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"Esperávamos sofrer perdas, porém jamais esquecerei aqueles enormes Liberators caindo como moscas". "Grupos de três e quatro aviões, ou alguns isolados, voavam em diversas direções, deixando rastros de chamas, chocando-se contra o solo, espalhando fragmentos de asas, caudas e fuselagens...". "O que estava contemplando era um espetáculo medonho, digno do Inferno de Dante". A "Operação Macaréu" foi um sucesso caríssimo Ataque de baixo
nível
Os instrumentos que a
Alemanha nazista usava na tentativa de conquistar o domínio do mundo só
podiam operar com eficiência enquanto pudessem contar com o necessário
suprimento de óleo combustível. No mar, ele era empregado para movimentar as
turbinas dos seus vasos de superficie e os motores diesel dos submarinos - em
terra, uma Wehrmacht altamente mecanizada tendo como ponta-de-lança os
velozes Panzers, que despendiam óleo e gasolina em copiosas quantidades,
enquanto que, no ar, os aviões da Luftwafe abriam caminho para as forças de
terra no clássico padrão da Blitzkrieg, ou arrasavam as cidades daquelas
nações ludibriadas e sem condição de tentar frustrar a ambição alemã e, para
isso, os aparelhos tinham de ser abastecidos com gasolina de aviação. Quase toda a quantidade de
petróleo necessário para acionar a máquina de guerra alemã provinha da
Romênia. Transportado por vagões-tanques ferroviários ou bombeado por
oleodutos, o petróleo bruto fluía para o centro de refinação de Ploesti,
situado num tributário do Danúbio e bem servido de estradas e ferrovias. Ali,
após um processamento convertia-se em gasolina, lubrificante e os outros
derivados essenciais à indústria moderna; mas também ali ele se tornava mais
vulnerável a ataques. Em grande parte, a Romênia
tinha seus recursos naturais financiados por capital estrangeiro, sendo que a
Alemanha se tornara grande investidor no seu crescimento industrial, na
condição de maior comprador do seu petróleo entre as duas guerras. Estes dois
países aproximaram-se mais um do outro nos anos que precederam 1939, embora,
no tocante aos romenos, o interesse maior visava a situação econômica e não
os objetivos políticos da outra nação. O mês de setembro de 1940 viu as
tropas alemães ocupar quase toda a Romênia, com o fito ostensivo de proteger
seus campos petrolíferos, e, pouco depois, talvez para minimizar o drama de
ter sido virtualmente invadida, aquele país aliou-se às potências do Eixo,
compartilhando da sua sorte. Os britânicos já haviam
decidido que os depósitos que supriam de óleo à Alemanha eram um alvo
relativamente fácil e compensador para um ataque aéreo; portanto, o que
visavam eram aquelas instalações que produziam óleo sintético e estavam
situadas dentro da própria Alemanha. As refinarias de Ploesti já em novembro
de 1940 estavam sendo visadas como objetivos e houve propostas no sentido de
instalar bases na Grécia para uso da RAF, mas foram obstadas pelas
considerações diplomáticas dominantes na época, que superavam a conveniência
tática, e quando estas deixaram de ser obstáculo ao empreendimento, a
Wehrmacht já atravessara a Iugoslávia e a Grécia; a RAF ficou então sem
aeródromos situados em locais com distância suficiente do alvo para o raio
de ação dos aparelhos de que dispunha no momento. O bombardeiro americano
B-24 (conhecido como Liberator quando em serviço na RAF) tinha o raio de
ação operacional necessário para realizar um ataque às bases do Oriente Médio.
Infeizhiente, a RAF não podia contar com o número suficiente desse tipo de
bombardeiro no teatro de guerra do Mediterrâneo para desfechar ataque eficaz
contra Ploesti. Assim, o plano ficou temporariamente suspenso, aguardando a
chegada ao Egito dos B-24 com tripulações americanas, desviados da China. A
12 de junho de 1942, 13 desses aviões levantaram vôo do aeródromo de
Habbaniyeh, no Iraque, e atacaram as refinarias, causando poucos danos
concretos, mas mostrando - para ambos os adversários - que os Aliados agora
possuíam um bombardeiro capaz de fazer a viagem de ida e volta. Supõe-se que
os alemães, como resultado desse ataque, providenciaram, de imediato, o
reforço das suas defesas naquela área. Portanto, embora os
estrategistas aliados pensassem constantemente em desfechar ataque decisivo a
Ploesti, somente a 19 de agosto de 1943 é que uma grande força de
bombardeiros B-24, reunida das 8ª e 9ª Forças Aéreas do Exército dos Estados
Unidos, decolou de bases da África do Norte para o longo vôo até a Romênia.
Nesse estádio da guerra, os alemães já haviam sido expulsos da Cirenaica para
oeste pelos britânicos e os aviões destinados ao ataque a Ploesti foram
concentrados nos cinco aeródromos situados nos arredores de Bengási. O
codinome para a operação foi mudado três vezes. Primeiramente, era
"Statesman" (Estadista), mais tarde passou a ser
"Soapsuds" (Espuma de Sabão), e finalmente, talvez na esperança
de um ataque de resultados esmagadores, "Tidaiwave" (Macaréu). O "Tidalwave"
devia ser um ataque de precisão, teoricamente do mesmo tipo do desfechado
pela RAF contra três represas do Ruhr, em maio de 1943, e que alcançara boa
dose de êxito. Mas aquela operação fora realizada por um esquadrão formado e
treinado para lançar as minas especiais desenhadas por Barne Wallis segundo
exigências precisas, ao passo que o ataque a Ploesti deveria ser feito por
grupos de combate normais da Força Aérea Americana, sendo que um deles
acabara de chegar dos Estados Unidos. Não obstante, quando da
realização do ataque, já se alcançara elevado grau de treinamento
especializado. As tripulações receberam uma avaliação feita pelo Serviço de
Inteligência sobre as defesas que encontrariam no alvo e que, em conclusão,
revelarase incorreta, mas seu amplo treinamento pré-ataque foi extremamente
minucioso e cada tripulação conhecia seu alvo e havia praticado manobras para
o ataque até que elas ações se tornassem automáticas. À medida que as
tripulações se apresentavam mais práticas e eficientes, aumentava, também, sua
autoconfiança; foram treinadas ao máximo e estavam ansiosas por aplicar as
técnicas de baixo nível aprendidas até então. O fato de as operações não
saírem segundo a expectativa é fato corriqueiro em tempo de guerra. Aquele
grande imponderável, o tempo, e um erro infeliz de navegação, bem como a
ferocidade das defesas, combinaram-se para prejudicar o cuidadoso planejamento
do ataque. Só não foi afetada pelas circunstâncias adversas, a determinação
das tripulações aéreas em realizar o ataque, e as fotografias tiradas
durante a incursão comprovam o vôo bem baixo dos pilotos, com os aviões
sobre o alvo, a despeito do fogo intenso vindo de terra; e é preciso muita
coragem para pilotar um bombardeiro obsoleto, relativamente lento a apenas
100 m de altura, sobre uma área bem defendida, em plena luz do dia. As
perdas sofridas mostram que os riscos a que estiveram expostos não foram
assim tão insignificantes. Após o ataque, vieram as ponderações - as análises detalhadas dos registros feitos pelas tripulações, das fotografias e dos relatórios enviados por fontes diplomáticas e de Inteligência. Foi o ataque um sucesso? O autor examinou cuidadosamente toda a evidência e apresenta-a para considerações no último capítulo - basta dizer que ele escreveu uma narrativa que desperta curiosidade sobre um ataque aéreo de precisão desde que foi concebido até sua realização final, e se o resultado não satisfez as esperanças dos que o planejaram - a história, mesmo assim, merece ser contada. |
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Ouro Negro O porto líbio de Bengási,
aninhado no Golfo de Sidra, na costa sul do Mediterrâneo e situado a uns
1.000 km a leste de, Trípoli e a 400 km a oeste de Tobruk, mostrava as
marcas de muitos choques violentos ocorridos durante a luta pela conquista
da África do Norte, que abrangera a Cirenaica e o Egito, de ponta a ponta,
em 1940 até 1942. Tropas alemães, italianas, britânicas e da Comunidade das
Nações tinham todas desfrutado de breves períodos de ocupação naquele
processo de avanço e retirada rápidos conhecido localmente como "O
Handicap de Bengási". Porém, desde novembro de
1942, após a vitória do General Montgomery em El Alamein, as forças aliadas
fixaram-se ali; a maré da batalha fluía agora mais para oeste, e os B-24
Liberators quadrimotores da 9ª Força Aérea do exército americano foram
descansar nos aeródromos do deserto do sul da cidade. Então, no domingo, dia
14 de agosto de 1942, a calma do amanhecer foi ali rompida quando 178 desses
bombardeiros pesados começaram a aquecer seus motores a fim de decolar para
uma tarefa que incluía um vôo de ida e volta de 4.300 km e atacar seu
objetivo de uma altitude inferior a 100 m. Jamais fora tentada uma missão de
tal magnitude e dificuldade. Poeira densa agitava-se em
nuvens sufocantes nos cinco aeródromos quando, a intervalos de dois
minutos, os aviões levantavam vôo para se reunirem na linha Bengási-Tocra.
Cada um levava 3.100 galões de gasolina e, com seu suprimento de munição e
bombas, pesava aproximadamente três toneladas. Vários dos aparelhos haviam-se
esforçado laboriosamente para levantar vôo; num deles, o esforço imposto aos
seus motores foi tão grande que teve de voltar logo a seguir, mas devido ao
excesso de poeira existente no ar, o piloto não pôde ver a pista de pouso
para aterrissar novamente e o avião caiu, sobrevivendo no acidente apenas
dois tripulantes. Os 177 bombardeiros B-24 que restaram dirigiram-se,
sobrevoando o mar, para Corfu e, bem mais além, para a cidade petrolífera
romena de Ploesti, deixando para trás a pira fúnebre dos que ali pereceram. As tripulações haviam sido
informadas com detalhes quanto à natureza do objetivo e às defesas inimigas
conhecidas, mas durante o vôo para o norte, muitos ponderavam sobre os
problemas específicos inerentes ao ataque de baixo nível: cabos de balões,
chaminés industriais, o perigo maior de colisões no ar durante as passagens
de bombardeiros devido à esteira provocada pelas hélices, e inclusive no
perigo do fogo das armas portáteis da infantaria. (Felizmente para sua paz de
espírito, eles ignoravam a existência de um exercício que envolvia
bombardeiros em vôo baixo e tropas britânicas que guarneciam as defesas da
baía de Bengási, sugerindo que este último temor era fundado.) Nas instruções
finais, o Major-General Lewis H. Brereton, Comandante da 9ª Força Aérea,
dissera: "As Forças Aéreas Americanas não preçisam de pontas-de-lança
em seus embates com o inimigo, seja na face da terra ou nos céus ... Esta é
uma operação cem por cento da Força Aérea Americana". Mas alguns
membros das tripulações também ouviram uma exortação mais séria do seu
comandante: "Esperamos que nossas perdas não atinjam 50 por cento dos
nossos efetivos, porém mesmo que percamos tudo o que enviarmos conseguindo
destruir o objetivo, terá valido a pena". Naquela armada aérea
apenas cinco homens conheciam alguma coisa da Romênia, para onde todos se
dirigiam. O oficial da Real Força Aérea, que trabalhara com as tripulações
durante o período final do treinamento na África do Norte, comentou: "O
país era desconhecido e, tanto quanto se sabia, podia até ser habitado por
canibais". É de duvidar que o pessoal da RAF estivesse mais
familiarizado com essa terra distante, parte daquela região vaga chamada nos
livros escolares de "Os Balcãs" e, na mente dos britânicos,
parecida com aquele reino de ópera-cômica, a Ruritânia. Em 1938, o Primeiro-Ministro
britânico se referia a um estado europeu mais central, Tchecoslováquia,
como "aquela terra remota da qual sabemos tão pouco". Menos de um
século antes, quando chamado a governar a Romênia, diz-se que o Príncipe
Carol pediu um atlas para verificar se ela realmente existia. Entretanto,
embora encarada ultimamente como obscura, humorística ou até mesmo
assustadora, a Romênia muitas vezes ocupara o palco da política européia no
passado e sua importância no conceito de outras nações aumentou ainda mais
após a descoberta de seu petróleo. O desenvolvimento desses ricos depósitos
explica a razão por que os aviadores de outro continente aproximavam-se dos
seus céus, em agosto de 1943. O petróleo romeno começara
a ser explorado no século XIX, antes que o país alcançasse, sua plena
independência política. Contudo muito antes da sua descoberta, a planicie da
Valáquia, situada ao norte do Danúbio e a oeste do mar Negro, fora objeto da
atenção de vizinhos mais poderosos. Durante a longa batalha pela
independência, muitos preconceitos e ódios internacionais tornaram-se
enraizados e sobreviveram para determinar políticas nas duas guerras mundiais.
