Luta na Rússia

 

Combater até o último soldado!

            

Batalha de Stalingrado

Ataque de Von Manstein

Destruição do 6o Exército

 

 

Na tarde de 21 de novembro, Paulus transmitiu à “Toca do Lobo”, o QG de Hitler, em Rastenburg, na Prússia Oriental, uma mensagem anunciando que suas tropas estavam inteiramente cercadas. A dramática notícia ia acompanhada de uma informação sombria sobre a situação que o 6o Exército enfrentava. Suas reservas de combustível encontravam-se praticamente esgotadas, e as tropas dispunham apenas de rações para seis dias. Paulus informava que pretendia manter suas posições em Stalingrado, caso conseguisse tapar a brecha aberta em seu flanco sul, e se recebesse substancial abastecimento por via aérea. No caso de não se poder cumprir essas premissas, solicitava a Hitler liberdade de ação para ordenar o rompimento do cerco em direção ao sudoeste, a fim de retomar contato com o 4o Exército Panzer. Nesse mesmo dia, o chefe do Grupo de Exércitos B, General von Weichs, comandante de todas as forças que lutavam na frente de Stalingrado, enviou a Hitler um informe, comunicando-lhe a impossibilidade de abastecer o 6o Exército pelo ar, pois a Luftwaffe carecia de aviões de transporte suficientes, e as condições climáticas eram totalmente adversas para a realização de vôos regulares. Hitler, no entanto, não estava disposto a atender às ponderações dos seus generais. Havia jogado nessa sangrenta batalha todo o seu prestígio, e teria que defender o território conquistado, até o último soldado. Contra toda a lógica, e apesar dos informes que, diariamente, lhes apresentava seu chefe do Estado-Maior, o General Zeitzler, convencera-se de que os soviéticos empregavam na ofensiva seus últimos recursos materiais e humanos. Bastava portanto, manter firmemente as posições, durante algumas semanas para obter uma nova e decisiva vitória.

 

Zeitzler, desesperado, sustentou uma série de violentas discussões com o Fuhrer, num esforço vão para convencê-lo do perigo mortal que ameaçava não só o 6o Exército, mas todas as forças alemães que combatiam na região do Don e no Cáucaso. Hitler, entretanto, permanecia aferrado à sua irracional decisão de permanecer em Stalingrado a qualquer custo. Poucas horas depois de recebida a mensagem de Paulus, os chefes da Wehrmacht, marechais Keitel e Jodl, tiveram uma conferência com o General Zeitzler, e com o chefe do Estado-Maior da Luftwaffe, General Jeschonek, a fim de discutir o problema do abastecimento aéreo do bolsão de Stalingrado. O 6o Exército havia comunicado que suas necessidades mínimas diárias chegavam a 750 toneladas (380 de alimentos, 120 de combustível e 250 de munições). Depois de debater longamente o assunto, todos os chefes presentes chegaram à conclusão de que a Luftwaffe não estava em condições de suprir os sitiados com essa quantidade de material.

 

Impunha-se, portanto, ordenar ao 6o Exército que tratasse imediatamente de romper o cerco, antes que suas reservas de combustível e munições se esgotassem nos contínuos combates que travava contra os russos. Hitler, no entanto, não cedeu, e Goering apressou-se a auxiliá-lo em sua disparatada tese. Na noite de 23 de novembro manteve uma longa e violenta discussão com o General Jeschoneck, e com o chefe do comando de transportes da Luftwaffe. - É preciso fazer o abastecimento! - gritou enfurecido o marechal. - Se o Exército afirma que pode manter suas posições, cabe a nós também saber cumprir com nossa missão!

 

Apesar de seus subordinados terem insistido em que, no melhor dos casos, não seria possível transportar mais de 350 toneladas, Goering afirmou que essa cifra podia elevar-se a 500 toneladas, concentrando em Stalingrado todos os aviões de transporte que estavam prestando serviço em outras frentes. Convencido por suas próprias palavras, Goering chegou à conclusão de que a Luftwaffe podia assumir o compromisso de abastecer o 6o Exército, todo o tempo que fosse necessário. Esse era o apoio que Hitler precisava para justificar sua determinante resolução diante das objeções desesperadas de seus generais.

 

 

 

O dia decisivo

 

A 22 de novembro, os chefes das diferentes unidades do 6o Exército mantiveram uma reunião na localidade de Gumrak, a poucos quilômetros a oeste de Stalingrado, e combinaram os planos para realizar a ruptura do cerco na direção sudoeste. Ainda não havia chegado nenhuma resposta de Hitler à mensagem de Paulus, porém todos estavam convencidos que o Fuhrer compreenderia imediatamente a gravidade da situação e autorizaria o 6o Exército a abandonar a armadilha mortal de Stalingrado.

 

Por iniciativa do General von Seydlitz , e com a aprovação de Paulus e de seu chefe do Estado-Maior, General Schmidt, dispuseram-se a iniciar a operação no dia 25 de novembro. Com essa finalidade, foram reagrupadas as forças dentro do cerco. A vanguarda foi integrada por todos os carros blindados em condições de combater: 130 tanques no total. Atrás deles marcharia uma força de assalto com 17.000 soldados, que seria seguida, por sua vez, de uma segunda avalanche de 40.000 homens. Cheios de entusiasmo, os fatigados soldados se concentraram nas posições de ataque. A palavra chave era “Liberdade!”

 

Na madrugada de 24 de novembro, ante a total falta de notícias do QG de Hitler, Paulus enviou uma nova mensagem ao ditador. Pela segunda vez lhe solicitou liberdade de ação para ordenar a ruptura do cerco, informando-lhe ainda que o 6o Exército já havia praticamente esgotado suas reservas de munições e combustível, e que, a menos que abrisse passagem imediatamente, rumo ao sudoeste, seria aniquilado em poucos dias.

 

Às 2 da madrugada de 24 de novembro, o General von Sodenstern, chefe do Estado-Maior do Grupo de Exércitos B, recebeu um chamado telefônico urgente do QG do Fuhrer. Com voz agitada, o General Zeitzler lhe comunicou que, depois de uma tremenda discussão com Hitler, havia conseguido convencê-lo de que o 6o Exército devia abandonar sua insustentável posição diante de Stalingrado e tentar romper o cerco. - A ordem para iniciar a operação lhe será transmitida, entre 7 e 8 horas da manhã - concluiu Zeitzler com a voz embargada de emoção.

 

A dramática notícia correu com a velocidade de um raio entre os chefes e oficiais dos diferentes exércitos que combatiam na frente de Stalingrado. A horrível tensão cedeu lugar a uma alegria extraordinária. No entanto, esse júbilo não tardaria a se transformar em dolorosa decepção.

 

Às 8 em ponto da manhã, Zeitzler entrou no gabinete de Hitler a fim de fazê-lo assinar a ordem que assegurava a salvação dos 200.000 soldados do 6o Exército. Ali encontrou, reunidos, com a fisionomia sombria, Keitel, Jodl e o General Jeschoneck. Compreendeu imediatamente que algo grave havia ocorrido. Por ordem de Hitler, Jeschoneck informou Zeitzler que o Marechal Goering estava disposto a utilizar todos os elementos de transporte da Luftwaffe no abastecimento das forças sitiadas. Em vista disso, e sob a condição de que o 6o Exército retivesse o controle dos aeródromos situados dentro do bolsão, a Luftwaffe garantia entregar um mínimo de 500 toneladas diárias de material às forças de Paulus. A sorte estava selada.

