veículos foram destruídos. O avanço ficou paralisado. O Afrika Korps
alcança o Mediterrâneo Enfurecido pelo contratempo inesperado, Rommel ordenou aos destacamentos de sapadores que procedesse imediatamente à abertura de um caminho através da barreira de minas. Os britânicos, contudo, impediram a operação, lançando uma mortífera cortina de fogo com sua artilharia. Nesse momento, desabou em violenta tempestade de areia, que permitiu aos alemães abrir passagem pelo campo minado. Não conseguindo, porém, superar as unidades inglesas, entrincheiradas na sua rota de avanço. As horas corriam e o Afrika Korps continuava detido, apesar de suas furiosas arremetidas contra as posições inimigas. Rommel decidiu, então abrir fogo com todas as suas baterias pesadas, sobre a estrada costeira, agora muito próxima de suas linhas avançadas. O estrondar dos projeteis alemães, que explodiam ao longo da estrada, se uniu ao surdo rugido das cargas de demolição, com que os britânicos faziam voar seus depósitos de combustível e munições, no porto de El Gazala. Ao cair da tarde, um regimento de infantaria alemão lançou um violento ataque contra as linhas inglesas, e, apesar da encarniçada resistência, conseguiu ganhar terreno. A luta prolongou-se, com selvagem intensidade, durante várias horas. Finalmente, os britânicos começaram a ceder. A noite se fechava já sobre o cenário da sangrenta batalha. Extenuados, os infantes alemães aniquilaram os últimos focos de resistência, apoiados pelo fogo dos canhões dos Panzer. Mais uma vez, os soldados britânicos haviam demonstrado sua indomável tenacidade numa luta sem esperanças, contra forças arrasadoramente superiores. Enquanto acontecia esta batalha, as tropas da 1a Divisão sul-africana efetuavam uma retirada forçada pela estrada costeira, em direção à fronteira egípcia, sob o fogo dos Stukas e da artilharia do Afrika Korps. Mais ao sul a 50a Divisão de infantaria britânica, comandada pelo General Ramsden, dava início a uma audaciosa manobra. Impedida de retirar-se para o norte, lançou-se a um ataque frontal contra as forças do 10o Exército italiano, e, depois de atravessar a linha minada de El Gazala, realizou uma ampla volta para o sul e se evadiu para o Egito, pela retaguarda do Afrika Korps. A armadilha de Rommel, assim, fechou-se sobre o vazio. Nas primeiras horas do dia 15 de junho, as unidades de vanguarda da 15a Divisão Panzer, atravessando a estrada costeira, prosseguiram avançando até alcançar a costa do Mediterrâneo. Na estrada, como unidade de contenção, ficou unicamente um destacamento de sete tanques. Essa débil força não pôde fechar a passagem aos contingentes sul-africanos, que, em desesperada retirada, afluíam de El Gazala. Milhares de sul-africanos puderam assim evadir-se para Tobruk. Algum tempo mais tarde tornaram a convergir sobre a estrada as restantes colunas do Afrika Korps e fecharam definitivamente a brecha. Sem dar às suas tropas, sequer, tempo de respirar, Rommel dirigiu a 21a Divisão Panzer para apoiar a 90a leve, cujas unidades se encontravam empenhadas numa violenta luta com as forças hindus que defendiam o reduto de El Adem, a poucos quilômetros ao sul de Tobruk. As formações Panzer, atacadas incessantemente pelos aviões da RAF, completaram seu deslocamento, e prosseguiram avançando para além de El Adem, até a localidade de Sidi Rezegh, onde, ao cair da noite, foram contidas pelos britânicos. Auchinleck, enquanto isso, havia ordenado a Ritchie, seguindo categóricas instruções de Churchill, que defendesse Tobruk. Esta fortaleza contava com uma guarnição de 35.000 soldados, em sua maioria pertencentes à 2a Divisão sul-africana, porém, suas defesas e campos minados se achavam num total estado de abandono. Confiados que haviam de deter Rommel na linha de El Gazala, os britânicos não haviam tomado as precauções necessárias para reparar as fortificações da fortaleza. Essa negligência haveria de custar-lhe a perda de Tobruk. Enquanto o Afrika Korps continuava irrompendo para o oeste; os últimos contingentes do 8o Exército terminavam