Portanto, de certo modo, a ação aliada contra a indústria petrolífera nos
dois conflitos foi determinada por fatores históricos antigos. A Romênia faz parte
daquele vasto tronco terrestre da Europa sudeste que, cercado pelos mares
Adriático, Egeu e Negro, no mapa situa-se abaixo da Hungria. Com uma mistura
de povos (gregos, albaneses, turcos, romenos e eslavos - estes últimos
subdivididos ainda em sérvios, búlgaros e croatas) ela jamais teve harmonia
racial real e não é por acaso que mereceu a expressão francesa la macédoine
com o significado miscelânea ou mistura. Já havia uma aparência de estado
romeno desde o século V a.C., quando membros da tribo Dácia atravessaram o
Danúbio, vindos do sul, e ocuparam Oltenia e Banat. Ameaçada por Roma, a
princípio a Dácia teve poder suficiente para resistir à pressão imperial, mas
acabou por sucumbir ante o poderio dos exércitos de Trajano. As forças de
ocupação construíram uma ponte de pedra sobre o Danúbio e, no Dobruja
ergueram uma muralha desde o Danúbio até o mar Negro - cujos restos ainda são
visíveis. Finalmente, as legiões foram embora, mas os Hunos e os Godos
chegaram e entregaram-se à pilhagem. Os sobreviventes da Dácia Felix, a
província romana, fugiram para as colinas situadas ao norte, onde conservaram
uma espécie de autonomia. Com o recuo da arremetida bárbara, os remanescentes
se dividiram e fundaram duas províncias, Moldávia e Valáquia, que formavam
um ângulo praticamente reto, apoiado na margem norte do Danúbio, com seu
braço (Moldávia) estendendo-se para o norte, desde a extremidade leste da
base (Valáquia). Em breve, porém, os turcos otomanos no Sul tornaram-se
agressivamente hostis, derrotaram os exércitos provincianos e durante três
séculos Moldávia e Valáquia pagaram onerosos tributos ao Sultão. Mesmo não
tendo sido totalmente absorvidas no seu Império, e embora fossem mais tarde
reunidas pelo Príncipe Miguel o Bravo, ainda assim as duas províncias
permaneceram sob a suserania turca. Os morenos descendentes dos
povos da Dácia, famosos pela sua música cigana e pelos coloridos trajes
nativos, enfrentavam, não obstante, vários problemas. Outro vizinho
inamistoso, a Rússia; começou a ameaçar as fronteiras setentrionais e a
Áustria passou a olhar cobiçosa sobre as montanhas. Pelo final do século
XVIII, Catarina a Grande estabeleceu o direito de interferir nas províncias
quando a Turquia (como estado muçulmano) reconheceu a Rússia como protetora
dos cristãos na Moldávia e na Valáquia; quase que simultaneamente, a Áustria
apoderou-se da Bucovina. Então, em 1812, a Rússia apossou-se de 4.400 km2 da
Bessarábia e da Moldávia, o que enfureceu os romenos, criando ressentimento
permanente. Durante todo o seculo XIX,
as grandes potências européias negociaram com os povos balcânicos que,
dominados pela Turquia, esforçavam-se para conseguir sua liberdade, como
num jogo de futebol político. Deram-se alguns passos para a independência
romena no Tratado de Paris, mas Turquia e Austria opuseram-se com veemência
àquele status de soberania total. Em 1861, enquanto a Áustria procurava
resolver o problema dos seus territórios italianos, foi proclamado um estado
da Romênia com sua capital em Bucareste. Dezesseis anos depois, outra guerra
russo-turca deu ao novo estado a oportunidade de que fosse reconhecida sua
independência total e de praticar aquela delicada mistura de blefe e
diplomacia que caracterizou sua política nos setenta anos posteriores.
Afirmando que a vitória dos russos garantiria a independência romena e que outras
potências jamais permitiriam que o Czar dominasse o país, o Príncipe Carol (a
hohenzollern sob cujo governo aumentaram as influências francesas e
germânicas na Romênia) ofereceu à Rússia passagem livre e ajuda militar
contra a Turquia. Ele próprio dirigiu um ataque à fortaleza turca de Plevna e
então a cobiçada independência tornou-se quase uma realidade. O quase
referia-se ao preço que ainda se devia pagar. A Rússia exigiu da Turquia a
posse de um território que a Romênia considerava seu, e diante dos protestos
surgidos, veio à resposta em termos de franca ameaça de guerra: "O Czar
ordenará que a Romênia seja ocupada e seu exército, desarmado". Com dignidade,
Carol respondeu: "O exército que lutou em Plevna pode ser destruído,
porém jamais entregará as armas", e o Lorde Salisbury, estadista
britânico, chegou a expressar simpatia favorável à Romênia, embora, em
particular, porém, tenha declarado que a Grã-Bretanha "não entraria em
guerra por causa desse país". As exigências russas acabaram sendo satisfeitas
e finalmente, em 1880, um reino independente da Romênia tornou-se
internacionalmente reconhecido. Estas últimas maquinações políticas vieram
contribuir para estimular o medo e o ódio pela Rússia e demonstraram uma vez
mais que o novo país não podia esperar grande consideração da parte das
grandes potências, a menos que os próprios interesses estivessem
diretamente envolvidos. Otto von Bismarck, o arquiteto da Alemanha unificada,
sintetizou, então, com muita clareza seu ponto de vista: "Toda a região
dos Balcãs não vale os ossos de um só granadeiro da Pomerânia". Entrementes, ao sul do
Danúbio, os búlgaros também buscavam a independência, contando com o apoio
da Rússia. E a Romênia, temendo a expansão da influência czarista nas suas
fronteiras meridionais como também nas setentrionais e confrontada com as
exigências búlgaras pelas suas províncias da Dobruja, assinou uma aliança secreta,
pró-defesa, com a Áustria. Finalmente, em 1908, a Bulgária conquistou sua independência,
mas pouco depois envolveu-se em duas guerras com outros países balcânicos e
desde então cresceu a hostilidade com a Romênia, por ter este país
conquistado a Dobruja do sul. Em meio à derrota, o rei búlgaro declarou:
"Esgotados, mas imbatidos, tivemos de enrolar nossos gloriosos estandartes
à espera de melhores dias". Diante disso, nas vésperas da Primeira
Guerra Mundial, a Rússia continuava sendo o vizinho hostil da Romênia, ao
norte, com a Bulgária substituindo a Turquia no mesmo papel, ao sul. A população da Romênia em
1914 era de cerca de 1.500.000 habitantes, muito embora, como conseqüência
da perda de território - como a Bucovina e Bessarábia - e da preponderância
de romenos na Transilvânia húngara, se pudesse contar mais seis milhões fora
de suas fronteiras. Tendo como limites a Bulgária, a Sérvia, a Hungria, a
Rússia e o mar Negro, este país montanhoso de florestas e planícies férteis
tinha 560 km de leste a oeste e 480 km de norte a sul. Sua fronteira
meridional era o rio Danúbio, artéria comercial do sudeste europeu, que
cortava sete países e servia mais outros doze, fazendo uma curva fechada
para o norte a 80 km do mar Negro e outra curva para leste em Galatz. Daí por
diante, ele se abre num grande delta, isolando a província da Dobruja entre
seu braço norte e o mar Negro. A planície da Valáquia, no sul, contém boa
terra para o plantio de trigo e centeio. Arroz é cultivado perto do Danúbio,
e mais para o interior, quando na sua estação, o perfume das flores do tabaco
enche o ar. A planície sobe gradualmente, chegando aos sopés das montanhas e,
por fim, até os Alpes da Transilvânia, que correm mais ou menos paralelos ao
Danúbio a uns 1.000 km ao norte deste. Esta região montanhosa setentrional,
muito apreciada pelos caçadores, é densamente arborizada e, na verdade, em
1914, um quarto do território romeno era coberto de uma variedade de
coníferas, faias, carvalhos e choupos. Cortando profundamente as montanhas
existem gargantas íngremes pelas quais cursos de água fluem para agradáveis
vales relvados e finalmente deságuam no Danúbio. Encarapitados no alto das
colinas vêem-se alguns castelos e mosteiros medievais que lembram contos de
fada, reminiscências de tempos idos, e de grande utilidade para orientação
dos aviadores da Segunda Guerra Mundial. Ns encostas, os pastores,
tocando as tradicionais e compridas trompas, apascentam os rebanhos. A
província da Dobruja contém uma planície fértil, ainda que pantanoas,
riscada de vias navegáveis e dominada pelos três grandes braços do delta do
Danúbio. Alí pode-se fazer excelentes pescas de lúcio, carpa e esturjão, e
vêem-se grandes bandos de coloridos pelicanos, cisnes, flamingos e
garças-reais. No nordeste do país fica a Moldávia, entre os montes Cárpatos,
situados ao longo da sua fronteira ocidental, e o rio Pruth. Formada de altos
picos e vales protegidos a oeste e de uma planície estreita a leste, ela
contém a capital de Jassy, com suas pomposas igrejas ortodoxas, decoradas de
vários afrescos admiráveis. Diferentes características
geográficas, bem como os caprichos da História, dificultaram a tarefa de
unificação da Romênia. Também o clima é instável, às vezes rigoroso, e os
freqüentes temporais que assolam a região tornam as condições climáticas
incertas e passíveis de mudanças rápidas até mesmo no auge do verão, como as
tripulações incumbidas do ataque a Ploesti em 1943 iriam notar. Em meados do século XIX,
quando se descobriu petróleo (devido ao seu valor, logo se tornou conhecido
como o "ouro negro") na Romênia, a grande maioria do povo vivia
da agricultura: os inconvenientes provocados pela Revolução Industrial ainda
não haviam atingido o campo. Nessa época, mesmo com a exportação de produtos
agrícolas, as reservas de capital nacionais eram pequenas, de modo que o
desenvolvimento industrial ocorrido na segunda metade do século dependeu em
grande parte de investidores estrangeiros: em 1916 somente um sexto do
dinheiro investido na indústria romena se originava de fontes internas. A simples descoberta do
petróleo não foi um acontecimento sensacional; o problema estava em extrair
depósitos em grandes quantidades e refina-los com êxito, mas a extração do
óleo bruto em escala comercial viável começou na Romênia em 1854. Três anos
depois 8.000 litros de óleo bruto foram trazidos à superfície de poços cavados
a mão, em baldes e sacos. Mas o monopólio mundial romeno da produção
petrolífera demorou pouco, pois em 1857 o Canadá abriu seu primeiro poço,
com ótimas perspectivas, em Ontario, e no mesmo ano pôs em funcionamento uma
refinaria de petróleo. Dois anos depois, um poço foi perfurado em Titusville,
na Pensilvânia. Entrementes, a insistente
exploração revelara a presença de mais fontes minerais na Romênia, embora
somente o petróleo existisse em grandes quantidades. Este se concentrava
sobretudo nos sopés dos Alpes da Transilvânia, e os vales de Prahova e Dimbovita,
em particular, tornaram-se importantes áreas produtoras. O petróleo (do latim
petra - pedra, e oleum - óleo: a substância era originariamente encontrada
nas infiltrações das pedras), para ter valor deve ser refinado em gasolina,
lubrificantes, parafina etc.; a obtenção do petróleo é apenas o início de
vários processamentos complexos. Os romenos logo substituíram suas ferramentas
manuais de escavação por perfuratrizes, e torres maciças feitas de madeira,
com 12 m de altura para sustentá-las, logo começaram a pontilhar a terra ao
lado de árvores e chalés. À medida que as locações de poços cresciam em
número e tamanho, agrupamentos de torres se espalhavam num mosaico irregular. A tarefa de localizar
refinarias para servir os campos petrolíferos é uma empresa da máxima
importância. Elas têm de estar próximas dos suprimentos de petróleo bruto,
ao alcance dos mercados e dos centros de, distribuição, e perto de água. Na
Romênia, Ploesti, situada na entrada do vale de Prahova, ao lado de um
