Vitória americana em Midway
Conquista japonesa das Aleutas
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No princípio do mês de maio de 1942, o Alto-Comando da Marinha japonesa, sob a condução do Almirante Yamamoto, terminou os seus planos para uma decisiva operação contra a frota americana no Pacífico. No dia 8, no Mar de Coral, os porta-aviões do Almirante Takagi haviam sustentado uma encarniçada batalha, a primeira entre porta-aviões no decurso da Segunda Guerra Mundial. Nessa ocasião, os aviões japoneses haviam conseguido afundar o porta-aviões Lexington e avariar seriamente o Yorktown. Por sua vez, os aparelhos americanos afundaram o porta-aviões leve Shoho e avariaram o Shokaku. Outro porta-aviões japonês, o Suikaku, ficara inutilizado para a ação, pois durante o decorrer da batalha perdera a maior parte dos seus aviões. A batalha do Mar de Coral, portanto, alterou por completo as perspectivas do encontro seguinte, planejado por Yamamoto. Os japoneses contariam agora com quatro grandes porta-aviões, em lugar dos seis previstos, para levar adiante o ataque. Contudo, os comandos japoneses, que julgavam ter afundado no Mar de Coral dois porta-aviões americanos (Lexington e Yorktown), pensavam que a sua superioridade de forças mantinha-se vigente. Por isso, os japoneses prosseguiram em seus preparativos, confiantes na vitória. No dia 5 de maio, três dias antes da batalha do Mar de Coral, o QG Imperial emitiu sua ordem n° 18, onde determinava o início das operações contra a ilha de Midway, nas primeiras semanas de junho. Aprovou-se também a realização de uma operação secundária, contra as ilhas Aleutas, como manobra de distração das forças inimigas e, além disso, para obter um ponto de apoio no extremo norte do continente americano. A partir desse momento, nada deteve os japoneses na elaboração de seus planos. |
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O plano de ataque Seguindo as diretivas do Almirante Yamamoto, a quase totalidade dos navios de combate da frota japonesa interviriam na operação contra Midway e as Aleutas. As ações se iniciariam com uma incursão da flotilha de porta-aviões leves, comandada pelo Contra-Almirante Kakuta, contra o porto de Dutch Harbor, principal base americana nas Aleutas. Esse ataque teria lugar três dias antes do desembarque da infantaria japonesa em Midway, operação planejada para o dia 6 de junho. No dia 4 de junho de 1942, a 1a frota de porta-aviões, comandada pelo Almirante Nagumo e integrada pelos porta-aviões Akagi, Kaga, Shoryu e Hiryu deveria situar-se a 250 milhas a noroeste de Midway, para destruir com seus bombardeiros as defesas do atol. Sob a cobertura dos porta-aviões avançaria, em seguida, a frota de desembarque, comandada pelo Vice-Almirante Kondo, integrada pelos encouraçados Kongo e Hiei, o porta-aviões Zuhio, quatro cruzadores pesados e sete destróieres. Uma segunda esquadra participaria da operação, em missão de apoio, sob o comando do Vice-Almirante Kurita. Integravam-na quatro cruzadores pesados e dois destróieres. Completavam a força de invasão, um grupo de porta-aviões e outro de draga-minas. As tropas de assalto totalizavam 5.000 homens, seriam conduzidas por uma flotilha composta por 12 navios-transporte e 10 destróieres. Na retaguarda, se situaria a chamada frota básica, sob o comando direto do Almirante Yamamoto, que desfraldaria a sua insígnia no gigantesco encouraçado Yamato, de 63.000 toneladas. Esta esquadra era integrada, também, por outros seis encouraçados, dois cruzadores, 21 destróieres, dois porta-hidroaviões e outras naves auxiliares. Ao todo, cerca de 200 barcos e 500 aviões participariam da operação decisiva. Yamamoto acreditava que a esquadra americana se lançaria à luta assim que tivesse conhecimento da operação contra Midway. Então teria chegado o momento capital; os porta-aviões do Almirante Nagumo cairiam de surpresa sobre os barcos americanos pelo norte e os destruiriam com repetidos e destruidores ataques de suas esquadrilhas. Em seguida, os encouraçados se somariam na luta e assestariam o golpe definitivo com seu grandes canhões sobre os barcos que tivesse escapado incólumes do ataque aéreo. Yamamoto, numa reunião efetuada com seus lugar-tenentes, a bordo do Yamato, para ultimar os detalhes da operação, expressou sua absoluta confiança na vitória final e assinalou que, uma vez concretizadas as operações contra Midway, a frota se concentraria para iniciar novas ações no Pacífico Meridional. Levar-se-ia a cabo a ocupação dos arquipélagos das Fiji e Nova Caledônia e os porta-aviões de Nagumo atacariam, numa série de incursões, a costa australiana, bombardeando a cidade de Sidney e outros pontos estratégicos. Uma vez completadas essas ações, a frota japonesa se lançaria em massa ao ataque contra as ilhas do Havaí. Esta última ação teria lugar no mês de agosto. Os ambiciosos projetos de Yamamoto baseavam-se na presunção de que sua frota não haveria de sofrer nenhuma perda. O almirante japonês confiava cegamente no poderio das suas armas e o seu otimismo superava as reais possibilidades de suas forças; isto seria demonstrado posteriormente pelos fatos. Os americanos se
