O princípio do fim do Império Japonês
Nova Guiné: Ataque japonês a Port Moresby
Reconquista das Aleutas
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Mais de 20.000 soldados japoneses se encontravam já em Guadalcanal, quando, a 17 de outubro, desembarcou na ilha o General Hyakutate, comandante supremo das forças japonesas, para presenciar o ataque final de suas tropas contra o aeródromo de Henderson. O general Maruyama, responsável pelo comando direto da ação, o colocou a par de seus planos. Enquanto a frota com seus porta-aviões se lançasse ao ataque contra a esquadra americana, que operava nas águas de Guadalcanal, os soldados da divisão Sendai irromperiam através das posições americanas sobre o rio Matanikau seguindo três direções. Um grupamento, apoiado por tanques, cruzaria o rio na desembocadura. Outra força atacaria mais para sul e o grosso, integrado por três regimentos, realizaria, também pelo sul, um amplo movimento envolvente através da selva, para cair de surpresa sobre a retaguarda da base de Henderson. As ações se iniciaram no dia 20 de outubro. O avanço do grosso das tropas se cumpriu penosamente, pelo terreno inóspito, praticamente intransitável, do interior de Guadalcanal, e sofreu um considerável atraso. No dia 20, as tropas ainda se encontravam muito distantes do ponto prefixado para iniciar o ataque. Maruyama solicitou então ao seu superior, o General Hyakutate, autorização para adiar a ação. Hyakutate, no entanto, pressionado pelos chefes da frota, cujos barcos corriam o risco de ter o combustível esgotado, resolveu levar adiante a operação nas datas planejadas. A ação conjunta era indispensável para obter uma vitória total em terra e no mar. Na tarde de 21, os obuses de 150 mm romperam fogo na desembocadura do Matanikau, para apoiar o assalto do 4o Regimento de Infantaria e 11 tanques. As baterias americanas, porém, replicaram violentamente ao bombardeio e conseguiram por fora de ação dois obuses, obrigando os japoneses a retirar da frente as outras duas gigantescas peças. Os marines, por sua vez, conseguiram rechaçar, após encarniçada luta, o ataque da infantaria e dos tanques japoneses. A operação teve assim um mau início. Mais para o sul, o segundo grupo de assalto japonês mal pôde iniciar o avanço na tarde do dia 24. Nessa mesma jornada, o grosso do exército japonês, sob o comando direto de Maruyama, terminou a manobra de envolvimento e começou a progredir sobre a base de Henderson, Chegara o momento decisivo. Uma vez conquistado o aeródromo, dar-se-ia o sinal para que o Almirante Yamamoto se lança-se ao ataque da frota americana. Enquanto isso, ao norte, na desembocadura do Matanikau, os americanos conseguiram aniquilar por completo o 4o Regimento japonês e destruir a totalidade de seus tanques. Este fato, no entanto, permaneceu desconhecido pelos outros dois grupos de combate. Na noite de sábado, 24 de outubro, o General Maruyama atacou com suas tropas o sul do aeródromo de Henderson. Esse setor era defendido por um batalhão de marines, comandado pelo Tenente-Coronel “Chesty” Puller e pelo 164o Regimento de Infantaria. Em meio a uma chuva torrencial, os soldados japoneses se lançaram, com um arrôjo fanático, contra as posições americanas. O fogo das metralhadoras e dos morteiros dos marines, contudo, levantou uma inquebrantável barreira. Centenas de soldados japoneses tombaram sob as incessantes descargas; os combatentes que os seguiam, apesar disso, não cessaram o seu empenho de tentar romper as linhas americanas. A luta assumiu uma intensidade selvagem e, na confusão que se seguiu ao choque, aparentemente favorável aos japoneses, o General Maruyama considerou que o êxito de suas forças já estava assegurado. Portanto, sem vacilar, enviou uma mensagem ao QG, que foi rapidamente retransmitido ao Almirante Yamamoto; nessa mensagem anunciava não apenas a derrota das forças americanas, mas também a ocupação do aeródromo de Henderson Field, adiantando-se aos acontecimentos. Nas horas seguintes, os japoneses foram rechaçados ao longo de toda a linha sofrendo terríveis baixas. Às 7 da manhã de 25 de outubro, tornou-se evidente que o ataque havia fracassado. Maruyama, abatido, enviou uma então uma nova mensagem a Yamamoto, onde anunciava que o aeródromo ainda estava em poder dos americanos. Esta comunicação, porém, chegou muito tarde. A frota japonesa já iniciara a sua movimentação, cumprindo os planos traçados. Aviões e destróieres japoneses incursionaram sobre a costa e bombardearam Guadalcanal, enfrentando uma rígida oposição dos caças americano. O grosso da frota, com os porta-aviões, navegava, enquanto isso, a umas 300 milhas ao norte da ilha, buscando o choque com a esquadra americana. Sabedor do fracasso do ataque de Maruyama, o general Hyakutate incitou suas forças a realizar uma nova tentativa naquela mesma noite. Os comandantes navais exigiam também que o exército cumprisse com a parte do plano que lhe fora confiado. Assim, sob a pressão dos acontecimentos, os esgotados soldados da divisão Sendai lançaram-se novamente ao ataque na noite de 25 de outubro. Novamente, como na oportunidade anterior, os americanos resistiram de pé firme à investida dos japoneses. Estes, apesar do ímpeto, tiveram que deter o avanço, e combater duramente na tentativa de progredir alguns metros. Não se produziu o êxito aguardado pelos japoneses. Depois de sofrer grandes baixas, as unidade japonesas abandonaram o campo, retirando-se, A resistência americana, uma vez mais, havia superado o desesperado fanatismo dos japoneses. Enquanto isso acontecia em terra, no mar a esquadra japonesa entrou em luta coma frota americana, comandada pelo Almirante Kincaid, na manhã de 26 de outubro. O Almirante Nagumo, com os porta-aviões Shokaku e Suikaku e outros dois porta-aviões leves, defrontou-se com os grandes porta-aviões dos EUA, o Hornet e o Enterprise. O Shokaku foi atingido e teve que abandonar o campo de luta. Os aviões japoneses, por sua vez, conseguiram afundar o Hornet. Desta forma, a Marinha japonesa alcançou uma valiosa vitória; o triunfo, porém, viu-se diminuído pelas grandes perdas sofridas em aviões e pilotos. O Almirante Nagumo, tendo conhecimento já do fracasso da ação das tropas de terra em Guadalcanal, ordenou que seus barcos regressassem à base de Truk. Em Guadalcanal, enquanto isso, as dizimadas unidades Sendai se retiravam para o oeste, em marcha penosa através da selva. Levavam uma grande quantidade de feridos. As baixas sofridas, desde o início das ações, a 21 de outubro, somavam mais de 5.000 mortos. Apesar da esmagadora derrota, o General Hyakutate resolve lançar uma nova ofensiva, empregando suas últimas reservas, os 15.000 soldados da 38a Divisão de Infantaria, comandada pelo General Sano. |