tributário do Danúbio e no entroncamento de várias rodovias, era uma escolha
ideal, e ali se estabeleceu, portanto, o grosso da indústria de refinação. O petróleo sofre milhares
de diferentes combinações de hidrogênio e carbono (conhecidos como
hidrocarbodos), que dão características especiais ás suas partes (ou
"frações"). Algumas frações, como a gasolina e o querosene,
possuem seu próprio valor, mas outras passam por várias fases de
industrialização e em seguida são transformadas em produtos também de grande
utilidade. Assim, a separação e conversão de frações constituem as tarefas
principais de uma refinaria. A destilação (ou fracionamento) constitui a
primeira etapa no processo de reinação, quando se separam as várias
frações. Como os hidrocarbonetos se vaporizam a temperaturas diferentes, é
possível destilar óleo bruto passando-o num cano por uma fornalha, após o
que a mistura de vapores e líquido quentes passa para uma torre de
fracionamento onde, à medida que as diferentes frações esfriam, são retiradas
separadamente. Este processo, usado já por mais de meio século na Romênia,
era um tanto rudimentar e ineficiente em comparação com o craqueamento
térmico inventado às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Por este método,
tornou-se viável produzir combustível de octanagem mais alta, e do
craqueamento catalítico, aperfeiçoado em 1936, par sua vez originava-se a
gasolina de octanagem ainda mais elevada. Portanto, as instalações de
destilação e craqueamento são de importância vital e é por isso que
constituem os alvos principais dos que pretendem destruí-las. Em sua relativa pobreza a
Romênia tinha o petróleo e outros ramos da indústria muito dependentes do
capital estrangeiro. À Alemanha, por exemplo, ela devia o financiamento de
suas linhas férreas como também quantias consideráveis investidas em açúcar,
papel, tecido e cimento, além de ajuda na exploração das florestas e apoio
aos bancos. Portanto, não seria de admirar que a Alemanha demonstrasse
interesse também na produção petrolífera. Além de manter investimentos
estrangeiros, a Romênia levantou vários empréstimos estatais e com isso em
1907 suas dividas para com outros países totalizavam £ 57.200.000
(1.430.000.000 de leis), dos quais £30.776.880 eram com a Alemanha e
£18.500.000 com a França. O pagamento anual de juros, somente para a
Alemanha, totalizava dois milhões de libras esterlinas, e em 1912 a divida
nacional atingia a elevada soma de £63.040.000. Ademais, 40 por cento das importações
romenas eram financiados por bancos alemães, que exigiam pagamento em
dinheiro, porque a própria Alemanha só importava 6,62 por cento das
exportações anuais romenas. Especificamente, a
Alemanha tinha considerável interesse na indústria petrolífera. Em 1903, a
Steaua Romana, companhia petrolífera estatal romena, viu-se em dificuldades
financeiras e em conseqüência disso passou para o controle da
Diskonto-Gesellschaft, que a entregou nas mãos da Deutsche Petroleum, cujas
ações eram de propriedade dos principais bancos alemães. Durante os nove anos
seguintes, fundaram-se com dinheiro alemão outras companhias interessadas
na produção de petróleo, e por volta de 1914, 37 por cento do óleo romeno
eram dos alemães, à exceção das empresas romenas financiadas por bancos
germânicos. Isto em comparação com o investimento geral de 30 por cento feito
na indústria pela Grã-Bretanha. No começo da Primeira
Guerra Mundial, pertenciam à Romênia os mais ricos campos petrolíferos e a
maior capacidade de produção de óleo na Europa, menos a Rússia, que,
contudo, enfrentava sérias dificuldades no transporte do produto até os
clientes potenciais. O petróleo romeno, financiado principalmente pela
Alemanha, Grã-Bretanha (Royal Dutch/Shell e Anglo-Persian Oil, então
subsidiária da Burmah Oil, hoje British Petroleum) e pelos Estados Unidos
(Standard Oil), permanecia oficialmente sob total controle da Romênia, cujo
governo recebia uma percentagem dos lucros das companhias petrolíferas.
Embora ainda recente, aquela indústria mantinha uma produção anual superior a
um milhão de toneladas de óleo bruto, principalmente da região de Campina,
situada ao norte de Ploesti. As refinarias de maior capacidade estavam agora
produzindo gasolina, parafina, óleos finos e espessos e vaselina, e um
oleoduto percorria cerca de 240 km desde Ploesti até Constanta (Constância),
no mar Negro. O valor anual do comércio petrolífero (metade do qual era
exportado) atingia dois milhões de libras. A Romênia dependia, sem dúvida
alguma, do investimento financeiro alemão para manter sua indústria
petrolífera, mas a Alemanha também dependia dela para o fornecimento de
alguns produtos que lhe eram necessários em tempos de guerra. E nisso entrava
particularmente o petróleo. As tentativas de produzir na própria Alemanha
bemol e óleo de baixa temperatura não conseguiram compensar sua grande
necessidade de petróleo bruto. Antes da guerra, 93 por cento dos seus
suprimentos de óleo mineral provinham de outros países - cerca de metade dos
Estados Unidos e apenas um décimo da Romênia. Uma vez iniciadas as hostilidades,
embora os Estados Unidos permanecessem neutros, a incerteza quanto ao
abastecimento contínuo por aquele país levou a Alemanha a olhar cobiçosa
para a fonte mais acessível, a Romênia, que talvez não tivesse a capacidade
de resistir a forte pressão. Pelo simples acidente de localizar petróleo
dentro das suas fronteiras, a Romênia viu, mais uma vez, a observá-la com
atitudes de ave de rapina, uma poderosa nação européia. Em fins de 1914, ainda
desconfiada quanto às intenções da Bulgária e da Rússia, a Romênia também
encarava com dúvidas os avanços austro-húngaros na direção do seu vizinho
ocidental, a Sérvia, e observou um tanto receosa o envolvimento do seu velho
dominador, a Turquia, no conflito internacional. Os laços financeiros talvez
sugerissem sua aliança com a Alemanha, mas a Romênia também mantinha
ligações culturais e comerciais com a Grã-Bretanha e a França; e, além
disso, a Hungria e a Rússia, com as quais disputava a Transilvânia e a
Bessarábia, respectivamente, encontravam-se em lados diferentes. Portanto,
restava à Romênia decidir-se pela neutralidade, e, para dar ênfase à sua
escolha, proibiu a exportação de gasolina e óleos espessos para os países
beligerantes. A princípio as companhias alemães e austríacas praticaram
algum contrabando, por preço exorbitante, mas passado um ano, e a guerra
prolongando-se, a Romênia tinha armazenado tão grandes estoques de produtos
refinados, que foi obrigada a permitir algumas exportações, imparcialmente,
para ambos os lados. Desse modo, as instalações de refinação podiam ser
usadas para o processamento de óleo mais bruto. A Alemanha e a Áustria ofereceram
produtos para troca, mas a Romênia insistiu no pagamento em dinheiro e a Alemanha
se viu obrigada a pagar 40 libras por tonelada da gasolina que recebia. No decorrer do segundo ano
da guerra, em parte contrariada com esse tratamento, a Alemanha esteve a
ponto de atacar a Romênia. A Áustria já recuperara seus campos petrolíferos
galicianos da Rússia, mas eles forneciam apenas 50.000 toneladas mensais, o
que não podia satisfazer as urgentes necessidades das Potências da Europa
Central. Só a área de Ploesti refinou 1 ½ milhão de toneladas de petróleo
bruto em 1915, com um quarto dessa quantidade sendo produzido na forma de
gasolina. Contudo, enquanto a Romênia continuasse fornecendo os óleos e
cereais de vital necessidade para a Alemanha, a despeito do preço alto
estabelecido para essas compras, a invasão não seria necessária e, de
qualquer modo, em termos militares, até seria insensata antes que se
cuidasse da Sérvia. Enfrentando toda espécie
de pressão diplomática, a Romênia conseguiu permanecer neutra ainda por
dois anos. Mas em meados de 1916, enquanto a ofensiva do general russo
Brusilow desfrutava de sucesso momentâneo, os britânicos também haviam, por
instantes, conseguido avançar um pouco no Somme e os italianos (agora afiados
às Potências da Entente) faziam o mesmo no Tirol. A Romênia então concluiu
que já era tempo de intervir e informou ao ministro francês em Bucareste que
se uniria aos Aliados se pudesse contar com a assistência das tropas russas
ou de forças anglofrancesas que estavam em Salônica, contra a Bulgária (já
envolvida no lado alemão). Diante destas condições, houve enorme descontentamento
no meio diplomático e somente a 17 de agosto de 1916 é que se assinou uma
convenção, em que a Romênia prometia declarar guerra contra a Áustria-Hungria
e desfechar uma ofensiva para o norte, pela Transilvânia; a Rússia engajavase
a enviar três divisões para a Dobruja, e a Grã-Bretanha e a França montariam
uma expedição, partindo de Salônica. Politicamente, a Romênia tinha
garantidos o Banato, a Transilvânia, a Planície Húngara até o rio Tiza e a
Bucovina até o rio Pruth - uma recompensa maravilhosa que refletia o alto
valor que seu petróleo representava. Dez dias após a assinatura do tratado, a
Romênia, segundo o prometido, declarou guerra à Áustria-Hungria, e recebeu,
em troca, uma avalancha de contradeclarações da Alemanha, Turquia e
Bulgária. Infelizmente para a
Romênia e seus novos aliados, os sucessos em pleno verão das tropas russas
logo foram interrompidos: Brusilov deu início a uma retirada inglória, outros
ataques russos no norte fracassaram e os italianos foram repelidos. Os
alemães também previram a estratégia romena: o General Falkenhayn recuou com
seus exércitos, do norte, à medida que o Feldmarechal von Mackensen cruzava
o Danúbio ao sul. Embora os romenos se mantivessem firmes nos passos
montanheses ao sul de Brasov, a 8 de outubro já haviam sido expulsos das
suas primeiras conquistas na Transilvânia e 15 dias depois Mackensen
apoderou-se de Constanta e seus tanques cheios de óleo. Bucareste, a capital,
caiu a 6 de dezembro e em pouco os remanescentes dos destroçados exércitos
romenos evacuaram a Dobruja e recuaram para a pequenina ilha fluvial no
nordeste da Moldávia, entre os rios Siret e Pruth. O breve namoro da Romênia
com a guerra estava praticamente terminado. A Alemanha já nomeara um
Governador-Geral Militar da Romênia para prover as necessidades das
Potências Centrais "ilegalmente isoladas" do alto-mar pela Marinha
Britânica. E o petróleo ocupava um lugar preponderante na sua lista de
requisições. Uma vez evidenciado que a
poderio militar romeno era algo ilusório e que a Alemanha estava com as
mãos nos suprimentos de petróleo que poderiam afetar drasticamente o curso de
toda a guerra, o governo britânico tomou providências para impedir o acesso
de produtos petrolíferos aos seus inimigos. A natureza elementar do
desenvolvimento dos aviões na época não facilitava quaisquer planos de
bombardeio para neutralizar os poços e as refinarias: a sabotagem
apresentava-se como única escolha. Os romenos, entretanto, haviam decidido
destruir as instalações, se a derrota parecesse iminente, e organizaram uma
comissão para cumprir essa tarefa. Mas chegado o momento, a comissão
recusou-se a agir e o Tenente-Coronel C. B. Thompson, Adido Militar
Britânico em Bucareste, informou a Londres que, com os alemães aproximando-se
de Ploesti, os poços e as refinarias permaneciam intatos. Na terceira semana de
outubro, quando as forças alemães e búlgaras entraram em Constanta, era
impossível enviar um corpo de tropas britânicas para concretizar a destruição.