preparam O Almirante Nimitz, comandante-supremo da frota americana no Pacífico, defrontava uma situação crítica. A perda do Lexington e as graves avarias sofridas pelo Yorktown havia reduzido a sua frota de porta-aviões a apenas duas naves: o Hornet e o Enterprise. Possuía, contudo, uma apreciável vantagem sobre o inimigo: seu serviço de inteligência estava de posse do código utilizado nas comunicações das forças navais japonesas. O chamado “Código Púrpura” havia sido decifrado meses antes da deflagração da guerra; isso permitia aos americanos ter um conhecimento detalhado dos movimentos da esquadra adversária. Assim, pôde o Comando Americano conhecer, com antecedência suficiente, o projetado ataque a Port Moresby, operação que culminara com a batalha do Mar de Coral, na qual havia sido contida a expansão japonesa em direção à Austrália. Em princípios de maio, o serviço de inteligência de Nimitz havia estabelecido que o grosso da frota japonesa se encontrava preparando-se para realizar uma operação de grande importância. A informação contudo, deixava de pé uma incógnita capital: o objetivo da operação. As mensagens japonesas, ao referir-se ao lugar do ataque, faziam-no empregando a sílaba “AF”. Nimitz, intuitivamente, estava convencido que o objetivo era a ilha de Midway. Em Washington, contudo, o Almirante King, comandante-chefe da Marinha dos EUA, supunha que o objetivo era o Havaí. A solução do enigma foi encontrada por um dos oficiais do serviço de inteligência de Nimitz, o Comandante Joseph Rochefort, que sugeriu que se enviasse uma mensagem falsa de Midway, sem empregar os códigos de hábito, anunciando que o depósito de água destilada da ilha ficara inutilizado por causa de avarias. Nimitz autorizou o envio da mensagem e, dois dias depois, o truque deu resultado: os escutas americanos interceptaram a comunicação de uma estação japonesa transmitindo a Tóquio que “AF” tinha problemas com seu depósito de água.... As dúvidas estavam dissipadas. “AF” era Midway. Assim, a 15 de maio, Nimitz viu conformada sua previsão acerca do objetivo do ataque japonês. O Almirante, nesse meio tempo, não permaneceria inativo. A 2 de maio dirigira-se de avião para Midway, a fim de estudar suas defesas e tomar as providências necessárias para reforçar a guarnição. O chefe das forças de infantaria da marinha da ilha, Tenente-Coronel Harold Shannon, declarou, que, convenientemente reforçado, poderia conter e rechaçar qualquer tentativa de invasão por parte do inimigo. Nimitz lhe assegurou que todas as forças que pudessem ser enviadas chegariam a Midway. Assim foi que, em meados do mês de maio, chegaram à ilha 16 bombardeiros de mergulho, 7 caças Wildcat, 18 fortalezas-voadoras, 30 hidroaviões Catalina de reconhecimento, e 4 bombardeiros bimotores B-26 Marauder, equipados como torpedeiros. As tropas terrestres chegaram a totalizar, com os reforços, cerca de 2.000 homens. Muitas peças antiaéreas também chegaram e se instalaram espessos alambrados e campos minados nas praias, com o fim de reforçar ainda mais a defesa. Uma vez adotadas as medidas citadas, que convertiam Midway num verdadeiro porta-aviões insubmergível, Nimitz começou a concentrar seus reduzidos efetivos navais. Para deter Yamamoto, contava apenas com 8 cruzadores, 15 destróieres e 3 porta-aviões, um deles (o Yorktown), seriamente avariado. Os porta-aviões Hornet e Enterprise, sob o comando do Almirante Halsey, atracaram em Pearl Harbor em Pearl Harbor a 26 de maio. Halsey, enfermo, teve que ser substituído no comando e, em seu lugar, foi designado o Contra-Almirante Raymond Spruance. O Yorktown, comandado pelo Almirante Fletcher, chegou às ilhas do Havaí a 17 de maio. Imediatamente, cerca de 1.400 operários do estaleiro da base de Pearl Harbor puseram-se a reparar as suas avarias, tarefa que demandaria, normalmente, um trabalho de 3 meses. Realizando um esforço supremo conseguiu-se colocar a nave em condições de combater, em apenas 48 horas. Além disso, foi também equipada com um grupo de combate improvisado. Ficaram integradas as duas “Forças Tarefas” que interviriam na batalha decisiva; a 16a, comandada pelo Contra-Almirante Spruance (Enterprise, Hornet, cinco cruzadores e nove destróieres) fêz-se ao mar a 28 de maio, e a 17a, sob o comando do Almirante Fletcher (Yorktown, dois cruzadores e seus destróieres), a quem foi confiado o comando geral da frota, abandonou o porto a 31 de maio. Outra “Força Tarefa” (a 8a) comandada pelo Contra-Almirante Theobald, recebeu a missão de enfrentar as forças japonesas que operariam nas Aleutas. Inicia-se a ação A 25 de maio de 1942, a bordo do Yamato, efetuou-se a última reunião entre Yamamoto e seus assessores. No dia seguinte, a força de porta-aviões leves do Contra-Almirante Kakuta fêz-se ao mar, rumo às Aleutas. Nos dias subsequentes, os diversos grupos de ataque partiram, por sua vez, rumo a Midway. No dia 29 de maio, a totalidade da frota japonesa estava navegando. Todos os homens que integravam a frota, desde o Almirante Yamamoto até o último marinheiro, partiram com uma cega confiança na vitória. A batalha de Midway teria que dar ao Japão a supremacia definitiva no Pacífico. A operação, contra toda a expectativa iniciou-se sob maus auspícios. A força básica, comandada por Yamamoto, atrasou-se em seu deslocamento em alto mar. Além disso, fracassara o plano de detectar os movimentos da frota americana nas ilhas do Havaí, com o emprego de hidroaviões abastecidos por submarinos. Yamamoto, portanto, encontrava-se “às cegas” no tocante à colocação do adversário. A 1o de junho, o almirante japonês recebeu outra má notícia. Os 16 submarinos que deviam colocar-se na vanguarda da frota para manter um posto de observação avançado e de ataque, a noroeste e a oeste das ilhas do Havaí, não haviam conseguido alcançar suas posições na data estabelecida, mas com dois dias de atraso. Dessa forma se acentuou a insegurança que começava a reinar na frota japonesa. Por sua vez, a força de porta-aviões comandada pelo Almirante Nagumo avançava com dificuldade para Midway, atravessando um extenso campo de nevoeiro. Em virtude da ordem de manter em absoluto silêncio as