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Derrota japonesa Um grupo de vanguarda da 38a Divisão, integrado pelo 230o Regimento de Infantaria, desembarcou a 2 de novembro, no flanco oriental do perímetro defensivo americano. Vandergrift enviou rapidamente uma parte de suas tropas, com o fim de cercar os japoneses. Estes, por seu lado, conseguiram escapar ao cerco e internar-se na selva. Em sua perseguição, partiram imediatamente os raiders, comandados pelo Tenente-Coronel Carlson, unidade especializada na luta na floresta e nas táticas de comandos. Seu lema era Gung Ho (do chinês: trabalhar juntos) e com ele haviam conseguido notoriedade pela audácia de suas ações, especialmente no ataque de surpresa que realizaram, no mês de agosto, na ilha de Makin. Os raiders de Carlson, internando-se na mata, submeteram as forças japonesas a contínuos ataques, lançando-se inesperadamente sobre seus flancos e retaguarda. Assim conseguiram matar mais de 500 soldados inimigos. O poder combativo da unidade japonesa ficou portanto consideravelmente reduzida. A frota japonesa, entretanto, lançou-se novamente sobre Guadalcanal, na noite de 12 de novembro, porém foi rechaçada por uma força de cruzadores e destróieres comandada pelo Contra-Almirante Callaghan. O violento choque das duas forças resultou, para os americanos, na perda de um cruzador e quatro destróieres. Callaghan pereceu na luta ao ser atingida por uma descarga a ponte de comando da nave capitânia do cruzador San Francisco. Os americanos porém conseguiram pôr em retirada as forças japonesas. O grande encouraçado japonês Hiei, avariado durante o combate, foi atacado no dia seguinte por aviões americanos. Gravemente danificado, foi afundado pela sua própria tripulação. Apesar da perda dessa belonave, os japoneses voltaram ao ataque. O Contra-Almirante Mikawa, comandando seis cruzadores e seis destróieres, se aproximou da costa e desencadeou um violento bombardeio contra as posições americanas, na noite de 13 de novembro. Inesperadamente, surgiram, na escuridão da noite, seis velozes lanchas-torpedeiras americanas, e a toda velocidade enfrentaram a frota japonesa e lançaram seus torpedos, avariando o cruzador Kinugasa. A audaciosa iniciativa das lanchas americanas fez com que as forças japonesas se retirassem. Na manhã seguinte, os aviões da base Henderson, lançaram-se em perseguição dos barcos inimigos, acabando de afundar, com bombas e torpedos, o Kinugasa, e avariando outros dois cruzadores e um destróier. Enquanto estas ações se desenvolviam, outro choque decisivo tinha lugar nas águas próximas de Guadalcanal. Aproximando-se pelo norte, 11 navios-transporte, escoltados por 11 destróieres, conduziam à ilha o grosso da 38a Divisão de Infantaria japonesa, integrada por 12.000 soldados. Era com essa força que o General Hyakutate contava para levara cabo a ofensiva final e decisiva contra os marines. A frota de invasão, capitaneada pelo Comandante Tadashi Yamamoto, navegava confiantemente pois havia recebido informes do Almirante Mikawa, anunciando que este aniquilara a aviação inimiga estacionada na base Henderson. Isto, na realidade, não ocorrera, pois apenas dois aviões dos EUA foram destruídos, e 16 avariados. Perto de 14 aparelhos haviam saído ilesos do ataque e estavam prontos para entrar em ação. A eles haveriam de juntar-se as esquadrilhas do porta-aviões Enterprise e os bombardeiros estacionados nas ilhas Fiji e Espírito Santo. Pouco depois do meio-dia, os aviões americanos lançaram-se em massa contra a formação naval japonesa. O ataque, praticamente não podia ser contido, pois os japoneses careciam de apoio aéreo e a fraca artilharia antiaérea dos destróieres era insuficiente para enfrentar a incursão. A luta se manteve com toda a intensidade até as primeiras horas da noite. Alguns Zeros provenientes da base de Rabaul tentaram interceptar os atacantes, porém foram rechaçados. Livres da oposição, os aviões americanos conseguiram afundar sete transportes e aniquilaram, com o fogo de suas metralhadoras, as centenas de soldados que haviam pulado na água, das embarcações afundadas ou danificadas. Os quatro navios-transporte que conseguiram escapar à destruição foram parar nas praias de Guadalcanal. Não conseguiram escapar, no entanto, ao ataque da aviação americana, que os destruiu com suas bombas. Foi assim que se frustrou a última tentativa dos japoneses para reforçar maciçamente a guarnição de Guadalcanal. Apenas 5.000 dos 12.000 soldados japoneses sobreviveram ao devastador ataque da aviação americana. A maior parte deles foi novamente conduzida para o norte, pelos destróieres. Alguns chegaram em botes nas praias de Guadalcanal, e outros pequenos grupos buscaram refúgio nas praias vizinhas. Das provisões, apenas 5 toneladas foram recuperadas pelos japoneses. A sorte da batalha estava decidida. Vitória naval dos