a sua retirada na fronteira egípcia. A derrota britânica era total. Ataque a Tobruk A 16 de junho as forças de Rommel redobraram seus ataques contra os redutos britânicos, situados em torno da praça-forte de Tobruk. A 29a Brigada hindu prosseguia oferecendo encarniçada resistência em El Adem e conseguiu rechaçar os ataques da 90a Divisão leve do Afrika Korps. Mais para o norte, contudo, os alemães conseguiram apoderar-se dos poderosos fortes de El Duda e Belhamed. Ritchie e Auchinleck compreenderam, então, que a sorte de Tobruk estava selada. Ao cair da noite, o chefe do 8o Exército determinou que a 29a Brigada abandonasse El Adem e procurasse abrir passagem através do cerco alemão. Sob o comando do General Denis Reid, os esgotados soldados hindus, montando em seus caminhões e veículos blindados, irromperam, surpreendentemente, através das linhas inimigas, retirando-se velozmente até a fronteira egípcia. Alguns destacamentos ficaram para trás, cobrindo a evasão dos seus companheiros. Finalmente, na manhã de 17 de junho, os alemães ocuparam El Adem, capturando 500 prisioneiros e grande quantidade de material de guerra. Havia chegado o momento decisivo. Rommel reagrupou suas unidades e marchou rapidamente para o aeródromo de Gambut, situado junto à costa, a leste de Tobruk. Esta manobra tinha por objetivo eliminar as últimas forças britânicas que ainda resistiam nas cercanias da fortaleza e desbaratar as esquadrilhas da RAF, que operavam de Gambut contra as colunas do Afrika Korps. Uma vez ocupada essa base, Rommel teria as mãos livres para jogar a cartada final contra Tobruk. Movimentando-se com velocidade através da deserto, os Panzer se aproximam do seu objetivo cobertos, na retaguarda, pelas unidades da divisão blindada Ariete. Nessa circunstância, Ritchie realizou uma última e desesperada tentativa para impedir que Rommel fechasse o cerco de Tobruk. Comandada pelo General Messervy, a 4a Brigada blindada abandonou as posições fortificadas da fronteira e se dirigiu para o oeste, tencionando deter, mediante um ataque de flanco, de surpresa, a penetração do Afrika Korps. Integravam essa unidade 90 tanques de todos os tipos, tripulados por homens de várias brigadas britânicas que haviam sido destruídas nos combates anteriores. Com seus galhardetes tremulando ao vento, os tanques britânicos arremeteram frontalmente contra as forças alemães e, em poucos minutos, travaram uma confusa e desesperada luta com os Panzer. Os alemães, finalmente, conseguiram rechaçar o ataque, e destruíram 32 tanques ingleses. O 8o Exército perdeu assim, sua última formação de blindados. Ao cair da tarde, Rommel ordenou à 21a Divisão Panzer, que avançasse diretamente para o norte e, à frente de suas formações, marchou rumo a Gambut. Às 10 da noite, os tanques de vanguarda se aproximaram das defesas exteriores da base, depois de uma difícil e lenta movimentação através do campos minados. O grosso da divisão permaneceu detido, na retaguarda, no limite da barreira de minas. Com o despontar do dia, as colunas puseram-se novamente em movimento, sob os incessantes bombardeios dos aviões da RAF. Conseguiram, contudo, prosseguir o avanço, e pouco depois das 4 da tarde, cortaram a rodovia e a estrada de ferro paralelas à costa. Tobruk estava cercada! Nessa mesma noite, um regimento de infantaria motorizada lançou-se ao ataque e ocupou Gambut. Na base, que os britânicos não evacuaram até o último momento, os alemães conseguiram apoderar-se de 15 aviões intactos e grande quantidade de combustível, com o qual reabasteceram seus veículos e tanques. Rommel empregou todo o dia 19 distribuindo e localizando suas forças para o ataque a Tobruk. As divisões italianas Pavia, de infantaria, e Littorio, blindada (esta última acabava de chegar à frente, procedente de Trípoli), postaram-se, pelos oeste e pelo sul, em frente à fortaleza, para cobrira ação do Afrika Korps e do 20o Corpo mecanizado italiano Cai a fortaleza Rommel planejou rapidamente a operação de assalto, pois, desejava aproveitar ao máximo a desorganização