comunicações radiofônicas, Nagumo desconhecia as dificuldades que haviam intervido no desenrolar da operações. No dia 2 de junho, os porta-aviões continuaram mergulhados no nevoeiro, na sua marcha para o objetivo. Nesse dia, Nagumo, depois de manter uma conferência com seu lugar-tenente, decidiu levar adiante o ataque contra o atol de Midway, tal como havia sido planejado, mesmo existindo a possibilidade de que os porta-aviões americanos estivessem de sobreaviso. Na manhã de 3 de junho, os porta-aviões leves Ryujo e Junyo, do Almirante Kakuta, situavam-se a 180 milhas ao sul de Dutch Harbor, nas Aleutas, e começaram o ataque. As esquadrilhas de bombardeiros japoneses se aproximaram a toda velocidade da base e, sem ser interceptados, arrasaram as instalações. A ação, contudo, não conseguiu o objetivo previsto de destruir os efetivos aéreos inimigos, pois os americanos haviam dispersado as suas esquadrilhas em novos aeródromos, cuja localização era desconhecida pelos japoneses. Enquanto isso, ao sul, tinha início a batalha de Midway. Às 9 da manhã, um hidroavião Catalina de exploração, pilotado pelo guarda-marinha Jack Reid, avistou, a 700 milhas a sudoeste do atol, uma poderosa formação de naves japonesas. Ocultando-se entre as nuvens, Reid seguiu a frota e, às 11 horas, informou finalmente o achado. O Almirante Fletcher, ao receber a notícia, deduziu acertadamente que os barcos avistados integravam a força de transporte das tropas de invasão, e não a esquadra de porta-aviões inimiga. Ordenou, portanto, a seus próprios porta-aviões que se situassem a 200 milhas ao norte de Midway, pois, julgou, corretamente outra vez, que os porta-aviões de Nagumo atacariam o atol pelo norte. Chegou a noite, e ambos os lados se aprontaram para o encontro decisivo que, sem dúvida, teria lugar no dia seguinte. Os japoneses
bombardeiam Midway Às 4h30 da madrugada de 4 de junho de 1942, levantaram vôo as esquadrilhas de ataque da frota de Nagumo. Em 15 minutos, 108 aviões decolaram das pistas dos quatro porta-aviões e rumaram para Midway. Às 5h25, um Catalina, pilotado pelo Tenente Howard Ady, avistou os porta-aviões japoneses e emitiu o sinal de alarme. Pouco depois, o dramático informe foi recebido no Yorktown, nave capitânia de Fletcher. Este ordenou imediatamente aos porta-aviões de Spruance, o Hornet e o Enterprise, que aproassem para o sul e atacassem o inimigo. Enquanto isso, em Midway, os radares já haviam detectado a aproximação dos aviões japoneses. Os 27 caças da ilha levantaram vôo imediatamente para repelir o ataque e, simultaneamente, 6 torpedeiros Avenger e 4 bombardeiros Marauder partiram ao encontro da esquadra inimiga. Às 6h15 os antiquados caças Brewster Buffaloes e Wildcats entraram em luta com os Zeros japoneses. Em 15 minutos a desigual luta terminou. Dezessete caças americanos foram abatidos e o resto retornou às suas bases com graves avarias. Apenas dois aviões ficaram ainda em condições de combater. Eliminada toda a oposição inimiga, os bombardeiros japoneses atacaram as duas ilhotas que compõem o atol de Midway. Conseguiram causar graves danos à base, porém, no aeródromo, as operações continuaram. Às 6h55, cinco minutos depois do ataque, 16 aviões americanos de bombardeio de picada decolaram das pistas e se dirigiram ao encontro da frota de Nagumo. Os aviões atacantes, por sua vez, retornaram aos porta-aviões. As perdas japonesas se elevavam a seis aviões derrubados, e 30 avariados. O chefe das esquadrilhas, Tenente Tomonaga, percebendo que Midway não havia sido arrasada, enviou uma mensagem a Nagumo, comunicando-lhe que seria necessário um novo ataque. Ataque à frota de
Nagumo Enquanto ocorriam as ações sobre Midway, o Almirante Nagumo ordenara aprontar o segundo grupo de aviões, para lançá-lo contra os porta-aviões dos EUA assim que fossem detectados pelas unidades de observação. Às 7 horas, não tendo recebido nenhum informe dos seus aviões de patrulha, o chefe japonês ordenou que se desmontassem os torpedos dos aviões e os substituíssem por bombas, para empregá-los num segundo ataque contra Midway. Esta decisão causaria graves conseqüências para a frota japonesa. Cinco minutos depois das sete da manhã, os porta-aviões de Nagumo foram atacados pelos seis Avenger e pelos quatro Marauder. O ataque foi facilmente repelido pelos Zeros de proteção, que derrubaram sete dos incursores. Às 7h28 um avião de observação japonês avistou a esquadra americana, porém não conseguiu identificar a presença dos porta-aviões. Vinte minutos depois, o informe foi entregue a Nagumo, que ordenou imediatamente interromper o desarme dos aviões-torpedeiros para utilizá-los na emergência. Enquanto aguardava novos informes acerca da composição da frota inimiga, Nagumo teve que enfrentar um novo ataque realizado pelos 16 bombardeiros de picada americanos. Essa incursão foi também rechaçada. Os caças e a artilharia antiaérea japoneses derrubaram oito aparelhos inimigos. Minutos depois, 15 fortalezas-voadoras bombardearam, de grande altura, os porta-aviões japoneses, sem nada alvejar. Ao terminar esta última incursão, Nagumo recebeu uma mensagem onde lhe comunicavam que a força inimiga aparentemente, ia acompanhada de um porta-aviões. O almirante japonês, já convencido de que se encontrava diante da principal força dos EUA, debateu com seu chefe de operações, Comandante Minoru Genda, a tática a seguir. Genda, que havia planejado o ataque a Pearl Harbor, declarou-se partidário de atacar imediatamente as forças inimigas. No entanto, existia uma grave dificuldade: ainda não se havia terminado o carregamento dos torpedos nos aviões dos porta-aviões Akagi e Kaga. Os porta-aviões leves