EUA A Marinha japonesa, apesar da catástrofe que havia liquidado os seus intentos de enviar reforços à ilha, resolveu realizar uma nova arremetida contra o aeródromo de Henderson. Na noite de 14 de novembro, o Vice-Almirante Kondo rumou para o objetivo, com uma força integrada pelo encouraçado Kirishima e pelos cruzadores pesados Atago e Takao, por outros dois cruzadores leves e nove destróieres. Kondo esperava não encontrar outra oposição senão a das lanchas-torpedeiras que, na noite anterior, haviam desbaratado o ataque do Almirante Mikawa. Porém, tal não aconteceria. O Almirante Halsey, resolvido a impedir um novo ataque contra a base de Henderson, enviou às águas de Guadalcanal, os grandes encouraçados South Dakota e Washington, escoltados por quatro destróieres, sob as ordens do Vice-Almirante Lee. Pouco depois da uma da manhã do dia 15, as telas de radar dos barcos americanos assinalaram a presença de naves desconhecidas navegando rumo a Guadalcanal. O Almirante Lee movimentou, então, os seus destróieres para a vanguarda da formação, e preparou a poderosa artilharia de seus dois encouraçados. Os japoneses arremeteram contra a formação inimiga e, em poucos minutos, conseguiram afundar os destróieres Preston, Benham e Walke. O South Dakota foi apanhado pelos focos convergentes dos refletores inimigos e sobre a sua estrutura se precipitou uma chuva de fogo e aço. O Almirante Lee, a bordo do encouraçado Wasihington, navio-capitânia, conseguiu assestar a mira de seus demolidores canhões de 16 polegadas sobre o encouraçado japonês Kirishima e o desmanchou com seu projéteis. Os cruzadores japoneses Atago e Takao tentaram salvar o Kirishima, enfrentando o Washington, porém o South Dakota, acudindo em auxílio deste, descarregou sua artilharia sobre as naves inimigas, causando-lhes terríveis danos e obrigando-as a retirar-se. Os destróieres japoneses, lançando seus últimos torpedos, abandonaram também a luta. Essa batalha, praticamente, assegurou a vitória americana em Guadalcanal. Co efeito, a partir desse momento, a Marinha japonesa já não voltou a arriscar suas grandes unidades numa luta direta. No dia 30 de novembro, numa desesperada tentativa para reforçar as dizimadas forças japonesas de Guadalcanal, uma frota de oito destróieres, comandada pelo Almirante Tanaka, aproximou-se novamente da ilha. Halsey enviou contra eles um grupo de ataque, composto de quatro cruzadores pesados, um leve, e seis destróieres. Neste choque, os japoneses conseguiram a sua última vitória. Surpreendendo as naves inimigas, os destróieres de Tanaka conseguiram avariar com seus torpedos três dos cruzadores pesados e afundaram o quarto, o Northampdon. O sucesso de Tanaka, contudo, já não podia mudar o curso dos acontecimentos. Senhores do mar, os americanos aceleraram os reforços de suas unidades da ilha, e iniciaram o extermínio das tropas japonesas que ainda ali permaneciam. Termina a
campanha Em princípios de dezembro, a situação das forças americanas em Guadalcanal mudara fundamentalmente. Mais de 150 aviões operavam com base no aeródromo de Henderson, e tropas do Exército desembarcavam continuamente para reforças as esgotadas unidades de marines. A 9 de dezembro, o General Vandergrift entregou o comando ao Major-General Alexander Patch. Por sua vez, os marines da 1a Divisão, que no momento inicial da campanha havia sustentado praticamente todo o peso da luta, começaram a ser retirados da frente e reembarcados. O 5o Regimento deixou Guadalcanal no próprio dia 9 de dezembro, e as restantes unidades da divisão foram embarcadas nos últimos dias do mês. No campo de combate ficaram mais de 600 companheiros mortos. Outros 1.500 haviam ficado feridos na campanha e mais de 5.000 caíram vítimas da malária e de enfermidades tropicais. O preço da vitória fôra, sem dúvida, muito elevado. Os marines, contudo, haviam demonstrado, mais uma vez, fidelidade à sua tradição, destruindo para sempre o mito da invencibilidade do soldado japonês. A campanha de Guadalcanal ficou, a partir de então, nas mãos dos chefes do Exército. Sob a orientação do General Patch, os soldados americanos empreenderam a limpeza da ilha, atacando os focos japoneses de resistência. O Alto-Comando japonês, porém, resolveu impedir o aniquilamento dos 13.000 soldados que ainda permaneciam em Guadalcanal. Nos primeiros dias de fevereiro de 1943, utilizando destróieres, os japoneses levaram a cabo a evacuação noturna do total de suas forças. No dia 9 de fevereiro, unidades avançadas de dois regimentos de infantaria americanos estabeleceram contato no extremo ocidental da ilha. Guadalcanal ficou assim, definitivamente, em mãos dos EUA. Operações na Nova
Guiné Enquanto se desenrolava a encarniçada batalha de Guadalcanal, mais ao sul, na Nova Guiné, os japoneses fracassavam em seu intento de derrotar as forças australianas e americanas sediadas nessa ilha. As operações na Nova Guiné tiveram origem no plano traçado pelo Alto-Comando japonês, anteriormente à derrota naval de Midway. O objetivo desse plano era ocupar a estratégica base aliada de Port Moresby, situada no extremo sudeste da ilha. Dessa base, posteriormente, se dirigiriam as operações sobre as ilhas Fiji e Samoa, cuja conquista asseguraria, praticamente, a interrupção das vias de comunicação da Austrália com os Estados Unidos. Fracassado o primeiro intento da invasão, em maio de 1942, ao ser batida a frota japonesa pela esquadra americana na batalha do Mar de Coral, o Alto-Comando japonês resolveu adiar a operação até que fosse obtida a vitória decisiva que Yamamoto esperava conseguir em Midway. Com a nova derrota sofrida, portanto, os planos traçados de invasão da Nova Guiné tiveram que ser completamente reformulados. De fato, os japoneses não mais contariam com suficiente poderio naval para realizar o ataque por mar contra Port Moresby. Resolveu-se, então, no mês de junho de 1942, desembarcar tropas na desguarnecida costa norte da Nova Guiné. Essas forças, precedidas pelo 15o Regimento de Engenharia, comandado pelo Tenente-Coronel Yokoyama, avançariam rumo ao sul, através dos montes Stanley, barreira natural, agreste e selvagem, praticamente intransitável. Desta maneira cairiam sobre Port Moresby pela retaguarda, sem necessidade de realizar um ataque naval. As