 

Nesse mesmo momento, no posto de comando de Paulus, aguardava-se ansiosamente a ordem de iniciar a operação de rompimento. Entretanto, as horas passaram sem que se recebesse notícia alguma. Finalmente, às 10 horas da manhã, solicitaram informações ao QG do Fuhrer, mas não se conseguiu obter uma resposta clara. A angústia se apoderou de Paulus e seus oficiais.

 

Um homem, sob cuja responsabilidade direta se encontravam os soldados do 6o Exército, determinou então dar-se o passo decisivo. Às 10h45 da manhã, o General von Weichs, comandante-chefe do Grupo de Exércitos B, ordenou ao 6o Exército que iniciasse o ataque salvador. Corria o risco supremo de desafiar a vontade de Hitler, mas sua consciência não lhe permitiu ficar de braços cruzados enquanto seus soldados eram condenados ao extermínio. O destino, porém, interveio no último momento, com um golpe de cruel fatalidade. Enquanto os ajudantes de von Weichs redigiam a ordem, perderam-se preciosos minutos. Nesse exato momento, cruzou o éter a mensagem em que Hitler ordenava diretamente a Paulus sustentar as posições de Stalingrado, assegurando que lhe forneceria abastecimento pelo ar. Já nada poderia salvar o 6o Exército do seu funesto destino. A ordem de Hitler caiu como uma bomba no posto de comando de Paulus. Ali estavam reunidos, desde a madrugada, os chefes de todas as unidades do 6o Exército. Paulus, esgotado, compreendeu que tudo estava perdido. Típico oficial de estado-maior, carecia da audácia e do espírito combativo de um verdadeiro chefe militar. Seu credo era a obediência absoluta, mesmo quando essa obediência contrariasse os ditames de sua própria consciência. A seu lado, seu chefe de Estado-Maior, General Schmidt, homem resoluto e de caráter, também tomou partido pelo acatamento cego à vontade de Hitler. Era o que Paulus necessitava para fortalecer sua decisão. Os outros generais, Seydlitz, Heitz e Jaenicke, clamaram em vão para levar adiante a operação de rompimento, desafiando as ordens de Hitler. - Devemos obedecer! - exclamou energicamente Schmidt. - Eu obedecerei... - acrescentou Paulus, com voz cansada.

 

A desesperada tentativa de von Manstein

 

Na hora de sua mais terrível derrota, Hitler recorreu aos serviços do homem que havia forjado a mais extraordinária vitória da Wehrmacht. O General Erich von Manstein, autor do plano que em 1940 dera à Alemanha vitória total sobre a França, recebeu, a 21 de novembro, a ordem de trasladar-se imediatamente para Novo-Cherkask, situada a poucos quilômetros ao norte de Rostov, a fim de assumir o comando do novo Grupo de Exércitos do Don. Sua missão: estabelecer contato com o 6o Exército, mediante a realização de um ataque, do sul, com as forças do 4o Exército Panzer.

 

Em virtude das fortes tormentas de neve, Manstein viu-se forçado a viajar de trem, e somente a 26 de novembro chegou à sede do seu novo comando. Comprovou ali que, sob o altissonante título de “Comandante do Grupo de Exércitos do Don”, contava unicamente com uma força composta pelos restos do 4o Exército Panzer e o 4o Exército romeno; ao todo, 5 divisões, haviam-lhe também confiado, no papel, o comando do 6o Exército de Paulus que, na prática, continuou dependendo diretamente de Hitler, que prometera a Manstein reforça-lo com 11 divisões, das quais 4 seriam de tanques. Entretanto, as dificuldades de transporte e as imperiosas necessidades que surgiram noutras frentes, reduziram finalmente as forças enviadas a 3 divisões de tanques e 1 de infantaria. Angustiado, Manstein compreendeu que sua missão era praticamente irrealizável, porém decidiu arriscar num “tudo ou nada”. Era um líder nato e não admitia vacilações. Já a 24 de novembro, achando-se ainda em viagem para a sede de seu comando, comunicara ao General Zeitzler o esboço do seu plano de operações. O 6o exército devia permanecer dentro do bolsão de Stalingrado, enquanto a Luftwaffe pudesse abastecê-lo convenientemente, pois de sua resistência dependia a sorte de todas as forças alemães que combatiam a leste do Don. Se o 6o Exército tentasse um rompimento prematuro, antes da intervenção das forças libertadoras, corria o risco de ser aniquilado na estepe. Essa catástrofe acarretaria, fatalmente, a derrocada de toda a frente alemã, pois as 60 divisões soviéticas, que mantinham o cerco, se lançariam, em irresistível avanço, até a desembocadura do Don, cortando a retirada do Grupo de Exércitos A, cujas unidades combatiam nas fronteiras do Cáucaso. O perigo era mortal e só comportava atitudes definitivas. A 1o de dezembro, Manstein emitiu a ordem para a realização da operação Wintergewitter (Tempestade de inverno). O 4o Exército Panzer, comandado pelo General Hoth, atacaria pelo norte, em direção ao flanco oeste do perímetro, com o fim de obrigar o empenho da maior quantidade possível de forças russas. Quando os tanques de Hoth estivessem suficientemente próximos, o 6o Exército iniciaria o rompimento para o sul. Era uma tentativa desesperada, porém não havia outra alternativa. O início da operação sofreu sucessivos atrasos, por causa da demora na chegada de reforços e pelos contínuos ataques russos. Finalmente, a 12 de dezembro, Hoth deu a ordem de ataque. Suas forças eram ridiculamente insuficientes: o 4o Exército Panzer contava somente com duas divisões blindadas, a 6a e a 23a, com um total de 200 tanques e 3 divisões romenas. Todos, porém, desde o general até o último soldado, estavam dispostos a sacrificar a vida na arriscada empresa. Sabiam que nas suas mãos repousava a última possibilidade de salvação dos companheiros cercados em Stalingrado.

 

No dia seguinte ao início do avanço dos tanques de Hoth, o General soviético Vatutin, recebeu ordem para por em marcha a operação Saturno. Seu objetivo: romper a frente defendida pelo 8o Exército italiano, no curso superior do rio Don, com a finalidade de avançar para o sul, e cortar, em Rostov, a linha de retirada de todas as unidades alemães localizadas a leste desse rio: o 4o Exército Panzer, de Hoth, o 6o Exército, de Paulus, e o Grupo de Exércitos A, cujas forças combatiam no Cáucaso. A mortal ameaça vislumbrada por Manstein, estava em vias de concretizar-se.

 

Travando rudes combates, Hoth derrotou nos primeiros dois dias de sua ofensiva as forças do 51o Exército russo e os obrigou a retirar-se desordenadamente para o norte. Contudo, a 14 de dezembro, os tanques alemães foram detidos nas margens do rio Aksai, onde os russos ofereceram furiosa resistência.