que imperava nas fileiras que defendiam a fortaleza. O 20o Corpo italiano, integrado pelas divisões italianas Ariete e Trieste, realizaria um ataque de dispersão, no sudoeste. Simultaneamente, as divisões Panzer 15a e 21a tentariam romper o cinturão fortificado, apoiados pela totalidade das esquadrilhas da Luftwaffe e da Régia Aeronáutica. Ao mesmo tempo a 90a Divisão leve se deslocaria a toda velocidade até a fronteira egípcia, para aumentar a incerteza dos britânicos acerca da verdadeira orientação do ataque. Ao alvorecer de 20 de junho, as forças do Eixo estavam prontas para desfechar o assalto. Rommel, no último instante, passou em revista seus homens e os incitou a realizar um supremo esforço. Tobruk teria que ser conquistada a qualquer preço, a fim de que ficasse, definitivamente, aberto o caminho para o Cairo. Às 5h20 da manhã, os Stukas se lançaram em picada sobre as fortificações, descarregando uma chuva de bombas. Violentas explosões e gigantescas colunas de areia sucediam-se ao longo de toda a frente. Amparadas por esse dilúvio de fogo e aço, as tropas de infantaria do Afrika Korps se aproximaram das linhas inimigas e deram início ao ataque, internando-se pelas brechas abertas nos campos minados pelos destacamentos de sapadores. Duas horas mais tarde, depois de sustentar furiosos combates corpo a corpo com as tropas hindus e sul-africanas, entrincheiradas nos postos de vanguarda, os infantes alemães conseguiram estabelecer uma cabeça-de-ponte dentro do perímetro fortificado. Rapidamente, os sapadores se internaram pela brecha, e passaram a estender pontes sobre a profunda fossa antitanque que rodeava Tobruk. Às 8h o trabalho estava terminado, e Rommel ordenou aos Panzer que invadissem a toda velocidade o interior da fortaleza. O chefe alemão se incorporou às unidades de vanguarda da 15a Panzer, e, depois de uma difícil travessia dos campos minados, sob o intenso fogo da artilharia inglesa, cruzou, com seu veículo de comando, o fosso antitanque. Nesse momento, apareceram de surpresa, os tanques pesados Matilda, lançados de Tobruk pelos britânicos, numa desesperada tentativa de conter a penetração. Os Panzer enfrentaram resolutamente aqueles blindados lentos e em encarniçada luta conseguiram rechaça-los, causando-lhes elevadas perdas. Rommel ordenou então às divisões italianas Ariete e Trieste, localizadas na retaguarda que cruzassem a fossa antitanque e se incorporassem ao Afrika Korps. Uma vez reunidos, os tanques alemães e italianos lançaram-se velozmente pelo terreno rochoso, arremetendo contra os Matilda que ainda ofereciam resistência. Cerca de 50 tanques blindados ingleses foram destruídos em poucos instantes. O caminho para Tobruk ficou assim, praticamente, desimpedido. Com força total em seus motores, os Panzer avançaram, então, até o porto, seguidos pelos veículos semiblindados carregados de soldados, e pelas baterias de 88 mm. Do oeste, as baterias do forte Pilastrino, poderoso reduto britânico, atiraram violentas descargas sobre as colunas inimigas, mas não puderam deter sua marcha. Rommel podia avistar já, à distância, os edifícios destruídos e instalações do porto de Tobruk, envoltos na fumaça e nas explosões causadas pela artilharia e pelos Stukas. Combatendo sem trégua, os alemães quebraram a resistência que opunham, encarniçadamente, os últimos redutos, na rota do seu avanço. Às 19 horas, os primeiros tanques entraram em Tobruk, e superaram os núcleos isolados de infantes sul-africanos, que, entrincheirados entre os escombros, disparavam suas metralhadoras e morteiros. Pouco depois, o forte Pilastrino capitulou. A luta, no entanto, continuou, com fúria crescente, no flanco oeste do perímetro. Ali, o General Klopper, chefe da guarnição, havia instalado o seu posto de comando. A 21 de junho, esse chefe recebeu de Ritchie autorização para a rendição da praça. Poucas horas depois, a bandeira branca foi içada no alto do QG britânico. A cruenta luta havia terminado. Às 5 horas da manhã, Rommel, de pé no seu auto de comando, atravessou as ruas de Tobruk em meio às aclamações de seus soldados. Quatro horas depois, o chefe alemão encontrou-se a poucos quilômetros a oeste da cidade, com o General Klopper. Ambos os chefes saudaram-se cavalheirescamente, e trocaram opiniões sobre o desenrolar da batalha. Finalmente, Rommel despediu-se do general sul-africano, recomendando-lhe que tomasse a seu cargo a manutenção da ordem e a distribuição de víveres entre as tropas capturadas. No dia seguinte, Rommel recebeu um telegrama do QG do Fuhrer, no qual lhe comunicavam que, como prêmio por sua vitória, Hitler lhe havia concedido o posto de marechal. Churchill