operações se iniciaram no dia 21 de julho de 1942, com o desembarque das unidades de engenharia, nas proximidades da localidade de Gona. Pouco depois foi ocupada a localidade de Buna; passaram, assim, a contar com duas bases na costa. Imediatamente iniciou-se o avanço para o interior, em direção ao aeródromo de Kokoda, praticamente a meio caminho entre a costa norte da ilha e Port Moresby. Nesse setor foram contidos pelas tropas australianas, comandadas pelo Tenente-General Herring Simultaneamente, efetuando uma manobra de envolvimento pelo flanco, os japoneses desembarcaram, na extremidade oriental da Nova Guiné, na baía de Milne, 1.900 soldados, no dia 26 de agosto. Estas tropas, contudo, foram rechaçados por duas brigadas australianas e, poucos dias depois, foram obrigadas a reembarcar, após perder em combates mais de 600 homens. Enquanto isso, no interior, as forças japonesas, conseguiram finalmente abrir passagem em Kokoda e, avançando penosamente através da intrincada mata, suas colunas se internaram por uma depressão que, a 2.000 metros de altura, cruza a cordilheira de Stanley. A travessia acarretou aos japoneses a perda de grande quantidade de homens, em virtude das febres e da falta de alimentação adequada. O abastecimento, com efeito, tropeçava com inconvenientes intransponíveis. Os fardos deviam ser transportados nos ombros por centenas de coolies e nativos da região, num esforço sobre-humano. Os japoneses conseguiram assim ocupar a localidade de Efogi, situada a 64 km de Port Moresby e algumas unidades avançadas, combatendo encarniçadamente com os australianos, aproximaram-se a menos de 14 km da base aliada. Esse foi o ponto culminante da penetração japonesa. Totalmente esgotadas e desprovidas de víveres e medicamentos, as tropas haviam perdido todo o seu poder combativo. Contra-ataque
aliado A 29 de setembro, os australianos passaram à ofensiva. Duas brigadas de infantaria se lançaram ao assalto e desalojaram os japoneses das vertentes que dominavam o acesso à cordilheira de Stanley. Estabeleceu-se então uma encarniçada perseguição, no transcurso da qual se sucederam incessantes choques entre patrulhas, e mesmo entre grupos maiores, cada vez que se defrontavam as unidades de retaguarda japonesas com a vanguarda australiana. As tropas, tanto de um lado como de outro, sofreram inarráveis padecimentos, marchando e combatendo sob o clima tropical, acossados pelas chuvas incessantes e torturados por nuvens de insetos. No mês de outubro, começaram a chegar à frente efetivos americanos. O poderio aliado viu-se, então, consideravelmente reforçado. Dois regimentos da 32a Divisão de Infantaria americana apoiaram o ataque que, a 5 de novembro, os australianos realizaram. Em um movimento convergente, ambas as forças tentaram cercar as unidades japonesas, porém estas, lutando furiosamente, conseguiram abrir passagem para a costa. Em meados de novembro, as forças aliadas se encontravam a uma distância de 56 km da base japonesa de Buna. No dia 17, chegou a Nova Guiné, o General Douglas MacArthur, chefe das forças aliadas no Pacífico ocidental sul, acompanhado pelo General Sir Thomas Blamey, comandante-chefe do exército australiano. No próprio campo de luta, ambos os chefes resolveram realizar um ataque em duas direções, para completar o aniquilamento das forças japonesas. As tropas americanas avançariam pelo flanco direito sobre Buna e os australianos pelo esquerdo, sobre Gona. Desta forma, os japoneses ficariam espremidos contra o mar, sem nenhuma possibilidade de escapar. Diante da desesperada situação, os japoneses efetuando um esforço supremo, enviaram cerca de 3.000 soldados em auxílio das tropas que combatiam na Nova Guiné. A aviação aliada conseguiu afundar numerosas embarcações, o que debilitou a corrente de reforço japonês. As ações se iniciaram no dia 19 de novembro, nas cercanias de Buna, onde os americanos tropeçaram com uma desesperada resistência japonesa. Participavam da operação, naquele momento, uma divisão e duas brigadas de infantaria australiana, a 32a Divisão de Infantaria e um regimento de infantaria americanos. Depois de furiosos combates os australianos conseguiram ocupar Gona a 9 de dezembro e a infantaria dos EUA conquistou Buna cinco dias depois. Os japoneses, contudo, não esmoreceram em sua resistência, e a luta prosseguiu com terrível violência até 22 de janeiro de 1943, data em que foi eliminado o último foco de resistência japonesa. Nessa catastrófica campanha, o Império do Sol Nascente havia perdido 12.000 soldados. Perto de 4.000 homens conseguiram escapar ao cerco e recuaram, pela costa, rumo ao oeste. Para ter uma idéia do ardor com que combateram os japoneses, verdadeiro fanatismo, basta conhecer a cifra de combatentes vivos capturados pelos aliados: 350. O total de soldados japoneses de elevava a mais de 15.000 homens. Os australianos tiveram 3.300 mortos e 5.500 feridos. Reconquista das
Aleutas A essas vitórias obtidas em Guadalcanal e na Nova Guiné, que assinalaram a reviravolta definitiva da guerra em favor das armas aliadas no Pacífico, somou-se a ação vitoriosa empreendida pelas tropas americanas, nas ilhas Aleutas. Forças aéreas e navais bombardearam, em princípios de agosto de 1942, as bases japonesas em Kiska e Attu. No dia 30, desembarcaram tropas na ilha de Adak, com o fim de ali estabelecer uma base aérea para apoiar ulteriores ataques. As incursões da aviação contra Kiska e Attu se iniciaram no mês de setembro. Seis meses depois, a 11 de maio de 1943, as unidades da 7a Divisão de Infantaria americana desembarcaram nas praias de Attu. Vinte dias mais tarde, depois de repelir um último ataque suicida da guarnição, os americanos concretizaram a ocupação da ilha. A luta havia custado aos americanos a perda de 500 homens, contra 2.300 baixas dos japoneses. A outra base japonesa, estabelecida em Kiska, seria o objetivo seguinte. Sua invasão foi realizada por uma força conjunta americana-canadense. No entanto, quando, a 15 de agosto de 1943, as tropas desembarcaram, encontraram a ilha deserta. Os japoneses, adiantando-se ao ataque, haviam burlado o bloqueio aliado, e evacuado suas forças. Assim se encerrou a campanha nas Aleutas. A ocupação das ilhas de Attu e Kiska, que, a seu tempo, deu azo à crença de uma iminente invasão japonesa no continente americano, não passou, em realidade, de mais um episódio rapidamente superado. A situação em