 

Na manhã de 16 de dezembro uma neblina espessa cobria a frente de combate do Don, defendida pelas tropas do 8o Exército italiano, comandado pelo General Gariboldi. Repentinamente, o silêncio que reinara durante vários dias, foi rompido pelo fogo arrasador da artilharia soviética. Sobre a superfície gelada do rio, centenas de tanques T-34 avançaram, rugindo, contra as posições dos italianos. Estes, à semelhança de seus camaradas romenos e húngaros, não haviam recebido dos alemães armamentos modernos, e careciam de canhões antitanques para enfrentar os carros blindados russos. Uma luta nessas condições estava irremediavelmente condenada ao fracasso.

 

As forças de Vatutin superaram sem dificuldades a frágil defesa dos italianos e no dia 18 de dezembro haviam rompido uma brecha de 50 km em direção ao sul.

 

Ao receber a notícia do avanço soviético, Manstein compreendeu que o momento decisivo chegara. Todas as suas forças a oeste do Don estavam ameaçadas de extermínio sob o impacto dos tanques de Vatutin e, a leste desse rio, o 4o Exército Panzer continuava detido pela obstinada resistência dos russos nas margens do Aksai. Em questão de horas se veria obrigado a deter o avanço para Stalingrado, a fim de escapar à nova armadilha montada pelos russos. Sem perder um instante, Manstein comunicou-se com a “Toca do Lobo”, e solicitou a Hitler que autorizasse, imediatamente, o 6o Exército a abandonar Stalingrado, iniciando o rompimento para o sul. Era uma corrida contra o tempo, em que estava em jogo a vida ou a morte de mais de 200.000 homens. E, no entanto, o Fuhrer negou-se, peremptoriamente, a autorizar a retirada. Manstein, desesperado, enviou então, de avião, a Stalingrado, um oficial do seu Estado-Maior, o Comandante Eismann, para que comunicasse a Paulus a gravidade da situação e a necessidade imperiosa do 6o Exército lançar-se imediatamente ao ataque. Era um risco enorme, mas que valia a pena correr, pois existia ainda a possibilidade de que, ao menos, uma parte do exército conseguisse abrir passagem e estabelecesse contato com os tanques de Hoth.

 

Depois de ouvir o informe de Eismann, o General Schmidt, chefe do Estado-Maior do 6o Exército rechaçou liminarmente o plano de Manstein, qualificando-o de “solução catastrófica”. Diante da insistência de Eismann, encerrou a discussão, afirmando categoricamente: - O 6o Exército manterá suas posições inclusive depois do Natal! O que os senhores tem de fazer, é abastecê-lo melhor.

 

Eismann, desanimado, tampouco pôde convencer Paulus, que alegou que, ainda que estivesse de acordo com a proposta de Manstein, não podia executá-la, pois devia cumprir a ordem de Hitler de defender Stalingrado a todo custo. Mais uma vez, o chefe do 6o Exército, levado pelo seu exagerado senso do dever, sacrificava a possibilidade de salvar seus homens. A 19 de dezembro, o 4o Exército Panzer, reforçado dois dias antes pela 17a Divisão Panzer, conseguiu finalmente quebrar a resistência russa no Aksai, e reiniciou o avanço para o norte, em meio a uma violenta tempestade de neve. Ao cair da noite, sua vanguarda atingiu as margens do rio Mayshkova, e, num golpe audaz, conquistou intacta, a única ponte existente sobre esse rio. Somente 48 km os separavam da frente sul do bolsão de Stalingrado! Embargados pela emoção, os esgotados Panzergrenadier viram o horizonte iluminados pelos reflexos dos foguetes sinalizadores do 6o Exército.

 

Do seu posto de comando, Manstein acompanhava ansiosamente, debruçado sobre os mapas, o avanço dos tanques de Hoth. A 19 de dezembro, ao meio-dia, achou que, finalmente, existiam condições para a união de suas forças com as do 6o Exército. O rompimento devia ser feito agora, deixando de lado qualquer precaução! Nesse momento, enviou uma mensagem ao QG do Fuhrer, solicitando que fosse dada autorização para Paulus iniciar o avanço rumo ao sul. As horas correram, sem que nenhuma resposta chegasse. Manstein, torturado pela angústia, resolveu, finalmente, dar um passo decisivo.

 

Às 6 horas da tarde, enviou ao 6o Exército a ordem para iniciar o rompimento. Paulus devia avançar suas forças de vanguarda até uma linha situada à altura do rio Donskaja a uns 15 km ao sul da sua frente meridional. Esta não era uma retirada definitiva, porém significava o início da operação. Manstein confiava em que, quando o 6o Exército iniciasse o ataque, Hitler aceitaria o fato consumado e autorizaria finalmente o abandono total das posições fortificadas em torno de Stalingrado. Enganara-se uma vez mais.

 

Hitler sela a sorte do 6o Exército

 

Depois de determinar ao 6o Exército que se lançasse ao rompimento, Manstein manteve uma série de conversas radiofônicas com o General Paulus, a fim de estimulá-lo a dar o passo decisivo e executar a temerária operação. Paulus, contudo, não se decidiu a agir. Segundo ele, o 6o Exército seria aniquilado se abandonasse suas posições fortificadas e se lançasse em desordenada retirada através das estepes geladas, pois suas tropas estavam completamente exauridas e careciam de armas, munições e roupas de inverno. Além disso - e este foi o argumento decisivo - comunicou a Manstein que seus tanques não tinham suficiente combustível para chegar até as margens do Myshkova; no máximo chegariam a uma distância de 30 km.

 

A 21 de dezembro, depois de insistentes e desesperados apelos, o General Zeitzler conseguiu que Hitler se dignasse autorizar Paulus a iniciar o avanço para o sul, porém sob a condição, de que, ao mesmo tempo, retivesse em suas mãos as posições fortificadas em torno de Stalingrado. Isso era totalmente irrealizável. Nesse mesmo dia, Hitler comunicou-se com o Major von Zeitzewitz, que atuava como seu oficial de ligação no QG de Paulus, e foi por ele informado que os sitiados careciam de combustível para fazer avançar seus tanques até a zona do Myshkova, onde combatiam as vanguardas do 4o Exército Panzer. Sem perder um instante, mandou chamar Zeitzler e, agitadíssimo, comunicou-lhe: - Está vendo, Zeitzler! Não posso assumir a responsabilidade de permitir que os tanques, por falta de combustível, se convertam em alvos imóveis no meio da estepe. O 6o Exército deve permanecer em suas posições!

 

Pouco depois, Manstein telefonou à “Toca do Lobo”, numa última e desesperada tentativa de convencer o Fuhrer. Hitler cortou-lhe a palavra, gritando furioso: - Mas o que é que o senhor está me pedindo? Não sabe que Paulus não tem combustível senão para 20, ou no máximo 30 km, e que ele mesmo acaba de me comunicar que, nessas condições, não poderia empreender o rompimento?! Tudo terminara. O próprio Paulus havia fornecido a Hitler o argumento de que ele precisava para justificar sua decisão de condenar o 6o Exército ao extermínio, em Stalingrado.