enfrenta a crise À queda da cidadela de Tobruk, abateram-se vários outros desastres sobre o Exército britânico, nas diferentes frentes de luta. Com efeito, em poucos meses perderam, no Oriente, Hong-Kong, Malásia, Cingapura e a Birmânia. Essas sucessivas derrotas culminaram com o desastre sofrido pelo 8o Exército, na Líbia. Os britânicos haviam perdido mais de 50.000 homens, entre mortos e prisioneiros, e uma gigantesca quantidade de armamentos. Depois de meses de luta no deserto, as forças inglesas, vencidas pelo agora Marechal Rommel, encontravam-se novamente no ponto de partida, na fronteira egípcia. Havia porém uma diferença capital. Já não se tratava mais de um exército organizado e ocupado, com plena capacidade combativa; os efetivos britânicos que haviam conseguido chegar até a fronteira do Egito constituíam uma massa de homens exaustos, mal equipados e oprimidos pela derrota. Seu moral, contudo, se mantinha alto, apesar dos contratempos. Em Londres, os desastres ocorridos no campo militar provocavam intensa comoção. Rommel, vitorioso, achava-se praticamente às portas do canal de Suez. Nada parecia impedir que o marechal alemão completasse a sua campanha, com a ocupação do delta do Nilo. Esta situação levou alguns membros da Câmara dos Comuns a propor a votação de uma monção de censura ao Governo. Apoiavam essa proposta destacados dirigentes do Partido Conservador e também o Almirante Sir Roger Keyes e o ex-Secretário da Guerra Hore Belisha. A hierarquia dos personagens interpelantes emprestou a maior ressonância à crise que Churchill se viu obrigado a enfrentar. O velho lutador, porém, não fugiu ao combate, e decidiu responder às críticas do oposição, nas Câmaras, em debate público. O Almirante Keyes, no curso da sessão, declarou: - Desejamos que o Primeiro-Ministro ponha a casa em ordem e impulsione o país novamente à luta. Outros membros do Parlamento se uniram em novas críticas e expressaram seus temores a respeito da situação. Se sessão prosseguiu no dia seguinte, 2 de julho, e numa brilhante e valente peça oratória, Churchill defendeu a sua atuação e declarou que aceitava toda a responsabilidade pelos fatos acontecidos. Finalmente, a moção de censura, posta em votação, foi rechaçada por esmagadora maioria. Nesse mesmo dia, Churchill recebeu um telegrama do Presidente Roosevelt. Nele dizia, simplesmente: “Feliz, por você”. Anexo Minas O tanque avançava com
dificuldade pelo terreno escarpado. O chefe da guarnição, sem tirar os olhos
do visor, deu uma ordem breve: - À direita... endireite agora... O terreno, diante do
tanque, parecia revolvido e aplainado. Aquilo era suspeito. Daí, a ordem. O
tanque se desviou do seu caminho e bordeou a senda. Preparava-se agora para
girar e retomara rota, quando a detonação retumbou no interior do veículo.
Com uma brusca sacudidela, o pesado tanque se deteve. Uma das lagartas
destroçadas, foi arrastada pela tração do motor, ainda em marcha, e saltou
aos pedaços. Os homens, aturdidos, logo compreenderam: - Uma mina! Uma
maldita mina! O emprego das minas já
não era novidade desde 1939. Utilizadas, antes, durante a Primeira Guerra Mundial,
as minas foram aperfeiçoadas em todos os sentidos, no decorrer da Segunda
Guerra. Grandes campos, semeados de minas, não foram raridade. Planos como do
Marechal Rommel, que previam a colocação de perto de cem milhões de minas ao
longo da costa do Atlântico, tampouco podem ser tachados de fantásticos.