Hiryu e Soryu contavam com 36 bombardeiros de picada prontos para a ação, porém não existia uma força de caças de escolta. Todos os Zeros da frota haviam sido lançados ao ar para repelir o ataque dos torpedeiros americanos. Essa situação fez Genda vacilar. Além disso, nesse preciso momento, chegavam os aparelhos que haviam bombardeado Midway. Muitos deles avariados e quase todos com pouquíssimo combustível nos tanques. Genda precisou tomar uma decisão instantânea. E optou pela menos arriscada. Dirigindo-se a Nagumo disse: “Creio que devemos fazer aterrissar todos os nossos aviões, e reabastecê-los de combustível. Depois lançaremos o ataque”. Essa decisão determinou a sorte da esquadra japonesa. Com efeito, nesse momento, as esquadrilhas dos porta-aviões Hornet, Enterprise e Yorktown voavam à procura da frota de Nagumo. Imobilizados sobre a coberta dos porta-aviões, os aparelhos japoneses não poderiam enfrentar a incursão inimiga. Decide-se a
batalha Ao mesmo tempo, o Almirante Spruance havia tomado a resolução que daria a vitória à frota americana. Aconselhado por seu chefe de Estado-Maior, Capitão Miles Browning, decidiu atacar sem vacilações, o mais cedo possível, a frota japonesa. Aproveitando que, depois da incursão contra Midway, os porta-aviões inimigos estariam empenhados na tarefa de receber a bordo os aviões atacantes e reabastecê-los de combustível e munições, realizaram-se imediatamente os cálculos necessários, em função do tempo, e se chegou à conclusão de que, por volta das nove, o grosso dos aviões estaria imobilizado sobre as cobertas dos porta-aviões. Para concretizar o ataque, portanto, era necessário que os aviões americanos decolassem as sete da manhã, o mais tardar. Spruance, também, tomou outra decisão de influência capital no resultado da ação: ordenou que todos os aparelhos em condições de voar interviessem no ataque, excetuando os aviões de reconhecimento. Às 7h20, os primeiros aviões levantaram vôo. Minutos depois, todos os aparelhos estavam no ar. Formavam, ao todo, uma frota de 60 bombardeiros de picada, 19 torpedeiros e 20 caças. Outros 12 bombardeiros de picada, 17 torpedeiros e 6 caças partiram às 8h38 do porta-aviões Yorktown, comandado por Fletcher. Nesse mesmo instante, na coberta do Akagi, aterrissavam os primeiro aviões japoneses provenientes de Midway. Às 8h18 todos os aparelhos japoneses se encontravam sobre as cobertas de vôo dos porta-aviões. Trabalhando febrilmente, mecânicos, armadores e tripulantes, sem distinção de postos ou categoria, se dedicaram a abastecer os aviões e recarregar suas armas. Era uma corrida de vida ou morte. O triunfo ou a derrota dependiam de sua velocidade e eficácia na tarefa. Nagumo, por sua vez, ordenou à frota virar para o nordeste, lugar onde supunha estar a frota americana. Essa manobra impediu que parte dos aviões americanos alcançassem o objetivo, pois seu pilotos se dirigiram para o ponto em que anteriormente estariam os navios japoneses. Foi assim que 35 bombardeiros de picada e 10 caças do porta-aviões Hornet, não avistando o inimigo, manobraram para o sul e se dirigiram para Midway. A esquadrilha se torpedeiros do Hornet, comandada pelo Capitão John Waldron e integrada por 15 aparelhos, voou para o norte e, no caminho, cruzou inesperadamente, com a frota japonesa. Os aviões americanos, em vôo rasante, lançaram-se sem vacilar ao ataque. Contudo, os caças e a artilharia japonesa, atuando rápida e eficazmente, abateram todos os aviões atacantes. Nenhum impacto direto foi conseguido pelos americanos. Às 9h40, a esquadrilha de torpedeiros do Enterprise, integrada por 14 aparelhos, lançou-se sobre os porta-aviões japoneses. Teve sorte semelhante à da esquadrilha anterior. Somente quatro aviões escaparam do fogo dos Zeros. O trágico destino dos aviões torpedeiros americanos foi seguido por uma terceira esquadrilha, pertencente ao porta-aviões Yorktown, e integrada por 12 aviões. Às 10 horas lançou-se ao ataque. A aviação japonesa aniquilou a formação instantaneamente. Dez aparelhos caíram no mar sem conseguir acertar nenhum dos seus torpedos. Enquanto ocorriam estes acontecimentos, nos porta-aviões japoneses trabalhava-se febrilmente, terminando o apronto dos aviões. Às 10h20, e graças ao extraordinário esforço das tripulações, os aviões estavam prontos para decolar. Genda anunciou a Nagumo que o ataque contra a armada dos EUA podia reiniciar-se imediatamente. O almirante japonês, então, deu a ordem correspondente. Os porta-aviões voltaram a proa ao vento e, segundos depois, o primeiro aparelho decolou da coberta do Akagi. Eram 10h25. Nesse momento, um ensurdecedor rugido de motores encheu os ares. Despencando-se do alto, inesperadamente, a esquadrilha de bombardeiros de picada do Enterprise, comandada pelo Capitão-de-Corveta McClusky e integrada por 37 aparelhos, atacou o Akagi e o Kaga. Simultaneamente, 17 bombardeiros de picada do Yorktown, capitaneado pelo Comandante Leslie, atacaram o Soryu. A surpreendente aparição dos aviões americanos havia sido possível graças à confusão criada pelo ataque dos torpedeiros. Assim, o sacrifício daqueles valentes, não fôra vão. Os porta-aviões japoneses tentaram, desesperadamente, com bruscas manobras, escapar ao ataque. Tudo foi inútil. Em menos de cinco minutos os três barcos foram atingidos pelas bombas dos aviões americanos. A explosão dos projéteis na coberta repleta de aviões, bombas e torpedos, causou efeitos devastadores. Em poucos segundos, os três navios foram envolvidos pelas chamas, sacudidos por ininterruptas explosões. Apenas o Hiryu conseguiu escapar à destruição, ao ficar coberto por uma massa de nuvens. O Contra-Almirante