 

A 22 de dezembro, os aviões da Luftwaffe avistaram a aproximação de grandes reforços russos das margens do Myshkova. Naquele ponto, os tanques de Hoth haviam conseguido, mediante rudes combates, consolidar uma cabeça-de-ponte e se dispunham a prosseguir o seu avanço rumo a Stalingrado. Contudo, Manstein percebeu que não podia reter, por mais tempo, o 4o Exército Panzer na sua vulnerável posição. Além do mais, a oeste do Don, os carros blindados de Vatutin, depois de liquidar o 8o Exército italiano, ameaçavam cercar a seção de exército de Hoth. Em poucas horas, todas as forças alemães situadas a leste do Don podiam ficar mortalmente aprisionadas.

 

Sem perder mais tempo, Manstein ordenou a Hoth, a 23 de dezembro, que passasse à defensiva e enviasse a 6a Divisão para reforçar as unidades da retaguarda. Durante toda a noite de 23 para 24 de dezembro, Hoth reclamou desesperadamente que se lhe desse uma última oportunidade. Seus soldados, sobrepujando o esgotamento, aguardavam, ansiosos, a ordem de prosseguir o avanço. Ao longe, no horizonte, distinguiam o relâmpago dos canhões russos que bombardeavam implacavelmente Stalingrado. Porém, a ordem não chegou...

 

O final

 

Em Stalingrado, os soldados do 6o Exército, desfeitos pela fadiga e pela fome, preparavam-se para celebrar sua última ceia de Natal. Nas trincheiras, cavadas no gelo, os homens, torturados pelo frio glacial, reuniram-se em torno de fogueiras e ergueram brindes com as últimas garrafas de aguardente. Um grupo de soldados, arrastando-se sob o fogo das metralhadoras russas, subiu até o alto de uma colina, e lá fincou uma pequena árvore de Natal, adornada com velas acesas e recortes de papel prateado. Durante uma hora suas luzes brilharam fracamente na noite invernal, até que, finalmente, os russos a pulverizaram com um certeiro tiro de morteiro.

 

Começava agora a terrível agonia. A Luftwaffe, apesar da impossibilidade de cumprir as promessas de Goering, realizou um esforço supremo e continuou abastecendo os sitiados.

 

Dia após dia, os pesados e lentos trimotores Junkers, aos quais posteriormente se juntaram bombardeiros Heinkel e Dornier, desafiaram o mortífero fogo das baterias antiaéreas, e os ataques dos caças russos, a fim de fazer chegar sua preciosa carga de munições, alimentos e combustível aos homens do 6o Exército. Voando em meio de contínuas tormentas de neve, os exauridos pilotos realizaram proezas incríveis, fazendo aterrissar seus aparelhos sobrecarregados, nas pistas geladas e cobertas de crateras de bombas. Seu sacrifício permitiu prolongar a resistência do 6o Exército durante mais de dois meses. No fim da batalha, a Luftwaffe havia perdido mais de 800 aparelhos e 2.000 aviadores.

 

A 8 de janeiro de 1943, o General Rokossovski enviou um ultimato a Paulus, intimando-o à rendição em 24 horas. Paulus transmitiu imediatamente o ultimato ao QG de Hitler e solicitou, mais uma vez, autorização para a rendição de suas unidades destroçadas. O Fuhrer recusou de imediato o pedido, assinalando que, com sua heróica resistência, o 6o Exército havia imobilizado perto de 90 divisões russas, possibilitando a retirada do Cáucaso, do Grupo de Exércitos A e a construção de uma nova frente. No dia 9 de janeiro, Rokossovski ordenou que suas forças atacassem: era o início do assalto contra Stalingrado sitiada. Precedidos pelo fogo arrasador de 5.000 canhões e lança-foguetes, os T-34 avançaram a toda velocidade rumo às posições alemães. Uma luta furiosa se desencadeou em todos os flancos do perímetro. Os artilheiros alemães, disparando sem trégua, sucumbiram ao pé de seus canhões, depois de abater centenas de carros blindados soviéticos. Porém, novas ondas de tanques somavam-se incessantemente à luta. Nada podia deter o avanço avassalador dos russos.

 

No dia 16 de janeiro caiu o aeródromo de Pitomnik, e no dia 22 o de Gumrak. O suprimento aéreo ficou, assim, definitivamente interrompido. As tropas sobreviventes se concentraram nas ruínas de Stalingrado, a fim de travar a última batalha. Na cidade devastada, milhares de feridos, amontoados como animais nos sótãos, agonizavam sem receber qualquer socorro médico. Paulus, desesperado, enviou então uma dramática mensagem ao QG do Fuhrer: “As tropas estão sem munições e sem alimentos. Mantemos contato unicamente com seis divisões... Temos 18.000 feridos e nenhum estoque de bandagens ou medicamentos... O exército solicita imediatamente autorização para render-se, a fim de salvar a vida das tropas que restam...”

 

A resposta de Hitler não tardou a chegar: “É proibida a rendição. O 6o Exército defenderá suas posições até o último homem e o último cartucho, e, por intermédio de sua heróica resistência, contribuirá de forma imorredoura para o estabelecimento de uma frente defensiva e para a salvação do mundo ocidental...”

 

No dia 24 de janeiro, os soviéticos destroçaram as defesas do perímetro e dividiram em três reduzidos núcleos as forças de Paulus. O fim havia chegado. Quatro dias mais tarde, o Marechal Goering dirigiu uma mensagem solene à nação alemã e aos soldados do 6o Exército. Trágica ironia! O homem que se havia comprometido a salvá-los, era quem, na hora final, tomava o encargo de anunciar-lhes o seu iminente aniquilamento!

 

A 31 de janeiro, Hitler concedeu a Paulus o título de marechal e promoveu a postos superiores 117 chefes e oficiais do 6o Exército. Ao anoitecer, os soldados soviéticos cercaram o posto de comando de Paulus, na Praça Vermelha de Stalingrado. O General Schmidt foi encarregado dos termos de rendição. Paulus, arrasado, permaneceu encerrado no escuro cômodo que lhe servia de habitação. Às 19h45 o operador do rádio do posto de comando do 6o Exército enviou sua última mensagem: “Os russos estão na porta do nosso alojamento. Destruímos nosso equipamento...”

 

Segundos depois, duas letras cruzaram o éter: CL, sinal internacional que informava: “esta estação cessa sua transmissão”.

 

Capitula o bolsão “norte”

 

Enquanto Paulus e seus homens depunham as armas na tarde de 31 de janeiro, ao norte de Stalingrado, os últimos remanescentes do 6o Exército prosseguiam a luta. Essas forças, integradas pelas dizimadas 16a e 24a Divisões Panzer e os últimos sobreviventes das 76a, 113a, 389a e a 60a Divisões de Infantaria Motorizada, cumpririam a ordem de Hitler de combater até o fim. Essa implacável determinação custaria, no norte de Stalingrado, a vida de 4.000 soldados alemães.

 

Na manhã de 2 de fevereiro, os russos atacaram com violência, descarregando uma incessante chuva de projéteis de artilharia e foguetes sobre as massas de escombros onde resistiam os infantes alemães. A frente defendida pelos soldados da 60a Divisão de Infantaria Motorizada foi, assim, rompida. O batalhão de artilharia dessa unidade enfrentou centenas de tanques russos, disparando os últimos projéteis, com o único morteiro que ainda estava em condições de ser utilizado.