Lembramos que a barreira minada que se estendia diante de Moscou, cobria uma
extensão de 300 km de comprimento. A guerra no deserto teve nas minas um de
seus combatentes mais desapiedados. O emprego das minas As minas, como armas,
podem resultar de grande efeito, mesmo que não sejam empregadas em grande
quantidade. De fato, o que importa é a distribuição que se faz delas, e a sua
camuflagem. As minas podem ser
utilizadas de forma ativa ou passiva. No segundo caso atuam nos campos ou em
obstáculos; nesta hipótese, o homem, o caminhão, ou o tanque, devem ir para a
mina. No primeiro caso, a mina é arrojada contra o veículo, ou colocada num
ponto dele, onde possa causar grande destruição. Em linhas gerais, as minas
utilizadas pelos exércitos dos diferentes países são muito similares. Constam
de um corpo, de metal ou madeira, e u detonador; o explosivo é, geralmente,
trotil. As minas com invólucro de metal são resistentes aos agentes
atmosféricos; em compensação, podem ser detectadas pelos instrumentos usados
na sua procura. As de madeira, ao contrário, impossíveis de detectar, sofrem
a ação de fatores externos, como a água e a umidade ambiente. O mecanismo de explosão
funciona por tração ou por pressão. Algumas minas tem espoletas de mecanismos
de relojoaria; outras, ainda podem ser explodidas pelo rádio. Principais modelos de minas 1. Minas de prato. Pesa
de 9 a 10 kg de explosivos. O invólucro metálico te 6 mm de espessura. O
mecanismo de explosão funciona por pressão. 2. Mina S 1935. Pesa de 4
a 5 kg. Contém 500 g de explosivo e 350 g de bolinhas de aço. A mina S 1935
tem a particularidade de elevar-se do solo, ate 80 cm de altura, no momento
em que funciona o seu mecanismo de disparo; eleva-se e explode e produz a
conseqüente projeção de bolinhas de aço. Pode funcionar por meio de uma
pequena antena que sobressai alguns centímetros, ou por meio de um arame,
esticado no nível do chão. 3. Mina de caixa. De
madeira. Leva uma carga de 3,5 kg de explosivos. Funciona por pressão (sobre
sua face superior) ou por tração (ao se erguer do solo, ao qual está presa). 4. Existem minas de
aproximadamente 12 kg de peso que podem colocar-se sobre os tanques inimigos,
aos quais aderem por meio de peças magnéticas. Outras, empregadas nas
barreiras antitanques, somente explodem ao ser pressionadas por pesos
superiores a 500 kg. Os russos empregaram com êxito cães amestrados, que
levavam uma mina amarrada ao corpo, e estavam treinados para correr até os
tanques, e enfiarem-se debaixo deles. Em geral foram usadas minas de todos os
tipos e dispositivos de explosão variados. Nesse casos, é sempre com o
engenho humano que se conta para alimentar os exércitos em luta com novos e
cada vez mais mortíferos aparelhos de destruição. No que tange aos homens,
a sua curiosidade, sua fome, sua sede e seu desejo de riquezas, foram
explorados na confecção das minas. De fato, estojos, aparentemente contendo
jóias, garrafas com bebidas, lapiseiras, relógios, latas de conservas e mil
outros objetos, serviam para mascarar pequenas cargas explosivas. Os soldados
que cederam à tentação, sem pensar um pouco nos possíveis resultados de sua
ação, pagaram caro a sua curiosidade, ou sua fome. A última guarnição Ao ser atacada por
Rommel, em 1941, Tobruk era defendida pelas seguintes forças: 2a Divisão
sul-africana Dois batalhões da 1a
Divisão sul-africana 70o Batalhão
de reconhecimento sul-africano (carros blindados) 11a Brigada de
infantaria hindu 201a Brigada
da Guarda britânica 32a Brigada de
tanques do exército 2o e 3o
Regimentos de artilharia sul-africano 25o Regimento
de artilharia de campanha 67o e 68o
Regimentos de artilharia média Estas unidades,
comandadas pelo General sul-africano Klopper, somavam perto de 35.000
soldados. A guarnição contava com 61 tanques pesados Mark I Matilda e 70
canhões antitanques. Possuía, além disso, suprimentos e munições para
suportar um sítio de 3 meses e 10 mil metros cúbicos de combustível. A proclamação da vitória Ao completar a conquista
de Tobruk, a 21 de junho de 1942, Rommel redigiu a seguinte ordem-do-dia para
o Exército Panzer: “- Soldados! A grande batalha da Marmárica viu-se coroada
pela vossa rápida conquista de Tobruk. Temos 45.000 prisioneiros e mais de
mil veículos blindados destruídos ou apresados, e, mais ou menos 400 canhões.