Talvez somente a Grã-Bretanha, com sua propensão a herói romântico de
história em quadrinhos, poderia ter produzido um John Griffths, cuja
biografia já se assemelhava muito às páginas de ficção. Aos 17 anos de idade,
tendo já servido como marinheiro, chegou à Austrália onde ganhou a vida
trabalhando em minas naquelas áreas remotas. Depois mudou-se para a África do
Sul e ali, após alguns anos, estabeleceu-se como engenheiro, comandou um
corpo de exploradores na Guerra de Matabele, serviu como
comandante-de-esquadrão na Força de Campanha Sul-Africana e mais tarde no
estado-maior do Lorde Roberts na Guerra dos Boers. Freqüentemente em ação,
Griffiths foi mencionado três vezes em despachos e recebeu a Medalha e
passadeira da Rainha. Depois da guerra, em 1902, ele reiniciou seu trabalho
como empreiteiro de engenharia. Aí, para a maioria dos homens, a história
teria terminado, com o resto dos seus dias vividos em tranqüila vida
familiar. Mas a inatividade não
agradava a Griffiths, então com trinta anos. Três anos depois ele construiu
o primeiro trecho da ferrovia de Benguela, na África Ocidental Portuguesa,
após o que participou em projetos nos Estados Unidos e diretorias de firmas
britânicas. Em 1910, ingressou na Câmara dos Comuns como Membro do Parlamento
por Wednesbury, onde, devido à atenção que dedicava a assuntos imperiais,
tornou-se conhecido como "Empire Jack". No começo da guerra,
organizou, equipou e pagou a formação de um regimento de cavalaria e pouco
depois propôs que os mineiros de carvão e outros trabalhadores em minas
fossem recrutados para serviços de escavação de minas na frente das
trincheiras. Uma quinzena após a aprovação desse plano pelo War Office, ele
já tinha quatro companhias básicas trabalhando na frente. Em junho de 1916,
como major anexado ao estado-maior do Q-G-Geral, Grifiths tinha 25.000 homens
empregados em atividades de mineração sob seu controle e foi o maior
responsável pelo planejamento das operações de abertura de túneis sob a Cota
60 e na Crista de Messines. Três vezes mencionado em despachos, ele foi
agraciado com a Ordem do Serviço Distinguido e a promoção a tenente-coronel.
John Griffiths parecia ser uma dádiva dos céus para os que enfrentavam a
necessidade urgente de paralisar a indústria petrolífera romena. Por ordem do Diretor do
Serviço de Inteligência Militar e levando consigo a promessa do Tesouro de
que a Grã-Bretanha compensaria os danos causados à maquinaria e instalações,
Griffiths partiu para Bucareste. De modo incrível, ele viajou numa belonave
britânica até a Noruega, e depois por terra e mar até Moscou passando pela
Suécia e Finlândia. De Moscou, ele e seu ordenança (a única pessoa que o
acompanhou na viagem) foram de trem até a fronteira. Não encontrando transporte
oficial ali, ele requisitou, à força de um revólver, um carro e dirigiu-o
até a capital, onde chegou após uma exaustiva viagem de 6.400 km em 19 dias.
As tropas alemães encontravam-se a menos de 160 km dali e os inúmeros refugiados
apavorados enchiam as ruas de Bucareste. Griffiths verificou que o governo
se impressionara pelas garantias de compensação, mas que os interesses
comerciais, que eram a Royal Dutch/Shell e a Standard Oil, por exemplo,
estavam preparados para obstruí-o. Não vendo qualquer futuro
nas negociações em Bucareste, com os alemães convergindo de quase todos os
lados, Griffiths viajou cerca de 60 km até Ploesti e dali para noroeste,
para Targoviste, situada no sopé das montanhas. Ali, ele juntou-se à Comissão
de Petróleo Romena, que se recusou rudemente a destruir as instalações
petrolíferas, mesmo que os Aliados sofressem com isso. Em particular, porém,
Griffiths teve garantido o apoio da família real. Ele agora preparava os
planos para a destruição sistemática da indústria petrolífera romena,
baseado em conselhos de Londres que sugeriam o uso de pessoal inglês no
momento trabalhando nos campos petrolíferos. Na fábrica controlada pelos
britânicos perto de Targoviste, ele assinou um termo de garantia de
compensação em nome do governo britânico e conseguiu o número de homens
necessários para ajudá-lo na tarefa. Famílias foram evacuadas, canais
profundos foram cavados até a refinaria e inundados de gasolina, à qual então
se ateou fogo. Grupos foram despachados para outros campos petrolíferos e
refinarias para derrubar torres, lançar blocos de metal e lixo dentro dos
poços e mandar oleodutos pelos ares, enquanto Griffiths ia novamente para o
sul. A refinaria de Seaua Romana, em Campina, e a de Astra Romana, em
Ploesti, foram inundadas de gasolina e incendiadas: ambas seriam os
objetivos principais de 14 de agosto de 1943. Griffiths mal conseguia
manter-se à frente da perseguição da cavalaria alemã ao seu carro
requisitado, mas numa ocasião ele foi preso pela Comissão de Petróleo Romena,
tão ansiosa quanto os alemães por detê-lo em seu trabalho de devastação pelos
seus vales. Uma vez mais, seu revólver mostrou-se eficiente e ele escapou. Assim, no dia em que
Mackensen entrou em Bucareste, nuvens de fumaça negra e densa escureciam o
céu setentrional. Duzentas milhas quadradas de terra foram incendiadas e
enquanto Griffths se afastava, ele sabia que os suprimentos imediatos de óleo
haviam sido negados aos alemães. Um homem destruíra a capacidade de produção
romena e causara prejuízos no valor de 56 milhões de libras. Em meados de
1918, 18 meses mais tarde, os alemães afirmavam ter recuperado dois terços da
produção, porém um número mais realista seria de 15 por cento. O General
Falkenhayn calculou que estes suprimentos perdidos equivaliam a uma grande
derrota militar em campanha. Por seus feitos, Griffiths
(em 1918 ele tomou o nome de Norton-Griffths) foi agraciado com o título de
Cavaleiro Companheiro da Ordem do Banho e oficial da Legião de Honra,
recebendo também a Estrela da Romênia e a Ordem de São Vladimir da Rússia
(Terceira Classe). Tentando repetir suas façanhas na Segunda Guerra Mundial,
os Aliados precisaram utilizar quase 2.000 aviadores. Planos frustrados Embora o Rei Ferdinando conservasse
o controle político dos pequeninos remanescentes do seu reino depois que seu
derrotado exército recuou para a outra margem do rio Siret, ele só o
conseguiu por cortesia da Rússia, pela qual os romenos alimentavam um ódio
muito antigo. Quando o Czar Nicolau II abdicou, em março de 1917, porém,
Ferdinando procurou amenizar a hostilidade do seu povo pelos seus protetores,
na esperança de que o novo governo russo ajudasse ativamente na recuperação
de território romeno. Ele também prometeu a reforma agrária na Romênia para
despertar o entusiasmo nacional na tarefa de reconquista. Mas nem os
exércitos russos nem os romenos mostravam-se ansiosos por reiniciar a
batalha e, em outubro, Lenine e os bolcheviques, empenhados na conquista da
paz, tomaram o controle de Petrogrado. Pouco depois, a Rússia assinou o
armisticio com as Potências Centrais, ao qual a Romênia, inevitavelmente,
aderiu. Qualquer tênue esperança
de que o reinício de hostilidades pudesse ocorrer e permitir a Ferdinando a
recuperação de todo o seu reino logo foi destruída. Em março de 1918, Lenine
celebrou o Tratado de Brest-Litovsk, que excluiu a Rússia da guerra. Indefesa, a Romênia foi
então obrigada a assinar o humilhante Tratado de Bucareste, que desarmou a
maior parte do seu exército e entregou o grosso do seu equipamento às
Potências Centrais. Nominalmente, a família real romena governaria a
Moldávia de Jassy. Isto deixava a indústria petrolífera da Valáquia em mãos
inimigas. Portanto, ironicamente, o
trabalho de Griffiths mostrou-se benéfico para os alemães, que puderam
substituir a maquinaria destruída pelas suas, havendo então da parte deles
controle mais completo da indústria petrolifera. A Romênia foi obrigada a
assinar um Acordo do Petróleo, suplementar às cláusulas políticas do Tratado
de Bucareste. Como resultado disso, praticamente todas as ferrovias, as ricas
terras agrícolas e instalações petrolíferas (campos e refinarias) passaram
para as mãos da Alemanha e Áustria-Hungria. Uma nova Companhia de Arrendamento
de Campos Petrolíferos conseguiu os direitos amplos e exclusivos por trinta
anos, com opção para renovação por mais dois períodos da mesma duração. O
máximo de um quarto das ações da companhia seria oferecido ao governo
romeno, que poderia transferi-las para companhias particulares se assim o
desejasse. Contudo, a Alemanha e a Áustria-Hungria asseguraram-se de uma
influência controladora dando ações preferenciais com valor de voação
cinqüenta vezes maior e que ficariam exclusivamente à sua disposição. Uma
série de cláusulas complicadas deu à Companhia de Arrendamento de Campos
Petrolíferos a posse de todo o equipamento, o poder de determinar os preços e
isenção praticamente absoluta de impostos: o governo romeno recebia apenas
quatro leis por tonelada de produtos petrolíferos exportada e 3,40 leis por
óleo bruto exportado. Portanto, os
acontecimentos de 1916-18 tiveram um efeito considerável sobre a indústria
petrolífera romena, cujo desenvolvimento teria tomado rumo bem diferente se
as Potências Centrais não tivessem sido finalmente derrotadas na Europa
Ocidental. Somente após seu colapso é que o governo romeno saiu dos limites
de Jassy. A 14 de dezembro de 1918, o rei finalmente retornou a capital de
onde fugira dois anos antes, descobrindo que a restauração e reabilitação
seriam ajudadas por um fato importante, A despeito da sua falta de distinção
militar e do aparecimento fugaz nas listas, a Romênia apoiara o lado
vencedor. Assim, dos acordos de paz, ela saiu grandemente ampliada. Com a
aquisição da Transilvânia, Bucovina e Bessarábia, a Romênia dobrara seu
território e sua população. Não obstante, mesmo com a posse das empresas
industriais na Transilvânia e na Bucovina, apenas 10 por cento da população
da "Grande Romênia", como se tornou conhecida, estavam empregados
na indústria; e a pressão pela reforma agrária continuava sendo fator primordial
nos assuntos romenos, pois 75 por cento das propriedades rurais do pais ainda
eram inferiores a cinco hectares e muitas consistiam de faixas esparsas onde
se adotavam métodos agrícolas incipientes. Com a Hungria, Rússia e Bulgária
abertamente hostis e comprometidas na recuperação das suas províncias
perdidas, a Romênia dependia seriamente do apoio político aliado após a
Primeira Guerra Mundial; ademais, como a maioria dos países europeus
devastados pela guerra, ela precisava fazer grandes empréstimos a terceiros. Os ajustes do pós-guerra
deixaram a Romênia com um problema interno muito sério. Ela herdara vários
grupos raciais minoritários; a Transilvânia tinha mais de dois milhões de
magiares e alemães, a Bessarábia, meio milhão de ucranianos e a Dobruja,
250 mil búlgaros. Assim, um quarto da sua população vinha de origem
não-romena. Em comum com outros estados que haviam adquirido minorias
semelhantes, como a Polônia, a Tchecoslováquia e a Iugoslávia, a Romênia
garantia "total e completa proteção da vida, raça e liberdade de todos
os habitantes, sem discriminação de nascimento, nacionalidade, língua, raça
ou religião". Mas a concentração em empreendimentos comerciais na velha
Romênia e o desenvolvimento de um sistema de comunicações destinado mais a
servir Bucareste do que às regiões circunjacentes, não lograram convencer as
minorias da Romênia do cumprimento desta promessa. Em 1921, Romênia,
Tchecoslováquia e Iugoslávia assinaram a chamada Pequena Entente em prol da
defesa mútua contra nações que pudessem tentar aproveitar-se da
insatisfação das minorias para rever os acordos de paz, celebrando também
uma aliança com a França. Ainda havia outras
preocupações internas. Os pequenos camponeses foram bastante castigados nos
anos de depressão econômica do pós-guerra e a crescente mutabilidade
industrial causava particular preocupação. O Partido Comunista Romeno foi
oficialmente fundado durante esse período de crise em Ploesti, em 1922.