Tóquio Enquanto a luta em Guadalcanal se aproximava do desenlace, em fins de novembro de 1942, em Tóquio, eram travadas violentas discussões entre os representantes das forças armadas e o governo, a respeito do futuro das operações de guerra. Os representantes do Estado-Maior do Exército, liderados pelo seu chefe, Marechal Sugiyama, exigiam que se persistisse na resistência em Guadalcanal, apesar do evidente fracasso da orientação da guerra ali. Acrescentavam os chefes militares que existiam efetivos suficientes para poder dar uma reviravolta favorável na situação, porém seria necessário, para isso, dispor de uma força naval de transporte adequada. Sugiyama, portanto, exigiu que se tomassem enérgicas medidas para reunir o número de unidades navais necessárias, que, de acordo com os cálculos feitos por seus auxiliares, deveriam superar as 300.000 toneladas. O Primeiro-Ministro Tojo, assessorado pelos membros dos diversos departamentos do gabinete, sabia que era impossível reunir tal tonelagem, e que se pudesse fazê-lo, debilitaria radicalmente a capacidade de transporte para as demais frentes e o abastecimento interno do Japão, tanto em víveres, como em matérias-primas essenciais para a manutenção da guerra. Essas discussões se prolongaram durante semanas, sem se chegar a nenhum resultado positivo. Os japoneses ainda respiravam a euforia dos triunfos iniciais e não davam a importância devida à gravidade do momento que atravessavam. Assim, a 7 de dezembro de 1942, os dois ramos das forças armadas (Exército e Marinha Imperiais) deram publicidade a dois comunicados, celebrando o primeiro aniversário da guerra, nos quais enumeravam, com cifras exageradamente aumentadas, os resultados das campanhas realizadas até então. O Exército se jactava do aniquilamento e captura de mais de 250.000 soldados aliados, na região do Pacífico e de mais de 400.000, na frente da China. O informe, além disso, também aumentava desmesuradamente as cifras de material de guerra apreendido: mais de 300.000 armas de fogo portáteis, 14.000 metralhadoras, 4.000 canhões, 32.000 caminhões e veículos diversos, 1.140 tanques e 2.000 aviões destruídos os avariados. A Marinha, por sua vez, atribuía à sua participação a destruição ou avaria de mais de 800 navios de guerra de todo o tipo e transportes; entre eles, incluía o afundamento de 11 porta-aviões. Esta última cifra duplicava o número de porta-aviões aliados que operaram no Pacífico nesse período... A lista fornecia, além do mais, como aviões derrubados ou avariados, 3.798 aparelhos aliados. Enquanto esses informes otimistas eram utilizados como elementos de propaganda, para fortalecer o moral combativo do povo japonês, no seio do Alto-Comando resolveu-se discutir de forma objetiva a situação real. Em Guadalcanal, a campanha atingira o seu ponto crítico. No dia 12 de novembro, havia sido praticamente aniquilada, pela aviação americana, a frota de transportes que conduzia à ilha os últimos 12.000 soldados de reforço. E mais: na madrugada de 15 de novembro, os encouraçados americanos haviam infligido uma decisiva derrota à esquadra japonesa, conquistando definitivamente a supremacia nas águas de Guadalcanal. A sorte da guarnição japonesa da ilha estava selada, portanto. Era necessário tomar uma decisão imediata para evitar o seu completo extermínio. Conferências
decisivas À sombra desses dramáticos acontecimentos, celebrou-se, no dia 10 de dezembro de 1942, uma reunião do Conselho Imperial, em que participaram, da parte do governo, o Primeiro-Ministro Tojo e os membros do gabinete e, representando o setor militar, o Almirante Nagano, chefe do Estado-Maior Geral da Marinha, e seu lugar-tenente, Contra-Almirante Fukudome, o Marechal Sugiyama, chefe do Estado-Maior do Exército, e seu lugar-tenente, o General Tanabe. Esses homens que, um ano antes, se haviam lançado à aventura da guerra, reuniam-se agora, ante circunstâncias adversas, para decidir a primeira grande retirada das armas japonesas. A hora das conquistas havia chegado ao fim. Tojo abriu a discussão, anunciando aos seus colegas que, ante o início da ofensiva aliada, era necessário que o Japão realizasse uma completa reorganização da sua política bélica. Atendendo aos apelos do Exército, assinalou que o problema fundamental consistia em incrementar aceleradamente a tonelagem marítima. Em 1942, os estaleiros japoneses haviam entregue 400.000 toneladas de barcos. Essa cifra, de acordo com as atuais exigências, deveria ser dobrada no ano seguinte, elevando-se a 750.000 toneladas. Apesar disso, em abril de 1943, apenas disporiam de 30.000 novas toneladas de navios, que seriam incrementadas, a seguir, à razão de 10.000 toneladas por mês. O ministro da Marinha esclareceu então, com perfeita clareza, que os planos de construções navais em andamento não dariam para cobrir as cifras indispensáveis. As construções correspondentes a 1942 estavam com um atraso de mais de 30% sobre os níveis previstos. O ministro do Planejamento, por sua vez, ofereceu um panorama sombrio. O aço e o alumínio, indispensáveis para manter o ritmo de construções militares, não eram obtidas em quantidade suficiente. Já em 1942, houvera um déficit de quase 20% na produção de ambos os metais. Assinalou, também, que se requisitassem os barcos destinados ao transporte do abastecimento para a população civil, a fim de solucionar, provisoriamente, o problema levantado pelo Exército, reduzia-se a já escassa quota de alimentos que a população civil recebia. A situação do abastecimento