Yamaguchi, que comandava este navio, apesar da catástrofe acontecida, resolveu contra-atacar imediatamente. Lançou, então, ao ar uma esquadrilha integrada por 18 bombardeiros e 6 caças. Esses aparelhos, depois de localizar o Yorktown, lançaram-se sobre ele e, apesar da encarniçada oposição dos caças americanos, conseguiram acertar três impactos diretos sobre a nave. O Yorktown sofreu avarias de pequena importância e continuou a navegar pouco depois. Às 13 horas, o Almirante Fletcher abandonou o Yorktown, passando ao cruzador pesado Astoria; dali, comunicou-se com o Almirante Spruance, entregando-lhe o comando da frota. A batalha entrava já em sua última fase. Às 14h30, 16 aparelhos do Hiryu arremeteram, num novo ataque contra o Yorktown. Nove aviões japoneses foram derrubados, porém os restantes conseguiram atingir com dois torpedos o porta-aviões. A enorme belonave adernou perigosamente e seu capitão, Elliot Buchmaster, ordenou o abandono do barco. Eram 3 h da tarde. Meia hora depois, 24 bombardeiros de picada americanos levantaram vôo do Enterprise e do Hornet e rumaram para o Hiryu, que conseguiram atingir com quatro bombas. Assim, pouco depois das 5 da tarde de 4 de junho, os quatro grandes porta-aviões da frota japonesa achavam-se gravemente avariados e afundando. Eram as mesmas belonaves que haviam assegurado a vitória de Pearl Harbor e que depois percorreram, triunfantes, o Pacífico e o Índico. A Marinha japonesa sofrera uma derrota total em Midway. Já não poderia recompor, no decurso da guerra, as duras perdas sofridas Conclui-se a
batalha Yamamoto, ao receber a notícia do afundamento dos três primeiro porta-aviões, não pôde acreditar na informação. Logo recuperou a calma e decidiu reunir todas as forças que operavam em Midway, para lançar um ataque noturno, com seus enormes couraçados, contra a frota dos EUA. No entanto, a sorte da batalha estava decidida. O Almirante Spruance, numa hábil estratégia, decidiu retirar-se para o oeste, evitando o choque que Yamamoto desejava. Ao cair da noite, os restos do Soryu e do Kaga, desapareceram sob as águas. O Akagi, abandonado pelo Almirante Nagumo, que transferiu seu posto de comando para o cruzador Nagora, foi afundado horas depois pelos próprios torpedos de quatro destróieres japoneses. Sepultou-se nas águas do Pacífico, na madrugada de 5 de junho. Com ele, desapareceu o Contra-Almirante Yamaguchi, que se negara a abandonar a nave. Antes que despontasse o dia 5, produziu-se uma nova catástrofe nas fileiras japonesas. Os cruzadores Mogami e Mikuma se chocaram na obscuridade e ficaram separados do restante da esquadra que, por ordem de Yamamoto, havia empreendido a retirada para o oeste. Ao despontar o dia, os bombardeiros de picada dos EUA atacaram os dois cruzadores, porém não acertaram nenhum impacto direto e foram rechaçados pelo fogo da defesa antiaérea. No dia seguinte, 6 de junho, Spruance lançou três novos ataques contra os cruzadores e conseguiu finalmente, afundar o Mikuma. O Mogami, apesar dos numerosos impactos sofridos, continuou navegando e conseguiu evadir-se. Ao alcançar esta última vitória, o chefe americano resolvei pôr fim à perseguição do inimigo, pois o pessoal de vôo se encontrava no limite da sua capacidade combativa. A frota dos EUA, então, fazendo uma curva completa, rumou para nordeste de Midway. A batalha chegou ao fim nas primeiras horas da tarde de 7 de junho, com o afundamento do Yorktown. Às 13h30 o submarino japonês I-168, comandado pelo Capitão Tanake, disparou seus torpedos e atingiu o Yorktown, que foi a pique. Também foi atingido o destróier Hammann que escoltava o porta-aviões. A batalha de Midway foi o marco inicial do fim das aspirações de triunfo dos japoneses. A partir desse momento, a iniciativa passou definitivamente para as mãos dos americanos. Os japoneses, eliminados seus quatro melhores porta-aviões, 253 aviões e um cruzador, perderam a oportunidade de alcançar a supremacia no mar. Os Estados Unidos, por sua vez, tomaram a dianteira e a mantiveram, a partir desse instante, até o fim da guerra. Anexo Ataque nas Aleutas Dentro do plano ofensivo
preparado por Yamamoto, no princípio de maio de 1942, figurava uma manobra
“cortina de fumaça” no Pacífico norte, destinada a desorientar os americanos
acerca do verdadeiro ponto que seria atacado. Essa manobra se realizou contra
o arquipélago das Aleutas e culminou com a ocupação, por parte dos japoneses,
das ilhas de Attu e Kiska. Essas duas ilhotas desertas foram os únicos pontos
do território americano continental que caíram em mãos dos japoneses.
Yamamoto havia formado um grupo de ataque integrado pelos porta-aviões Ryujo
e Junyo, que, comandados pelo Almirante Kakuta, abriria um caminho à frota de
invasão, comandada pelo Vice-Almirante Hosogaya. 1.200 homens seriam
desembarcados em Attu e 1.250 em Kiska. O chefe da frota americana, tendo
conhecimento do plano japonês graças aos deciframento das mensagens do
inimigo, destinou para a frente das Aleutas a “Força Tarefa 8” comandada pelo
Contra-Almirante Theobald. Essa força contava com cinco cruzadores, 13
destróieres, seis submarinos e numerosas unidades auxiliares. Também, em
bases na terra, nos aeródromo de Dutch Harbor, Kodiak e Coldbay, foram
estacionados 109 caças e 47 bombardeiros. No dia 2 de junho, os
porta-aviões de Kakuta se aproximaram da zona do porto de Dutch Harbor. O
ataque dos aviões japoneses concretizou-se no dia seguinte, e ocasionou
grandes danos à base. As esquadrilhas americanas se lançaram à caça dos
porta-aviões, porém não tiveram êxito na busca. Apenas 4 aparelhos se
aproximaram dos barcos japoneses e dois foram derrubados pelo fogo antiaéreo.