Durante a luta das últimas quatro semanas, haveis descarregado golpe após
golpe sobre o inimigo, com uma coragem e uma tenacidade admirável. Vosso
espírito de combate custou ao inimigo a perda de seu exército, que se encontrava
em vias de assumir uma manobra ofensiva, e, sobretudo, a do seu poderoso
afetivo blindado. Minas especiais felicitações a oficiais e soldados do
Exército Panzer da África! Conseguiremos a destruição completa do inimigo.
Não descansaremos até ver eliminados os últimos restos do 8o
Exército inglês. Para as jornadas que nos aguardam, pedirei de vós um esforço
mais, que nos conduza à meta final. Rommel”. Lutar e morrer pela vitória Em seguida à queda de Tobruk,
o chefe das forças britânicas no Oriente Médio, Auchinleck, remeteu a
Churchill, a seguinte mensagem: - Lamento tenha V. Excia. recebido esse duro
golpe em momento tão difícil: a derrota das forças sob o meu comando. Temo
que a situação hoje seja muito semelhante à de um ano atrás, quando assumi
este comando, salvo o fato de que o inimigo tem agora Tobruk, que pode lhe
trazer muitas vantagens... A resposta de Churchill
dizia textualmente: - Não tenho a menor inquietude com os acontecimentos m
casa. Quaisquer que sejam minhas opiniões sobre o modo como se travou a
batalha, ou se deveria ter-se travado muito antes, possui o senhor toda a
minha confiança, e compartilharei plenamente sus responsabilidades... espero
que esta crise tenha como resultado levar todo o pessoal uniformizado do
Delta, e todos os homens disponíveis, ao mais elevado grau combativo. Possui
o senhor, sob nossa bandeira, mais de 700.000 homens no Oriente Médio.
Devemos conseguir que todo homem apto lute e morra pela vitória. Nenhuma razão
se opõe a que as unidades que defendem a posição de Marsa Matruh sejam
reforçadas por alguns milhares de oficiais e empregados administrativos a
quem se ordene engrossar os batalhões ou grupos de trabalho. Os senhores
estão numa situação semelhante à que nós estaríamos, se a Inglaterra fosse
invadida, e o espírito que deve reinar tem que ser extremista e radical Derrota e vergonha No momento em que as
tropas alemães ocupavam Tobruk, Churchill, na Casa Branca, em Washington,
encontrava-se reunido com o presidente Roosevelt. Os dois estadistas,
acompanhados pelos seus respectivos assessores, estavam sentados diante de
uma larga mesa, quando um funcionário da Casa Branca penetrou no gabinete,
apressadamente. Dirigiu-se ao Presidente Roosevelt, inclinou-se e murmurou
algumas palavras. Em seguida, extraindo uma folha de papel de uma pasta,
exibiu-a em silêncio. Roosevelt, apanhando-a, leu o seu conteúdo. Depois,
entregou a mensagem a Churchill. A nota dizia: - Tobruk
rendeu-se e 25.000 homens entregaram-se como prisioneiros. Winston Churchill,
proferindo uma exclamação abafada, levantou-se precipitadamente. Em seu
semblante adivinhava-se o estupor. Pareceu vacilar durante alguns segundos e
logo, com uma voz que denunciava a sua emoção, informou aos presentes o
conteúdo da mensagem. O General Ismay, assessor militar do primeiro-ministro
britânico, erguendo-se, exclamou: - Não pode ser! É um engano! Em seguida, o general
inglês abandonou precipitadamente o recinto, e estabeleceu comunicação
telefônica com Londres para confirmar ou retificar a notícia. Pouco depois,
com a expressão abatida, o General Ismay entregou a Churchill a nota que
acabara de chegar, diretamente de Londres, assinada pelo Almirante Harwood,
que a havia transmitido de Alexandria. Dizia: - Tobruk caiu, e a situação
piorou tanto que é possível um intenso ataque contra Alexandria, num futuro
próximo, Visto que se aproxima o período de lua cheia, envio todas as
unidades da frota oriental para o sul do canal de Suez, à espera dos
acontecimentos. Espero poder tirar do dique o Queen Elizabeth no fim desta
semana. Churchill abatido,
dirigiu-se a Roosevelt: - É um golpe muito duro para nós, Senhor
Presidente... O mais duro que a guerra nos aplicou... Está em perigo o
prestígio do exército britânico... Em Cingapura, 90.000 homens se renderam
para um número inferior de japoneses. Agora, em Tobruk, 25.000 veteranos se
rendem a uma força inimiga que não chega nem à metade desse número. Não se
podem prever os desastres que nos ameaçam na África... Roosevelt, com ânimo
forte, sem demonstrar em nenhum momento a sua amargura, disse a Churchill: -
As derrotas parciais não são o fim da guerra! O importante é conseguir a
vitória final. De que forma podemos ajudá-los? - Tanques, senhor Presidente.