de petróleo era, também, sumamente crítica. Apesar do severo racionamento aplicado ao consumo civil, as reservas se mantinham no mesmo nível existente em dezembro de 1941. Ao concluírem os desalentadores informes, que davam um claro panorama da incapacidade do Japão para enfrentar com êxito as operações bélicas contra os Aliados, o Marechal Sugiyama manifestou a terminante necessidade de que o país realizasse um esforço supremo para permitir que as forças armadas contivessem o avanço aliado. Sugiyama terminou a sua alocução, dizendo: “Se nossa frente do Pacífico for rompida, as ilhas Marshall e as Carolinas serão ameaçadas e nosso espaço vital, que vai do Japão a Sumatra, Java e Birmânia, poderá ser superado, nossas comunicações cortadas e o Japão propriamente dito, bombardeado. O Império estaria em perigo”. A reunião encerrou-se, pouco depois, sem que se chegasse a nenhum acordo. Era evidente, contudo, que não se poderia continuar com as campanhas de Guadalcanal e Nova Guiné e que as forças japonesas teriam que diminuir suas linhas, para conseguir um equilíbrio adequado entre as disponibilidades limitadas de seus recursos e as exigências de uma eficaz ação defensiva. O Primeiro-Ministro Tojo era decidido partidário de acabar o quanto a luta em Guadalcanal. Para facilitar a adoção dessa política, eliminou do seio do QG destacados oficiais que pugnavam pela resistência a qualquer preço e assumiu o cargo de chefe da Direção Estratégica do Exército. Esse título juntou-se aos numerosos que já ostentava (primeiro-ministro, ministro da guerra e chefe da aviação do Exército). Investido dessa nova autoridade, Tojo pôde impor mais facilmente suas idéias na sessão do Conselho Imperial que se realizou no dia 21 de dezembro. Ali se resolveu dar por terminada a campanha de Guadalcanal e traçar uma nova frente defensiva, que abarcaria a costa nordeste da Nova Guiné, a estratégica base de Rabaul, e as ilhas principais do arquipélago das Salomão. Cumprindo essa determinação, emitiu-se, a 4 de janeiro de 1943, a ordem de evacuação da ilha. A operação foi efetuada de 1o a 8 de fevereiro. Com ela, terminou a fase de penetração do Exército japonês. A partir desse momento, a iniciativa, na guerra do Pacífico, passava para as mãos dos Aliados. O Japão adota
nova estratégia Nesse momento decisivo de transição do curso da guerra, o governo japonês realizou uma análise detalhada da situação geral, tanto no setor específico da luta, no Pacífico, como no plano mundial, do ponto de vista político e militar Os informes remetidos pelos serviços de inteligências e embaixadas, consulados, agregados e peritos militares e navais, determinaram a redação de dois documentos que foram apresentados, um pelo Ministério das Relações Exteriores e outro pelo Estado-Maior, ao imperador Hirohito, em fins de fevereiro de 1943. Ambos os informes se abstinham de apresentar um quadro alarmante da situação, porém assinalava que os Aliados aumentavam aceleradamente o seu poderio e que, em fins de 1943, estariam em condições de iniciar operações ofensivas em grande escala no Extremo-Oriente. Confiava-se, entretanto, que os alemães, apesar da derrota em Stalingrado, poderiam armar uma nova ofensiva e recuperar a iniciativa, mesmo assinalando, claramente que “... os ítalo-alemães não possuem muitos recursos humanos... A indústria de guerra carece de matérias primas...” Também se declarava com franqueza o enorme poderio bélico da Rússia: “Os sovietes tem 370 divisões, de 6 a 7 mil tanques e de 4 a 5 mil aviões na frente de combate na Europa, 700.000 homens, 1.000 tanques e 1.000 aviões no Extremo-Oriente... O prestígio de Stalin continua inalterado, a alimentação está racionada, porém o moral do povo é bom...” Os japoneses, como se vê, vislumbraram claramente as ameaças que pendiam sobre eles e seus aliados, e a grave situação em que se encontravam. Previam, porém, como possível, uma vitória alemã na Rússia antes de 1943, e que os êxitos obtidos pelos submarinos alemães no Atlântico se manteriam no mesmo ritmo. Era necessário, portanto, coordenar a ação das forças japonesas com as de seus aliados, a fim de que uma manobra das três potências, executada simultaneamente, produzisse os seus frutos. Até esse momento, tal coisa não havia acontecido. Foi então que se aprovou o envio de uma missão japonesa, liderada pelo General Okamoto, a Berlim e a Roma. Essa missão partiu finalmente, de Tóquio, a 10 de março de 1943. Dirigiu-se de avião, através do território russo e alemão. Simultaneamente, o Primeiro-Ministro Tojo colocou em marcha uma nova política com respeito aos territórios conquistados na Ásia, que foi aprovada na reunião do Conselho Imperial realizada em 31 de março. Na situação em que o Japão se encontrava, era necessário obter o apoio das nações conquistadas, na luta contra os Aliados. Resolveu-se declarar a independência nominal da Birmânia e das Filipinas, reforçar os laços que uniam o Japão com o governo títere da China, e ganhar os favores da Tailândia, entregando-lhe parte dos territórios da Malásia e da Birmânia. A independência deste último país era concebida como um instrumento adequado para incitar a Índia à rebelião. Todas essas medidas culminariam com a realização, em Tóquio, de uma conferência de países membros da “Grande Ásia”, ou zona de domínio japonês, que serviria aos fins do governo japonês, no seu propósito de unir os povos orientais em apoio de sua política antiocidental. Todos esses panos, no entanto, não conduziriam a nada. A guerra já estava definida, após a derrota sofrida pelos japoneses em Guadalcanal, e pelos alemães em Stalingrado. Este fato foi confirmado pela primeira mensagem que o general Okamoto enviou da Alemanha: “A situação alemã é muito mais difícil do que imaginamos no Japão. A vitória da Alemanha deve ser considerada como quase impossível”. Anexo O Ganso Azul 15 de outubro de 1942.
Henderson Field. Uma sirene estridente chama os pilotos à sala de reuniões.