No dia 4, os aviões de Kakuta voltara a atacar Dutch Harbor. Nesse mesmo dia,
o chefe japonês recebeu ordens do Alto-Comando de unir-se rapidamente à
esquadra que operava em Midway e, por conseguinte, suspender o projetado
desembarque nas Aleutas. No dia seguinte, 5 de junho, as ordens foram
tornadas sem efeito e se decidiu levar a cabo o plano original. Yamamoto,
ainda, enviou às Aleutas um grupo de reforço, integrado pelo porta-aviões
leve Zuiho e outras naves auxiliares. No dia 7 de junho, os transportes e
destróieres japoneses se aproximaram da costa. Enquanto isso, no setor
americano, os movimentos japoneses eram totalmente ignorados, o que causou
certa desorientação. Um hidroavião avistara, no dia 5, os dois porta-aviões
de Kakuta e informara imediatamente o Alto-Comando. Vencedores no encontro
decisivo de Midway, os americanos estavam em condições de deslocar suas
forças para o norte. E assim ocorreu. A 11 de junho, Nimitz ordenou que os
porta-aviões Enterprise e Hornet se dirigissem, imediatamente, em auxílio da
frota do Contra-Almirante Theobald. Essa medida foi, contudo, tornada sem
efeito quando se receberam informes
de que Yamamoto concentrava, de novo, suas forças frente às Aleutas, para atrair
os porta-aviões americanos a uma armadilha. O porta-aviões Zuikaku já se
havia unido aos três porta-aviões japoneses que operavam no pacífico norte.
Diante da evidente superioridade das forças adversárias, Nimitz determinou
que o Hornet e o Enterprise regressassem à base de Pearl Harbor, nas ilhas
Havaí. Assim ficou assegurada a conquista levada a cabo pelos japoneses nas
ilhotas de Attu e Kiska. As forças frente a frente em Midway Frota americana (Almirante Fletcher) Porta-aviões: 3 (Yorktown,
nave capitânia de Fletcher, Enterprise e Hornet) Cruzadores: 7 pesados e
um leve Destróieres: 17 Submarinos: 19 Aviões com base em
porta-aviões: 261 Aviões com base em terra:
115 Frota
japonesa (Almirante Yamamoto) Porta-aviões: 4
principais (Akagi, kaga, Soryu e Hiryu) e 2 leves (Hosho e Zuhio) Encouraçados: 7 (Yamato,
nave capitânia de Yamamoto) Cruzadores: 10 pesados e
4 leves Destróieres: 42 Submarinos: 16 Porta-hidroaviões: 4 Transportes de tropas: 15 Aviões com base em
porta-aviões: 345 Perdas Frota americana:
porta-aviões Yorktown, destróier Hammann, 150 aviões e 307 homens Frota japonesa: 4
porta-aviões (Akagi, Kaga, Soryu e Hiryu), o cruzador Mikuma, 253 aviões e
3.500 homens (incluindo 100 pilotos navais). “E se restar somente um...” Porta-aviões Hornet.
Sobre a coberta de vôo, 15 aviões torpedeiros estão prontos para decolar. O
objetivo é a frota japonesa. Os aparelhos do esquadrão
de torpedeiros n° 8 estão carregados com seus torpedos. Os tanques, cheios de
gasolina. Os homens, prontos. Apenas falta a ordem de decolar. No comando do
esquadrão, se encontra o Comandante John Waldron, americano nascido em South
Dakota e bisneto de índios sioux. No dia anterior, Waldron
escrevera várias cartas. Uma à sua esposa, outras a seus amigos. Também
preparara uma ordem para seus homens. É a mesma que os pilotos lêem
atentamente antes de decolar. No seu texto, Waldron diz: “... e se restar
somente um, quero que esse homem golpeie e triunfe...”. Os aparelhos se
aprontam para levantar vôo. Os pilotos ocupam suas cabinas. A tripulação
desimpede a coberta. O sinaleiro dá a ordem de partida para o primeiro avião.
Com um rugido, o aparelho se movimenta, acelera e parte. Um minuto depois,
outro aparelho, e outro e mais outro... ate completar os 15 torpedeiros.
Pouco depois, em formação, os 15 aviões se aproximam da frota inimiga. Ao
longe, sobre um mar calmo, estão à espera deles as bocas dos canhões
antiaéreos e as metralhadoras dos Zeros. A luta não demora a
travar-se. Os Zeros japoneses caem em picada uma e outra vez sobre os lentos
torpedeiros americanos. As metralhadoras japonesas descarregam os seus
projéteis sobre a fuselagem dos aparelhos americanos. E logo a batalha começa
a se definir. Um avião torpedeiro cai ao mar envolto em chamas. Logo outro o segue...
e mais outro... Em trágica sucessão, os
torpedeiros americanos são abatidos pelos velozes e maleáveis caças
japoneses. São 30 os Zeros que saíram ao encontro dos 15 aparelhos
americanos; 30 aviões mais rápidos, mais maleáveis, mais dóceis ao comando. O avião de Waldron,
lutando desesperadamente para escapar aos inimigos, cai, por fim. E o último
dos pilotos americanos que ainda se mantém em combate, consegue ver o seu
chefe procurando abandonar, em vão, a cabina do avião envolvido em chamas. Se chama George Gay. É o
último. Nesse momento supremo em que sua vida pende por um delgado fio, as
palavras que Waldron escreveu em sua ordem aparecem ante os seus olhos: “...e
se restar somente um, quero que esse homem golpeie e triunfe...” Gay se lança ao ataque.
Seu torpedo tem que chegar ao destino. Ele vingará os seus 14 companheiros
abatidos. Porém, a sorte não o acompanha. E sua coragem não pôde vencer o
destino adverso. Pouco depois, seu avião, perfurado pelas balas do inimigo,
cai ao mar. A epopéia terminara. Os 15 aparelhos do Hornet constituíram
tributos da guerra. E somente um homem vive. Um homem que emerge das ondas
como um símbolo. Pois ele não morrerá. Dez horas depois, um Catalina
americano recolherá George Gay das águas. Será o único homem a regressar da
grande aventura. “Kimigayo” O sol da manhã ilumina as
águas, arrancando reflexos que cegam. No alto, pontos negros atravessam o
espaço a grande velocidade. De súbito, perdem altura e se precipitam em picada.