Precisamos de tanques! Todos os Sherman que nos possam entregar. O General Marshall,
chamado por Roosevelt, deu uma nota de otimismo e esperança à reunião: - Os
senhores os terão!... e também canhões de 105 mm, montados sobre
automotores... Terminada a guerra, o
combativo primeiro-ministro inglês, referindo-se àquele infeliz momento,
disse: - Foi um instante muito amargo... Uma coisa é a derrota... Outra,
muito diferente, é a vergonha... A derrota em Londres Na capital da Inglaterra,
a derrota de Tobruk criou um clima de particular tensão. A opinião pública e
a imprensa desencadearam uma campanha de protestos. Os legisladores, por sua
vez, se manifestaram contrários à orientação que o governo imprimia à guerra
e, em geral, toda a oposição declarou sua hostilidade ao primeiro-ministro. Até o instante da
derrota, a situação na África não parecia inspirar tanto cuidado. Isso, pelo
menos, é o que se deduzia dos comunicados oficiais. A ocorrência de Tobruk,
demonstrou ao povo que o Serviço de Informações ou mentia ou ignorava a real
situação africana. Mais ainda, a derrota evidenciava que os chefes militares
não estavam à altura dos acontecimentos. A respeito disso, dizia
Stafford Cripps: - Existe a impressão de que, com generais mais capazes, se
poderia ter vencido Rommel... Acredita-se que falta uma direção mais
eficiente... e que a campanha foi concebida com espírito excessivamente
defensivo, e sem a necessária energia para o contra-golpe... Chega-se a duvidar que o
comandante-em-chefe (Auchinleck) tenha verdadeiramente consciência de que
seja tática e estratégica da moderna guerra motorizada.. E se pensa se não
será necessário mudar completamente o comando. Um deputado afirmou: -
Quero um homem enérgico e independente, que nomeie seus generais e seus
almirantes, e o que mais necessite... O bastante enérgico para exigir que
ponham à sua disposição as armas necessárias para alcançar a vitória, que
procure deixar seus generais, almirantes e marechais, trabalhar a seu modo,
sem que sejam indevidamente tratados pelos que estão no poder. Outro deputado se
manifestou: - Temos cinco ou seis generais de outros países, tchecos,
poloneses e franceses, habituados ao uso das unidades mecanizadas e às
técnicas alemães. É doloroso para nosso orgulho, porém não seria possível
colocar alguns desses homens à testa da campanha, até que possamos produzir
nossos próprios chefes, convenientemente treinados? Circula por todo o país a
anedota de que se Rommel estivesse no exército britânico ainda seria
sargento... Há um homem no exército britânico que lançou 150 mil soldados
através do Ebro, na Espanha (Guerra Civil Espanhola, 1936-1939): Michael
Dumbar. Era chefe do Estado-Maior na Espanha. Atualmente é sargento no
exército britânico. Ganhou a batalha do Ebro, e no exército britânico é
sargento!... O exército britânico está eivado de preconceitos de classe... Se
a Câmara dos Comuns não tem coragem para obrigar o governo a corrigi-los, os
acontecimentos o farão... Hora-Belisha, declarou: -
Quando ouço o primeiro-ministro, que sustentou que reteríamos Cingapura, que
não nos tomariam Creta, que havíamos exterminado o exército alemão na
Líbia... dizer que havemos de conservar o Egito, não posso evitar que meus
temores aumentem... Em cem dias perdemos nosso império no Extremo Oriente...
O que acontecerá nos próximos cem dias?... Aceito a responsabilidade - Os desastres militares
da última quinzena, na Cirenaica e no Egito, transformaram por completo a
situação, não somente nesse teatro de operações, como em todo o Mediterrâneo.
Perdemos mais de 50.000 homens, dos quais, a maior parte caiu prisioneira.