Às pressas, os homens chegam, um após
outro. Suas expressões denotam o cansaço que os atormenta; os uniformes
rasgados mostram claramente o duro regime de vida a que estão submetidos. As
palavras do chefe repetem, pela centésima vez, algo que os homens já conhecem
de cor: os japoneses estão desembarcando tropas... é necessário impedir essas
manobras... Um rápido relatório do
chefe da manutenção revela que poucos aviões estão em condições de levantar
vôo. É necessário fazer algo, rapidamente. E se faz. Não somente os Wildcats
levantarão vôo, mas todos os aparelhos que estejam em condições de voar. O major Cram, apelidado
Mad (Louco), é um dos primeiros a sair da sala de reuniões. Arrastando o seu
pára-quedas, corre até a pista, dirigindo-se ao seu avião, Quem o visse subir
à cabina do que seria o seu avião de combate, compreenderia a razão do
apelido. Cram pilotará um anfíbio Catalina de observação, grande e lento,
batizado de ganso Azul, com dois torpedos adaptados sob as asas... Taxiando lentamente, o
Ganso Azul toma posição na cabeceira da pista e começa a acelerar
gradualmente. Por fim se perde na distância. Cram voa a 300 metros de altura
quando, ao longe, na superfície do mar, vários navios de transportes
japoneses aparecem subitamente. Mad Cram não vacila. Empurra os comandos para
a frente e se lança sobre as embarcações inimigas. Velozmente, perde altura.
O vento silva entre os tensores das asas. O Catalina realiza pela primeira
vez semelhante manobra. Finalmente, num supremo
esforço, Cram estabiliza o aparelho em vôo horizontal. A superfície do mar
brilha sob seus pés, a 20 metros apenas. O altímetro já deixara de registrar
a altitude. Cram embica seu Catalina
em direção a um dos transportes japoneses e dispara os dois torpedos.
Imediatamente, sem esperar os resultados de sua ação, vira e trata de
afastar-se. É tarde, porém. Foi avistado por vários Zeros que caem sobre ele.
Cram manobra desesperadamente, tratando de evitar os projéteis. O lento Ganso
Azul ganha e perde altura sucessivamente. Assim, lentamente, Cram vai se
aproximando do aeródromo de Henderson. Quando a pista já se encontra à vista,
Cram inicia a descida. Não nota que um Zero o seguiu até ali e se prepara
para derrubá-lo. Em terra observam a manobra e consideram já perdido o
Catalina. Porém, então, o inesperado acontece. Um Wildcat que, por sua vez,
se preparava para aterrissar, vendo a situação crítica do Catalina, vira
violentamente e se joga sobre o Zero, abatendo-o. Instantes depois, Cram
aterrissa. Salvou sua vida e seu avião. E, numa manobra incrível, afundou o
transporte que torpedeou. O homem e o tanque 23 de outubro de 1943. O
4o Regimento do Coronel Nakaguma recebera ordem de cruzar o rio
Matanikau. Aprontando os seus homens, Nakaguma ordena uma rápida batida pelas
imediações. Minutos depois, regressam os exploradores. Uma passagem fôra
descoberta, na redondeza. Para lá se dirigem, sem perda de tempo, as unidades
blindadas de Nakaguma. Os americanos, na margem
oposta, são rapidamente alertados pelos seus batedores. As colunas se dirigem
imediatamente para a zona ameaçada. Cavando nervosamente suas fox-hole
(pequenos abrigos individuais), os soldados americanos preparam suas armas. A uma ordem de Nakaguma,
seus dez tanques se enfileiram para cruzar o rio. Na margem oposta, os
morteiros e as metralhadoras americanas são colocadas em posição de tiro. Assim que o primeiro
carro blindado japonês se adianta e se interna nas águas, os americanos abrem
um violento fogo cruzado. O primeiro tanque é sacudido pelos impactos que o
alvejam. Em seguida, inclinando-se, tomba sobre um dos lados. Igual sorte
corre o carro blindado que o segue. E outro, e mais outro, até completar nove
unidades, fora de combate. Minutos depois, quando
toda a formação japonesa parece ameaçada de aniquilamento, o último tanque,
manobrando audaciosamente, transpõe o rio e atinge a margem oposta. A unidade
obedece ao comando do Capitão Maeda. Fazendo fogo através dos visores os
homens da tripulação varrem o terreno diante deles. O tanque avança ainda
alguns metros, quando o fogo de várias metralhadoras pesadas o obriga a deter
a marcha. O Capitão Maeda imobiliza o seu veículo sobre uma moitas e escolhe
rapidamente o caminho a seguir; o tanque continuará para a frente, apesar do
fogo inimigo. Vai dar a ordem, quando uma detonação faz estremecer o carro
blindado. O condutor acelera o motor do veículo e manobra desesperadamente
com os controles. Tudo em vão. As rodas girado no vazio, demonstram a Maeda
que as lagartas foram destroçadas. O tanque está inutilizado. Tudo perdido. Alguns metros atrás do
tanque, arrastando-se sobre o matagal, um homem começa a deslizar. Os
americanos engatilham suas armas, quando uma ordem os detém: - Não atirem! É
um americano! De fato, é um soldado
americano que rastejava. Alguns minutos depois, já em companhia de seus
companheiros, o soldado Joe Champagne esclarece tudo: - Estava na minha
cova... De repente uma sombra me cobriu... Era o tanque... Preparei uma
granada... arranquei o pino de segurança e a joguei entre as lagartas... é
tudo... Isso era “tudo”. Nem
mais, nem menos: um homem contra um tanque. E o homem vencera. O Sargento Basilone A chuva caía
torrencialmente no dia 25 de outubro de 1942. À cerca de 2 km do aeródromo de
Henderson Field, entrincheirados em seus refúgios individuais, os marines
faziam fogo desesperadamente, tratando de conter o ataque dos soldados
japoneses. Numa pequena escavação, o sargento John Basilone e o soldado Evans
disparavam sem cessar suas metralhadoras. Após alguns minutos de duro
combate, a munição começou a escassear. Logo, não restavam, no fundo da
minúscula trincheira, senão umas poucas cintas. Depois, nada. Um grupo de