 

Ante o avanço irresistível das unidades russas, cessou toda a resistência organizada. Os alemães, no entanto, continuaram lutando, em grupos isolados.

 

Ao cair da noite, os últimos vinte oficiais sobreviventes da 16a Divisão Panzer, reuniram-se no sótão de uma fábrica, para receber as últimas determinações de seu chefe. Este entrou, e, depois de saudar seus subordinados, que o receberam em posição de sentido, lhes comunicou, em breves palavras, aquilo que todos sabiam, mas que ninguém desejava admitir: “Senhores, a batalha terminou... Cumprimos nosso dever até o fim...”. Em seguida, depois de apertar as mãos de cada um de seus oficiais, acrescentou que ficavam com liberdade de ação para tentar atingir as linhas alemães. Terminou suas palavras, dizendo: “Se algum de vocês conseguir alcançar nossas linhas, transmitam à Alemanha minhas saudades...”. Imediatamente abandonou o local. Internando-se depois entre as ruínas, sacou de sua pistola e matou-se com um tiro.

 

Nesse mesmo momento, no QG de Hitler, diante de um mapa de Stalingrado, um oficial do Estado-maior cruzava com dois traços vermelhos o pequeno círculo azul que marcava o último ponto de resistência.

 

Anexo

 

Ponte aérea

O suprimento das forças alemães cercadas em Stalingrado foi um trabalho de titãs. A força aérea alemã, que havia sido incumbida da tarefa, não esteve à altura da situação e a operação fracassou redondamente. Um dos pilotos que participou dela relata assim os acontecimentos:

“As duas bases de partida estavam a mais ou menos 240 km de Stalingrado. No interior da grande área cercada havia 4 campos de aviação: Pitomnik, Barsagino, Gumrak e Goroditsche, em plena estepe hostil, cortada por profundas quebradas naturais. O termômetro caiu logo para 20 a 25 graus negativos. Quando esquentava um pouco, a neve se transformava em uma lama pegajosa. Assim, pois, as mudanças de temperatura eram muito perigosas.

As bases de partida não tinham pista de vôo sólidas. Além disso, por todo lado se amontoavam mercadorias destinadas a Stalingrado: combustíveis, munições e produtos alimentícios. A 30 de novembro, o General Fiebig foi colocado à frente da operação suprimentos. Os aparelhos chegavam às bases sem interrupção. No dia 1o de dezembro contavam-se perto de 200 Ju 52, 100 He 111 e 20 Ju 86. Assim mesmo, mais tarde se empregaram quadrimotores He 177, porém estes se revelaram rapidamente insuficientes e despreparados. O quadrimotor Fw 200 também se adaptava mal a operações desse gênero, porque requeria um pessoal de terra muito treinado e cuidadoso.

Desde os primeiros dias sentiu-se que não era possível, nem sequer com bom tempo, assegurar o transporte das mercadorias na quantidades exigidas. Os russos estava, à espreita na entrada da área sitiada, o que deu margem a furiosos combates aéreos. As bombas inimigas abriram profundos buracos nas pistas de aterrissagem e muitos aparelhos carregados capotaram e se incendiaram ao tocar o solo. Apenas os aviões paravam, já os caminhões se aproximavam. Mãos febris carregavam a preciosa mercadoria, enquanto no céu ressoava o estrondar do combate. Soldados feridos jaziam por todo lado, suplicando, gemendo, que os tirassem dali, Eram transportados para a retaguarda nos receptáculos das bombas dos He 111.

Dos próprios aparelhos era exigido um esforço considerável. Os motores arrancavam muito mal e, em geral, ate o meio-dia, não funcionavam bem. Às vezes, até, recusavam-se a pegar. Carecia-se de tudo: desde ferramentas até bules e panelas. No interior do bolsão a fome começava a agir. Desde os primeiros dias do cerco, as rações dos homens haviam sido reduzidas a dois terços do normal. Para as tropas combatentes e expostas ao frio, não se distribuíra, a partir de 3 de dezembro, mais que duas fatias de pão, ou melhor, 200 gramas, e uma sopa rala. Em virtude disso, os soldados se debilitavam rapidamente. A cada dia aumentava a proporção de doentes e feridos. E logo, não era apenas o General Fiebig que sabia o que estava ocorrendo, mas também as tripulações, em contato com as tropas sitiadas, se inteiravam perfeitamente de tudo... Com freqüência, os aparelhos levantavam vôo apesar das nuvens e da neve, e em tais circunstâncias as missões eram mais lentas. Os vidros das carlingas e dos pára-brisas cobriam-se de gelo e perdiam suas propriedades aerodinâmicas. Com muita dificuldade, os aviões voavam através das tempestades de neve e chegavam à base de Pitomnik. Lá, tudo restava coberto pela neve. Ao aterrissar, os aparelhos rodavam pesadamente, até que, de repente, a neve cedia sob suas rodas e capotavam nas crateras das bombas.

Nunca se conseguiu a cota diária de 200 aviões. A cifra mais elevada a que se chegou foi de 154 aparelhos”.

 

 

O ultimato soviético

Texto da intimação de rendição, enviada ao General Paulus, a 8 de janeiro de 1943, pelo Tenente-General Rokossovski:

“Ao comandante-chefe do 6o Exército alemão, Coronel-General Paulus, ou seu representante, e a todos os oficiais e soldados das unidades alemães sitiadas em Stalingrado.

“O 6o Exército alemão, formações do 4o Exército Panzer, e as unidades enviadas para reforça-los se encontram totalmente cercados desde 23 de novembro de 1942.

“Os soldados do Exército Vermelho rodearam o grupo de exército alemão com um anel inquebrantável. Todas as esperanças de resgate de vossas tropas por uma ofensiva alemã, do sul, ou do sudoeste, mostraram ser inúteis. As unidades alemães que se encaminhavam em vosso auxílio foram derrotadas pelo Exército Vermelho e os restos dessa força se retiram agora para Rostov.

“A frota aérea de transporte alemã que os provia com uma ração minúscula de alimentos, munições e combustível foi obrigada, pelo rápido e vitorioso avanço do Exército Vermelho, a retirar-se repetidas vezes, para aeródromos cada vez mais distantes das tropas sitiadas. Devo acrescentar que a frota de transporte aéreo alemã está sofrendo perdas enormes de máquinas e material, pela ação da Força Aérea russa. A ajuda que ela podia trazer às forças sitiadas, se vai rapidamente convertendo em ilusão. A situação de vossas tropas é desesperadora. Sofrem a fome, enfermidades e frio. O cruel inverno acaba de começar. Geadas tremendas, ventos gélidos e temporais, logo haverão de desencadear-se. Vossos soldados não contam com vestuário de inverno e estão vivendo em desastrosas condições sanitárias.

“O Senhor, como comandante-chefe, e todos os oficiais das forças sitiadas, bem sabem que não tem nenhuma possibilidade de evadir-se. Vossa situação é sem esperança, e qualquer resistência é insensata. Em vista da desesperadora situação em que está colocado, e para evitar um derramamento de sangue desnecessário, propomos que aceite os seguintes termos de rendição:

1. Todas as tropas sitiadas alemães, com o senhor e seus oficiais à frente, devem cessar a resistência.

2. Entregará o senhor, a pessoas autorizadas por nós, todos os elementos de sua força armada, todos os materiais de guerra e todo o equipamento do Exército sem destruí-lo.