Embora a princípio exercesse pouca influência política, soube aproveitar-se
da implacável repressão governamental das greves e demonstrações, sobretudo
depois que vários trabalhadores foram mortos num incidente em Lupin, em 1929.
Tampouco as atividades da família real contribuíam para haver estabilidade política
nessa época. O dissoluto herdeiro do trono, Carol, renunciou a todos os seus
direitos de herança, deixou a pátria e foi divertir-se no exterior. Assim,
três anos depois da ascensão de seu filho mais novo - Miguel - ao trono (que
mais tarde visitaria os prisioneiros de guerra americanos após o ataque a
Ploesti), organizou um golpe no país, depôs Miguel e reocupou o trono em
1930. Passados cinco anos depois
desses acontecimentos, a atitude de Hitler na Alemanha e sua arrogância
perante a Liga das Nações eram motivo de inquietação na península balcânica,
embora os ódios e ciúmes mútuos que minavam suas nações impedissem quaisquer
medidas importantes de autoproteção. O acordo estabelecido entre Turquia,
Iugoslávia, Grécia e Romênia, em 1934, estava tão cheio de cláusulas e
seriamente enfraquecido pela não-concordância da Bulgária, que a
possibilidade de nova intervenção política e militar alemã nos Balcãs parecia
inevitável. Por conseguinte, a Romênia restabeleceu relações diplomáticas com
a Rússia (agora URSS). Entrementes, uma organização pró-fascista, a Guarda
de Ferro, que prometera aliar-se à Alemanha e Itália assim que conseguisse o
poder, estava conquistando influência dentro da Romênia e tornava-se rival
dos comunistas. Mas, por meio de uma série de hábeis manobras, Carol II
conquistara poderes virtualmente ditatoriais em 1938, quando partiu em
viagem pela Europa. Convencido de que Grã-Bretanha e França seriam
finalmente as vencedoras em caso de guerra, ele, não obstante, estava
decidido a fortalecer seus laços com Hitler para maior segurança. Assim,
informou-se o seguinte sobre o encontro de Carol com Hitler: "O Rei da
Romênia... particularmente desejava manter e consolidar boas relações com o
atual Reich Alemão". Esta bem-aventurada
coexistência não durou muito. Pouco depois que Carol retornou à Rmênia, os
prisioneiros, líderes da Guarda de Ferro, foram fuzilados, ostensivamente, ao
tentarem fugir. A fúria do Führer só amainou quando a Romênia se dispôs a
fazer-lhe concessões econômicas, uma das quais referia-se à expansão da
fábrica de aviões Junker em Brasov. Este não era exemplo isolado de interesse
econômico, pois no começo da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha tinha
investidas consideráveis somas na economia da Romênia, através de várias
empresas, desde as dedicadas à soja até minas de prata. As exportações de
trigo da Romênia para a Alemanha aumentaram de maneira considerável nos anos
30 e a Alemanha procurou tornar aquele país ainda mais dependente dela,
quanto à obtenção de alguns produtos manufaturados, recusando-lhe, no
entanto, permissão de produzi-los mesmo sob licença. Em março de 1939, um
tratado comercial bilateral favoreceu a criação de novas empresas mistas destinadas
a explorar os recursos naturais da Romênia, ao qual a França foi contrária e
assinou também um tratado com esse país e com a Grã-Bretanha, enviando
apressadamente uma missão a Bucareste. Contudo, a despeito de todos os
esforços empregados pela França e pela Grã-Bretanha, em 1939, 39,3 por cento
das aquisições feitas pela Romênia vinham da Alemanha, que, por sua vez,
recebia 32,3 por cento do que aquela exportava. Uma causa especial de preocupação
constante era a dependência romena da Alemanha para o fornecimento de armas.
Na verdade, a Romênia não tinha como escolher, pois a Alemanha decretara que
o pagamento de certos produtos e materiais recebidos de outros países seria
feito em armas, não em dinheiro. A indústria petrolífera
atraía particular atenção da Alemanha. Em 1935, ela adquiriu 600.000
toneladas desse produto, da Romênia, e, assim, tornou-se seu maior cliente.
Reagindo logo após, a França concordou em comprar 750.000 toneladas
anualmente e, dessa forma, superar a Alemanha na transação. Este jogo de
carniça econômica foi realizado contra um fundo de perene controle
estrangeiro do petróleo romeno: pois dos 14,5 milhões de libras de capital
por ações das 150 companhias envolvidas, somente 9,7 por cento representavam
investimento interno. Além disso, embora no começo da guerra a Alemanha
estivesse recebendo apenas um terço das suas importações de petróleo da
Romênia, era significativo o fato de que as exportações petrolíferas daquela
fonte excediam as necessidades alemães em tempos de paz. Mas era pouco
provável que a Romênia, sozinha, pudesse suprir os alemães na guerra: sua
produção anual aumentara de cerca de cinco milhões de toneladas em 1929 para
pouco menos de oito milhões em 1936, mas a tonelagem total para 1938 foi de
apenas 6,5 milhões: isto sugeria que a produção talvez tivesse ultrapassado
seu ponto culminante. Em 1937, a Alemanha importou pouco mais de 3,5 milhões
de toneladas de derivados do petróleo. Portanto, no começo da
Segunda Guerra Mundial, como em 1914, a Romênia estava em termos comerciais e
financeiros comprometida em alto grau com a Alemanha, mas sentimentalmente
ligada à Grã-Bretanha e França. Isto era bem válido quanto à segunda, cujo
sistema de comunas servia de modelo para o governo local romeno e cuja
influência podia ser vista no Arco do Triunfo de Bucareste e nos hábitos
sociais das classes altas romenas. A derrota da França e a provável queda da
Grã-Bretanha, em meados de 1940, despojaram a Romênia de forte apoio político
na arena internacional, embora se mantivessem firmes as relações oficiais com
a Grã-Bretanha e a França de Vichy. A URSS logo aproveitou a oportunitiode
para exigir a secessão da Bessarábia e da Bucovina: o que não era de surpreender,
considerando-se a então amizade vigente de Hitler com Stalin, e um apelo da
Romênia, de ajuda, a Berlim fracassou. As duas províncias foram entregues
sem luta, a Romênia renunciou à garantia anglo-francesa de 1938, um gabinete
pró-alemão foi empossado e os membros da Guarda de Ferro puderam desfilar
abertamente pelas ruas. Logo após as exigências russas, vieram as
reivindicações da Bulgária e Hungria, que, após a "mediação"
ítalo-germânica em Viena, receberam a Dobruja meridional e 17.000 milhas
quadradas da Transilvânia, respectivamente. No período de dois meses, a Romênia
abrira mão de um terço do seu território, três milhões de romenos e dois
milhões de não-romenos. Não era confortador saber que a Alemanha e a Itália
garantiam o que restava. Embora Carol II fosse então obrigado a abdicar em
favor de seu filho Miguel, nem assim a tão abalada e perigosa política da
Romênia melhorou, pois o verdadeiro poder estava nas mãos do primeiro-ministro
pró-fascista, General Ion Antonescu. Os poucos engenheiros britânicos que
ainda ali estavam foram expulsos dos campos petrolíferos, às vezes após maus
tratos físicos. O interessante, porém, é que Hitler recusou o pedido da
Itália concernente à intervenção em grande escala nos Balcãs, receando que a
Grã-Bretanha viesse a estabelecer bases na península de onde poderia
bombardear as instalações petrolíferas. Em setembro de 1940 tropas
alemães entraram na Romênia, oficialmente como uma missão militar a pedido
de Antonescu com o fim de proteger as instalações industriais. Hitler já
estava alarmado com a deterioração das relações alemães com a URSS e bastante
cônscio de que, após a ocupação da Bessarábia, os aeródromos russos estavam a
apenas 160 km de Ploesti. Significativamente, ao conceder livre trânsito
pelo seu território às tropas alemães, a Hungria percebeu que a razão disso
era proteger os campos petrolíferos romenos. A despeito dos esforços
despendidos para disfarçar o fato, a Romênia fora efetivamente ocupada; e,
pouco depois, juntamente com a Hungria, aderiu ao Pacto Tríplice de
cooperação entre Alemanha, Itália e Japão. A indústria petrolífera
romena logo ficou sob rigoroso controle alemão. A Companhia Kontinentale,
empresa alemã cujas ações pertenciam a industriais e ao governo alemães, foi
criada para administrar as companhias estrangeiras expropriadas e a Alemanha
apressou-se em responsabilizar-se pelas ferrovias romenas e pelo tráfego no
Danúbio. Os distúrbios em Bucareste em janeiro de 1941, esmagados por
tanques alemães, contribuíram para um aumento franco da presença de elementos
do Eixo; e, havendo então agora cerca de 500.000 soldados alemães no país, a
posição diplomática britânica tornou-se insustentável. A 14 de fevereiro de
1941, as relações entre Grã-Bretanha e Romênia foram cortadas, criando um
temor generalizado, mas errôneo, de que ataques aéreos aos campos
petrolíferos eram iminentes. Mas só a 7 de dezembro é que a Grã-Bretanha
realmente declarou guerra e três dias depois a Romênia fez o mesmo com os
Estados Unidos. Entrementes, em junho de 1941, a Romênia juntara-se à
Alemanha numa "guerra santa" contra seu velho antagonista, a
Rússia, e durante as primeiras fases da "Operação Barbarossa"
recuperara a Bucovina e a Bessarábia. Foi sua rejeição e um virtual ultimato
por parte da Grã-Bretanha para que recuasse para oeste do Dniester,
seguindo-se outros avanços, que levou à declaração de guerra e fez a
Grã-Bretanha pensar novamente num modo de impedir que o petróleo romeno
chegasse à Alemanha. Era inevitável que, em conexão
com esse objetivo, Ploesti fosse atração especial. Situada a 256 km a oeste
do mar Negro e a 112 km ao norte do Danúbio, a cidade fica na entrada do vale
de Prahova, 56 km a noroeste de Bucareste e 80 km a sudeste de Brasov, onde a
planície da Valáquia eleva-se até os Alpes da Transilvânia. Restos arqueológicos
sugerem ter havido ali ocupação humana na Idade do Bronze, mas só em 1503 é
que Ploesti aparece nos mapas como aldeia, derivando tradicionalmente o seu
nome de um pai e sete filhos que fugiram da Transilvânia. Quase cem anos se
passariam até que ela adquirisse o status de cidade, sob o reinado de Miguel
o Bravo. Encontrada nas coordenadas 44º 56' N, 26º 02' E, Ploesti
apresenta-se oficialmente situada a 165 m acima do nível do mar, mas sua
altitude, na verdade, varia de 184 a 158 m de norte para sul e de 197 a 157
de oeste para leste - variações importantes quando se considera um ataque
aéreo desfechado de altitude mínima. A população em 1941 era de 100.000
habitantes, embora os alemães logo evacuassem o pessoal considerado
dispensável. Seus distritos industriais abrangiam cerca de 15 milhas
quadradas. Nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, a cidade consistia
de fileiras arrumadas de ruas e amplas avenidas (como a Avenida da Independência,
que ia desde o centro até a estação Sul de Ploesti), orladas de árvores e
casas baixas pintadas de branco, e com o horizonte pontilhado de torres de
igreja, chaminés de fábricas e torres de petróleo. Da praça central, dominada
por duas igrejas ortodoxas e uma estátua que recorda a fundação da Romênia,
12 estradas principais seguiam para cidades como Pitesti, Buzau, Bucareste e
Constanta. Vista do ar, a planta de Ploesti lembrava uma roda de 6,4 quilômetros
de diâmetro com os raios formados pelas estradas, e as linhas férreas, que
cercavam toda a cidade, representando o aro. A cidade era dominada por
refinarias de petróleo que, por sua vez, a orlavam do lado de fora das linhas
férreas. Afastados das refinarias ficavam os campos, onde se cultivavam
milho e tubérculos. A uns três quilômetros para noroeste da cidade passava o
rio Teleajen, com 800 m de largura, um tributário do Ialomita, que desemboca
no Danúbio no seu curso norte para Galatz. Descendo no sentido noroeste para
sudeste, e atravessando o interior de Ploesti, havia o rio Dambul, que era
menor. Além das várias estradas, seis ferrovias partiam do círculo de trilhos
que ligavam as refinarias da orla da cidade aos campos petrolíferos e outras
áreas da Romênia. A 29 km a noroeste de
Ploesti, na linha férrea que segue para Brasov, ficava Campina, onde se
erguia a refinaria de Steaua Romana. Cinco quilômetros para o sul, a oeste da
linha para Bucareste, e tendo a forma de uma ponta de flecha com 1.200 m por
800 m, estava a refinaria do Credituel Minier, so subúrbio de Brazi. Na orla
norte da propria cidade de Ploesti via-se a refinaria de Concordia Vega, com
240 acres, bem a leste da ferrovia que vai para Valenii de Munte. A 800 m a
sudeste desta, também do lado externo do círculo ferroviário, havia duas
pequenas refinarias, Cometa e Redeventa, dentro de um complexo de 40 acres;
e a 1.200 m mais a sudeste delas ficava a pequena instalação de Dacia Romana.