soldados japoneses se aproximou perigosamente, apertando o cerco. Basilone,
compreendendo que estavam perdidos, tomou uma decisão imediata. Entregando o
seu fuzil a Evans, um soldado de 18 anos, saltou para fora da trincheira e
correu desesperadamente até outra cova, onde ainda estavam em condições de
tiro duas metralhadoras abandonadas. Uma chuva de disparos se abateu sobre o
Sargento Basilone. Estes, a quem seus homens chamavam de Manila John,
mergulhou literalmente na trincheira vazia. Enquanto isso, o soldado Evans disparando
sem descanso, procurava atrair sobre si o fogo do inimigo. Basilone apanhou
rapidamente duas caixas de munições e retornou sobre seus passos. Agachado,
procurando escapar dos disparos dos atiradores inimigos, correu
desesperadamente até o refúgio, onde Evans o esperava. Dezenas de projéteis
picaram ao seu redor. Nenhum acertou o alvo. Freneticamente, Basilone
assestou as duas metralhadoras e enfiou a cinta de balas. Evans, entrementes,
fazia um esforço supremo para intimidar, com o esporádico fogo do seu fuzil,
os atiradores inimigos que ganhavam terreno. Instantes depois, Basilone
comprimia o disparador da sua metralhadora e começava a varrer a mata. Evans,
abandonando o seu fuzil, fazia o mesmo com a outra metralhadora. Os
japoneses, atingidos pelo inesperado fogo, buscaram rápido refúgio. O
heroísmo de Basilone havia superado o que parecia uma segura condenação à
morte. Batalha naval de Santa Cruz O encontro teve lugar no
dia 26 de outubro de 1942, e se enfrentaram as esquadras japonesa, sob o comando
do Almirante Nagumo e americana, comandada pelo Vice-Almirante Kincaid. O registro do
porta-aviões americano Enterprise oferece um panorama claro do desenrolar das
ações: 07h30 - Primeira mensagem
das patrulhas de reconhecimento: “Dois encouraçados, um cruzador pesado e
sete destróieres avistados. Nenhum porta-aviões”. 08h - Segunda mensagem:
“Avistados dois porta-aviões japoneses com sua escolta. As pistas dos
porta-aviões estão vazias. Estamos sendo atacados por Zeros”. 08h02 - Ordem de ataque a
dez bombardeiros de picada, dez torpedeiros e dez caças 08h12 - Ataque ao
porta-aviões Zuiho. 09h40 - Alarme. Equipes
de segurança e de incêndio, vistam os seus trajes incombustíveis. Aviões
japoneses a 50 milhas. 10h11 - Do porta-aviões
Hornet rompem fogo. 10h13 - O Hornet foi
atingido pelas bombas japonesas. Fogo e fumaça na sua estrutura. 10h25 - Informação da
esquadrilha de ataque: “O Shokaku atingido” 11h13 - Alarme. Aviões
japoneses atacam 11h25 - Alarme de
incêndio. O Enterprise atingido por três bombas 11h33 - Alarme. Aviões
inimigos se aproximam pelo noroeste, a 35 milhas. Mantenham-se a postos. 11h48 - Alarme. Ataque de
aviões japoneses. Artilharia rompe fogo 11h58 - Alarme. Submarino
a estibordo. 11h59 - Engano. Toninhas,
não submarinos! 12h05 - Incêndios
apagados. 12h15 - Alarme. Aviões
japoneses se aproximam pelo noroeste, a 12 milhas. Mantenham-se a postos. 12h20 - Aviões japoneses
atacam. Artilharia antiaérea rompe fogo 12h30 - Encouraçado South
Dakota atingido. 12h322 - Alarme. Aviões
inimigos provenientes do noroeste a 10 milhas. Mantenham-se a postos. 12h36 - Aviões japoneses
atacam. Artilharia antiaérea rompe fogo. Concluída a ação Um homem e sua bandeira 28 de outubro de 1942. A
selva, silenciosa, parece um gigantesco manto verde. Estalidos isolados,
rumores indefinidos, apenas audíveis, quebram o silêncio opressivo. De
repente, um braço afasta violentamente os arbustos. Aparece um rosto.
Macilento, barbudo, um soldado avança cautelosamente. É um japonês e parece
estar tremendamente esgotado. Entretanto, nas suas mãos, cuidadosamente,
carrega um pedaço de pano. É branco, mas aparecem nele largas faixas
avermelhadas. O soldado é o Coronel Furumiya, do 29o Regimento de
Infantaria. O pano que leva em suas mãos é a bandeira do seu regimento. Há sete
dias que o Coronel Furumiya vaga pela selva, procurando uma via de escape que
lhe permita retornar às suas linhas. Há sete dias não come nada, apenas
dorme. Vagueando pela floresta, não é mais um homem; é um espectro apenas.
Como o Coronel Furumiya chegou a tal estado? O episódio parece, na verdade,
frito da imaginação de Jack London. O Coronel Furumiya
liderou no dia 21 de outubro o ataque de seu regimento. Lançou-se na
vanguarda, empunhando a bandeira da unidade. Com o estandarte na mão esquerda
e o sabre na direita, correu para as linhas americanas. Seus homens,
seguindo-o, correram atrás dele. As linhas inimigas romperam nu fogo
mortífero. Por fim, as colunas de combatentes japoneses chegaram às
trincheiras americanas. O combate se transformou num furioso entrechocar de
baionetas e facas de combate. Furumiya, envolvido pelo furor da batalha,
afastou-se cada vez mais dos seus homens. Instantes depois, o coronel japonês
estava rodeado pelo inimigo. Compreendendo que estava perdido, correu,
tentando juntar-se aos seus homens. Já era tarde, contudo. Seus soldados
haviam sido, praticamente, aniquilados. Furumiya encontrou milagrosamente
livre o caminho. Ninguém se interpôs. Ninguém disparou. E o coronel japonês
se afastou internando-se na floresta. Após orientar-se compreendeu que tomara
o caminho errado. Durante sete dias vagou,
levando consigo a sua bandeira. Afinal, sentindo a proximidade do fim, quis
morrer como samurai. Escreveu uma única carta, num pedaço de papel sujo,
dirigida ao seu superior, o General Maruyama. Depois, empunhou a sua pistola
de combate. Sua mão não tremeu quando lentamente, ergueu o percursor. “Sabia”
que era culpado e devia pagar. Assim o exigia o código samurai. Um instante depois, o
Coronel Furumiya tingia de vermelho o branco da bandeira que apertava forte,
na sua mão esquerda... |