3. Garantimos a segurança de todos os oficiais e soldados que deixem de resistir, e os eu regresso, no fim da guerra, para a Alemanha, ou para qualquer outro país para o qual estes prisioneiros de guerra desejem ir.

4. Todo o pessoal das unidades que se renderem poderão ficar de posse de seus uniformes militares, as insígnias de seus postos, condecorações, objetos pessoais e valores, e, no caso de oficiais de alta patente, de suas espadas.

5. Todos os oficiais, suboficiais e soldados que se renderem, receberão imediatamente rações normais.

6. Todos aqueles que estejam feridos, enfermos, ou atingidos pelo congelamento, receberão tratamento médico.

“Vossa resposta deve ser entregue por escrito, às 10h da manhã, hora de Moscou, do dia 9 de janeiro de 1943. Deve ser entregue por vosso representante pessoal, que viajará num automóvel equipado com uma bandeira branca, pela estrada que conduz à estação Kotlubanj. Vosso representante será recebido por oficiais russos, plenamente autorizados, no distrito B, a 500 metros a sudeste do desvio 564 às 10h de 9 de janeiro de 1943.

“No caso de recusar nossa proposta de depor as armas, pela presente, que as forças do Exército e da Aviação russa, se verão obrigadas a levar adiante a destruição das tropas alemães cercadas. A responsabilidade por este fato recairá sobre o senhor

Tenente-General Rokossovski”.

 

 

O emblema de Stalingrado

O episódio Stalingrado é rico em passagens e fatos, muitas vezes dramáticos. Talvez poucos se igualem aos do “Emblema de Stalingrado”, simples e comovente.

Desde o início das hostilidades, em 1939, as grandes batalhas ou conquistas, em que uma determinada força havia participado, eram recordadas com um emblema alusivo, que se concedia aos membros da unidade. Quando, em 1942, Stalingrado estava praticamente nas mãos dos alemães, Hitler determinou que se desenhasse o “emblema de Stalingrado” para comemorar a vitória. Nada adiantou que alguém comentasse: “- Primeiro devemos terminar a conquista; depois, pensar no emblema...”. Hitler manteve sua decisão: o emblema devia ser desenhado. E a ordem respectiva foi enviada à Companhia de Propaganda 637, acantonada em Stalingrado. Lá, um de seus membros, o desenhista Ernest Eigener, foi encarregado da sua realização. Eigener, era um soldado de 37 anos, era um veterano que vivera as campanhas da Polônia, França e Romênia. Espírito sensível e receptivo, amava a vida quanto odiava a guerra. Seu sonho, conhecido por todos os seus camaradas, era viver, depois da guerra, em uma casa de troncos, sobre uma das colinas que margeavam o Volga.

Ao receber a ordem, Eigener pôs mãos à obra. O resultado do seu trabalho foi um desenho que representava uma caverna, rodeada pelas ruínas da cidade. Junto a essas ruínas, o rosto de um soldado morto. Ao redor, a palavra Stalingrado.

O esboço foi enviado a Hitler, que devolveu-o, com uma nota à margem: “Desmoralizador”.

Enquanto isso, a 20 de novembro de 1942, em um dia de sol, o soldado Ernest Eigener entrou em combate. Pouco antes, escreveu estas palavras: - As estrelas são eternas, porém os homens devem viver como se fossem apagar-se no dia seguinte. Três horas depois caía morto.

 

 

Friedrich Paulus

Mesmo quando você crer que algo parece claro/ melhor pôr em dúvida e não se descuidar./ Se alguém diz: “Isto é bom ou mau. Pergunte-lhe em voz baixa: para quem?

O general russo fechou lentamente a pequena agenda de capa escura e a depositou sobre a sua mesa. Depois dirigiu-se ao oficial alemão, que permanecia em silêncio: - Alguma vez fez esta pergunta a si mesmo, nos últimos dias, Senhor Marechal Paulus? Principalmente quando Hitler lhe ordenou resistir até o último homem?

Seu interlocutor, um homem alto e magro, com cansaço estampado no rosto, olhou-o firme, demoradamente. Que será que pensou o marechal nesse momento? Provavelmente, ninguém poderá dizê-lo. Prisioneiros dos russos, depois a batalha mais terrível de toda a guerra, Paulus fixou seu olhar no pequeno livro que o general russo havia colocado sobre a mesa. Aqueles versos, que Paulus escrevera na primeira página, o revelavam em toda a sua dimensão. Com efeito, Paulus havia duvidado. Mais ainda: Paulus não havia sabido que partido tomar ante o desastre iminente. E havia, então, obedecido àquela ordem insensata que o obrigou a entregar aos braços da morte, milhares e milhares de homens. Aqueles versos, e sua própria atitude, revelavam-no como era na realidade: um tático brilhante, um extraordinário estrategista; isto é, um militar de salão, nunca um homem de ação.

Friedrich Paulus nasceu a 23 de setembro de 1890, às 21h30, no território paroquiano de Breitenau-Gershagen, casa n° 95 A. Estudou no Wilhelms-Gimnasium, de Kassel, e em 1909 conquistou seu bacharelato. No seu certificado final consta que o jovem Paulus tencionava seguir a carreira naval. Contudo, Paulus não foi aceito; a negativa deveu-se possivelmente, à sua origem modesta. Seu passo seguinte foi na direção da carreira das leis, ingressando na Philipps-Universitat de Marburg. Sua vocação, no entanto, o conduzia para o militarismo. A 18 de fevereiro de 1910, por fim, o jovem Paulus ingressou como cadete no 111o Regimento de infantaria Margrave Ludwig Wilhelm.

Ao estourar a guerra de 1914-18, o Tenente Paulus era ajudante do 38o Batalhão do Regimento de Infantaria Margrave Ludwig Wilhelm, de Baden. Em 1915, é destinado ao 2o Regimento de Caçadores; era já oficial superior do regimento. Em 1918, condecorado com a Cruz de Ferro de segunda e primeira classe, foi promovido a capitão.

No outono de 1931 foi designado para Berlim. No ministério da Reichswehr, foi professor de tática e história militar. Entre seus discípulos, encontravam-se oficiais do exército russo, agregados ao curso, que expressaram vivo desejo de contar com Paulus como chefe de Instrução no Exército Vermelho.

Nos fins do verão de 1940, em plena guerra, Paulus foi nomeado chefe de operações do Estado-Maior-Geral. O novo chefe de operações se viu a braços, assim que assumiu seu cargo, com uma missão de importância fundamental: estruturar o plano de invasão da Rússia.

Até 1942, a 5 de janeiro, Paulus foi reconhecido como comandante-chefe do 6o Exército. Em seguida, viria Stalingrado e o desastre. A batalha pela posse da cidade do Volga, de importância decisiva no destino da Segunda Guerra Mundial, foi seu final. Prisioneiro dos russos, fundou, colaborando com alemães exilados na URSS, a Associação de Oficiais Alemães como correspondente ao Comitê Nacional da Alemanha Livre. Sabedor de que, na Alemanha, muitos de seus velhos companheiros das forças armadas haviam tentado derrubar Hitler e haviam sido fuzilados, Paulus dirigiu um apelo aos exércitos alemães do Leste. A Gestapo prendeu sua família.