Depois, após diminuir o ângulo da caída, se estabilizam e tornam a subir, com
um rugir de motores acelerando ao máximo. Um segundo antes de iniciar a
ascensão, uma, duas, três manchas negras se desprendem e caem
vertiginosamente. São os bombardeiros americanos atacando a frota japonesa. Embaixo, a centenas de
metros dos aviões americanos, que arrojam, sem cessar, as suas bombas, as
belonaves japonesas giram e tornam a girar, numa tentativa desesperada para
escapar ao dilúvio de fogo. Uma das naves japonesas,
contudo, já está perdida. É o porta-aviões leve Sorhu, que acaba de receber
um impacto direto; a bomba, depois de atravessar a coberta de vôo, explodiu
no hangar. Em seguida, outra, e mais outra, que destroem o elevador de aviões
e inutilizam definitivamente o porta-aviões para sua missão específica.
Irremediavelmente, o Soryu está perdido. E o Capitão Ryusaku Yanagimoto
ordena, às 10h45, o abandono da belonave. A tripulação, ordenadamente, lança ao mar balsas e lanchas. Marinheiros e oficiais deixam seus postos e se aprontam para sair do barco. Na ponte de comando, entretanto, um homem observa os preparativos, imóvel, sem deixar transparecer as suas emoções. É o Capitão Yanagimoto. E sua atitude, passiva, demonstra a seus homens, que sua intenção é ficar ali, em sua nave, até o último instante. Um suboficial se aproxima dele. Seu nome é Abe. Aos gritos, procurando se fazer ouvir por cima do barulho das explosões e do crepitar dos incêndios, Abe lhe pede que o acompanhe: “Por favor, senhor, venha conosco para o destróier!”. Suplica. Insiste, mais uma vez. Yanagimoto, contudo, permanece silencioso e em absoluta calma. Por fim, depois de saudar seu superior, o suboficial Abe volta-se e dispõe-se a se afastar, quando algumas palavras que ele conhece muito bem, o obrigam a olhar em torno. Alguém, em voz baixa, está cantando as estrofes do Kimigayo, o hino nacional japonês. Abe logo descobre quem murmura o hino. E não pode conter a emoção que o embarga nesse momento, Quem está cantando é o Capitão Yanagimoto, que entrega a sua vida pela pátria e pelos antepassados. Às 19h13 o Soryu afunda. Arrasta com ele, para as profundezas, 718 marinheiros e oficiais mortos, e um homem vivo, que, aferrado à ponte de comando, murmura as estrofes do Kimigayo. A odisséia do Mogami Na noite de 4 de junho de
1942, os cruzadores japoneses Mogami e Mikuma, que operavam frente a Midway,
ao realizar uma brusca manobra, em meio à densa escuridão, navegando sem
luzes de sinalização, se chocaram violentamente, sofrendo graves danos em
suas estruturas. As avarias eram de tal magnitude que os cruzadores japoneses
tiveram que continuar avançando com marcha reduzida. Ao receber a notícia da
colisão, o chefe da esquadra, Almirante Yamamoto, que havia resolvido
concentrar todas as suas unidades a noroeste de Midway, ordenou que a
operação prosseguisse, deixando atrás as duas unidades avariadas. Alguns
destróieres ficaram no lugar, a fim de servir de escolta às naves
acidentadas. Os dois cruzadores estavam, positivamente, impossibilitados de
acompanhar o ritmo da marcha. A decisão de Yamamoto, de
certo modo, condenava os dois cruzadores. Eles ficavam à mercê dos aviões
inimigos, com a velocidade prejudicada e portanto, com reduzida capacidade de
manobra. As tripulações do Mogami
e do Mikuma, sabendo claramente qual poderia ser sua sorte, enfrentaram
valentemente a trágica encruzilhada em que o destino as colocara. No dia
seguinte, 5 de junho, 12 aviões americanos de bombardeio de picada, e oito
fortalezas-voadoras B-17 levaram a cabo o primeiro ataque contra os
cruzadores. Os japoneses responderam imediatamente, com um violento e preciso
fogo antiaéreo. Conseguiram rechaçar a incursão inimiga. Um dos bombardeiros
de picada americano, pilotado pelo Capitão Fleming, ao ser atingido pelo fogo
antiaéreo, entrou em piquê sobre o Mikuma estraçalhando-se contra uma das
torres de artilharia. No dia 6 de junho, os
aviões americanos repetiram o ataque e conseguiram finalmente afundar o
Mikuma. O Mogami, entretanto, convertido numa massa informe de aço, continuou
navegando; seu comandante, o Capitão-de-Fragata Soji, estava disposto a
salvar o barco e seus tripulantes a qualquer custo. Sua inquebrantável
decisão e sua perícia de homem do mar tiveram sucesso. A 7 de junho, o
Mogami, navegando penosamente, entrou na base de Truk, diante dos olhares
assombrados de centenas de marinheiros japoneses e dos membros da guarnição
japonesa. Queremos terminar logo! Um submarino japonês, o
I-168, acaba de divisar através do seu periscópio a silhueta de uma
extraordinária presa: o porta-aviões Yorktown. Está avariado, deslocando-se
lentamente, convertido em um alvo fácil. Três torpedos partem dos tubos do
submarino. Um deles atinge em cheio o destróier que se encontra a pouca
distância do porta-aviões, escoltando-o. A pequena nave americana afunda
rapidamente. Os dois torpedos restantes, bem dirigidos, penetram
profundamente na estrutura do Yorktown. A gigantesca belonave estremece,
definitivamente ferida de morte. E começa a sua derradeira viagem. Muitos homens abandonam o
Yorktown. Lenta e disciplinadamente deslizam para a água e se afastam do
barco condenado. Porém logo uma trágica notícia faz com que todos fixem seus
olhares no enorme casco que, lentamente vai se adernando cada vez mais. No
interior do navio, isolados da superfície, sem possibilidades de alcançar a
salvação, um grupo de marinheiros ficara aprisionado. Tentou-se de tudo para
tirá-los daquela tremenda situação. Tudo, porém, resultou em vão. Esses
homens estavam irremediavelmente condenados. Por fim, depois de
desesperados esforços, se consegue estabelecer um contato telefônico com o
grupo isolado. Um oficial, no aparelho, dominando a emoção que embarga a sua
voz, pergunta ao marinheiro que está no outro lado da linha: “Vocês sabem em
que situação estão?”. A resposta chega, em seguida. São poucas palavras.