A oeste da cidade, a meio caminho entre as ferrovias que levam a Campina e
Valenii de Munte, encontrava-se a isolada refinaria de Xenia, com cerca de 80
acres, perto da estação Noroeste de Ploesti. No lado sul da cidade havia um
grupo de refinarias: Columbia Aquila, com 160 acres, dentro do círculo dos
trilhos - a única situada desse lado das linhas férreas - perto da estação
Oeste de Ploesti, separada por um espaço de 800 m e pela ferrovia que vai
para Brazi e Bucareste, e um complexo vasto e de forma irregular situado a
leste, contendo as refinarias de Astra Romana, Unirea, Orion e Lumina. Por
sua vez, a 800 m mais para leste, ficava outro complexo espalhado por uma
área de 160 acres, contendo o Standard Petrol Block e a Unirea Sperantza -
entre estes dois últimos complexos ficava a estação Sul de Ploesti, com seus
extensos pátios de manobra formando um alvo tentador. Situadas entre as
refinarias que estão em torno de Ploesti encontravam-se várias estações de
recalque e de bombeamento. Uma refinaria ficava totalmente isolada: a Romana
Americana, cobrindo 400 acres, situava-se a 1.200 m a nordeste da estação
Teleajen que, por sua vez, ficava a cinco quilômetros do centro de Ploesti e
a 1.600 m além dos trilhos circunjacentes. Em ordem de importância,
sete dessas refinarias podiam ser consideradas alvos de valor. A Astra
Romana, originariamente controlada pela Royal Dutch/Shell, tinha uma unidade
de craqueamento moderna, capaz de produzir gasolina de aviação de 87
octanas. Dentro dos seus limites havia importante estação de bombeamento para
o oleoduto de Giurgiu; e perto dali ficava o entroncamento das ferrovias para
Campina, Bucareste e Buzau e a estação Sul de Ploesto, com seus grandes
pátios de manobra. A seguir vinha a Concordia Vega, antes sob controle de
interesses franceses e belgas e a única refinaria romena com equipamento de craqueamento
capaz de produzir óleo lubrificante de boa qualidade; além disso, e de
importância vital, dentro dos seus limites ficavam instalações de bombeamento
que distribuíam todo o óleo bruto vindo dos campos petrolíferos para as
outras refinarias de Ploesti. A Romana Americana, anteriormente sob controle
dos Estados Unidos, continha equipamento dos mais modernos, unidades de
craqueamento e usina de força para a estação de bombas que serviam os
oleodutos de Constanta; e a ex-britânica Unirea Orion, embora relativamente
pequena, tinha instalações de craqueamento modernas e era responsável pela
maior parte (embora não o melhor) do óleo lubrificante produzido na área. A
seguir em importância vinha Unirea Sperantza, também ex-britânica, junto da
Standard Petrol Block, ex-americana, ambas contendo instalações de
craqueamento e de óleo lubrificante. Finalmente, na própria Ploesti, ficava
a Columbia Aquila, construída por um consórcio anglo-americano, mas
controlada por franceses; produzia grande quantidade da produção de benzina
da Romênia, e com suas unidades de craqueamento e importante casa de
caldeiras, era um alvo compacto. Em Campina ficava a Steaua Romana, uma das
maiores e mais modernas refinarias da Romênia, anteriormente financiada pela
Companhia Petrolífera Anglo-Iraniana, com eficiente unidade de craqueamento
considerada a única fábrica importante de parafina do país. Em seguida vinha
a Credituel Minier, no subúrbio sul de Brazi. Dotada de aparelhagem moderna
de craqueamento, era a única refinaria capaz de produzir gasolina de aviação
de 100 octanas. Como todas essas refinarias já tinham sido de propriedade de
Aliados e dirigidas ou servidas por especialistas também aliados, era fácil
obter-se informações precisas sobre sua disposição e as posições das unidades
vitais de craqueamento, caldeiras e destilação. É de surpreender, em vista
do comércio romeno de antes da guerra com a Europa, em 1938, que 85 por cento
das exportações petrolíferas romenas passassem por Constanta, 10 por cento
pelo Danúbio acima e 5 por cento, pelas três ferrovias principais, para a
Europa Central. Em tempo de guerra, porém, a passagem dos Dardanelos para o
Mediterrâneo podia ser bloqueada por ação naval; por conseguinte, Constanta
deixou de ser tão importante assim e Giurgiu (situada no Danúbio a 130 km a
sudoeste de Ploesti) tornou-se o principal centro de distribuição para a
Europa. Um mínimo de quatro oleodutos levava óleo de Ploesti para Giurgiu,
mas esta rota era responsável por apenas um quarto da quantidade despachada
por ferrovia; isto porque todas as grandes refinarias de Ploesti possuíam
seus próprios ramais ferroviários e uma linha de trilhos duplos ia desde a
cidade até Giurgiu. Assim, as pontes ferroviárias e as barcaças do Danúbio
também constituiriam importantes alvos secundários. Independente das
dificuldades que já existiam, havia também argumentos poderosos em favor da
interrupção do envio de suprimentos das refinarias de Ploesti para a Alemanha.
Antes do começo da guerra as fontes de suprimento de óleo deste país já haviam
despertado considerável atenção. Em agosto de 1938 uma estimativa oficial
britânica situava suas importações de petróleo de todas as fontes em 4,5
milhões de toneladas, e talvez fosse preciso dobrá-las em tempo de guerra.
Seus suprimentos totais iam pouco além de sete milhões de toneladas, embora
houvesse apenas 552.000 toneladas de óleo bruto, vindos principalmente da
província da Vestfália, e 1.600.000 de derivados sintéticos da produção
interna. Esperava-se que, uma vez deflagrada a guerra, um bloqueio naval
viesse cortar da Alemanha todos os suprimentos externos, excetuando-se os da
Romênia e da URSS (cerca de 180.000 toneladas mensais ao todo). Na verdade,
a Romênia constituía uma presa muito mais importante do que as perspectivas
de 1938 indicavam, pois sua produção total chegava a 9,7 milhões de
toneladas. A captura desta indústria petrolífera, portanto, muito contribuiria
para satisfazer as necessidades calculadas da Alemanha de tempo de guerra que
chegavam a 11.700.000 toneladas anuais - embora esta previsão fosse em parte
invalidada pela aquisição de 1,5 milhão de toneladas de petróleo durante as
campanhas européias de 1940 e pela descoberta do campo petrolífero de
Prinzendorf, na Bacia de Viena, que ajudou a elevar a produção das provincias
austríacas para mais de um milhão de toneladas em fins de 1942. Poucos dias após o início
da guerra, em setembro de 1939, o governo britânico decidiu-se pela compra
imediata de excedentes dos estoques de petróleo da Romênia para preempção da
Alemanha, na suposição de que "a restrição dos suprimentos destinados à
Alemanha... talvez reduza a duração da guerra não em semanas, mas em
meses". Este plano, porém, encontrou dificuldades, pois os romenos
exigiram pagamento em dólares e os britânicos a princípio não concordaram
com isso; e logo ficou provado que a influência alemã em Bucareste pesava
muito mais do que se desconfiara. Por fim, concordou-se no pagamento em
fibras inconversíveis e as companhias britânicas foram autorizadas a
oferecer 50 por cento acima dos preços estabelecidos pela Gulf. Em fins de
1939 adquiriu-se certa quantidade e assinaram-se vários contratos a longo
prazo. Infelizmente para a Grã-Bretanha, quando tudo parecia correr muito
bem, a Romênia de repente racionou as exportações de petróleo, provando com
essa determinação, que chegara a um acordo firme com a Alemanha sobre o
fornecimento de petróleo e, a despeito do interesse francobritânico direto
na indústria petrolífera, não conseguira resistir à pressão alemã concernente
às exportações para outros países. Assim, diante do fracasso
da preempção, a Grã-Bretanha recorreu à diplomacia. Pediu à Romênia detalhes
completos de todas as suas transações comerciais com a Alemanha, e à luz da
resposta, revisaria o grau do seu próprio comércio com aquela nação.
Entrementes, como a Alemanha dependia muito do uso das barcaças do Danúbio
para o transporte da maior parte dos seus suprimentos de petróleo da
Romênia, arquitetaram-se planos para adquiri-las na maior quantidade
possível e com esse objetivo criou-se a Companhia Goeland. Pelo final de
1939, dos 382 rebocadores, 2.039 barcaças e 304 navios-tanques pertencentes
aos países que usavam o rio, 148 vasos haviam sido arrendados. Esta relativa
falta de sucesso, conseguida por meios pacíficos, em deter o tráfego do
petróleo pelo Danúbio levou ao exame de medidas mais extremas, como, por
exemplo, o uso de explosivos, que iriam bloquear o rio, ou despachar uma
força expedicionária para a Romênia, ambas as idéias sendo rejeitadas como
ineficazes em termos militares. O governo romeno, sem dúvida instigado pela
Alemanha, logo adotou atitude hostil para com a Companhia Goeland e para com
as empresas comerciais aliadas dentro do pais. A Grã-Bretanha, por sua vez reagiu
confiscando certos bens romenos do Reino Unido e retendo o envio de produtos
destinados à Romênia. Estava agora bem claro que as tentativas comerciais e
diplomáticas no sentido de impedir a remessa de óleo para a Alemanha
redundariam em permanente fracasso, dai os pensamentos voltarem-se para
medidas mais concretas e drásticas. Mesmo antes de se dar o
ataque alemão à Europa Ocidental, em maio de 1940, o primeiro-ministro
francês sugerira o bombardeio dos campos petrolíferos russos no Cáucaso para
cortar o abastecimento da Alemanha; e pouco depois que os Panzers penetraram
nos Países Baixos, o ministro britânico da Guerra Econômica concordou quanto
à conveniência de uma ofensiva aérea contra as fontes petrolíferas romenas.