Libertado, posteriormente, o Marechal Paulus radicou-se na Alemanha Oriental, onde viveu até sua morte, em 1957. Um grupo de antigos camaradas do exército alemão e alguns oficiais do novo exército da Alemanha oriental acompanharam seus restos mortais.

Os que o conheceram sabem que, em sua tumba, falta uma data: a verdadeira data da sua morte. Sabem que na lápide, se deveria ler: Marechal Friedrich Paulus. Morto na frente de Stalingrado no dia 31 de janeiro de 1943.

 

 

A odisséia do Cabo Nieweg

O cabo Nieweg, da 4a bateria antiaérea chutou a bota do homem que estava estendido à sua frente. Não recebeu resposta. Nieweg, levantando-se, observou com cuidado. Aquele homem nunca poderia responder-lhe; sua boca estava cheia de neve e o corpo começava a afundar-se nela. Nieweg fez um gesto e olhou ao seu redor... Realmente não valia a pena ocupar-se dele; muitos mais estavam assim, imóveis, cobertos de neve, em paz, enfim... Nieweg acendeu seu cachimbo, mas logo o tirou da boca, com asco. A falta de fumo o obrigara a encher o cachimbo com o conteúdo do seu colchão de campanha... e a fumaça, intragável, era nauseabunda...

Depois, outros homens surgiram no local. Estavam ali dois artilheiros, dois soldados do Serviço Postal, um subtenente da 71a Divisão de infantaria, uns 20 infantes, e alguns homens mais, de diversas unidades. Eram, ao todo, uns 50 combatentes. Entre eles havia, inclusive, dois pilotos da Luftwaffe. Depois de um breve entendimento, decidiram permanecer juntos. Bastaram poucas palavras. Sozinhos, isolados, estavam perdidos. Unidos, poderiam tentar a aventura de escapar de Stalingrado e chegar às linhas alemães. Era uma probabilidade entre mil, porém valia a pena tentá-la. Nieweg fez um rápido inventário dos seus pertences. Decidiu desfazer-se de tudo o que pudesse atrapalhá-lo na caminhada. Rapidamente, jogou longe a marmita da “bóia”, que de muito pouco lhe poderia servir; o pequeno rádio portátil teve o mesmo destino; e a metralhadora, suja e enferrujada; o capacete de aço, o cinturão e a mochila, tudo ficou para trás. Nieweg e seus companheiros levaram as botas, os capotes rasgados, as mantas e algumas cartas e fotos. Decidiram conservar seus relógios, apesar da diferença de hora que todos apresentavam. E partiram...

A longa caminhada até as linhas alemães transformou-se num interminável desfile de corpos exauridos. Um a um, vencidos pela fome e pelo frio, os homens foram caindo sobre a neve. Outros atingidos por disparos de soldados russos isolados, tombaram, também, para sempre.

No dia 28 de janeiro de 1943, a tripulação de uma avião alemão de reconhecimento avistou um pequeno grupo de homens que caminhava pela estepe gelada. Descendo a uma altura de 200 metros, o observador pôde distinguir os frenéticos sinais dos fugitivos. Imediatamente, comunicou a novidade à sua base. O Marechal Milch resolveu auxiliar o grupo perdido. No dia seguinte, aviões lançaram mapas e alimentos. Era o dia 29 de janeiro, e os homens estavam a quase 20 km a oeste de Kalatsch. Nesse momento, o grupo estava reduzido a 25 homens.

A 30 de janeiro, a Luftwaffe perdeu contato com os fugitivos. A 31, os pilotos encarregados de localizá-los comunicam: “Nenhum rastro da unidade”. Uma ordem do Marechal Milch determina que a busca continue até o dia 2 de fevereiro. Porém, tudo em vão. A estepe é um gigantesco deserto de neve. A Luftwaffe abandonou a busca...

 O que aconteceu com aqueles soldados? Onde estarão? Ninguém saberá nada até um mês depois. Com efeito, no dia 3 de março, um homem, esgotado pela fadiga e pela fome, extenuado pelo frio e pelo sono, quase enlouquecido pela solidão e pelo silêncio da estepe, rastejando, chegou a um posto avançado alemão. É o cabo Nieweg, único sobrevivente do grupo de fugitivos de Stalingrado. Mais de 50 companheiros morreram na travessia. Apenas ele chegara. Foram 120 km através da estepe, cruzando as linhas russas, escondendo-se, enterrando-se na neve, escavando o solo duro à procura de raízes para se alimentar, sofrendo horrores indescritíveis...

O comando alemão decidiu enviar, imediatamente, o cabo Nieweg para a retaguarda. Partirá no dia seguinte. Porém, o dia seguinte não chegou nunca. Algumas horas depois da sua chegada, o disparo isolado de um franco-atirador soviético lhe atravessa a cabeça.

Esta foi a odisséia do cabo Nieweg.

 

 

“Estão na porta...”

Por alguns dias mais, as tropas alemães continuam resistindo. O 6o Exército, a esta altura dos acontecimentos, perdeu toda a coesão, e consiste em pequenos grupos de soldados que defendem posições isoladas.

Von Paulus, que estabeleceu seu QG na cantina da grande empresa comercial Univermag, encontra-se profundamente abatido, e raramente se levanta de seu leito de campanha. A 31 de janeiro, envia a Hitler uma última mensagem: “O 6o Exército, fiel ao seu juramento, e consciente da importância da sua missão, manteve suas posições até o final, pelo Fuhrer e pela Pátria”. Como resposta, Hitler elevou Paulus ao posto de marechal e promoveu 117 oficiais do 6o Exército. Declarou em seguida, a Jodl: “- Em nossa história militar não existe nenhum marechal-de-campo que se tenha entregue”.

Porém Paulus não se matou, como Hitler esperava.

Na noite de 31 de janeiro, algumas horas depois de haver enviado ao QG uma última mensagem - “Os russos estão na porta do nosso bunker...”- Uma patrulha russa, comandada pelo jovem Tenente Fyedor Yelchenk, entra na cantina e recebe a rendição do comandante do 6o Exército e de todo o seu Estado-Maior. Um pequeno grupo de soldados alemães resiste ainda mais dois dias, até 2 de fevereiro. Depois, o silêncio desceu sobre aquela tumba gigantesca que era Stalingrado. - Vimos passar junto a nós centenas de prisioneiros - comunicou Chuikov. Entre eles havia italianos, húngaros e romenos. Tanto os soldados como os suboficiais estavam extenuados. Particularmente lastimável era o aspecto dos soldados romenos. Dava até pena vê-los. Apesar dos 30 graus negativos, alguns soldados estavam descalços...

Perto de 90.000 alemães, entre eles 24 generais, caminhavam lentamente rumo aos campos de prisioneiros. Era tudo o que restava de quase 300.000 homens. Posteriormente, dos 90.000 sobreviventes, apenas 5.000 regressaram à Alemanha...