Perdemos grande quantidade de material
e também uma grande quantidade de apetrechos de guerra caiu nas mãos
do inimigo. Rommel avançou quase 400 milhas pelo deserto e agora se aproxima
do delta do Nilo... Assim começou Churchill
sua defesa na Câmara, antes os ataques da oposição. Suas palavras assombraram
os presentes. Churchill, o combativo, reconhecia a magnitude do desastre: - A
péssima repercussão que esse acontecimentos causaram na Turquia, na Espanha,
na França e na África Francesa do norte é incalculável. Assistimos nesse
momento a um retrocesso sem paralelo nas nossas esperanças e perspectivas no
Mediterrâneo e no oriente Médio, desde a queda da França. Se há pretendentes
para explorar esses desastres, que se sintam capazes de pintar o quadro com
cores mais sombrias, tem toda a liberdade para fazê-lo... Uma penosa
realidade sobreveio repentinamente. Ninguém esperava que Tobruk, com uma
guarnição de 25 mil homens, caísse num só dia. Não o esperava a Câmara, nem o
público, mas tampouco o esperava o Gabinete da Guerra, nem os chefes do
Estado-Maior, nem o Comando do Exército. Foi inesperado, também para o
General Auchinleck e para o alto-comando do Oriente Médio. Na noite anterior
à queda de Tobruk, recebemos um telegrama do general Auchinleck, dizendo que
lhe haviam atribuído uma guarnição suficiente; que suas defesas se achavam em
boa ordem; e que as tropas tinham um abastecimento para 90 dias... - O General Auchinleck
confiava manter essas posições até que os poderosos reforços que se
aproximavam, e que chegaram em parte, lhe permitissem esboçar a ação muito
mais enérgica de tomar a iniciativa e lançar uma contra-ofensiva... Por fim, sua dramáticas
palavras foram as seguintes: - Reconheço de bom grado, que sou obrigado a
aceitar a responsabilidade de tudo o que ocorreu e considero haver respeitado
essa responsabilidade, não me intrometendo no manejo técnico dos exércitos em
contato com o inimigo... Antes que começasse a
batalha, fiz ver ao General Auchinleck a urgência que assumisse ele mesmo o
comando das operações... E pensei que ele era o homem para manobrar o
negócio. Deu-me boas razões para não o fazer, e ao General Ritchie, entregou
a batalha... A votação que se seguiu
ao discurso de Churchill e dos seus detratores deu ao primeiro-ministro uma
vitória esmagadora: 475 votos contra 25. A Inglaterra ainda
confiava no velho lutador. E o tempo lhe deu razão. O cabo Huber 20 de junho de 1942.
Pouco depois do meio-dia, a artilharia e os “88” alemães orientaram seu fogo
para as instalações do porto de Tobruk. Enquanto isso alguns barcos
manobravam, procurando afastar-se do porto, cuja queda em mãos alemães era
iminente. De uma das montanhas que
dominam a cidadela, Rommel seguia o desenrolar dos acontecimentos, passo a
passo, com seus poderosos binóculos. Pela primeira vez, o chefe alemão pôde
contemplar com seus próprios olhos, à sua frente e ao alcance de seus homens,
a cidade cujo nome estava na boca do mundo inteiro. O espetáculo que se
oferecia à sua vista era deprimente. Não restavam mais que ruínas. Não se
viam senão granadas explodindo, e muros despedaçando-se. Os projeteis alemães
estouravam sem parar, aqui e ali, semeando a destruição nas dizimadas
fileiras inimigas. Rommel, então, abandonando o seu posto de observação e
seguindo os eu velho hábito de aproximar-se da primeira linha de fogo,
avançou até a zona onde ainda se combatia. Foi nesse instante que,
levado pelo ardor do combate e pelo velho costume que não o abandonava, Rommel
introduziu seu veículo através de suas próprias linhas e deparou,
inesperadamente, com um ninho de resistência do inimigo. Este abriu fogo
contra o veículo. As forças alemães atacaram violentamente, de imediato, o
ponto fortificado Depois, intimado a
render-se, o inimigo respondeu, intensificando o fogo. O instante é
dramático. Rommel, contudo, que não perdeu a calma, quando se dispunha a
organizar o combate, observou que um de seus homens, o cabo Huber,
abandonando as linhas alemães, corria até o posto inimigo. Em seguida, Huber
lançou suas granadas... e o ninho de resistência emudeceu. O cabo Huber, arriscando
sua vida, salvou, possivelmente, a de Rommel. |