A RAF bombardeou as instalações de óleo sintético da Alemanha que, mediante
os processos de Bergius de hidrogenação e de Fischer-Troppau, e do uso de
carvão, produziam 90 por cento de toda a gasolina de aviação de alta
octanagem usada pela Alemanha. Um ataque aéreo a essas fábricas, situadas, a
maioria delas, dentro do raio de ação dos bombardeiros britânicos das suas
bases da Inglaterra, mesmo após a queda da França, só podia dar ótimos
resultados. Em punho de 1940, o Estado-Maior da Força Aérea britânica achou
que uma redução das reservas de óleo da Alemanha para 500.000 toneladas
durante os três meses seguintes tornariam sua posição "extremamente
crítica" e, um mês depois, salientou que "os alvos petrolíferos
são muito vulneráveis". Por conseguinte, declarou-se oficialmente em
julho que " ... o petróleo é o elo mais frágil da economia de guerra da
Alemanha ... (e) a destruição dos recursos petrolíferos daquele país
continua sendo a base da principal estratégia ofensiva para a redução e o
deslocamento do seu potencial de guerra", com a esperança adicional de
que os alvos petrolíferos poderiam ser "seriamente avariados por um
ataque em escala relativamente pequena". O favorável ponto de vista
de que o bombardeio da RAF contra as fábricas de óleo sintético poderia ser
preciso e decisivo viria quando uma comissão presidida pelo Sr. Geoffrey
Lloyd concluiu em dezembro de 1940 que apenas 539 toneladas de bombas (6,7
por cento do esforço total do Comando de Bombardeiros da RAF) haviam reduzido
a produção de óleo sintético alemão em 15 por cento. Isto levou Sir Charles
Portal, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, a concluir que a destruição das
17 principais fábricas de óleo sintético no período de seis meses privaria a
Alemanha de 1,5 milhão de toneladas de óleo. Esta perda tornaria desnecessária
a ação contra a Romênia, embora, como escreveu Lloyd: "A única maneira
de se desfechar um golpe rápido e mortal contra a posição petrolífera do
inimigo está em destruir suas fábricas de óleo sintético e interceptar os
suprimentos romenos". Mais tarde um pouco, Lloyd sugeriu que se iniciassem
sabotagens na Romênia porque sua indústria petrolífera estava além do raio de
ação do tipo de aviões que os britânicos possuíam. Em princípios do ano novo,
o Comando de Bombardeiros da RAF foi informado de que "o único objetivo
primário da sua ofensiva aérea, até novo aviso, deveria concentrar-se na
destruição das fábricas de sintéticos alemães", e segundo a confiante
expressão de Sir Richard Peirse, Chefe do Comando de Bombardeiros da RAF,
"temos condições de fazer o que for necessário". Infelizmente, e
por várias razões, sua confiança mostrou-se por demais otimista. Logo se
tornou evidente o exagero dos cálculos apresentados por Lloyd sobre os danos.
O reconhecimento feito na véspera de Natal de 1940, depois que duas fábricas
de Gelsenkirchen foram atacadas por 296 bombardeiros que despejaram 262
toneladas de bombas (sem contar as incendiárias), não revelou nenhum dano
vital, e durante toda uma noite, em fevereiro de 1941, somente seis dos 22
Hampdens e sete dos 44 Wellingtons afirmaram ter bombardeado seus respectivos
alvos petrolíferos. Problemas de navegação, poderio das defesas inimigas,
além de falhas mecânicas, foram em parte os elementos responsáveis por esses
resultados decepcionantes, e a decisão britânica de se concentrar em
ataques noturnos a fim de reduzir a perda de aviões não ajudou na precisão
do bombardeio. Em abril de 1941, o Estado-Maior da Força Aérea Britânica
concordou que houve um erro médio de bombardeio de 1.000 m à noite e de 300 m
durante o dia, e quatro meses depois um relatório oficial concluiu que,
segundo os prognósticos da RAF, apenas um terço dos aviões haviam chegado aos
seus objetivos (não exclusivamente as instalações petrolíferas) embora
realmente a uma distância de 8 km deles, e que sobre o Ruhr o total fora de
um décimo. Além disso, as más condições do tempo reduziam drasticamente o
número de missões de bombardeio. Sir Charles Portal calculara haver
necessidade de 3.400 incursões para incapacitar as 17 principais fábricas de
óleo sintético, no prazo de quatro meses: mas, no período de seis meses, que
abrangia o último trimestre de 1940 e o primeiro de 1941, só se realizaram
646 investidas. Portanto, ao que tudo
indicava, era óbvio que, no momento, infelizmente, não se poderia obter
resultados decisivos no ataque às fábricas de óleo sintético alemães, e em
abril de 1942, o Coronel Oliver Stanley, Secretário de Estado britânico para
as Colônias, concluiu que as possibilidades então existentes não garantiam
um fim satisfatório para esse programa. Assim, ratificou recente avaliação
feita pelo Ministro da Guerra Econômica de que reduzir a produção de óleo do
Eixo em menos de 100.000 toneladas mensais não solucionaria o problema. No
início de 1942, concedeu-se novo auxílio para navegação de aviões, o Gee, e
com isso reavivou-se a esperança de êxito, mas em breve anulada por Sir
Charles Portal. Segundo seus cálculos, mesmo que todas as dez instalações
localizadas dentro do raio de ação do Gee fossem destruídas, ainda assim somente
7,6 por cento da produção alemã seriam afetados e diante das dificuldades que
teriam de enfrentar, isto não iria além de mero um por cento. Estando já provado que as
fábricas de óleo sintético não poderiam ser neutralizadas, a idéia de ação
direta contra a área de Ploesti entrou em franca discussão. Antes do fim de
1940, os britânicos haviam-se dedicado ao exame da possibilidade de incursões
aéreas. A 27 de novembro, Winston Churchill, o Primeiro-Ministro, dirigiu uma
minuta pessoal ao Chefe do Estado-Maior da Força Aérea admitindo que era
incerta a futura situação militar e política do sudeste europeu e sugeria que
"deveríamos começar imediatamente a estabelecer na Grécia uma equipe de
terra e depósitos-núcleos (sic), que facilitassem a pelo menos dois
esquadrões de Wellingtons bombardear os campos petrolíferos romenos",
acrescentando: "Já estamos em grande atraso nesses preparativos e não
convém novos adiamentos". No dia seguinte, Sir Charles Portal entrou em
contato com as autoridades da RAF no Cairo e na Grécia, observando que se a
neutralidade búlgara fosse violada, os campos petrolíferos romenos talvez
tivessem de ser bombardeados a curto prazo: e instruiu para que se tomassem
as providências necessárias no sentido de dois esquadrões de Wellingtons
executarem a tarefa, sugerindo o uso de aeródromos das ilhas gregas de
Lemnos e Mitilene no mar Egeu. No mesmo dia, em Londres, Portal concordou
com a inutilidade de anular os campos petrolíferos, o mesmo não acontecendo
em relação às refinarias situadas em torno de Ploesti, que seriam, elas sim,
"alvos muito bons". Por isso chamou a atenção do Diretor de Planos
para os mapas da área já disponíveis "há algum tempo" e instruiu
para que se fizesse um estudo de viabilidade com a ajuda de especialistas em
petróleo, a fim de decidir quanto ao tamanho das bombas, tipos de espoletas,
etc., necessários para empreender com êxito uma missão de bombardeio. No começo de janeiro de
1941, Anthony Eden, o Secretário de Estado das Relações Exteriores britânico
fez apreciações abordando o assunto. Ele observou que bombardeio ou
sabotagem eram meios possíveis de se lidar com a indústria petrolífera
romena. Se fosse escolhido
bombardeio, seria necessária a retirada do ministro britânico de Bucareste,
e qualquer ataque feito da Grécia iria violar o espaço aéreo iugoslavo ou búlgaro,
para constrangimento dos representantes diplomáticos desses países. Por
outro lado, um ataque aéreo para ter êxito precisava do elemento surpresa, e
a retirada de um ministro de qualquer um desses países poderia alertar as
defesas para a iminência de ação inimiga. Eden prosseguiu dizendo que
"se o bombardeio não for praticável imediatamente, a sabotagem, os
meios complementares, têm de ser a alternativa e explorados ao máximo",
insinuando também que este método evitaria reação internacional desagradável
a um ataque aéreo de preempção. "Os fatores tempo e surpresa são
igualmente vitais e não devem ser prejudicados por intervenção diplomática
não-relacionada com as duras realidades da guerra", continuou. Ele
esperava que, se capturados, os sabotadores não apontassem seus mandantes, e
sendo usada a sabotagem, o ministro britânico não teria de sair da Romênia.
Infelizmente, John Griffiths não estava presente com seus conselhos quanto
aos detalhes técnicos da tentativa dessa natureza. Sua morte fora tão
bizarra quanto sua vida. Em 1930, ele se suicidara num bote ao largo de Alexandria,
no mesmo ano em que o ex-adido militar que o apoiara em Bucareste pereceu no
desastre do dirigível R101. A 28 de janeiro de 1941,
estava pronta uma apreciação detalhada da capacidade da RAF de atacar
Ploesti. Três esquadrões de Wellingtons e dois de Blenheims estavam disponíveis
e poderiam ser acomodados em Larisa e Atenas (Menidi e Eleusis), tendo
Salônica (Sedes) para reabastecimento avançado, se necessário. Ploesti,
Bucareste e Giurgiu estavam ao alcance desses aeródromos, mas para fazer
incursões noturnas sobre as montanhas era preciso bom tempo, esperado apenas
para 10 a 12 noites nos meses de fevereiro e março. Usando bombas de 227
quilos, deveria haver uma carga mensal aproximada de 258 toneladas, mas
tendo-se em mente problemas de navegação e bombardeio, já experimentados na
Europa e que podiam reduzir a tonelagem realmente lançada sobre um alvo,
quatro meses seriam necessários para se atingir o objetivo planejado. Esta
previsão bastante sombria em nada melhorou com a informação
enviada pelo ministro britânico em Bucareste de que a Romênia possuía
capacidade de refinaria duas a três vezes mais do que realmente estava usando
então. Anexa a esta apreciação
operacional estava uma lista de alvos na ordem de importância, baseada na
quantidade de óleo bruto que cada uma processara durante 1939. Em primeiro
lugar vinha o complexo de Astra Romana, de Ploesti (1.844.000 toneladas),
servindo de atrativo os principais pátios de manobra da cidade localizados
ali perto; depois vinha a Concordia Vega (996.000 t), a Romana Americana
(797.000 t), a Steaua Romana, em Campina (600.000 t), o cais de embarque no
Danúbio, em Giurgiu, considerado altamente inflamável, e a refinaria de
Prahova, em Bucareste (186.000 t), também junto de importantes pátios de
manobra. O Lorde Hankey, chanceler do Ducado de Lancaster e presidente de
uma comissão oficial britânica interessada nos suprimentos de óleo alemães,
levantou junto a Sir Charles Portal a possibilidade de se atacar Ploesti em
fevereiro; ressalvando sua proposição com o comentário de que os alvos
petrolíferos romenos, por estarem localizados distantes entre si, não
permitiam ação efetiva por parte das pequenas forças da RAF ora na Grécia e
que a neutralidade das nações balcânicas criava um obstáculo importante. Um
documento do Ministério das Relações Exteriores, datado de 12 de fevereiro,
anunciava a retirada iminente do ministro britânico de Bucareste
(realizada, de fato, dois dias depois) e observava que o Gabinete estava
pensando seriamente em desfechar um ataque aéreo às fontes petrolíferas
romenas. O Ministério ponderava que tais considerações eram
"abstratas", pois nem os gregos nem os turcos permitiriam que a RAF
usasse seus aeródromos para bombardear um país com o qual não estavam em
guerra e o uso da Arma Aérea da Esquadra estava fora de cogitações. Além
disso, qualquer bombardeio da Romênia poderia levar Hitler a ocupar a
Bulgária, pondo em risco toda a área dos Balcãs: "Até que estejamos em
condições de bombardear os poços de petróleo e as refinarias a ponto de
transtornar efetivamente o suprimento de petróleo da Alemanha por longo
período de tempo, não parece de boa política empenharmo-nos em incursões
prematuras e inconcludentes". Não obstante, o projeto
ainda estava muito latente. Em, resposta ao Ministério das Relações
Exteriores, o Estado-Maior da Força Aérea argumentou que "a necessidade
estratégica e não a conveniência política" deveria ditar a ação contra o
petróleo romeno, numa clara inferência de que a violação da neutralidade
deveria ocorrer se fosse, em termos militares, necessária. Pouco antes de
partir para Bucareste, o ministro britânico, Sir Reginald Hoare, advertiu que
as refinarias de Ploesti ainda se achavam "relativamente
vulneráveis", com reduzida proteção cercando as unidades componentes.