 

 

Hitler e Paulus

Diálogo mantido entre Hitler e o General Zeitzler, chefe do Estado-Maior, sobre a capitulação do 6o Exército, transcrito nos protocolos do QG do Fuhrer:

“Fuhrer - Eles se renderam muito ostensivamente. Num caso desses, deviam ter-se concentrado, num só bloco, e matar-se com o último cartucho...

Zeitzler - Não posso compreender. Ainda sou da opinião que talvez não seja bem assim. Ele (Paulus) talvez esteja gravemente ferido.

Fuhrer - Não é verdade. Chegarão logo a Moscou e a GPU e os outros lhes arrancarão as ordens para que a zona norte também se entregue. Schmidt assinará tudo (Schmidt, chefe do Estado-Maior de Paulus). Quem não tem a coragem de tomar a decisão que, um dia, todo homem  deve tomar na vida, não terá força para resistir. Entre nós, cultivou-se demasiadamente o intelecto, e demasiadamente pouco a firmeza de caráter.

Zeitzler - Na realidade, não se pode explicar tudo isso.

Fuhrer - Não diga isso! Eu tinha uma carta... Below a recebeu. Posso mostrar. Nela diz o remetente (um oficial do 6o Exército): “Segundo a opinião generalizada, cheguei à seguinte conclusão: Paulus, ponto de interrogação. Seydlitz (chefe de um corpo do 6o Exército) fogo!; Schmidt, fogo!”

Zeitzler - De Seydlitz também eu ouvi coisas desfavoráveis.

Fuhrer - No Reich, em épocas de paz, cada ano, entre 18 e 20 mil pessoas se suicidavam, sem estar numa situação como a presente. Neste caso, qualquer um pode compreender como 45 a 60 mil soldados morrem e se defendem heroicamente até o fim. Podem, então entregar-se aos bolchevistas? Ah! Isto é...

Zeitzler - É algo que realmente não se pode compreender.

Fuhrer -  A primeira dúvida já havia surgido em mi há muito tempo. No momento em que ele (Paulus) me perguntou o que devia fazer. Como pôde perguntar uma coisa dessas? Quer dizer que, no futuro, cada vez que uma fortaleza for sitiada e o seu comandante seja intimado a se render, ele vai perguntar: “O que devo fazer agora?”. “Como ele resolveu fácil! (parece referir-se ao General Udet, da Luftwaffe, que se suicidou, ou Becker, que se meteu, numa complicação com seu comércio de armas e depois se deu um tiro). Como é fácil fazer isso! A pistola é, apesar de tudo uma saída fácil, e ainda que recorrer a ela fosse uma covardia, ele (Paulus) tirou o corpo! Ah, é preferível se deixar enterrar vivo! Mais ainda: na sua situação, sabia que a sua morte significaria a resistência de outra zona. Um exemplo assim evitará que os homens continuem lutando.

Zeitzler - Não há desculpa que caiba no caso. Se os nervos traem um homem, ele se deve matar.

Fuhrer - Se os nervos fraquejam, só há uma coisa a dizer: “Não agüento mais...” e dar-se um tiro! O homem deve dar-se um tiro, assim como, em outras épocas, os generais se arrojavam sobre a espada, se tudo estava perdido. É evidente. O próprio Varo ordenou ao seu escravo: “Agora, mata-me”.

Zeitzler - Ainda acho que talvez eles tenham feito isso, e que os russos é que estejam dizendo que se entregaram, prisioneiros.

Fuhrer - Nesta guerra ninguém mais será nomeado marechal-de-campo. Tudo será decidido quando terminar a guerra. Não se pode enaltecer o dia, antes que chegue a noite...”

 

 

Era uma vez uma cidade...

Stalingrado foi, uma ocasião, uma imensa cidade industrial. Já não o é. Mais ainda: deixou, inclusive, de ser uma cidade, para converter-se numa montanha de ruínas... Durante seis meses, milhares de homens lutaram rua por rua, casa por casa, canto por canto, até devastá-la e convertê-la num deserto, interrompido, aqui e ali, por solitárias chaminés de fábricas que já não existem. Nesta cidade, um exército foi destruído. 300.000 homens foram aniquilados. Em Berlim, um surdo rufar de tambores e os primeiros compassos da Quinta Sinfonia de Beethoven precederam a notícia que enlutou o povo alemão.

Seis meses bastaram. Uma cidade foi arrasada. Um exército foi destruído. Milhares de homens ficaram ali, tombados sobre a neve, mudas testemunhas de uma matança inútil.

No dia 24 de novembro de 1942, Hitler enviou a Friedrich Paulus a seguinte mensagem: “... Pode estar seguro de que abasteceremos nossas tropas e as libertaremos a tempo do assédio... “O general russo Chuikov, por sua vez, telegrafou a Stalin o seguinte: “... Juro que jamais abandonarei Stalingrado...”, e dirigindo-se às suas tropas, ordenou: “... Resistam. Ganhem tempo. O tempo é sangue...”. Entre ambas as mensagens se abriram covas para 300.000 combatentes alemães e, talvez, de uma cifra semelhante de soldados russos... A epopéia começou no dia 23 de agosto de 1942. O trágico final: 31 de janeiro de 1943.

 

 

Os porões da morte

A resistência alemã em Stalingrado chega ao fim. Como uma implacável e gigantesca tenaz, as formações russas estreitam o cerco, minuto a minuto, cada vez mais. Os reduzidos efetivos alemães ainda em condições de combater, extenuados, entrincheirados atrás das ruínas, disparam os últimos cartuchos. Sob essa massa de escombros, sacudida pelo fogo incessante dos canhões e lança-foguetes russos, desenrola-se um drama que raia ao dantesco. Encurralados no interior dos porões, milhares de homens agonizam, sem receber nenhuma ajuda. Para eles não há nada, nem sequer água para acalmar a sede que os atormenta. Seus corpos cobrem as escadas, bloqueiam os corredores, jogados uns sobre os outros, submersos numa atmosfera irrespirável; homens destroçados pelas balas, mutilados, atacados pela gangrena, moribundos. Para eles não existem alimentos nem medicamentos. Não há médicos ou enfermeiros para atendê-los. A cada hora, morrem às centenas. Seus corpo são jogados para o exterior, para dar lugar aos novos feridos, que em intermináveis colunas chegam dos pontos onde ainda se luta. Num dos porões, que, antes da guerra, servia de depósito de um armazém, agora demolido pelas bombas, jazem 800 feridos. Apertados contra as paredes, estendidos sobre o solo úmido, sem distinção de postos, os 800 homens agonizam sem esperança. Estão ali oficiais, suboficiais e soldados misturados pelo denominador comum do sofrimento. Esta cena, por outro lado, se repete em cada um dos porões da zona que ainda se mantém em poder dos alemães. São milhares e milhares de homens que esperam a morte como única salvação. Somente ela poderá libertá-los do sofrimento. Essa via-crucis não pode prolongar-se. Paulus, o homem que é responsável por esses homens, envia uma desesperada mensagem a Hitler: “Temos 18.000 feridos e nenhuma provisão de bandagens e medicamentos. O Exército solicita autorização para render-se”. Hitler, contudo, não cederá ao clamor de seu subordinado. E a sua resposta chega: “Está proibida a rendição”.

No inferno dos porões de Stalingrado, 18.000 homens agonizavam...

 

 

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