Simples, estóicas, cheias de heroísmo. Poucas palavras, como sempre que se
toma uma decisão de vida ou morte. E elas emudecem aqueles que as escutam:
“Claro que sabemos... Porém agora estamos jogando dados... Outra coisa:
quando dispararem os torpedos, apontem diretamente onde nós estamos... Assim
terminamos rápido...” Poucas palavras. Nada
mais havia a dizer. Esse grupo de heróis havia dito o suficiente. Um pouco depois, o
Yorktown, antes que os torpedos dos outros barcos o afundassem, girou sobre
si mesmo, e realizando um movimento de gangorra, se precipitou nas
profundezas. Nos barcos americanos,
centenas de marinheiros e oficiais, unidos todos na mesma intensa dor,
descobriram-se e saudaram pela última vez os companheiros que desapareciam
com a belonave. Bombardeiros de picada (mergulho) As primeiras experiências
de bombardeio de picada, por parte da Marinha americana, datam de 1919. Essa tática de ataque aéreo foi
aperfeiçoada nos anos seguintes, ao contarem com aparelhos mais poderosos. Na
década de 30, o bombardeio de picada se havia convertido em um método básico
de ataque da aviação naval americana. A marinha japonesa e a
força aérea alemã adotaram também essa tática. Desenvolveram aviões muito eficientes,
como o Stuka e o Aichi D3A1; este último foi chamado Val pelos americanos. Em
Pearl Harbor, os japoneses demonstraram de forma definitiva, o mortífero
poder destrutivo dos aviões de bombardeio de picada, utilizando-os, em união
com os torpedeiros, no inesperado e devastador ataque contra os grades
encouraçados da frota americana do Pacífico. Os alemães, por sua vez, já
haviam utilizado os Stukas nos ataques contra as naves de guerra e mercantes
inimigas, no transcurso de suas “campanhas relâmpago” na Polônia, Noruega e
Países Baixos, na França e nos Bálcãs. O emprego dos Stukas em Dunquerque,
porém, não atingiu o resultado previsto: impedir a evacuação das forças
aliadas, pois as intervenção dos velozes caças britânicos (Spitfire e
Hurricane), causou graves perdas à aviação alemã. O Stuka, debilmente armado,
foi presa fácil. Em 1942, a Marinha americana contava com um excelente
aparelho de bombardeio de picada, embarcado em porta-aviões, o Douglas SBD
Dauntless. Esse avião seria encarregado, na batalha de Midway, de levar a
cabo o ataque decisivo contra os porta-aviões japoneses. Aproveitando a
confusão semeada pela incursão dos aviões-torpedeiros americanos, as
esquadrilhas de bombardeiros de picada do porta-aviões Enterprise e do
Yorktown se lançaram ao ataque sob os comandos dos Capitães-de-Corveta
McClusky e Leslie. A ação se iniciou às 10h25 do dia 4 de junho. O grupamento
de McClusky contava entre seus aviões, com o aparelho pilotado pelo Tenente
Earl Gallaher; este, assim, como seus companheiros da esquadrilha, lançou seu
avião numa picada sobre o porta-aviões Akagi, navio capitânia de Nagumo.
Quase sem encontrar oposição da artilharia antiaérea, o Dauntless caiu sobre
o inimigo, e arrojou seus projéteis de uns 550 metros. Ao sair da picada, Gallaher,
contrariando a regra, fez girar sua máquina para poder observar o resultado
do ataque. Assim, pôde ver a explosão da bomba que acabava de lançar sobre a
popa do porta-aviões. Outras bombas alvejaram o Akagi e os outros
porta-aviões; em menos de cinco minutos, decidiu-se a sorte do encontro. De
fato, três grandes porta-aviões, destroçados pelas sucessivas explosões,
começavam a afundar. Dessa forma, os bombardeiros de picada americanos
demonstraram sua extraordinária eficácia, que voltaria a comprovar-se nas
futuras operações em que esses aparelhos participariam. Assim, até 1944, os
Douglas Dauntless da Armada se mantiveram à frente de todas as outras armas,
com respeito à tonelagem afundada. Nimitz Na manhã de 25 de dezembro
de 1941, chegou às ilhas Havaí, o Almirante Chester Nimitz, designado pelo
governo dos EUA para substituir o Almirante Kimmel, chefe da frota americana
no Pacífico. À chegada desse novo chefe, em Pearl Harbor ainda persistia o
abatimento e a amarga recordação do ataque japonês. Que havia custado a vida
de mais de 3.000 oficiais, soldados, marinheiros e aviadores. A chegada de
Nimitz, homem que se caracterizava pela serenidade, como também pela firmeza,
era esperada com certa ansiedade. Supunha-se que sua primeira medida
consistiria em remover os comandos, e renovar totalmente os quadros de chefes
e oficiais. A realidade, porém, trouxe tranqüilidade à base. Nimitz, firme e
sereno, disse a todos que aguardavam a sua chegada: “Não haverá modificações...
“ Reafirmava assim a
confiança que sentia naqueles homens que acabavam de superar uma prova de
fogo, como fôra o inesperado ataque japonês à base. Após saudar o Almirante
Kimmel, manifestou-lhe: “O senhor tem toda a minha simpatia...”. Demonstrava
assim, Nimitz, uma de suas principais características: a calma e a serenidade
que orientariam todos os seus atos. E aquela tranqüilidade invariável era a
contribuição mais apreciável que Nimitz podia oferecer à perturbada
guarnição. Chester Nimitz nasceu em
Fredericksburg, Texas, em 1885. Graduou-se na Academia Militar de Anápolis,
em 1905. Em 1938 era comandante da 1a Divisão de Encouraçados.
Posteriormente, de 1939 até 1941, foi chefe do Departamento de Navegação da
Marinha dos Estados Unidos. Entre dezembro de 1941 e novembro de 1945, foi
comandante-chefe da frota do Pacífico, almirante da frota, em dezembro de
1944 e chefe de Operações Navais, em novembro de 1945. |