Ademais, devido às mínimas quantidades de exportações de inverno, havia
grandes estoques (cerca de 1.650.000 toneladas de produtos refinados)
concentrados em uns poucos lugares; e que "ataques a pontos como
Campina, Ploesti, Giurgiu e Constanta poderiam ser simultaneamente dirigidos
contra intalações, material e construções ferroviárias". A 20 de
fevereiro a pressão para agir partiu de outro setor. A Executiva de Operações
Especiais, sediada no Cairo, estava prestes a iniciar uma campanha de
sabotagem contra o petróleo romeno e queria que a RAF desfechasse um
"ataque simulado", em apoio. Anthony Eden, com o ministro britânico
então fora da Romênia, também deu ênfase à importância de se atacar
Constanta, Giurgiu e a refinaria de Astra Romana, em Ploesti. O Estado-Maior da Força
Aérea, contudo, estava preocupado não com o início da operação desse plano,
mas com a operação em si. Rejeitando o pedido da Executiva de Operações
Especiais, ele explicou que somente nove Wellingtons e um esquadrão de
Blenheim IV estavam disponíveis na Grécia e que, se a Alemanha revidasse na
mesma moeda, não haveria caças em número suficiente para proteger a
população grega. Sir Charles Portal já dissera ao Lorde Hankeg: "Não
creio que haja uma chance em 100 de que os gregos nos permitam usar seu país
como base de operações contra a Alemanha (sic) enquanto não estejam também em
guerra com ela", e a 25 de fevereiro calculou que os alemães tinham de
30 a 40 bombardeiros capazes de chegar à Grécia, partindo da Romênia, e de
100 a 120 bombardeiros de mergulho na Bulgária prontos para investir contra
Salônica. Ademais, ele agora temia que a ação aérea também pudesse provocar
uma invasão da Grécia por terra. Portal sentia-se, pois, muito pouco
entusiasmado com a proposta; e a necessidade de cooperação grega, cuja
obtenção era problemática, também esfriou o entusiasmo do primeiro-ministro.
A 27 de fevereiro, Churchill informou Eden que, independente da opinião militar
do Reino Unido, "os gregos estavam de posse, claramente, da última
palavra". Devido às óbvias
dificuldades no terreno militar e político, o conceito não foi ativamente
adotado nesse estágio. A invasão alemã da Grécia e da Iugoslávia realizada
em abril renovou o interesse. No dia 15, esperava-se oficialmente que o bombardeio
da Romênia se iniciasse o mais breve possível, mas o colapso da resistência
grega e a retirada das forças britânicas do continente logo tornaram
impossível um ataque aéreo. Por conseguinte, em vista dos desenvolvimentos
de pós-guerra, deve-se destacar uma nota do Ministério das Relações
Exteriores, datada de 25 de abril: "Recentemente vimos tentando
interessar os russos na possibilidade de iniciar algum tipo de movimento
revolucionário na Romênia, com o objetivo de conseguir sua retirada da guerra".
Nessa época, a URSS e a Grã-Bretanha ainda não tinham cortado relações com
aquele país. Halpro: fracasso de uma missão Quando a "Operação
Barbarossa" levou a URSS à guerra, em junho de 1941, a Força Aérea
Vermelha realizou alguns ataques esporádicos à Romênia. Num destes, feito
durante a primeira semana de julho, não só dois petroleiros sofreram avarias
no porto de Constante como também foram atingidas Bucareste e Ploesti. A 14
de julho, seis aviões russos atacaram a Unirea Orion de uma altitude de 600 a
1.000 m ao anoitecer, e segundo opinião geral, destruíram 18 tanques,
puseram a refinaria fora de,ação por quatro meses e causaram danos avaliados
em mais de um milhão de dólares. As notícias veiculadas sobre os ataques
russos levaram imediatamente o Lorde Hankey a dirigir "um apelo
final" aos Chefes de Estado-Maior britânicos no sentido de uma ação
vigorosa contra as fábricas de sintético da Alemanha, mas estando as
principais bases britânicas agora na África do Norte, não se podia planejar uma
operação realista pela RAF contra a Romênia. Porém, a 14 de janeiro de
1942, os britânicos tornaram a revisar a situação. Ploesti ficava a 600 km
de Sebastopol e a 1.000 km de Yekaterinodar, na Rússia. Da Cirenaica até
Yekaterinodar, passando por Ploesti, a distância era de 2.400 km, de modo
que, contando com a cooperação russa, talvez se pudesse realizar um ataque
aéreo. Durante o inverno romeno, de 0° a 5º C era normal e até 15º C era
possível, de modo que os danos causados a casas como a refinarias poderiam
ser muito lucrativos. Eram necesários, no mínimo, dois meses para reconstituir
uma fábrica totalmente bombardeada, e as unidades de destilação necessitavam
de seis semanas a três meses; as unidades de craqueamento, de três a quatro
meses, e as casas de caldeiras, de um a dois meses. Com Liberators
quadrimotores agora à disposição (adquiridos para fins comerciais antes que
os Estados Unidos entrassem na guerra), os britânicos talvez pudessem
reduzir a produção romena de óleo de nove milhões para um milhão de toneladas
anuais. Fazendo uso de bombas de 227 kg e realizando 90 incursões por mês,
um esquadrão desses bombardeiros pesados levaria 17 meses para conseguir seu
objetivo, mas dois esquadrões poderiam faze-lo em pouco mais de cinco meses. Contudo, sabia-se que
Ploesti achava-se bem fortificada em sua volta. Oito aeródromos aptos para
entrar em ação estavam situados a 145 km da cidade; um cinturão interno de
defesas estendia-se até 8 km e um cinturão externo, até 45 km do seu centro.
O calibre das armas aumentava a começar pelas metralhadoras instaladas perto
das refinarias até os canhões antiaéreos pesados, no círculo externo, estes
últimos guarnecidos por alemães a partir de novembro de 1941. Paredes duplas
de tijolos reforçadas com cimento haviam sido erguidas em redor das unidades
mais expostas: na Astra Romana, estas tinham 7 m de altura com base de 1,30
m de largura, diminuindo para 30 cm no topo; as da Unirea Orion eram de 70 cm
na base e 14 cm no topo, com pilares de reforço feitos de tijolos erguidos a
cada 5 m ao longo da parede. Muitas instalações também foram camufladas (a
torre de fracionamento da Dacia Romana foi pintada de "verde
sujo") e corria a versão de que havia duas Ploestis falsas. Uma delas
ficava a 13 km a noroeste e a outra, em Albesti, a 12 km a leste da Ploesti
propriamente dita, com refinarias instaladas num contorno de luzes, a cerca
de um metro acima do solo e contendo pequena quantidade de óleo que se
incendiaria durante um ataque, tudo não passava de simples imitação.
Destinada principalmente aos bombardeios noturnos, esta cidade, apenas uma
farsa, conseguiu certa vez enganar os russos. Em fevereiro de 1942,
segundo observação da RAF, a distância de Chipre a Ploesti era de apenas
1.100 km, caso o espaço aéreo turco fosse volado. Se, contudo, isto fosse
politicamente inaceitável e tivesse de ser usada a Cirenaica (El Adem ficava
a 1.440 km de Ploesti), os Stirlings, os Manchesters e os Halifaxes não
teriam raio de ação suficiente para agir, a menos que conseguissem pousar e
reabastecer na URSS. O Liberator era o único avião capaz de voar até Ploesti
e regressar, mas só havia dois esquadrões de Liberators da RAF no Oriente
Médio, número insuficiente para se lançar a um ataque eficaz. Dois meses depois o
projeto voltou a ser examinado. O Ministério da Guerra Econômica estimou que
seis das refinarias de Ploesti alcançavam quatro milhões de toneladas de
produção por ano e que, em vista do envolvimento dos alemães na campanha
russa, poder-se-ia obter resultados contundentes se elas fossem postas fora
de ação por três meses. O QG da RAF no Oriente Médio (HQ RAF ME), foi
consultado pelo Ministério da Aeronáutica: "Que mais seria necessário
para se alcançar o objetivo mediante um, repetimos, um ataque diurno de
surpresa e de baixo nível, efetuado por bombardeiros pesados transportando
bombas SAP a ser lançadas contra as casas de força das refinarias?" O
Ministério da Aeronáutica acrescentou que estava em cogitação o uso de
Beaufighters munidos de granadas de canhão incendiárias AP contra as instalações
de destilação e craqueamento. E solicitou ao HQ RAF ME que calculasse o
possível êxito de um ataque noturno de grande altitude "tendo em mente
as dificuldades de localização do alvo e as defesas antiaéreas", que
comentasse sobre a possibilidade de cooperação russa e examinasse a
viabilidade de um ataque a ser desfechado por 500 pára-quedistas. A resposta, dada a 26 de abril, não foi satisfatória. Dizia ser impossível neutralizar por três meses as instalações de Ploesti de bases do Oriente Médio e era mínima a chance de êxito num ataque de baixo nível através de proteção antiaérea e balões. O QG da RAF no Oriente Médio salientou que 15 ou 16 casas de força deviam ser "destruídas, e não danificadas" e que o excedente de energia disponível provavelmente é de 50 por cento acima das necessidades normais". Um ataque diurno vindo pelo mar Egeu, sobrevoando a Turquia, era considerado "perigoso" devido à cobertura RDF inimiga e precisava de pelo menos oito esquadrões de bombardeiros pesados munidos de bombas de 113 e 227 kg GP e incendiárias, e não bombas SAP: em vez disso, seria preferível um ataque noturno contra a Astra Romana, mesmo correndo o risco de bombas erradamente caírem em quatro outras refinarias. "O ataque direto por 500 pára-quedistas era extremamente perigoso e exigiria grande número de aviões-transportes, provavelmente à custa do esforço de bombardeio: a infiltração por grupos pequenos de sabotadores provavelmente seria mais eficaz", prosseguia a resposta. O HQ RAF ME achava que as negociações com a URSS poderiam ser melhores se realizadas por Londres e que os aviões russos provavelmente seriam incapazes de realizar uma ação eficaz das bases que tinham então. Uma avaliação feita dois dias depois observava que doze aeródromos em Chipre tinham pistas longas (cinco delas macadamizadas), que a distância de Nicósia a Ploesti (sobre a Turquia) era de 1.360 km, de Krasnova a Ploesti 1.080 km, e de Fuka (Egito) a Ploesti 1.660 km (evitando-se território neutro). Ela acrescentava que o Liberator II tinha raio de ação operacional de 2.900 km e velocidade de cruzeiro de 288 km/h a 5.000 m nas condiç |